Política

Ensurdecedor

Nem 'bolsonaristas raiz' da Assembleia defendem o fugitivo Flávio

Petistas falaram durante mais de meia hora sobre a fuga do senador para os EUA e nenhum parlamentar saiu em defesa do senador que domingo obteve 59 milhões de votos

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Praticamente no mesmo horário em que desembarcava nos Estados Unidos com a família, o senador Flávio Bolsonaro (PL) estava sendo alvo de uma série de críticas feitas por deputados petistas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. E, ao contrário do que normalmente acontecia ao longo dos últimos anos, nenhum dos cinco parlamentares do PL que estavam presentes e conseguiram se eleger graças ao movimento bolsonarista saiu em sua defesa.

O deputado Zeca do PT, após fazer uma série de denúncias de perseguições que eleitores do presidente Lula estariam sofrendo no Estado, classificou estas supostas perseguições como ato de desespero dos “deserdados do bandido que fugiu para os Estados Unidos”. E encerrou seu rápido comentário lembrando que Lula se entregou à Justiça e ficou preso durante 580 dias depois da condenação imposta pelo então juiz Sérgio Moro.

Na sequência, o deputado Pedro Kemp, que classificou a viagem de Flávio Bolsonaro como algo vexatório, iniciou seu pronunciamento de meia hora com um trecho do hino nacional dizendo que “verás que um tilho teu não foge à luta”, em referência à fuga do senador.

E, de acordo com Pedro Kemp, o senador “jogou na lata do lixo os 59 milhões de votos que recebeu no domingo” e emendou dizendo que quem não deve não teme. Mas, “se foi embora é porque tem muito a temer”.

O deputado Coronel David (PL), um dos bolsonaristas que normalmente sai em defesa do clã e confronta os petistas, acompanhou inerte ao pronunciamento do petista. Paulo Corrêa, Lucas de Lima, Zé Teixeira e Mara Caseiro, todos eleitos pelo PL na onda bolsonarista no dia 4 de outubro, tiveram a mesma reação: silêncio total. Dos 24 deputados, somente Márcio Fernandes não estava presene. 

O silêncio do autodenominado representante do bolsonarismo raiz na última disputa ao Governo do Estado, o deputado João Henrique Catan (Novo) também evidenciou o desapontamento que a fuga provocou entre os parlamentares da direita.

Apesar da escassez de recursos e de não ter tito direito a inserções publicitárias no horário gratuito na TV e no rádio, obteve 98.677 (7,24%) votos na disputa para governador no dia 4 de outubro. O desempenho foi atribuído à defesa intransigente que até aqui fazia da família Bolsonaro.

O único que fez um aparte durante o pronunciamento de Pedro Kemp foi o tucano Pedro Caravina, que também foi reeleito. Mas, nem mesmo mencionou o nome do senador fugitivo.

Em uma espécie de defesa indireta, cobrou o andamento da investigação que envolve o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Foi o ministro que atendeu ao pedido da Polícia Federal e determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes. Em vez, disso, porém, o senador foi para a Argentina e na manhã desta quarta-feira chegou aos EUA. 

Apuração

Prefeito diz que afastará servidor após áudio sobre envenenar água em Tacuru

Rogério Torquetti afirmou também que abriu um Processo Administrativo

28/10/2026 09h50

Prefeito publicou vídeo falando sobre afastamento de servidor

Prefeito publicou vídeo falando sobre afastamento de servidor Reprodução/Redes sociais

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O prefeito de Tacuru, município localizado a 416 quilômetros de Campo Grande, Rogério Torquetti (PSDB), informou, em vídeo publicado nas redes sociais, que abriu um procedimento para apurar a conduta de um servidor que, em conversa com um colega após o resultado das eleições de domingo (25), teria sugerido envenenar a água.

“De antemão, o nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”, afirmou o prefeito, que disse não ter sido intimado por nenhuma esfera.

Antes de publicar o vídeo, Torquetti havia dito que os dois homens da conversa gravada são servidores do município e estavam “meio eufóricos, alcoolizados”, após o resultado da votação.

Na ocasião, também disse que eles não mencionaram, em nenhum momento, envenenar a água de comunidades indígenas. Apesar disso, o prefeito afirmou que proibiu os dois de irem às comunidades e que havia os repreendido pelo diálogo.

Na fala mais recente, classificou o funcionário afastado como um “excelente servidor”, mas reforçou que o jurídico do município orientou pela abertura de um Processo Administrativo (PAD).

Entenda a história

No áudio que começou a circular no domingo, os dois servidores lamentam o resultado das urnas e reclamam que as pessoas se “matam” de ajudar esses “capetas”, enquanto os “cães” fazem isso, em referência à vitória do presidente Lula (PT). Um deles diz no final do diálogo: “Mas fazer o quê? A gente não pode fazer nada. Eu já falei, tem que ‘ponhar’ veneno na água, matar essas pragas na água”.

O ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena, afirmou que tem recebido diversas denúncias de assédio e violência política em aldeias desde domingo e que medidas estão sendo tomadas. “Nós não admitiremos que as comunidades indígenas sejam assediadas, intimidadas ou violentadas nos seus direitos políticos”, declarou.

Outra situação de revolta com o resultado da eleição aconteceu em Chapadão do Sul. O prefeito Walter Schlatter (PP) compartilhou uma imagem considerada xenofóbica que associava a região Nordeste do Brasil à figura de um burro. Depois da repercussão, o chefe do Executivo pediu desculpas. 

 

PACOTÃO

Riedel encaminhará à Assembleia ajuste fiscal e reforma administrativa

Governador reeleito estaria preparando os projetos para serem entregues em novembro e incluiria a separação da Sejusp

28/10/2026 07h35

O governador reeleito Eduardo Riedel já tinha adiantado que faria mudanças na Sejusp no novo mandato

O governador reeleito Eduardo Riedel já tinha adiantado que faria mudanças na Sejusp no novo mandato Marcelo Victor / Correio do Estado

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O governador reeleito Eduardo Riedel (PP) prepara o encaminhamento de dois pacotes de medidas à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) em novembro.

Um deles será voltado a ajustes fiscais nas contas estaduais, enquanto o outro tratará da reforma administrativa, que terá entre suas principais mudanças a divisão da atual Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em duas pastas independentes, uma de Justiça e outra de Segurança Pública.

A informação foi obtida com exclusividade pelo Correio do Estado com integrantes do primeiro escalão do governo estadual.

Conforme essas fontes, as propostas fazem parte da estratégia do governador para reorganizar a máquina pública e preparar o Estado para os próximos quatro anos de gestão, a partir do dia 1º de janeiro de 2027.

Na área administrativa, uma das principais alterações será justamente o desmembramento da Sejusp, que atualmente reúne sob o mesmo comando as políticas de segurança pública e as atribuições relacionadas à Justiça e à administração penitenciária.

Com a mudança, o governo pretende estabelecer duas estruturas distintas, permitindo que cada secretaria tenha gestão própria e atuação concentrada em suas respectivas áreas.

A definição sobre a distribuição de órgãos, competências e cargos entre as futuras Pastas deverá constar do projeto encaminhado aos deputados estaduais.

A separação representa uma das mudanças mais significativas previstas para a estrutura do Executivo estadual no início do segundo mandato de Riedel, que pretende aproveitar o período de transição entre as duas gestões para promover uma reorganização administrativa.

Além da Sejusp, outras estruturas do governo poderão passar por ajustes, embora ainda não exista confirmação sobre quais pastas serão atingidas ou se haverá criação, extinção ou fusão de outros órgãos estaduais.

AJUSTE FISCAL

Paralelamente à reforma administrativa, Riedel encaminhará à Assembleia Legislativa um pacote de ajustes fiscais, com o objetivo de adequar as contas estaduais à realidade financeira projetada para os próximos exercícios.

Embora o conteúdo das medidas ainda seja mantido sob reserva, a discussão deverá envolver a necessidade de preservar o equilíbrio entre receitas e despesas, controlar os gastos de custeio e manter a capacidade de investimento do governo estadual.

Ainda não há confirmação sobre eventual revisão de benefícios fiscais, alterações tributárias ou medidas específicas de contenção de despesas. 

A movimentação ocorre justamente no momento em que os deputados estaduais começam a discutir a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2027, encaminhada pelo Executivo.

O projeto prevê um orçamento de R$ 27,99 bilhões para o próximo exercício financeiro, crescimento de apenas 2,95% em relação aos R$ 27,19 bilhões previstos para este ano.

Desse total, aproximadamente R$ 13,5 bilhões estão destinados a pessoal e encargos sociais, enquanto R$ 2,45 bilhões são reservados para investimentos.

O crescimento moderado da previsão orçamentária reforça a importância das discussões sobre o equilíbrio fiscal e a capacidade do Estado de manter investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.

NOVA ESTRUTURA

Na reforma administrativa, a separação das áreas de Justiça e Segurança Pública deverá exigir uma redefinição das atribuições atualmente concentradas na Sejusp.

A proposta de criação de uma secretaria específica para a Justiça abre espaço para uma gestão mais direcionada às políticas penitenciárias e a outras competências que venham a ser estabelecidas na nova legislação.

Por sua vez, a futura Secretaria de Segurança Pública deverá concentrar a coordenação das políticas de enfrentamento à criminalidade, prevenção da violência e integração das forças policiais.

A medida também poderá provocar mudanças na composição do primeiro escalão do governo, uma vez que a divisão da estrutura atual resultará em dois comandos administrativos independentes.

Entretanto, os nomes que poderão assumir as novas Pastas ainda não foram definidos. O governador já sinalizou que a definição do secretariado ocorrerá depois da avaliação sobre o funcionamento da estrutura administrativa, evitando que a distribuição de cargos anteceda a definição das necessidades de cada área.

ARTICULAÇÃO

O encaminhamento dos dois pacotes em novembro também exigirá articulação política do Executivo com a Assembleia Legislativa, uma vez que as mudanças dependerão da aprovação dos parlamentares, conforme a natureza de cada proposta.

A intenção é aproveitar os últimos meses da atual legislatura para discutir e, eventualmente, aprovar as alterações antes do início do novo mandato.

Reeleito em primeiro turno com 67,07% dos votos válidos, Riedel conta com uma base de apoio na Assembleia Legislativa, fator que poderá facilitar a tramitação das propostas, embora o conteúdo fiscal tenha potencial para provocar debates mais intensos entre os deputados.

Ao antecipar as mudanças para novembro, o governador busca iniciar seu segundo mandato com as diretrizes fiscais estabelecidas e uma nova configuração da máquina pública.

A divisão da Sejusp, por sua vez, deverá ser uma das principais marcas dessa reorganização, alterando a estrutura de uma das áreas mais estratégicas da administração estadual.

*SAIBA

Grupo de trabalho conclui diagnóstico

Criado por meio do Decreto nº 16.806, de 5 de outubro, o grupo de trabalho responsável por avaliar a estrutura das secretarias de Estado e preparar a implementação do plano de governo 2027-2030 concluiu suas atividades nesta semana.

A equipe de oito integrantes analisou questões administrativas, orçamentárias e operacionais, além de identificar dificuldades e necessidades de mudanças nos órgãos estaduais.

Embora o decreto tenha estabelecido o dia 4 de dezembro como prazo para apresentação do relatório final, a conclusão antecipada permite que Riedel encaminhe à Assembleia Legislativa as mudanças necessárias.

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