Política

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Camila Jara confirma pré-candidatura e quer conquistar direita com trabalho

A deputado federal petista também falou sobre o boicote do setor produtivo à visita do presidente Lula a Campo Grande

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Na última entrevista da série da Rádio CBN Campo Grande e do Jornal Correio do Estado com seis pré-candidatos à prefeitura da Capital, a deputada federal Camila Jara (PT-MS) confirmou a pré-candidatura à prefeita e que pretende conquistar os votos da direita com propostas de trabalho em prol da melhoria da cidade.

Questionada sobre a declaração da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, de que o partido não tem como prioridade lançar candidaturas a prefeito no País, Camila Jara declarou que a informação vale apenas para algumas cidades do Brasil e Campo Grande não estaria incluída.

“Ela disse que em algumas cidades do País o PT vai priorizar o arco de alianças porque entende que é preciso lutar para conseguir fazer com que a política continue no campo democrático”, ressaltou.

A pré-candidata a prefeita acrescentou que em algumas capitais o PT tirou como prioridade ter candidaturas na majoritária, mas esse não é o caso de Campo Grande. “Para a gente, ir para disputa da prefeitura tem uma importância estratégica para divulgar a política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, revelou.

A deputada federal pontuou ainda que nas principais capitais do Brasil o PT terá pré-candidatas. “São mulheres que, assim como eu, começaram há pouco tempo na política e isso demonstra que o PT tem a capacidade de renovar seus quadros e oferecer novas opções de projetos políticos para sociedade”, argumentou.

Perguntada a respeito do fato de o deputado federal Vander Loubet (PT-MS) e do deputado estadual Zeca do PT terem se posicionado contra o lançamento de pré-candidato à majoritária em Campo Grande, ela disse que, após muitos debates e embates de ideias, está tudo certo.

“Eu entendo que o Zeca e o Vander vão acabar aderindo ao projeto de forma natural ao longo da campanha eleitoral. Eles têm sentido que não precisa desse embate porque o PT Nacional entendeu a nossa capacidade de execução e de estar representando o partido na Capital”, informou.

Camila Jara continuou que os dois entendem que a legenda sempre tem de estar com um projeto que represente as suas bandeiras. “Mas eu fico muito feliz de saber que o Zeca, assim como eu, fez a primeira campanha eleitoral dele concorrendo à prefeitura”, afirmou.

FURAR A BOLHA

A pré-candidata ainda comentou sobre a sua estratégia para driblar o fato de o histórico eleitoral do município de Campo Grande ser de centro para a direita. “Nos últimos anos, a gente criou uma política e uma cultura política no Brasil que eu acho muito ruim. As pessoas entendem que a população tem que pensar em caixas e em bolhas”, declarou.

Ela prosseguiu, completando que, quando se pensa dentro de caixas ou bolhas, deixa de aprender com aquilo que é diferente e de pensar outras alternativas para solucionar os problemas enfrentados pela sociedade.

“Sempre fui minoria na Câmara Municipal da Capital, pois a base do ex-prefeito Marquinhos Trad era muito forte e a bancada do PT só tinha eu e mais um colega, mas, mesmo assim, fui a parlamentar que mais apresentou emendas ao Plano Plurianual (PPA). Foram mais de 70 emendas que foram aprovadas e a gente conseguiu derrubar o veto de 49 delas”, recordou.

Camila Jara explicou que conseguiu derrubar os vetos do então prefeito na maioria deles porque entendeu que os projetos a serem apresentados eram aqueles que fugiam da polarização direita e esquerda.

“A gente conseguiu articular e mostrar a realidade para os colegas de Câmara, então, quando falávamos que estavam faltando vagas no SUS {Sistema Único de Saúde}, não estávamos falando de direita e esquerda, mais de um problema real que existia e que tinha de ser resolvido. E toda a população esperava que a gente resolvesse”, exemplificou, acrescentando que as pessoas precisam e esperam eficiência do serviço público.
 
A parlamentar ressaltou que, quando sai dessa polarização de esquerda e direita, é possível avançar muito mais no debate público. “Eu tenho certeza que a gente vai fazer isso, assim como o presidente Lula está fazendo lá no Congresso Nacional”, projetou.

BOICOTE

Ao comentar a questão de os representantes do setor produtivo terem feito um boicote à visita do presidente Lula ao frigorífico JBS em Campo Grande para anunciar a retomada da exportação da carne bovina para a China, Camila Jara garantiu que o chefe do Executivo nacional não vai abandonar os agropecuaristas por conta disso.

“Primeiro eu considero uma tremenda falta de habilidade política porque você estava com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e, quando você está com o ministro do setor tão próximo, consegue pensar soluções para problemas que eles estão enfrentando no dia a dia. Entretanto, apesar desse boicote, o governo federal não vai fechar as portas para eles e deve continuar investindo, porque entende que o agronegócio é estratégico para o desenvolvimento do Brasil”, assegurou.

A parlamentar também aproveitou para dizer que espera o retorno do presidente Lula a Campo Grande o mais breve possível. “A agenda dele está muito corrida, mas a gente vai ter o apoio também da primeira-dama Janja Lula da Silva para a minha campanha eleitoral, que deve conseguir estabelecer mais parcerias”, adiantou.

Ela pontuou que é importante destacar que ninguém faz política sozinho. “Eu, enquanto vereadora, mesmo no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fui muito a Brasília (DF) porque entendia que se tinha problema de arrecadação aqui, se meu projeto não estava andando, que não estava conseguindo convencer o gestor, tinha de procurar recursos de algum lugar. Mas, quando a gente tá alinhado com o governo federal, essas coisas acontecem de maneira mais fácil”, reconheceu.

A deputada federal elogiou a postura que o governador Eduardo Riedel (PSDB) teve de sentar, mesmo pensando diferente, com o presidente Lula.

“Eu sou uma pessoa que tenho uma série de divergências ideológicas com ele (Riedel), mas, ao sentar com o governo federal para somarem juntos em um projeto de construção de políticas públicas, foi uma atitude extremamente benéfica para o Mato Grosso do Sul, que é um dos estados que mais está conseguindo captar novos programas da União”, comparou.

Na análise de Camila Jara, o governador entendeu que era preciso sentar com o governo federal para executar essas políticas públicas. “Só que não adianta a gente ter um governo federal que não tem capacidade de olhar para as cidades. Eu consigo citar uma série, até me perco, de construções do PAC {Programa de Aceleração do Crescimento} anunciadas pelo presidente Lula para as nossas cidades”, exemplificou.

Porém, ela desafiou quem poderia dizer qual foi a obra estruturante que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez em Campo Grande ou em Mato Grosso do Sul.

“Além de ficar pegando o microfone e falando besteira, o que ele fez para melhorar a vida do cidadão na ponta? E provavelmente não vai ter, porque a gente não tem nenhuma obra estruturante do governo federal na época que o ex-presidente Jair Bolsonaro estava à frente do cargo porque não tinha um projeto de desenvolvimento nacional, não tinha essa ideia de que o setor público precisa atuar para conseguir melhorar a vida da população”, finalizou.

 

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DEMOCRACIA

PT inicia ofensiva contra André Mendonça e pede apoio de militantes

Mobilização começou após o presidente dizer que "se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral"

10/09/2026 07h08

"Ou o STF abre o sigilo sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida", disse Lula

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou, nesta quarta-feira, 9, uma campanha nas redes sociais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master.

Depois de Lula dar uma declaração pública pedindo a quebra integral do sigilo da investigação, petistas vieram a público criticar o juiz e iniciaram uma campanha de mobilização da militância em oposição a Mendonça.

"Na minha opinião, ou o STF abre o sigilo e mostra ao Brasil os segredos ocultos sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida. É preciso revelar toda a verdade sobre o candidato suspeito", disse Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.

Poucos minutos antes, Lula pediu "explicações e medidas imediatas" para enfrentar a "crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário" em seu perfil nas redes sociais.

"Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", afirmou o presidente e candidato à reeleição. "Por isso é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja a quem for, doa a quem doer."

Nos bastidores, alguns dos principais conselheiros de Lula veem André Mendonça como o responsável pelo momento ruim do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Eles apontavam o entorno do ministro do STF como responsável pelos vazamentos da investigação da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - a situação piorou após a queda do sigilo de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A gota d’água ocorreu após a divulgação de pesquisas que apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, o que mergulhou a campanha de vez numa crise.

Para alguns desses conselheiros, a situação envolvendo Moraes complicou ainda mais a situação de Lula. Para esse grupo, é inevitável que parte do eleitorado brasileiro não associe Moraes a Lula. Além disso, dizem eles, ainda existe gratidão do Planalto ao que ministro fez no julgamento da tentativa de golpe de Estado, que levou, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão.

A campanha pediu apoio da militância nos grupos de WhatsApp. "Faltam só 25 dias para as eleições, gente! Não tem para onde correr: a missão de hoje é para agora, hein? Precisamos falar sobre as atitudes do ministro André Mendonça no caso envolvendo a blindagem de Flávio Bolsonaro e defender que as instituições cumpram o seu papel com independência", disse um dos textos divulgados no grupo de WhatsApp "Lulaverso", criado pela campanha de Lula em 2022 e ativo até hoje.

Essa publicação foi feita antes da declaração pública de Lula. "Bora botar a boca no trombone! Cada compartilhamento, postagem e conversa importam muito. Está proibido deixar a tarefa para depois."

Éden Valadares defendeu em publicação nas redes que o momento pede reação imediata. "A situação política no Brasil é muito grave. O que eram suspeitas se confirmam em evidências, e precisamos denunciar e reagir agora. A crise institucional que se instalou no Supremo Tribunal Federal está sendo transformada em instrumento eleitoral pelo ministro relator do caso do Banco Master ao barrar as investigações sobre Flávio Bolsonaro, ao ser parcial nas apurações do banqueiro Daniel Vorcaro, ao negar ao Brasil a verdade sobre o escândalo Dark Horse", afirmou.

"A condução do processo claramente tenta influenciar as eleições brasileiras ao proteger o candidato bolsonarista à Presidência da República."

Na semana passada, o Estadão revelou que Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias. A investigação mostrou que Vorcaro pedia auxílio e orientações ao ministro do Supremo sobre as investigações do Master. Também aparecem conversas com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, intermediadas por um advogado.

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 7, aponta Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 41% no segundo turno. O cenário não era registrado desde março, quando ambos também apareciam no mesmo patamar numérico.

Política

Fachin decide tirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news

Relator havia incluído acusações contra André Mendonça no processo

09/09/2026 19h10

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Divulgação/STF

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (9) e ficam preservadas todas as decisões tomadas por Moraes no processo até a data de hoje.

O inquérito foi aberto pela Corte em março de 2019 e continua em andamento. Na época, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, defendeu a medida como forma de combater a veiculação de notícias que atingiam a honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e parentes. O ministro também nomeou Moraes como relator.

A decisão de Fachin ocorre durante uma crise protagonizada por Moraes e o ministro André Mendonça. Na semana passada, Moraes incluiu acusações contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O relatório dizia que Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.

Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da PF que trazia mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Vorcaro é alvo central da Operação Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no Master, e está preso atualmente.

Nesta quarta, Fachin determinou a retirada da investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. Todo seu conteúdo foi remetido ao próprio presidente da Corte.

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