Política

DIVERGÊNCIAS

Candidaturas antecipadas de Vander e Zeca provocam racha dentro do PT

Ala do partido entende que o momento é de fortalecer a sigla, atraindo filiados e lançando chapas completas nos municípios

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Os anúncios públicos do deputado federal Vander Loubet (PT-MS) e do deputado estadual José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, de que serão, respectivamente, os candidatos do partido ao Senado em 2026 e à Prefeitura de Campo Grande em 2024, não agradaram à ala mais militante da sigla em Mato Grosso do Sul.

Segundo apurou o Correio do Estado, esse segmento mais “raiz” do PT estadual estaria descontente com o fato de os dois principais caciques da legenda estarem mais preocupados com os projetos pessoais do que com o fortalecimento do partido no Estado.

Esses militantes reforçaram que, além do retorno do conservadorismo político causado pela onda anti-PT e bolsonarista, houve um processo intenso de desmantelamento do partido nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul e isso seria reflexo da “política do puxadinho” adotada pelos filiados com mandados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e na Câmara dos Deputados.

“Eles não investiram na organização partidária e optaram por retirar lideranças do PT para fortalecer alianças com forças conservadoras em troca de cargos em secretarias estaduais com o único objetivo de autopromoção, de olho nas reeleições ou eleições, sem investir em candidaturas próprias, novos filiados e disputa local de poder”, lamentou um dos interlocutores ouvidos pela reportagem.

Um exemplo disso, conforme esses militantes, seria o ex-deputado estadual Paulo Duarte, que hoje está no PSB, mas, quando estava no PT, foi prefeito de Corumbá e presidente estadual da sigla. “Na crise da ex-presidente da República Dilma Rousseff, ele saiu do PT sem pensar duas vezes”, disse.

No entendimento dessa ala, as eleições municipais que se aproximam teriam de ser utilizadas para o renascimento da sigla, pois, de acordo com o Radar Governamental Celuppi, no que tange à representatividade nacional dos partidos, o PT é uma das siglas que mais tiveram queda na representação nas câmaras municipais nas eleições de 2020.

A Associação Transparência Municipal apontou que, no período de 2013 a 2016, o PT de Mato Grosso do Sul ocupava o 2º lugar na representação municipal, com 99 vereadores. Porém, nas eleições municipais de 2020, a representação regional caiu para 68 vereadores na somatória de toda a Região Centro-Oeste – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.

Esses petistas querem aproveitar a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para dar uma alavancada nas filiações, mas, para isso, seria necessário montar bases nos 79 municípios. Entretanto, conforme eles, ficaria difícil com a sigla dividida internamente.

SENADO

Na manhã de ontem (6), durante entrevista para uma rádio de Campo Grande, Vander Loubet voltou a reafirmar que não pretende tentar novamente uma vaga na Câmara Federal e que nesses próximos anos construirá condições para se tornar candidato ao Senado pelo PT.

Em 2026, encerram-se os mandatos de oito anos dos senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Soraya Thronicke (União-MS) e, com isso, serão duas vagas para o Senado em Mato Grosso do Sul. Para Vander, a experiência de mais de 20 anos como deputado federal facilitará no processo, pois ele já conhece o sistema de Brasília.

“Eu acho que eu reúno essas condições dentro do PT para ser o candidato. Com a experiência que eu tenho, até lá, serão 24 anos de mandatos consecutivos. Conheço Brasília, o Congresso e os ministérios como poucos. Eu acredito que posso fazer um mandato no Senado, contribuindo muito para o nosso Estado”, declarou.

PREFEITURA

Também ontem, Zeca do PT disse, ao lado do deputado estadual Pedro Kemp (PT), que não descartava a candidatura à prefeitura da Capital e uma possível dobradinha com o colega de legenda. 

Indagado sobre a candidatura, o deputado Pedro Kemp disse que avalia a possibilidade de tentar novamente, já que foi candidato na última eleição, todavia, tinha certeza de que a sigla terá candidato próprio em Campo Grande em 2024.

Ao ser questionado sobre possível candidatura, Zeca citou Pedro Kemp como seu candidato, que prontamente rebateu, dizendo que ele é quem seria o seu candidato.

Diante da troca de gentileza, Zeca ressaltou um episódio envolvendo o ex-deputado Ben-Hur Ferreira, em 1996, quando quase venceram André Puccinelli na Capital.

“Eu disse ao Bem-Hur que só seria candidato se ele fosse meu vice e te faço a mesma proposta”, recordou.

Pedro Kemp prontamente disse que aceita e Zeca respondeu que falta agora a aprovação do partido. No entanto, para o cargo, o PT também tem entre os pré-candidatos a deputada federal Camila Jara e a advogada Gisele Marques, que concorreu ao governo pelo partido.

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Parceria

Empréstimo de R$ 415 milhões para o Hospital Regional é aprovado pelo Senado

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13)

13/08/2026 17h00

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13)

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13) Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Senado aprovou o empréstimo de US$ 80 milhões (aproximadamente R$ 415 milhões), repasse entre Governo do Estado e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), destinados à parceria público-privada (PPP) do Hospital Regional. 

A resolução parlamentar que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13) pelo Plenário do Senado e segue à promulgação. 

O empréstimo conta com garantia da União, nos termos da mensagem da Presidência da República (MSF 48/2026) ratificada pelos senadores.

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) confirmaram o cumprimento dos requisitos legais para a tomada dos recursos pelo governo do Estado.

Em seu relatório, a senadora Tereza Cristina (PP) argumentou que “o principal objetivo deve ser assegurar uma estrutura hospitalar adequada, serviços de qualidade e utilização eficiente dos recursos públicos, mantendo sempre a saúde e o interesse coletivo como referências centrais da iniciativa”.

Em maio o Governo do Estado assinou a concessão do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul à empresa Inova Saúde, subsidiária da Construcap CCPS Engenharia e Comércio, vencedora do leilão para comandar administrativamente o hospital através de parceria público-privada. Conforme o contrato, a empresa deve iniciar os serviços em janeiro de 2027. 

De acordo com Riedel, a decisão da privatização do Hospital foi motivada por experiências bem-sucedidas no Brasil e no mundo em gestão de hospitais públicos. O objetivo é oferecer serviço gratuito à população com recursos compatíveis ao orçamento estadual. 

"Este foi o melhor modelo encontrado que envolvesse a ampliação do hospital, a construção, a parte estrutural, física, modernização do hospital, não só do ponto de vista de equimaneto e da sua estrutura, mas do ponto de vista da gestão. Temos muita convicção de que essa mudança traria um resultado muito positivo e impactaria a saúde e no projeto da saúde de todo o estado", afirmou o governador à época. 

O leião da concessão aconteceu na sede da B3, em São Paulo e teve cinco interessadas. A Construcap ofereceu um deságio de 22% ao valor de referência definido para a contraprestação do Estado, que era de R$ 20,3 milhões, ofertando R$ 15,9 milhões, valor muito inferior ao dos quatro outros concorrentes do leilão.

O plano de implementação será feito em fases progressivas. Em janeiro do próximo ano a empresa assume serviços de apoio não assistenciais, como a hotelaria, limpeza, lavanderia, segurança, recepção e infraestrutura de TI. 

Após 20 meses, a Inovar assume a indústria farmacêutica, que é a compra de medicamentos. Um ano depois, a empresa assume a reforma e modernização do chamado "Bloco Velho", passando para as outras áreas após a conclusão, até a consolidação total da operação, com previsão de 56 meses.

"Isso quer dizer que a gente ainda vai conviver com um pedaço de responsabilidade do Estado, e por isso é uma operação assistida, até a operação plena ser consolidada, com parte da PPP. Mas visando sempre o melhor e a melhor eficiência para o cidadão", explicou o Dr. Vinícius Batistela. 

Saiba*

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é considerado o maior hospital de alta complexidade do Estado, atendendo mais de 1,5 milhão de pacientes por ano. A PPP será responsável por modernizar e expandir os serviços essenciais por um período de 30 anos. 

"Me tirem!"

'Mais louco do Brasil' diz que PL pode expulsá-lo após apoiar petista ao Senado

Prefeito rebateu candidata a deputada estadual que pediu saída dele da legenda

13/08/2026 14h15

Vander Loubet foi um dos escolhidos por Juliano Ferro ao Senado

Vander Loubet foi um dos escolhidos por Juliano Ferro ao Senado Foto: Montagem

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Após declarar apoio à candidatura do petista Vander Loubet ao Senado, Juliano Ferro (PL), prefeito de Ivinhema autointitulado "Mais louco do Brasil" disse que o partido pode expulsá-lo, mas que mesmo assim manterá apoio àqueles que sempre os ajudaram duranto a construção de seu mandato.

Na manhã desta quinta-feira (13), a candidata a deputada estadual Vivi Tobias (PL) foi até a sede estadual do partido, em Campo Grande, e protocolou um pedido de expulsão de Juliano Ferro por infidelidade partidária. 

Amplamente identificado com a ala bolsonarista, a declaração de apoio a Vander em detrimento da candidatura de Capitão Contar, do mesmo partido, não foi bem acolhida por grande parcela de seus eleitores, fato que provocou uma enxurrada de declarações negativas de sua própria base eleitoral.  

Em suas redes sociais, reiterou o apoio a Vander Loubet e disse que o petista é o único da esquerda que decidiu apoiar, mantendo assim apoio para Flávio Bolsonaro à presidência, Riedel para Governador, Mara Caseiro na disputa pela Câmara Federal, Zé Teixeira, candidato a deputado estadual e Reinaldo Azambuja, sua primeira escolha no Senado. 

"Eu não estou fazendo "desfidelidade (sic) partidária não, eu não sou candado a deputado estadual e nem federal, não sou candado a nada, eu sou prefeito. Se quiserem me tirar do partido, tirem!"

Na sequência, diz que a escolha por Vander se deu como uma espécie de gratidão ao fato do atual deputado federal auxiliá-lo com recursos federais. Tenho que apoiar quem ajudou a construir o mandato, quem hoje atende a "necessidade da população", falou. 

"E eu não vou pelo partido, vou pelas melhores propostas pelo nosso estado, eu vou por queles que me ajudaram a conduzir o meu mandato. Fui reeleito com 82%, então antes de falar de mim vai lá e pergunta em Ivinhema como que é o nosso mandato." No mesmo vídeo, diz que a candidatura do do outro candidato ao Senado pelo PL (Capitão Contar) não o convenceu. Além de Ferro, Júlio Buguelo (PSD), prefeito de Glória de Dourados também declarou apoio a Vander. 

No vídeo, alguns de seus seguidores o apoiam, ao passo que outros o chamam de "petista enrustido". 

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