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Bolsonaro nomeia diretor-geral da PF para cargo que ficará vago daqui a dez meses

O cargo só ficará vago em outubro do ano que vem

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 O presidente Jair Bolsonaro (PL) nomeou Márcio Nunes de Oliveira, diretor-geral da Polícia Federal, para a função de Adido Policial Federal na Embaixada do Brasil em Madri, na Espanha, por três anos.

O cargo, no entanto, está ocupado e só ficará vago daqui a dez meses, em outubro do ano que vem.
A informação foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (20), poucos dias antes do fim do governo, e gerou mal-estar dentro da PF e com a equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.

Além da nomeação, o DOU trouxe a exoneração do delegado que está no posto neste momento, Delano Cerqueira Bunn. Segundo pessoas envolvidas no caso, o policial foi pego de surpresa com a notícia do seu desligamento. Integrantes da PF afirmam que a exoneração será revogada e, portanto, Oliveira só irá para o cargo daqui a dez meses.

Já com a derrota do presidente nas urnas, o comando da Polícia Federal deu início a uma espécie de transição antecipada, como mostrou a Folha de S.Paulo, e estava definindo o destino dos dirigentes após o fim da atual gestão.

A ideia era criar um cargo novo na Espanha para abrigar Bunn e abrir lugar para o atual DG assumir o posto de adido. O futuro diretor-geral, Andrei Rodrigues, disse ser contrário ao plano, o que fez a atual gestão da PF desistir da proposta. A conversa sobre o assunto ocorreu na sexta (16).

A nomeação de Márcio Nunes de Oliveira e a exoneração do atual adido, no entanto, já tinham sido encaminhadas e, segundo fontes, não deu tempo de cancelar a publicação no DOU.

Nos próximos dias, uma nova edição do diário deve trazer a revogação do ato de desligamento de Bunn.
Com isso, Oliveira dependerá do aval do novo DG para garantir sua ida para a Espanha.

Outras mudanças já estão em andamento. As nomeações para adidâncias são praxe em mudanças de gestão. Vários dos últimos ocupantes de cadeiras da direção da PF foram para o exterior ao serem exonerados.
O delegado Caio Rodrigo Pellim, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, foi escolhido para atuar junto ao Departamento contra o Crime Organizado Transnacional da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, nos Estados Unidos.

Também foi publicada no Diário Oficial da União a designação da chefe de gabinete do diretor-geral da PF, a delegada Maria Amanda Mendina de Souza, para a função de oficial de ligação junto à Europol em Haia, na Holanda, pelo prazo de dois anos.

A delegada Mariana Paranhos Calderon, da Diretoria de Gestão de Pessoal, e o delegado Alessandro Moretti, da Diretoria de Inteligência Policial, devem ser os escolhidos para as representações brasileiras no Uruguai e na França, respectivamente.

Foi solicitada ainda a criação de dois postos em Boston, nos EUA, para abrigar auxiliares do atual titular da pasta da Justiça. As vagas devem ser destinadas aos delegados Marcos Paulo Cardoso Coelho da Silva, chefe de gabinete de Torres, e Alfredo Carrijo, da Secretaria de Operações Integradas do ministério.

Marcio Nunes de Oliveira entrou na Polícia Federal em 2002 e foi professor da Academia Nacional de Polícia. Formado em direito pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal, ele também foi superintendente da PF no Distrito Federal e chefe da divisão de controle de produtos químicos.

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RECURSOS PÚBLICOS

Fiscalização mira R$ 17,4 milhões de "emendas Pix" de Soraya

Auditorias apontam falhas nos planos de trabalho, falta de rastreabilidade, risco de desperdício e até mesmo superfaturamento

12/08/2026 07h40

Emendas da senadora Soraya Thronicke são alvos de investigação

Emendas da senadora Soraya Thronicke são alvos de investigação Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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“Emendas Pix” que somam R$ 17,4 milhões indicadas pela senadora Soraya Thronicke (PSB) entraram no radar de órgãos de controle em diferentes procedimentos, relacionados à transparência, à rastreabilidade e à execução dos recursos públicos.

Conforme apuração do Correio do Estado, o montante milionário reúne dois conjuntos distintos, sendo o principal deles formado por duas emendas, que somam R$ 15,4 milhões, destinadas ao Instituto de Desenvolvimento Socioambiental (IDS) e submetidas à auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). 

Os outros R$ 2 milhões correspondem a transferências destinadas a quatro municípios de Mato Grosso do Sul que apresentaram problemas relacionados aos planos de trabalho e às informações necessárias para permitir o acompanhamento da aplicação do dinheiro.

Os casos ganham novo destaque diante da ofensiva do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ampliar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares. 

O ministro considera que ainda persiste um “estado de inconstitucionalidade” na execução dessas verbas e tem determinado providências para permitir que os recursos sejam acompanhados desde a indicação parlamentar até o beneficiário final.

Em uma frente distinta, auditoria recente do Tribunal de Contas da União (TCU) examinou 100 transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, destinadas a dezenas de entes públicos e que somavam aproximadamente R$ 198 milhões. Foram identificadas mais de 200 ocorrências irregulares e dezenas de milhões de reais em potenciais prejuízos.

A parcela mais significativa dos recursos envolve duas emendas de Soraya destinadas ao IDS nos anos de 2023 e 2024.

Uma delas, de aproximadamente R$ 7,48 milhões, tinha como finalidade promover capacitação e ações de fortalecimento da agricultura e da pecuária em Mato Grosso do Sul, com ênfase em Naviraí.

A segunda, de aproximadamente R$ 8 milhões, previa ações para promover produção, transferência de conhecimento, tecnologia e inovação por meio de feiras e qualificação de produtores rurais de Aquidauana, Coxim e Naviraí.

Os recursos foram empregados em iniciativas que incluíram eventos denominados Cozinha Show, concursos de merendeiras e ações relacionadas ao Pantanal Tech.

Na auditoria, a CGU considerou pouco detalhados os planos de trabalho apresentados pelo IDS. Entre os problemas encontrados estavam a ausência de metas e de indicadores capazes de permitir a avaliação dos resultados obtidos com a aplicação do dinheiro.

Outro ponto destacado pelos auditores foi a ausência ou insuficiência de extratos bancários. Segundo a CGU, a deficiência compromete a transparência e a rastreabilidade dos recursos públicos e dificulta a comprovação de que todo o dinheiro foi utilizado conforme os respectivos planos de trabalho.

Na avaliação do órgão, os problemas aumentam o risco de má aplicação do dinheiro. O relatório também apontou riscos de desperdício de recursos públicos e superfaturamento.

Além dos R$ 15,4 milhões destinados ao IDS, Soraya aparece como autora de outro conjunto de “emendas Pix”, no valor total de R$ 2 milhões, destinadas diretamente a quatro municípios.

A maior transferência foi para Aparecida do Taboado, que recebeu R$ 1,5 milhão. Outros R$ 200 mil foram para Corumbá, divididos em duas transferências de R$ 100 mil, Campo Grande recebeu R$ 200 mil e Dourados, R$ 100 mil.

Nesse conjunto, os questionamentos estão relacionados principalmente à apresentação dos planos de trabalho e das informações necessárias para assegurar a transparência e também a rastreabilidade das transferências.

Bancada federal

Dagoberto empobrece quase R$ 2 milhões e Gordinho do Bolsonaro enriquece quase R$ 6 mi

Além de Nogueira, apenas ala petista ficou mais pobre durante mandato; veja

11/08/2026 18h45

Bancada federal de Mato Grosso do Sul tem oito deputados

Bancada federal de Mato Grosso do Sul tem oito deputados Foto: Reprodução

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Entre os oito deputados que compõem a atual bancada federal, apenas Dagoberto (PP) e a ala petista composta por Camila Jara e Vander Loubet perderam patrimônio durante o mandato, ao passo que o patrimônio de Rodolfo Nogueira (PL), conhecido como Gordinho do Bolsonaro, cresceu R$ 5,6 milhões nos últimos quatro anos, maior evolução patrimonial do período entre os eleitos.

Beto Pereira (Republicanos), Geraldo Resende (União Brasil), Luiz Ovando (PP) e Marcos Pollon (PL) todos declararam patrimônio maior à Justiça eleitoral em 2026.

Em 2022, Dagoberto declarou R$ 5,8 milhões em bens, patrimônio que caiu para R$ 3,94 mi em 2026, redução de 33% ao longo do mandato, maior perda patrimonial entre os eleitos.

Da mesma maneira que o candidato do Progressistas, a ala petista composta por Vander Loubet e Camila Jara também declarou estar mais pobre em 2026, redução expressivamente mais modesta se comparada a perda do deputado Progressista.

Candidato ao Senado no pleito deste ano, Loubet declarou 4,172 milhões há quatro anos, patrimônio que caiu para R$ 4,122 mi, redução de aproximadamente R$ 50 mil.

Em busca da reeleição, Camila Jara declarou R$ 260 mil em 2024, ano em que disputou a prefeitura de Campo Grande. Dois anos mais tarde, seu patrimônio encolheu 13% (R$ 226 mil).

Na contramão dos colegas, Beto Pereira, também candidato a prefeitura há dois anos, declarou R$ 4 milhões em 2026, patrimônio que cresceu 49%. Em 2024, declarou à Justiça cerca de R$ 2,7 mi em bens, patrimônio R$ 1,3 milhão maior no período. 

Com patrimônio pouco superior a R$ 800 mil em 2022, Dr. Luiz Ovando declarou R$ 1 milhão neste ano, evolução patrimonial de 25% em quatro anos. 

Mais ricos 

Conforme o portal de candidaturas da Justiça eleitoral, Geraldo Resende enriqueceu R$ 2,1 milhões em quatro anos, patrimônio que saiu de R$ 4,2 milhões em 2022 para R$ 6,3 milhões neste ano.  
 
Rodolfo Nogueira havia declarado à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 7,7 milhões há quatro anos. Para este pleito deste ano, o deputado federal da região de Dourados declarou um patrimônio de R$ 13,44 milhões, crescimento de 73%.

Nogueira, que também foi um deputado bem ativo na liberação de emendas parlamentares no Estado, indica que quase um terço de seu patrimônio está no banco: ele tem R$ 5,27 milhões na conta bancária, além de R$ 5,8 milhões em soja.

Marcos Pollon também declarou que ficou mais rico à Justiça Eleitoral. Há quatro anos, seu patrimônio era de R$ 1,24 milhão, agora, seus bens totalizam R$ 3,31 milhões, um aumento de 166,19%, ou em uma outra exemplificação, 2,66 mais do que tinha nas eleições passada. 

Dentre os candidatos do PL para estas eleições, além de Rodolfo Nogueira e Marcos Pollon, Luana Ruiz, que é suplente de ambos, também concorre novamente. O patrimônio dela saltou de R$ 203,6 mil nas eleições passadas, para R$ 885 mil neste pleito. 

O maior patrimônio dentre os candidatos a deputado federal pelo Partido Liberal é de Rodolfo Nogueira. Os R$ 13,44 milhões dele superam os R$ 1,93 milhão de Edson Giroto, ex-secretário de Obras de André Puccinelli (MDB) e preso durante a Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal, e os R$ 6,1 milhões da deputada estadual Mara Caseiro.

Candidato Patrimônio atual  2024 2022 Valor Bruto Percentual
Dagoberto  R$ 3.940.079,22   R$ 5.880.631,39 -R$ 1.940.552,17 -33,00%
Vander Loubet R$ 4.122.759,55   R$ 4.172.729,51 -R$ 49.969,96 -1,19%
Camila Jara  R$ 226.008,50 R$ 260.231,73 R$ 226.008,50 -R$ 34.223,23 -13%
Luiz Ovando  R$ 1.078.462,21   R$ 861.269,42 R$ 217.192,79 25,22%
Beto Pereira  R$ 4.057.310,41 R$ 2.711.315,47 R$ 1.161.242,85 R$ 1.345.994,94 49,64%
Marcos Pollon  R$ 3.315.218,31   R$ 1.245.430,12 R$ 2.069.788,19 166,19%
Geraldo Resende R$ 6.397.036,41   R$ 4.280.095,51 R$ 2.116.940,90 49,46%.
Rodolfo Nogueira  R$ 13.446.798,08   R$ 7.760.556,59 R$ 5.686.241,49 73,27%.

*Saiba 

Diferente dos demais, Camila Jara e Beto Pereira foram os únicos que disputaram eleições em 2024, ano utilizada como base para o cálculo. 

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