Política

Fome Zero

Brasil propõe ao G20 financiamento a países pobres para combate à fome

A agenda é uma das principais apostas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período em que o Brasil exercerá a presidência do grupo

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O Brasil propôs aos membros do G20 a discussão de fontes de financiamento para que países mais pobres consigam implementar políticas de combate à fome e erradicação da pobreza.

As tratativas técnicas foram iniciadas formalmente nesta quarta-feira (21), com a primeira reunião da força-tarefa do G20 para a implementação de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

A agenda é uma das principais apostas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período em que o Brasil exercerá a presidência do grupo, que reúne as 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia e, a partir deste ano, a União Africana.

O ministro Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, disse que o esforço vai envolver não só os países do grupo, mas outros que tenham interesse em aderir à aliança. Na primeira reunião, segundo ele, participaram representantes de 54 delegações.

"Queremos evitar a duplicação de esforços e posicionar a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza como um mecanismo que dará o impulso político necessário para mobilizar os fundos e mecanismos existentes e melhor organizá-los em torno de dois princípios. Primeiro, o foco nos mais pobres e vulneráveis. Dois, a implementação consistente de políticas nacionais", afirmou.

Neste primeiro ciclo de reuniões técnicas, que se estenderá até sexta-feira (23), serão apresentados quatro relatórios produzidos por organismos internacionais com experiências bem-sucedidas de combate à fome e redução da pobreza em diferentes países.

Segundo o ministro, políticas de transferência de renda e alimentação escolar devem ter papel relevante na definição da estratégia de atuação.

Os representantes do Brasil também apresentaram um escopo do que entendem que deveria ser a aliança global, com o que se pretende alcançar e como cada país pode colaborar. O texto ainda não é público porque será discutido com as delegações e pode sofrer ajustes, mas gira em torno de três pilares: técnico, financeiro e institucional.

O pilar técnico é o que vai reunir as recomendações de políticas, respeitando as particularidades dos países. O pilar do financiamento é o que viabilizará a adoção das medidas necessárias para atingir os objetivos da aliança. Já o pilar institucional é o próprio compromisso dos países.

Dias afirmou que um dos princípios defendidos pelo Brasil na força-tarefa é que as economias avançadas disponibilizem recursos para os países mais pobres conseguirem implementar as políticas de combate à fome e à pobreza.

Ainda não há valores ou metas definidas, mas, no curso das negociações, cada país que aderir à aliança poderá indicar os esforços que está disposto a perseguir, tanto em termos de políticas quanto em termos de recursos financeiros.

Uma das possibilidades é que um determinado país se disponha a apoiar diretamente outro que esteja em situação menos favorável. Mas a ajuda também pode ser mais abrangente.

"É o plano de cada país que gera a consolidação com uma meta anualizada. O que a aliança inova é integrar todas as áreas para ter eficiência e acompanhamento. A mesma coisa em relação à pobreza. Teremos uma meta anual com o objetivo de alcançar resultados até 2030", disse o ministro.

Ele lembrou que, em 2015, os países-membros da ONU (Organização das Nações Unidas) pactuaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que preveem, entre outras metas, acabar com a fome e erradicar a pobreza até 2030.

"Quando [o ODS] foi lançado, a gente tinha cerca de 600 milhões de pessoas no mapa da fome, e ele [o número] cresceu", disse. "Cerca de 735 milhões de pessoas do mundo em 2022 estavam passando fome, em um planeta que produz amplamente a comida necessária para o sustento de todos e de todas."

A próxima reunião da força-tarefa do G20 vai ocorrer em março, em Brasília, e já vai debater uma primeira versão do texto final da criação da aliança global. A redação deve ser fechada em nível técnico na reunião de maio, que ocorrerá em Teresina (PI).

ELEIÇÕES 2026

Coligação de Riedel e Azambuja derruba pesquisa eleitoral em MS

Material teria vícios desde ausência de coleta dos bairros e setores censitários até falta de informações precisas sobre fonte dos recursos e impossibilidade de que tenha sido autofinanciada

25/08/2026 09h49

Representação eleitoral foi movida pela coligação

Representação eleitoral foi movida pela coligação "Fazendo o Futuro Acontecer" Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Através de representação eleitoral movida pela coligação "Fazendo o Futuro Acontecer", a divulgação da pesquisa eleitoral Instituto Veritá foi suspensa após movimentação da Federação União Progressista dos candidatos Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja.

Com uma amostra de 1.220 entrevistas, a pesquisa em questão teria sido realizada por amostragem estratificada no período entre 09 e 23 de agosto, com pessoas de ambos os sexos que sejam moradores e domiciliados na área de abrangência há mais de um ano.

Conforme a representação, é apontada suspeita de divulgação de pesquisa eleitoral sem registro prévio, pelas federações dos seguintes partidos: 

  • União Brasil 
  • Partido Progressista (PP)
  • Partido Liberal (PL)
  • Partido Social Democrático (PSD)
  • Republicanos
  • Partido Social Democracia Brasileira 
  • Movimento Democrático Brasileiro
  • Avante e
  • Podemos

Segundo o texto, o instituto Veritá registrou pesquisa eleitoral em 18 de agosto, com avaliação para os cargos de governador e senador, com divulgação que deveria ser permitida a partir de 24 de agosto. 

Entretanto, o material conteria "vícios insanáveis", que consistem: 

  1. absoluta impossibilidade de que a pesquisa tenha sido autofinanciada, à luz do Demonstrativo do Resultado do Exercício apresentado pela própria empresa;
     
  2. ausência de coleta e consequente impossibilidade de complementação quanto aos bairros e setores censitários;
     
  3. divergência entre o plano amostral e o questionário quanto ao grau de instrução, que inviabiliza a ponderação e a auditoria da amostra

"As condições de validade e existência das pesquisas eleitorais estão descritas objetivamente no artigo 2º da Resolução TSE 23.600/2019, verdadeiro roteiro procedimental e objetivo, a fim de que se atribua crédito ao trabalho final, de grande relevância e influência nos pleitos eleitorais.

Os requisitos visam à proteção do eleitor e do processo eleitoral, mantendo a rigidez e a transparência necessárias a esse complexo procedimento, que envolve profissionais da matemática, estatísticos e pesquisadores, e que deve refletir a intenção de voto com o maior realismo possível", cita trecho da representação. 

Como alegado no material, pesquisas que possuem resultados manipulados ou equivocados teriam capacidade de influenciar o eleitor tanto quanto aquelas feitas de forma idônea e em estrita observância à legislação. Conforme o texto, não ficariam claros quem seriam os reais contratantes. 

A representação afirma que o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) da Veritá não seriam suficientes para o instituto cumprir os requisitos, que determinam a obrigatoriedade não somente de informar o valor mas também suas origens. 

Segundo a coligação de Riedel e Azambuja, após pesquisa junto aos registros de 2026 do instituto, foram observados elementos que indicariam essa "ausência de lastro" para realizar pesquisas autofinanciadas, como declarado. 

"Isso porque, conforme registrado no PesqEle, em cinco meses de 2026, entre 17 de março e 18 de agosto, o Instituto Veritá registrou no TSE 206 pesquisas eleitorais, que somam montante declarado de R$ 26.682.620,00. Desse total, 199 foram declaradas como realizadas com recursos próprios do próprio instituto a valores unitários que variam em torno de uma média de 130 mil reais, ou seja, autofinanciadas, totalizando a soma de valores declarados: R$26.067.840,00", afirma a representação.

Pelo Demonstrativo apresentado para o ano de 2025 pela própria empresa, o Veritá apontou receita bruta de serviços de R$3.985.273,69 e lucro de R$927.044,63. Segundo a representação, em pouco mais de cinco meses deste ano, a Veritá teria custeado do próprio caixa cerca de 6,5 vezes toda a sua receita bruta anual de 2025 e aproximadamente 28 vezes o lucro do exercício.

"Não se ignora que uma empresa possa dispor de patrimônio ou reservas além do resultado do exercício e este é justamente o ponto: a informação trazida no DRE, no caso concreto, é insuficiente para informar a origem dos recursos despendidos, já que a empresa não tem lastro suficiente naquele DRE para o
tamanho dispêndio que já realizou esse ano", 

Para além da falta de informações precisas quanto à fonte dos recursos, da impossibilidade de que a pesquisa tenha sido autofinanciada e ante a discrepância entre os valores despendidos e o Demonstrativo apresentado; é apontada ainda ausência de coleta dos bairros e setores censitários, o que teria sido confessado pelo próprio instituto de que complementará apenas municípios. 

Esse posicionamento da coligação foi registrado no último domingo (23) e já nesta terça-feira (25) foram publicados embargos de declaração com análise dos autos da representação que, até o momento, possui prazo ainda em curso para oferecimento de contestação. 

Enquanto a representação pedia tutela de urgência quanto à suspensão, a divulgação dos resultados fica suspensa até que contrarrazões sejam oferecidas "como medida excepcional para preservar a higidez do processo eleitoral e consequentemente causar o menor prejuízo eleitoral aos partícipes dessa demanda", completa o texto assinado pelo Desembargador relator, Luiz Tadeu Barbosa Silva. 

 

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Pesquisa

Reinaldo Azambuja avança e lidera corrida ao Senado

Ex-governador consolida liderança e amplia vantagem sobre os concorrentes na disputa por uma vaga no Senado Federal

25/08/2026 07h45

Reprodução

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O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) ampliou sua vantagem na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado e acumulou crescimento de 4,84 pontos porcentuais entre março e agosto deste ano. Na média entre o primeiro e o segundo votos estimulados, o ex-governador passou de 18,18% para 23,02% no período.

Os dados fazem parte da quarta pesquisa de intenções de votos para o Senado, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), no período de 19 a 23 de agosto de 2026, com 784 eleitores de 17 municípios que juntos concentram 68% da população do Estado, registrada sob os números BR-05012/2026 e MS-07621/2026.

A série de pesquisas estimuladas, ou seja, quando são apresentadas aos entrevistados as opções com os nomes dos candidatos, mostra crescimento contínuo de Azambuja, que tinha 18,18% em março, avançou para 20,03% em abril, chegou a 22% em junho e atingiu 23,02% em agosto.

O movimento ampliou a distância para o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), segundo colocado na média dos dois votos. Ele registrava 17,16% em março e aparece agora com 17,09%, mantendo-se praticamente estável durante os cinco meses, enquanto a diferença entre os dois, que era de apenas 1,02 ponto porcentual no início da série, chegou a 5,93 pontos porcentuais em agosto.

O deputado federal Vander Loubet (PT) aparece na sequência, com média de 8,99%; em março, o petista tinha 6,95%, o que representa crescimento de 2,04 pontos porcentuais. Durante a série, chegou a 9,25% em abril, recuou para 7,84% em junho e voltou a subir na rodada mais recente.

A senadora Soraya Thronicke (PSB) registra 8,10% na média do primeiro e do segundo votos; ela tinha 7,97% em março, alcançou 8,74% em abril e caiu para 7,40% em junho antes de apresentar nova alta em agosto.

Entre os demais candidatos, Beto do Movimento (Psol) aparece com 3,06%, Roberto Oshiro (Novo) com 2,04%, Daniel Junior (Agir) com 1,66% e Luiz Lemes (DC) com 1,40%. Brancos e nulos somam 9,50% na média dos dois votos, enquanto os indecisos representam 23,60%, juntos chegam a 33,10%.

Outro dado que chama atenção na comparação entre as pesquisas é a redução do grupo formado por eleitores indecisos e aqueles que declaram voto branco ou nulo. Em março, eles representavam 49,74% da amostra, enquanto em agosto o índice caiu para 33,10%, uma redução de 16,64 pontos porcentuais.

ESPONTÂNEA

Na pesquisa espontânea, isto é, quando os entrevistados são questionados sobre o primeiro voto para o Senado sem que os nomes dos candidatos sejam apresentados, Capitão Contar lidera, com 5,10%, enquanto Reinaldo Azambuja aparece com 2,42%, seguido por Soraya, com 1,15%, e Vander Loubet, com 0,26%.

Nesse cenário, porém, o principal dado é o elevado número de eleitores que ainda não sabem espontaneamente em quem votar. Dos 784 entrevistados, 675, ou 86,10%, declararam-se indecisos. Outros 4,21% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto.

No segundo voto espontâneo, a indefinição é ainda maior. Os indecisos chegam a 91,33% dos entrevistados. Reinaldo Azambuja é o candidato mais citado, com 3,57%, seguido por Capitão Contar, com 0,64%, e Vander Loubet, com 0,26%. Brancos e nulos representam 4,21%.

REJEIÇÃO

A pesquisa também mediu a rejeição dos candidatos ao Senado e Soraya aparece com o maior índice, sendo citada por 13,90% dos entrevistados, enquanto Vander Loubet vem na sequência, com 10,33%, seguido por Capitão Contar, com 8,16%, e Reinaldo Azambuja, com 4,85%.

Beto do Movimento registra rejeição de 3,44%, Roberto Oshiro, 1,15%, Luiz Lemes e Valter da Comagran (PRD), 0,89% cada, Daniel Junior, 0,77%, e Valderi Garcia (PCO), 0,38%.

Apesar dos índices individuais, a maior parcela dos entrevistados, 34,69%, afirmou não rejeitar nenhum dos nomes apresentados. Outros 9,06% disseram rejeitar todos os candidatos e 7,91% não souberam responder.

Com duas cadeiras em disputa neste ano, cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado. Por isso, a média entre o primeiro e o segundo votos permite acompanhar de forma mais ampla a força de cada candidatura.

A série de levantamentos indica que Azambuja conseguiu não apenas manter a liderança, mas também aumentar sua distância em relação aos principais adversários ao longo dos últimos cinco meses.

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