Política

MATO GROSSO

Blairo pagou empresas suspeitas

Blairo pagou empresas suspeitas

FOLHAPRESS

22/05/2014 - 19h11
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 A gestão do senador Blairo Maggi (PR) no governo de Mato Grosso (2003-2010) fez pagamentos milionários a empresas suspeitas de abastecer um esquema de caixa dois no Estado.

Blairo e outras autoridades de Mato Grosso, como o próprio governador Silval Barbosa (PMDB), são investigadas pela operação Ararath, da Polícia Federal. A PF pediu buscas na casa, no escritório e na sede das empresas de Maggi, mas o STF (Supremo Tribunal Federal) negou. Houve buscas na casa do governador Barbosa, que chegou a ser detido por posse ilegal de arma.

O principal delator do suposto esquema é o empresário Gércio Mendonça Jr., conhecido como Júnior Mendonça. Ele presta informações em regime de delação premiada (em troca de benefícios na acusação).

A Amazônia Petróleo (rede de postos de combustíveis) e a Globo Fomento (factoring), empresas de Mendonça Jr., são apontadas pela PF como uma espécie de "banco clandestino", que desde a gestão Blairo recebia empréstimos privados fraudulentos e recursos desviados de cofres do Executivo, Legislativo e Judiciário de MT.
O senador nega manter relações com o empresário.

Lince Construtora

Mendonça Jr., por exemplo, reconheceu à PF que a Globo Fomento recebeu em 2008 um depósito de R$ 2 milhões da Lince Construtora e Incorporadora, de Cuiabá (MT). Disse que o depósito foi feito "a mando de terceiro", não sabendo dizer se do grupo de Éder Moraes (PMDB), ex-secretário da Fazenda de Blairo e da Copa na gestão Barbosa, ou se do grupo do presidente afastado da Assembleia de MT, José Riva (PSD).

Riva e Moraes foram presos na última terça (20) dentro da quinta fase da operação Ararath.

O empresário disse nunca ter mantido relação comercial com a Lince. "O que por essa razão gera convicção no depoente [Mendonça Jr.] que [o dinheiro] seja de um grupo político ou de outro", diz trecho de decisão da Justiça Federal que autorizou a quinta fase da operação.

Para a PF, há "fortes indícios" de lavagem de dinheiro e de desvio de recursos públicos na operação, já que a Lince recebeu, também em 2008, pagamentos de R$ 6,22 milhões do governo Blairo, por obras e serviços de engenharia.

A Lince e as casas de seus dois sócios foram alvo de buscas na operação Ararath nesta semana. A reportagem não conseguiu contato com a empresa - o número que aparece na lista telefônica está fora do ar.

'Bucha' da Gemini

Outra empresa alvo da operação é a Gemini Projetos Incorporações e Construções, que nesta semana foi alvo de buscas em sua sede e na casa de seu representante., ambas na capital de MT.

Mendonça Jr. disse ter comprado, em fevereiro deste ano, uma dívida de R$ 500 mil da Gemini no banco privado Bicbanco. Para tal, obteve empréstimo de R$ 3 milhões no próprio Bicbanco, que, segundo a PF, tem dirigentes sob suspeita de participação no esquema.

O empresário afirmou ter feito a operação a pedido do ex-secretário Éder Moraes, que o chamara para resolver uma "bucha", pois a Gemini estava em recuperação judicial.

Ocorre que a empresa recebeu do governo de MT, de 2007 a 2009, pagamentos que somaram R$ 3,86 milhões. Isso, ocorreu, segundo a Justiça Federal, mesmo com a empresa em recuperação judicial e "considerando-se os indícios de que associadas às operações financeiras ilegais estariam ocorrendo desvios de recursos públicos".

Laje Engenharia e Pavimentação

Para o juiz federal Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal, o caso da empresa Laje "revela a provável procedência das informações acerca do envolvimento de Blairo Borges Maggi no esquema".

Em 2006, já como governador, Maggi foi fiador, em agosto daquele ano, de um empréstimo de R$ 5 milhões tomado pela Laje no Bicbanco. Dois meses depois, o governo de MT informou ao Bicbanco que tinha R$ 1,08 milhão para pagar à Laje.

São Tadeu Energética e Lotufo

O delator Mendonça Jr. disse ainda ter feito, em 2009, um pagamento de R$ 388,5 mil para a São Tadeu Energética, empresa de Mauro Carvalho Júnior, empresário amigo de Blairo que já atuou em campanhas do senador. A casa de Carvalho Júnior e a sede da São Tadeu foram alvo de buscas na operação.

A cópia do depósito foi encontrada pela PF em um cofre na casa do pai de Mendonça Jr.

A PF suspeita que Blairo tenha sido "devedor solidário" na operação.

Sobre isso, escreveu o juiz Schneider: "Os indícios são fortes de que Gércio [Mendonça] Júnior forneceu recursos, a mando de Éder Moraes, para cobrir parte da dívida da PCH São Tadeu [São Tadeu Energética] perante o Bicbanco. Partindo dessa provável premissa é que se extrai a conclusão óbvia: parte dos recursos obtidos mediante empréstimos, perante o Bicbanco, pela São Tadeu Energética eram destinados ao grupo político do qual faziam parte Éder Moraes e Blairo Maggi".

A São Tadeu funciona em Cuiabá no mesmo endereço da empresa Lotufo Engenharia e Construções, também alvo de buscas na operação e que fez doação de R$ 250 mil para a campanha de Blairo ao Senado em 2010.

Outro lado

A assessoria de Blairo Maggi negou qualquer envolvimento do senador com o suposto esquema. Disse que ele está na França e tem todo o interesse em esclarecer o assunto ao retornar.

Disse ainda que Blairo nunca manteve relações com Mendonça Jr., e que o recebeu apenas uma vez em 2009, na sede do grupo Amaggi, quando o empresário foi levado por seu avô, um ex-conselheiro do Tribunal de Contas.

Mendonça Jr. diz que emprestou R$ 4 milhões a Blairo, que seria usado para "comprar" uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, e que esse encontro teria sido para cobrar a dívida. A assessoria de Blairo reconhece o encontro e diz que o então governador expulsou o empresário da sala.

A assessoria reconheceu que Blairo de fato foi avalista em empréstimo tomado pela São Tadeu Energética, em razão de dificuldades que a empresa enfrentava após um acidente na construção de usina, e afirmou que a operação foi legal.

A reportagem não conseguiu contato com as empresas Gemini e Laje - os números que aparecem na lista telefônica não atendem ou não são das firmas. Não obteve contato com a São Tadeu nem com Mauro Carvalho Júnior.

O Bicbanco, que foi alvo de buscas na operação, afirma que não é investigado e que colabora com as apurações.

Eleições 2026

Azambujismo sai das urnas com controle sobre a direita de MS

Senador eleito emplacou os deputados que levou ao PL, manteve aliados no PSDB e no Republicanos; candidatos do governo ficaram sem se eleger

06/10/2026 17h31

Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito senador em Mato Grosso do Sul

Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito senador em Mato Grosso do Sul Reprodução

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O governador Eduardo Riedel (PP) foi reeleito com 67% dos votos, mas quem saiu da eleição com bancada foi Reinaldo Azambuja (PL). O senador eleito, o mais votado da história do estado, viu se elegerem os deputados que levou para o PL, os aliados que deixou em outras siglas, seus afilhados, indicados e quem ele determinou. Foi a assunção absoluta do azambujismo em MS, concretizando 16 anos do grupo político no poder. 

Curiosamente, os nomes ligados diretamente ao governador ficaram pelo caminho.

Dos seis auxiliares de Riedel que deixaram o governo para concorrer, seis perderam. O caso mais simbólico é o de Jaime Verruck (Republicanos), ex-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento, cargo que também ocupou nos governos de Azambuja. Com 49.585 votos e campanha de R$ 2,3 milhões, ficou como primeiro suplente de deputado federal. Segundo apurou a reportagem, a candidatura era um projeto com afinco do governo.

Também não se elegeram Viviane Luiza (PSDB), com 45.083 votos para federal, Marcelo Miranda (PP), Eduardo Rocha (PSDB) e Dione Hashioka (União), candidatos a estadual. Todos foram secretários do governo. 

A exceção é Hélio Peluffo (PP), eleito com 31.435 votos. Ele, porém, não era indicação pessoal de Riedel quando comandou a Infraestrutura e foi exonerado na metade do mandato.

A senadora Tereza Cristina (PP) também não conseguiu transferir votos. Marco Aurélio Santullo, que foi às urnas como "Santullo da Tereza", teve 14.245 e ficou na suplência. O PP, seu partido, teve eleitos candidatos que têm mais ligação a Azambuja do que com a senadora. 

Três partidos, um comando

No PL, que Azambuja preside no estado, a bancada estadual passou a ser a maior da Assembleia, com 9 das 24 cadeiras. Os três deputados que trocaram o PSDB pelo partido na janela de março se elegeram: Zé Teixeira e Paulo Corrêa, os dois mais votados do estado, e Mara Caseiro, que foi para a Câmara com 120.199 votos. Márcio Fernandes, que deixou o MDB no mesmo movimento, também se reelegeu.

A influência não ficou restrita à sigla. Os três deputados federais eleitos pelo PSDB em 2022 concorreram por partidos diferentes: Beto Pereira pelo Republicanos, Dagoberto Nogueira pelo PP e Geraldo Resende pelo União. A distribuição foi definida por Azambuja, segundo aliados. Beto e Dagoberto se reelegeram.

No Republicanos, Beto Pereira assumiu a presidência estadual em abril, por determinação do senador eleito. A sigla elegeu dois federais e dois estaduais. No PSDB, hoje presidido por Pedro Caravina, os três eleitos para a Assembleia (Caravina, Ângelo Guerreiro e Paulo Duarte) são ligados a ele.

Rose Modesto (União), terceira mais votada para a Câmara, fechou acordo com Azambuja depois da eleição municipal de 2024 para disputar a vaga de federal, de acordo com pessoas próximas às negociações. 

Senado

A segunda vaga do Senado também passou por ele. Azambuja costurou a candidatura de Capitão Contar (PL) e, em momentos da campanha, deixou a própria em segundo plano para garantir a do colega de chapa, relatam aliados. Prefeitos que resistiam a apoiar Contar eram cobrados por Azambuja, e não pelo governo. 

O senador Nelsinho Trad desistiu de tentar a reeleição e entrou na chapa como suplente de Azambuja, após sucessivas reuniões com Reinaldo.

O próprio Riedel é parte dessa história: foi secretário de Azambuja e escolhido por ele para a sucessão em 2022.

Próximo teste

A disputa pela presidência da Assembleia tem três nomes, todos do PL. Azambuja cobra unidade. "Quem tem três não tem ninguém. Se você começa dividido dentro de casa, não ganha nada", disse ao Correio do Estado. 

No plano nacional, Azambuja seria o escolhido do PL para o Ministério da Agricultura. Ele tem proximidade com Rogério Marinho, senador que articulou as chapas do PL pelo Brasil e sai fortalecido para presidir a Casa. Sua saída abriria caminho para Nelsinho nem deixar a cadeira, já assume como suplente. 

Também falam, nos bastidores, que a sucessão municipal em Campo Grande está sendo planilhada por Azambuja. É a única eleição onde ele nunca conseguiu emplacar, tendo ele mesmo sido derrotado em 2012. Uma das cláusulas do acordo com Nelsinho Trad seria de apoiar sua candidatura ainda em 2027. Resta saber se a informação que circula desde o início da semana, com o fim da eleição estadual, tem erro de data ou se estão falando, realmente, de 2027. 

Falha?

TSE computa falta para eleitores que votaram no 1° turno

Nas redes sociais, eleitores cobram explicações junto à Justiça Eleitoral

06/10/2026 16h45

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira Foto: Reprodução / X

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Por meio das redes sociais, eleitores relataram nesta terça-feira (6) que embora tenham comparecido às urnas e recebido comprovantes de votação, o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os registra como “faltou” no 1º turno das eleições, realizado no domingo (4). Até o momento, não há indicação de que o registro de ausência signifique que o voto não foi computado. 

Por meio das redes sociais, eleitores reclamaram de falha no sistema nesta terça-feira

Uma das publicações mostra um eleitor questionando o TSE após consultar sua situação eleitoral. “Fui conferir meu voto e mostra que eu não fui votar?? Eu fui votar e tenho o comprovante que fui até as urnas”, escreveu. A postagem foi feita nesta terça-feira. 

Nas redes sociais, diversos eleitores compartilharam suas experiências. Uma das postagens tem 12 mil curtidas e mais de 400 comentários. 

A reportagem entrou em contato com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) a fim de identificar eventuais casos em Mato Grosso do Sul, contudo, até o fechamento desta matéria, nenhum caso havia sido informado pela pasta. 

Ao Correio do Estado, a pasta destacou que a situação ocorre "em razão do processamento dos registros de votação, que estao sendo realizado em todo o país". Todos os votos foram computados normalmente.

Segundo a STI, em breve os registros deverão aparecer como “em processamento” no sistema. A atualização completa dos dados pode levar até 20 dias.

Atualizado às 17h30

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