Política

Brasil contra o crime

'Parte das armas apreendidas aqui vêm dos EUA, a desgraça não está só do lado de cá', diz Lula

A declaração foi feita no lançamento do programa Brasil contra o Crime Organizado, a nova aposta do governo federal para a área da segurança pública

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 12, que disse ao presidente americano, Donald Trump, durante encontro ocorrido em Washington na semana passada, que parte das armas de fogo apreendidas no Brasil vêm dos Estados Unidos, para mostrar que a "desgraça" não está só "do lado de cá".

A declaração foi dada durante cerimônia no Palácio do Planalto para o lançamento do programa Brasil contra o Crime Organizado, a nova aposta do governo federal para a área da segurança pública.

O programa é estruturado em quatro eixos estratégicos (asfixia financeira das organizações criminosas; fortalecimento da segurança no sistema prisional; qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e combate ao tráfico de armas), e deve ser usado como exemplo, na campanha eleitoral, de comprometimento do governo no combate à violência.

"Nós falamos ao presidente Trump que temos proposta de asfixia financeira, de combater a lavagem de dinheiro. Inclusive, tem um Estado nos Estados Unidos, Delaware, se não estou enganado, que tem lavagem de dinheiro de gente brasileira. Ao mesmo tempo, parte das armas que apreendemos vêm dos Estados Unidos. É importante dizer, porque se não eles passam a ideia de que a desgraça toda está do lado de cá e eles não têm nada a ver com isso", afirmou Lula em discurso.

Ele também mencionou ter pedido a Trump para seu governo enviar ao Brasil criminosos brasileiros vivendo nos Estados Unidos. "Eu disse ao presidente Trump: ‘Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que entregar alguns nossos que estão morando em Miami’. É só querer discutir", disse.

A declaração fez referência ao empresário e ex-advogado Ricardo Andrade Magro, responsável pelo Grupo Refit (nome fantasia da Refinaria de Manguinhos), que já foi alvo de uma operação feita pela Polícia Civil de São Paulo, a Receita Federal e o Ministério Público.

O grupo é considerado o maior devedor de ICMS do Estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores da União - acusado de sonegar R$ 26 bilhões. A polícia usou uma marreta para arrombar a porta da empresa. Endereços ligados à família de Magro também foram alvos de busca e apreensão. O empresário vive em Miami.

Lula já havia dito ter conversado sobre Magro com Trump, por telefone, em dezembro. Segundo ele, o empresário está entre "os grandes chefes do crime organizado do País", e teve cinco navios apreendidos pela Receita Federal. "Se quer ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí", afirmou na ocasião.

Em novembro do ano passado, quando foi alvo de operação, a empresa afirmou que "todos os tributos estão devidamente declarados, não havendo que se falar em sonegação".

O presidente também repercutiu críticas feitas com frequência por governadores, em especial aqueles da direita, ao sistema de Justiça, acusado de ser conivente com as prisões feitas pelas polícias estaduais.

"Nós vamos ter que conversar muito com o Poder Judiciário, porque há muita queixa dos governadores, porque muitas vezes a polícia prende os bandidos, e uma semana depois esse bandido está solto. Tem gente que se queixa que tem muitos lugares (onde) a pessoa é presa, e o preso escolhe o lugar em que ele quer ficar preso, e às vezes ele é libertado e dirigido para a cadeia onde ele quer ficar", disse Lula.

Ele afirmou que Polícia Militar, Polícia Civil e governadores se queixam desse assunto, e que vai procurar instâncias como o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional de Procuradores para tratar da questão.

O discurso costuma opor políticos conservadores e progressistas, que pesam suas críticas ao trabalho da polícia. Em março de 2025, por exemplo, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, atraiu uma crise com os opositores ao afirmar que o Judiciário era obrigado a soltar detentos que tiveram suas prisões conduzidas de forma errada pela polícia. Segundo ele, "a polícia tem que prender melhor".

democracia

Aliados do Centrão classificam carta de Flávio Bolsonaro como 'delirante'

Sob reserva, parlamentares ironizaram o conteúdo da carta, incluindo o fato de Flávio se comparar a nomes como o jurista Ruy Barbosa

29/10/2026 07h23

Nos EUA, Flávio se encontrou com o irmão, o ex-depuado Eduardo, e com Alexandre Ramagem, que também era deputado federla

Nos EUA, Flávio se encontrou com o irmão, o ex-depuado Eduardo, e com Alexandre Ramagem, que também era deputado federla

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Integrantes do Centrão avaliam como "delirante" a carta publicada na quarta-feira, 28, em que o candidato à Presidência da República derrotado Flávio Bolsonaro (PL) se autoproclamou "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". A avaliação é que a empreitada do senador não terá endosso institucional nem de próprio partido, o PL.

Flávio publicou na quarta o documento em que repete, sem provas, que teria havido fraude eleitoral no segundo turno. Pouco depois, no entanto, o senador recuou e alterou o documento para se apresentar como "o líder do Brasil".

Parlamentares do Centrão ouvidos pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) consideram que Flávio "ficará falando para as paredes" e que mesmo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fugirá de defender a tese do senador.

Questionado pela reportagem, o PL preferiu não se manifestar sobre o documento.

Há uma preocupação, no entanto, sobre se Flávio conseguirá mobilizar apoiadores a irem para as ruas, em protestos que poderiam inflamar o debate político.

Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não quis comentar sobre a carta golpista. Após a proclamação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no domingo, ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foram os primeiros a reconhecer a vitória do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Sob reserva, parlamentares ironizaram o conteúdo da carta, incluindo o fato de Flávio se comparar a nomes como o jurista Ruy Barbosa.

Avaliam também que a atitude de Flávio poderia causar um "efeito rebote", fortalecendo o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), acusados pelo senador de arquitetar um golpe contra ele.

Aliados evitam endossar Flávio

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que entende o sentimento de indignação de Flávio Bolsonaro, mas que a eleição acabou e é preciso agora respeitar o resultado das urnas e seguir em frente.

"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", afirmou o governador em entrevista exclusiva ao Estadão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou e evitou apoiar a tentativa de Flávio de se colocar como o "presidente eleito".

"Não comentarei sobre o assunto. Não vou me envolver", respondeu o norte-americano, após ser questionado.

Na carta, Flávio agradece Trump por tê-lo acolhido nos Estados Unidos.

Diplomacia

Simone Tebet é cotada para ser a primeira mulher a comandar o Itamaraty

Associação de diplomatas pede a Lula uma mulher no Ministério das Relações Exteriores; ex-ministra de MS aparece entre os nomes avaliados para 2027

28/10/2026 19h13

Ex-ministra Simone Tebet é cotada nos bastidores para assumir o Ministério das Relações Exteriores em 2027, em meio à mobilização de diplomatas pela escolha de uma mulher para o cargo.

Ex-ministra Simone Tebet é cotada nos bastidores para assumir o Ministério das Relações Exteriores em 2027, em meio à mobilização de diplomatas pela escolha de uma mulher para o cargo. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

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A ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB), natural de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, passou a ser mencionada nos bastidores de Brasília como uma das possíveis escolhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comandar o Ministério das Relações Exteriores a partir de 2027.

A articulação ocorre em meio à mobilização de diplomatas que defendem a nomeação de uma mulher para a chefia do Itamaraty, cargo que nunca foi ocupado por uma representante feminina.

Nesta quarta-feira (28), a Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras (AMDB) encaminhou uma carta ao presidente Lula defendendo que a composição do novo governo contemple uma mulher à frente da diplomacia brasileira.

O documento não apresenta candidatas específicas, mas a sul-mato-grossense aparece entre os nomes considerados por integrantes do Ministério das Relações Exteriores.

A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles, que aponta a experiência política de Tebet e sua proximidade com o setor produtivo como fatores favoráveis a uma eventual indicação.

A mobilização também ganhou espaço nas redes sociais. Em publicação na conta oficial da Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras no Instagram, a entidade divulgou uma campanha com a hashtag #MulherChanceler e a mensagem: “Queremos uma mulher no comando do Ministério das Relações Exteriores!”.

A iniciativa reforça a defesa de maior representatividade feminina na diplomacia brasileira e busca sensibilizar o governo federal para a escolha de uma mulher para o cargo, até hoje nunca ocupado por uma representante feminina.

Entre os argumentos considerados nos bastidores está a capacidade da ex-ministra de estabelecer diálogo com diferentes setores econômicos, especialmente o agronegócio, que possui participação expressiva nas exportações brasileiras.

A trajetória política construída em Mato Grosso do Sul também é vista como um diferencial. Antes de integrar o governo federal, Tebet exerceu os cargos de prefeita de Três Lagoas, vice-governadora do Estado e senadora da República.

Disputa pelo comando do Itamaraty

Apesar da movimentação em torno do nome de Simone Tebet, ainda não existe uma definição sobre quem assumirá o Ministério das Relações Exteriores no próximo mandato presidencial.

Entre as possibilidades discutidas por integrantes da diplomacia está a escolha de um nome político, sem necessariamente pertencer à carreira diplomática. Nesse cenário, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad também aparece entre os possíveis indicados.

Por outro lado, a permanência do atual chanceler, Mauro Vieira, continua sendo considerada uma alternativa relevante. Sua recondução representaria a continuidade da atual orientação da política externa brasileira.

As discussões também alcançam a Secretaria-Geral das Relações Exteriores, considerada o segundo posto mais importante da estrutura do Itamaraty. Os embaixadores Gisela Padovan e Mauricio Lyrio estão entre os nomes mencionados para a função.

A campanha por maior participação feminina ocorre em um cenário de desigualdade na representação diplomática.

Conforme informações divulgadas pela própria AMDB, as mulheres representam aproximadamente 23% do corpo diplomático brasileiro e ocupam apenas 12% das chefias de missões diplomáticas no exterior.

Após derrota nas urnas, Tebet pode voltar ao primeiro escalão

A possibilidade de assumir o Itamaraty surge poucas semanas depois de Simone Tebet não conseguir uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de outubro.

A ex-ministra conquistou aproximadamente 8,3 milhões de votos, mas terminou a disputa na terceira colocação, atrás de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), eleitos para representar o estado no Congresso Nacional.

Para concorrer ao cargo, Tebet havia deixado o Ministério do Planejamento e Orçamento, pasta que comandou desde o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023.

Mesmo sem conquistar uma cadeira no Senado, a ex-ministra permanece entre as lideranças políticas consideradas para integrar a próxima equipe do presidente.

Caso seja escolhida, a sul-mato-grossense retornará ao primeiro escalão do governo federal em uma função de projeção internacional, responsável pela condução das relações diplomáticas do Brasil e pela representação dos interesses do país no exterior.

A eventual nomeação também teria significado histórico, ao colocar, pela primeira vez, uma mulher no comando do Ministério das Relações Exteriores.

Por enquanto, entretanto, o nome de Tebet permanece no campo das articulações políticas, sem anúncio oficial por parte do Palácio do Planalto.

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