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Bolsonaro: respeito as instituições, mas acima delas está o povo

Bolsonaro: respeito as instituições, mas acima delas está o povo

DAS AGÊNCIAS

01/07/2019 - 09h52
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Na noite deste domingo (30), o presidente Jair Bolsonaro enviou uma mensagem para “as autoridades” por meio de sua conta no Twitter. Ele parabenizou os manifestantes de várias partes do país que participaram de protestos em apoio à Operação Lava-Jato e ao ministro da Justiça, Sergio Moro, e depois disse que o povo está acima das instituições.

“Parabéns a todos que foram às ruas nesse 30/06. A mensagem de vocês é para todas as autoridades: "não parem o Brasil, combatam a corrupção, apoiem quem foi legitimamente eleito em 2018." Respeito todas as Instituições, mas acima delas está o povo, meu patrão, a quem devo lealdade”, escreveu o presidente. Os atos ocorreram em 88 cidades em 26 estados e Distrito Federal.

Mais cedo, Bolsonaro já tinha cumprimentado seus apoiadores no Twitter pelas manifestações.

"Aos que foram às ruas hoje manifestar seus anseios, parabéns mais uma vez pela civilidade. A população brasileira mostrou novamente que tem legitimidade, consciência e responsabilidade para estar incluída cada vez mais nas decisões políticas do nosso Brasil", escreveu, em uma rede social.

De manhã, ao chegar no Palácio da Alvorada, retornando de viagem ao Japão onde participou do G-20, Bolsonaro disse apenas que estava acompanhando as manifestações e que era um direito do povo.

"Estou aguardando. Já tive informações. Aqui em Brasília estou mais ligado. É um direito do povo se manifestar", disse o presidente.

OS PROTESTOS

Manifestantes saíram ontem às ruas em pelo menos 70 cidades dos 26 Estados, além do Distrito Federal, em defesa do ministro da Justiça, Sergio Moro, da Operação Lava Jato e da aprovação da reforma da Previdência - uma das principais bandeiras do governo Os atos também foram marcados por novos ataques ao Congresso e a ministros do Supremo Tribunal Federal. No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro citou a "civilidade" e "legitimidade" dos movimentos, enquanto o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Augusto Heleno, discursou em um carro de som ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em Brasília.


Quatro bonecos foram inflados em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. Dois deles simbolizando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Lula (ambos com roupa de presidiário), um de Moro vestido de super-homem e o último unindo Lula, o ex-ministro do PT José Dirceu e o ministro Gilmar Mendes, do STF. Na avenida Paulista, lugar escolhido pelos manifestantes em São Paulo, bonecos e faixas também traziam críticas ao Supremo e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A PM não divulgou estimativa de público em São Paulo e Rio de Janeiro, que concentraram as mobilizações mais numerosas.

Os protestos foram convocados depois que o site The Intercept Brasil passou a divulgar supostas trocas de mensagens entre Moro e procuradores da Lava Jato em Curitiba. Essas mensagens sugerem a intervenção do então juiz federal na condução da operação, inclusive com a indicação de possíveis testemunhas. 

A iniciativa dos atos coube a grupos como o MBL e o Vem Pra Rua. Atuantes durante o processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, eles não participaram das manifestações pró-Bolsonaro de maio passado - marcadas, como ontem, por ataques ao Supremo e ao Congresso. O Nas Ruas, criado pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), também teve participação ativa na organização de ontem. 

Tumulto. Integrantes do MBL chegaram a ser hostilizados por outros ativistas, após seremchamados de "traidores". Em São Paulo, cerca de 20 pessoas ligadas ao DireitaSP foram até o caminhão do MBL estacionado em frente ao Masp para gritar contra o grupo. Houve um princípio de tumulto e a PM teve de agir para evitar uma briga generalizada. No Rio, também houve ataques entre integrantes de grupos diferentes. "A gente não puxa o saco do Bolsonaro e somos críticos ao governo", disse Renato Battista, coordenador nacional do MBL. 

Na avenida Paulista, que teve quatro quadras ocupadas por manifestantes vestindo principalmente verde e amarelo, o carro de som do Nas Ruas foi o ponto de encontro mais "governista" do ato. Entre os oradores, além de Zambelli, estavam o empresário Luciano Hang, dono da Havan, o senador Major Olimpio (PSL) e o cantor Latino. "Nós apoiamos o ministro Sérgio Moro, o pacote anticrime e o governo Bolsonaro", afirmou Tomé Abduch, porta-voz do Nas Ruas. 

'Eu vejo'

Após a publicação das supostas mensagens pelo The Intercept Brasil, Moro se apresentou em audiência no Senado. Com isso, ele buscou esvaziar articulação de partidos de esquerda que falavam em criar uma CPI. O ministro nega qualquer interferência nas investigações quando era juiz e coloca em dúvida o teor das mensagens.

Ontem, ele usou o Twitter para se referir às manifestações. "Eu vejo, eu ouço, eu agradeço. Sempre agi com correção como juiz e agora como ministro", escreveu ele, em uma das mensagens. Em outra, agradeceu o apoio de Bolsonaro. "Sou grato ao PR (presidente da República) e a todos que apoiam e confiam em nosso trabalho. Hackers, criminosos ou editores maliciosos não alterarão essas verdades fundamentais. Avançaremos com o Congresso, com as instituições e com o seu apoio."

No Rio, o ato chegou a ocupar cerca de seis quadras da Avenida Atlântica, em Copacabana. Teve Hino Nacional e palavras de ordem como "O STF é uma vergonha", "Rodrigo Maia se acha 1.º ministro", "Fora PT e a velha política". Em Porto Alegre, o ato foi realizado no centro, apesar da chuva e do frio de 16 graus. Foram registradas ainda manifestações em capitais como Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Goiânia (GO) e Curitiba (PR), e cidades do interior paulista, como Campinas e Sorocaba. Em Boston (EUA), o ato reuniu cerca de 20 pessoas. A frase "In Moro We Trust" (Em Moro nós confiamos) apareceu em cartazes. 

Reta Final

Apoiadores de Lula tomam o Centro de Campo Grande e apostam em virada

Com bandeiraço, caminhada e palavras de ordem, jovens, famílias e lideranças políticas se reuniram na Praça Ary Coelho, na véspera do segundo turno, para defender a reeleição do presidente Lula.

24/10/2026 12h20

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24). Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

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Bandeiras vermelhas, buzinaço, palavras de ordem e manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcaram a manhã deste sábado (24), no Centro de Campo Grande.

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, apoiadores do petista se reuniram na Praça Ary Coelho e percorreram ruas da região central em uma mobilização que aposta na virada eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25).

O movimento reuniu principalmente jovens, famílias com crianças, trabalhadores e lideranças políticas de Mato Grosso do Sul.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).Com bandeiras e cartazes, manifestantes se reúnem no Centro de Campo Grande em apoio à reeleição do presidente Lula. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

Em um ambiente pacífico e de convivência entre diferentes gerações, os participantes carregavam bandeiras, cartazes e faixas com reivindicações sociais, incluindo a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1.

A concentração começou por volta das 9h, nas proximidades do cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho.

Durante a manifestação, os apoiadores realizaram um bandeiraço e um buzinaço, enquanto motoristas que passavam pela região eram convidados a demonstrar apoio à candidatura petista.

Entre as palavras de ordem entoadas pelos manifestantes estavam "Sem anistia", "Olê, olê, olá, Lula, Lula" e "Ei, trabalhador, eu estou na rua pro seu filho estudar".

Também foram registrados gritos de "O estudante organizado é o terror da família Bolsonaro", em referência à participação de jovens na mobilização.

A caminhada passou pelas ruas 14 de Julho, Marechal Rondon e 13 de Maio, com retorno à Praça Ary Coelho. A manifestação integra as atividades de mobilização política realizadas no último dia de campanha antes da votação que definirá o próximo presidente da República.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).Manifestantes fazem bandeiraço e interagem com motoristas durante mobilização eleitoral no Centro de Campo Grande. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

Lideranças apostam em virada e convocam eleitores

Presente na manifestação, o deputado estadual Pedro Kemp (PT), reeleito neste ano, destacou a participação da juventude e afirmou que o principal objetivo do movimento é incentivar o comparecimento às urnas, especialmente em Mato Grosso do Sul, que registrou a maior taxa de abstenção do país no primeiro turno.

"A nossa militância está muito motivada. A juventude, principalmente, veio com força para o nosso movimento, e a gente fez essa grande manifestação hoje para reunir trabalhadores, trabalhadoras, jovens e pessoas idosas, para incentivar todos a irem votar amanhã", afirmou.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).O deputado estadual Pedro Kemp (PT) participa de manifestação em apoio à reeleição de Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande, e destaca a importância da mobilização dos eleitores para o segundo turno. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

O parlamentar também demonstrou preocupação com os eleitores que deixaram de votar no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

"Mato Grosso do Sul foi um estado onde a abstenção foi a maior no país. Nós queremos, então, fazer essa conclamação para todo mundo. Votar é importante, a participação de todos, principalmente das pessoas idosas e dos jovens de 16 e 17 anos, que não são obrigados a votar", acrescentou.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 483.210 eleitores sul-mato-grossenses não compareceram às urnas no primeiro turno, o equivalente a 23,87% do eleitorado.

O percentual colocou o Estado na primeira posição nacional em abstenção e reforça a preocupação das campanhas em mobilizar eleitores para a votação decisiva.

Sobre o resultado da eleição presidencial, Kemp afirmou acreditar em uma mudança no cenário eleitoral.

"A nossa expectativa é de vitória. Nós temos observado as últimas pesquisas dando uma tendência de virada. Então, a gente acredita que vai ser possível amanhã a gente chegar em primeiro lugar", declarou.

O deputado estadual eleito Tiago Botelho (PT) também participou da manifestação e avaliou que a mobilização representa uma demonstração de resistência política em Mato Grosso do Sul.

"A importância é mostrar que Campo Grande, Mato Grosso do Sul, tem resistência, tem luta e, acima de tudo, entende que o Brasil não pode ser governado por gente que tem relações com o PCC, com o crime organizado", afirmou o parlamentar eleito, ao fazer uma acusação contra o campo adversário.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).O deputado estadual eleito Thiago Botelho (PT) participa de manifestação em apoio à reeleição de Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande, e destaca a mobilização dos apoiadores na véspera do segundo turno. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

Botelho ainda defendeu a continuidade de programas sociais federais e associou o resultado das eleições à manutenção de políticas públicas.

"A vitória do presidente Lula não é sobre a eleição apenas de um homem, é a defesa da democracia. É sobre a importância de políticas públicas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Pé-de-Meia continuarem existindo", declarou.

Para ele, a mobilização das últimas semanas poderá influenciar o resultado das urnas.

"A expectativa é de virada. Está no Brasil inteiro uma grande onda. As pesquisas vêm dando um empate técnico. Eu não tenho dúvida do poder de mobilização", acrescentou.

Fábio Trad critica governo estadual e defende oposição permanente

O ex-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul Fábio Trad (PT), que terminou a disputa estadual na segunda colocação, também participou da mobilização e demonstrou otimismo com a possibilidade de reeleição de Lula.

Trad afirmou que, em sua avaliação, os levantamentos eleitorais indicam uma mudança no comportamento do eleitorado brasileiro.

"No Brasil inteiro, e isso foi detectado pelo Datafolha, há um crescimento consistente da candidatura progressista, representada pelo presidente Lula, e uma estagnação da candidatura adversária. Ao mesmo tempo, aumentou a rejeição ao Flávio e diminuiu a rejeição ao presidente Lula, aumentando a aprovação do seu governo", declarou.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).Fábio Trad (PT), ex-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, participa de manifestação em apoio à reeleição de Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

"Então, numericamente, nós entendemos que já se formou uma onda, e a tendência é que, até amanhã, a gente vire o jogo e ganhe a Presidência do Brasil para mais um mandato do presidente Lula", acrescentou.

Ao comentar o cenário político estadual, Trad afirmou que pretende manter uma postura de oposição ao governo de Eduardo Riedel (PP) e defendeu uma fiscalização permanente por parte da bancada eleita para a Assembleia Legislativa.

"Espero que a bancada eleita na Assembleia, agora com quatro, faça uma oposição crítica, republicana, vigilante e permanente, porque Mato Grosso do Sul poderia estar em um patamar civilizatório comparável ao de Santa Catarina e ao de outros estados, com um IDH bem acima do nosso", afirmou.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).Manifestantes participam do ato em apoio a Lula, que reuniu lideranças políticas e apoiadores no Centro da Capital. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

O petista também fez críticas à administração estadual, classificando o governo como "ruim" e "incompetente", e argumentou que a riqueza produzida em Mato Grosso do Sul deveria resultar em melhores indicadores sociais.

Jovens e famílias marcam presença na manifestação

A artista Sofe Minott, de 25 anos, também participou da mobilização e destacou o protagonismo da juventude e a união com os movimentos sindicais.

Para ela, a manifestação representa uma oportunidade de mobilizar trabalhadores e mostrar a diversidade política e social de Campo Grande.

“A gente vem para a rua para mostrar a força da juventude. Estamos no vira-voto para convencer a classe trabalhadora de que o bolsonarismo não é de direita, ele é de extrema direita”, afirmou.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).Jovens participam da manifestação com pinturas no rosto, bandeiras e palavras de ordem em apoio à candidatura de Lula. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

“E a gente está aqui, não só a juventude, mas também os sindicatos, se unindo para mostrar a força da classe trabalhadora e mostrar que Campo Grande também não é só terra do agro, mas é terra de muita gente que trabalha, é a terra da juventude”, completou.

A participação expressiva de jovens foi um dos aspectos destacados pelos organizadores do ato. Entre os presentes estava o vereador Jean Ferreira (PT), que relacionou a mobilização à defesa da democracia e à continuidade das políticas públicas federais.

"Essa mobilização está acontecendo no Brasil inteiro, em defesa da eleição do nosso presidente Lula. E Campo Grande não podia ser diferente. Mato Grosso do Sul já elegeu duas vezes um governador do PT. Aqui também é terra de resistência pela democracia, pela liberdade de expressão e pela liberdade de imprensa", declarou.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).
O vereador Jean Ferreira (PT) participa de manifestação em apoio à reeleição de Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande, e destaca o protagonismo da juventude na mobilização eleitoral. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.
 

Jean também destacou o papel das novas gerações na disputa política e afirmou que os jovens têm se mobilizado em torno de temas como educação, saúde, meio ambiente e direitos sociais.

"A juventude entende que, para a gente conseguir continuar existindo e continuar tendo condições mínimas de existência, precisamos ter um meio ambiente saudável, precisamos ter políticas públicas de saúde, educação e garantir a emancipação do povo brasileiro", afirmou.

O parlamentar considera que a mobilização nas ruas e nas redes sociais poderá contribuir para uma mudança no resultado eleitoral.

"A expectativa é de virar. A gente está com a expectativa de virar, porque a esquerda não estava organizada e mobilizada como está agora neste segundo turno. Então, a gente está muito mais forte nas redes sociais agora e está conseguindo virar votos", disse.

O vereador Landmark Rios também reforçou a expectativa de vitória do presidente Lula e afirmou que o domingo representa o momento decisivo da disputa eleitoral.

Para ele, a manifestação deste sábado funciona como preparação para o que classificou como o "dia da virada".

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).Manifestantes ocupam ruas do Centro de Campo Grande em ato de apoio a Lula, neste sábado (24), com participação do vereador Landmark Rios. Foto: Welyson Lucas/Correio do Estado.

Manifestantes defendem democracia e liberdade religiosa

Além das lideranças partidárias, o movimento reuniu eleitores que participaram do ato para defender pautas sociais e apresentar suas expectativas para o futuro do país.

O administrador de empresas e sacerdote de umbanda Anderson, de 47 anos, afirmou que sua presença estava relacionada à defesa da liberdade religiosa e do Estado laico.

"É de extrema importância. Pelo menos nós, aqui em Mato Grosso do Sul, temos visto que as religiões de matriz africana têm sido muito atacadas. E a gente sabe que, no governo do adversário, eles não admitem que a nossa fé seja professada", declarou, em crítica ao campo político adversário.

Apoiadores de Lula ocupam ruas do Centro de Campo Grande durante manifestação na véspera do segundo turno das eleições, neste sábado (24).O sacerdote de umbanda Anderson, de 47 anos, participou da manifestação em apoio a Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande, e destacou a defesa da liberdade religiosa e do Estado laico. Foto: Welyson Lucas/Correio do Estado.

Segundo Anderson, a participação de representantes de diferentes religiões demonstra a preocupação desses grupos com a preservação de direitos constitucionais.

"Na defesa do Estado Democrático de Direito, na defesa do Estado laico, nós estamos aqui, fazendo-nos presentes para defender as pautas em que acreditamos", acrescentou.

Já a técnica de enfermagem Tânia Rodrigues, de 61 anos, destacou a importância das políticas sociais e afirmou que participou da manifestação por acreditar na necessidade de ampliar as oportunidades para as famílias de baixa renda.

"Esse movimento, meu filho, traz para o povo a importância da democracia. A democracia é importante, e o presidente Lula traz isso para nós, sabe? Ele luta pela democracia, e eu estou aqui lutando pelos pobres, meu filho, por nós que somos pobres e precisamos de políticas que ajudem a população mais necessitada, como, por exemplo, o Bolsa Família", afirmou.

Natural de Bela Vista, município localizado na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, Tânia também falou sobre sua trajetória familiar e a importância da educação pública.

"Eu venho de uma família paraguaia. Sou de Bela Vista, na fronteira, sou fronteiriça. Minha família é paraguaia, mas eu nasci no Brasil, minha casa é no Brasil. Minha filha é da Universidade Federal daqui", relatou.

Para a técnica de enfermagem, a eleição representa a possibilidade de continuidade de políticas que considera fundamentais para a população mais vulnerável.

"Então, é por tudo isso que eu vejo que o Lula tem que ganhar dessa vez de novo. Sabe por que a gente precisa desse velhinho? Por tudo isso que ele é", concluiu.

Disputa presidencial chega ao último dia de campanha

A mobilização ocorre em meio a uma disputa presidencial acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Levantamento Datafolha divulgado na quinta-feira (22) apontou empate de 50% a 50% nos votos válidos, considerando os números arredondados.

O levantamento mostra um cenário de indefinição estatística, embora não permitam afirmar antecipadamente qual candidato vencerá a eleição.

Em Campo Grande, apoiadores de Flávio Bolsonaro também programaram uma mobilização para a tarde deste sábado, com concentração prevista na Cidade do Natal, na Avenida Afonso Pena.

Neste domingo (25), os eleitores de Mato Grosso do Sul voltarão às urnas para escolher o presidente da República. Como a disputa estadual foi encerrada no primeiro turno, com a reeleição de Eduardo Riedel, os sul-mato-grossenses votarão apenas para o cargo de presidente.

Para os manifestantes que estiveram na Praça Ary Coelho, a expectativa é de que a mobilização nas ruas se transforme em votos, em uma eleição marcada pela polarização política e pela disputa pelo apoio dos eleitores ainda indecisos.

Virada nas urnas

Em MS, 11 cidades mudaram de lado nas eleições presidenciais desde 2002

Levantamento identifica os municípios que alternaram a preferência entre candidatos do PT e do campo bolsonarista

24/10/2026 07h50

Cidades de MS mudaram de lado entre o 1º e 2º turno

Cidades de MS mudaram de lado entre o 1º e 2º turno Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O comportamento eleitoral de 11 municípios de Mato Grosso do Sul revela uma sequência de mudanças na preferência dos eleitores nas três últimas eleições presidenciais.

Essas cidades deram a maior votação a Jair Bolsonaro (PSL) em 2018, passaram a apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 e, no primeiro turno deste ano, escolheram Flávio Bolsonaro (PL).

O grupo representa 13,9% dos 79 municípios sul-mato-grossenses e chama atenção na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.

As 11 cidades que apresentaram essa alternância são Alcinópolis, Anaurilândia, Angélica, Aquidauana, Bodoquena, Corumbá, Jaraguari, Jateí, Ladário, Novo Horizonte do Sul e Terenos. O levantamento considera os resultados dos primeiros turnos das eleições presidenciais de 2018, 2022 e 2026.

Em todos esses municípios, Jair Bolsonaro liderou a votação em 2018, perdeu a preferência para Lula quatro anos depois e viu seu filho, Flávio Bolsonaro, recuperar a primeira colocação neste ano. 

O movimento é particularmente significativo porque ocorreu em cidades de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, incluindo municípios populosos como Corumbá e Aquidauana, além de localidades menores, como Jateí, Alcinópolis e Novo Horizonte do Sul.

Em Corumbá, por exemplo, Lula havia superado Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022, quando recebeu 46,85% dos votos válidos, contra aproximadamente 44,7% do adversário, enquanto neste ano a situação se inverteu: Flávio Bolsonaro alcançou cerca de 49,4% e o presidente ficou com aproximadamente 45%.

Aquidauana também apresentou uma disputa equilibrada em 2022, quando Lula recebeu 47,44% dos votos válidos, contra 46,19% de Jair Bolsonaro.

Quatro anos depois, o município passou a integrar o grupo de cidades em que Flávio terminou na primeira colocação.

A alternância dos 11 municípios faz parte de uma mudança mais ampla no mapa eleitoral sul-mato-grossense. Em 2022, Lula havia sido o candidato mais votado em 21 cidades do Estado; no primeiro turno deste ano, esse número caiu para apenas seis.

Isso significa que 15 municípios que haviam dado vitória ao petista passaram a favorecer Flávio Bolsonaro. Além das 11 cidades com histórico de mudanças nas três eleições, outras quatro localidades completam a relação: Itaquiraí, Juti, Selvíria e Taquarussu.

Esses quatro municípios apresentam uma característica diferente. Ao contrário das outras 11 cidades, já haviam dado a maior votação ao candidato do PT, Fernando Haddad, em 2018. Mantiveram a preferência pela legenda em 2022, com Lula, mas passaram para Flávio Bolsonaro neste ano.

Dessa forma, a comparação das três eleições mostra dois movimentos distintos: 11 municípios alternaram a liderança entre candidatos do campo bolsonarista e do PT nas três disputas, enquanto outros quatro permaneceram com o PT durante duas eleições consecutivas antes da mudança registrada neste mês. 

Cidades de MS mudaram de lado entre o 1º e 2º turno

APENAS SEIS

As seis cidades em que Lula conseguiu manter a primeira colocação em Mato Grosso do Sul são Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina.

Esses municípios apresentam uma característica em comum: deram vitória ao PT nas três últimas eleições presidenciais, primeiro com Fernando Haddad, em 2018, e depois com Lula, em 2022 e 2026.

Japorã continua sendo o município com maior votação proporcional do presidente no Estado. No primeiro turno deste ano, Lula recebeu 67,26% dos votos válidos, contra 29,84% de Flávio Bolsonaro.

Em Vicentina, a disputa foi mais equilibrada. O petista recebeu 2.237 votos, equivalentes a 47,86%, enquanto o candidato do PL conquistou 2.164 votos, ou 46,30%. A diferença foi de apenas 73 votos.

O avanço de Flávio Bolsonaro também aparece na quantidade de municípios em que o candidato liderou a votação.

Em 2018, Jair Bolsonaro venceu em 69 cidades de Mato Grosso do Sul, enquanto Fernando Haddad ficou à frente em 10.

Em 2022, a distribuição mudou: Jair Bolsonaro liderou em 57 municípios, Lula venceu em 21 e Coronel Sapucaia registrou empate entre os dois candidatos. 

No primeiro turno deste ano, Flávio Bolsonaro terminou à frente em 73 cidades, enquanto Lula venceu em apenas seis, o menor número de municípios conquistados pelo PT nas três últimas eleições presidenciais.

VOTAÇÃO

Na votação estadual, Flávio Bolsonaro recebeu 873.351 votos no primeiro turno deste ano, o equivalente a 58,60% dos válidos. Lula conquistou 516.855 votos, ou 34,68%.

A diferença de 356.496 votos evidencia a vantagem obtida pelo candidato do PL no eleitorado sul-mato-grossense, mas não permite antecipar o comportamento das urnas no segundo turno.

Outro fator relevante é a abstenção. No primeiro turno, 483.210 eleitores deixaram de comparecer às urnas, representando 23,87% do eleitorado de Mato Grosso do Sul. Esse contingente supera a diferença de votos entre os dois candidatos no Estado.

O histórico das cidades que mudaram de preferência eleitoral, combinado com o número de eleitores ausentes no primeiro turno, oferece elementos importantes para analisar a votação de domingo.

Entretanto, a alternância registrada nos municípios não significa necessariamente que os mesmos eleitores tenham mudado de candidato ao longo das três eleições.

Os resultados mostram a preferência predominante em cada localidade, sem identificar individualmente as escolhas dos votantes.

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