Política

desafio de titãs

Carlão teria aprovado reajuste para mostrar força e constranger Adriane

A relação do presidente da Casa de Leis com a chefe do Executivo municipal estaria estremecida há alguns dias

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O fato de os vereadores de Campo Grande terem aprovado, em regime de urgência, um reajuste de até 96,8% no salário da prefeita Adriane Lopes (Patriota), que passará dos atuais R$ 21.263,62 para até R$ 41.845,48 em março de 2025, teria sido uma demonstração de força política do presidente da Câmara Municipal, Carlos Augusto Borges (PSB), mais conhecido como Carlão, com o objetivo de provocar constrangimento público à chefe do Executivo municipal.

Segundo fontes ouvidas pelo Correio do Estado, a relação de Carlão e Adriane estaria estremecida há alguns dias, e a prefeita não estaria nem atendendo as ligações e mensagens enviadas pelo presidente da Casa de Leis.

Tal comportamento da gestora municipal teria provocado o descontentamento do presidente do Legislativo municipal, que aproveitou para aprovar os dois projetos de lei que tratam do reajuste salarial, os quais foram apresentados por ele e pelo primeiro-secretário, Delei Pinheiro (PSD).

Os interlocutores de ambos revelaram à reportagem que a prefeita não queria que os projetos fossem aprovados neste momento porque os gastos com pessoal já consomem 57,02% dos recursos do município, extrapolando o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de 51,30%.

No máximo, conforme as mesmas fontes, Adriane Lopes aceitaria que fosse aprovado o projeto que permitiria o aumento a partir de março de 2025.

Além disso, no momento que os dois projetos entraram na pauta para serem votados na sessão ordinária de terça-feira, a prefeita teria solicitado ao presidente da Câmara Municipal que fosse retirado da pauta.

No entanto, Carlão bateu o pé e colocou para ser votado, tendo até, dizem, “abandonado” momentaneamente a presidência da Casa de Leis e descido para o plenário para votar a favor dos dois projetos. 

Essa atitude do presidente teria sido um sinal para os demais pares que teriam de aprovar os dois projetos para acompanhar o líder máximo da Câmara Municipal.

O resultado foi a aprovação do projeto que reajusta o salário da prefeita e dos secretários municipais, contemplando automaticamente mais 405 funcionários públicos municipais, que terão os salários corrigidos de R$ 21.263,62 para R$ 35.567,50.

Essa proposta contou com o apoio de 19 vereadores, enquanto 10 votaram contra porque consideraram que o reajuste imediato seria inconstitucional, pois só o salário da prefeita pode ter correção na próxima legislatura.

A proposta aprovada, por 18 votos a 10, prevê, a partir de agora, aumento de 66,77% no salário da prefeita, de R$ 21.263,62 para R$ 35.462,22, enquanto o salário dos secretários municipais terá correção de 159,4%, de R$ 11.619,70 para R$ 30.142,70.

O segundo projeto, que prevê o aumento somente a partir de 2025, teve apenas 2 votos contra e 26 votos a favor. Nesse caso, a proposta eleva o salário da prefeita de R$ 35.462,22 para R$ 41.845,48, superando o valor do salário pago ao governador Eduardo Riedel (PSDB), que é de R$ 35,4 mil. 

O vencimento dos secretários municipais saltará de R$ 11.619,70 para R$ 35.567,50, um aumento de 206,1%. Os diretores de autarquias vão ganhar R$ 30.142,70, enquanto o cargo de vice-prefeito terá subsídio de R$ 37.658,50.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente Carlão lembrou que há 12 anos não há essa reposição da inflação no subsídio da prefeita.

“A Câmara Municipal não tem a prerrogativa de aumentar o salário de nenhum servidor. A Casa tem as prerrogativas constitucionais de mexer no subsídio da prefeita ou do prefeito, e fizemos isso. Ela tem a LRF: se entender que o salário não deve ser aumentado, pode congelar. Os salários dela e dos secretários podem ficar congelados”, sugeriu.

O vereador reforçou que alguns servidores dependem desse aumento da prefeita porque estão no teto.

“Se ela não puder dar o aumento por causa da LRF, com certeza não o fará. A Câmara tem de legislar no subsídio da prefeita, fizemos isso porque há 12 anos que não é feita nem correção inflacionária e os prefeitos que passaram não queriam mexer, então, a gente tinha esse compromisso”, alegou, completando que a Casa de Leis aprovou o aumento porque não quer carregar essa pecha de 12 anos sem corrigir a inflação.

Tal declaração, conforme as fontes ouvidas pela reportagem, foi uma forma de constranger publicamente a prefeita, que, por força da LRF, terá de tomar uma decisão impopular, indispondo-se com os servidores beneficiados com o reajuste, ou então passar por cima da legislação, o que pode afetar sua administração, correndo o risco de o seu descumprimento ser considerado como conduta de crime de responsabilidade ou incorrer na Lei de Improbidade Administrativa, cujas penalidades são cassação de mandato, reclusão e multas.

Além disso, a aprovação do reajuste vai de encontro com a política adotada no momento pela prefeita Adriane Lopes, que tem justificado aos demais servidores não ter recursos para conceder aumento salarial por falta de recursos financeiros suficientes.

Saiba: Punições para quem descumpre a LRF - A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) prevê diferentes punições para governantes que descumprirem suas diretrizes.

O descumprimento da lei pode ser considerado como conduta de crime de responsabilidade ou incorrer na Lei de Improbidade Administrativa. Entre as penalidades para ambos estão cassação de mandato, reclusão e multas.

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ELEIÇÕES

'Mais Louco' ignora Contar e declara apoio ao petista Vander ao Senado

Juliano Ferro, prefeito de Ivinhema, anunciou que irá apoiar Vander Loubet e Reinaldo Azambuja para ocuparem as duas vagas do Senado Federal

13/08/2026 11h30

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Em vídeo publicado em sua rede social, nesta quarta-feira (12), o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), o "Mais Louco do Brasil", declarou seu apoio político para dois candidatos ao Senado Federal em Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja (PL) e Vander Loubet (PT).

Apesar de ser de direita e apoiar um candidato da esquerda, mais especificamente do PT que é adversário direto do Partido Liberal, o qual faz parte, o prefeito explicou que a opção por Vander Loubet é por uma questão de proximidade.

"Nosso primeiro voto para o Senado é Reinaldo Azambuja, que fez um trabalho brilhante como governador do Estado, fazendo o sistema municipalista e ajudando os 79 municípios. Meu segundo apoio é para Vander Loubet, todo mundo sabe da minha proximidade com o Vander, já fiz três campanhas para ele e, ao longo desses seis anos como prefeito, foi um grande companheiro que nós tivemos aqui na Câmara dos Deputados Federal. E eu sempre falo aqui nas minhas redes sociais que queria ajudar quem ajudou a fazer Ivinhema melhor, quem ajudou a manter o nosso mandato no patamar que se encontra".

Além de anunciar seu apoio para as duas vagas ao Senado Federal, Juliano Ferro também disse que fará campanha para Flávio Bolsonaro (PL) ser o Presidente da República e para Eduardo Riedel (PL) continuar como governador do Estado.

"Também estarei junto com nosso governador Eduardo Riedel, estarei junto com nosso deputado estadual Zé Teixeira, a Mara Caseiro para deputada federal e também estarei fazendo a campanha para o nosso presidente Flávio Bolsonaro"

O apoio de Juliano Ferro ao candidato do Partido dos Trabalhadores também passa pela desistência de Nelsinho Trad a reeleição ao cargo de senador, no início do mês. Trad e Mais Louco possuem uma boa relação, tanto que o prefeito chegou a anunciar, em novembro de 2025, que apoiaria o parlamentar para as eleições deste ano.

A decisão do prefeito bolsonarista pode causar um abalo no cenário político em Mato Grosso do Sul. Nos comentários do vídeo, há seguidores do "Mais Louco" que se manifestaram contra a decisão de apoiar um petista.

ESTRATÉGIA ELEITORAL

Azambuja se aproxima de Michelle para conquistar voto da direita radical em MS

Ex-governador recebeu o apoio da ex-primeira-dama à chapa do PL e busca reforçar vínculo com eleitorado bolsonarista

13/08/2026 07h40

Reinaldo Azambuja e Michelle Bolsonaro no encontro em Brasília

Reinaldo Azambuja e Michelle Bolsonaro no encontro em Brasília Divulgação

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Focado no eleitorado da direita radical de Mato Grosso do Sul, o ex-governador Reinaldo Azambuja, candidato do PL ao Senado, avançou na aproximação com a ex-primeira-dama do Brasil Michelle Bolsonaro e recebeu dela uma sinalização pública de apoio à chapa do partido no Estado.

O movimento busca fortalecer a identificação dele com o bolsonarismo e encerrar as dúvidas provocadas pela antiga defesa da candidatura do deputado federal Marcos Pollon ao Senado.

Azambuja esteve em Brasília (DF) na terça-feira, onde participou da gravação de material para a campanha eleitoral ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.

O encontro reuniu cerca de 20 candidatos ao Senado e teve a participação de Michelle, que vai concorrer pelo partido a uma das duas vagas de senadora pelo Distrito Federal.

Durante a conversa, Michelle demonstrou apoio à composição definida pelo PL em Mato Grosso do Sul e afirmou que a escolha também agradou ao ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL). “Estou feliz com a chapa de vocês. O Bolsonaro também ficou satisfeito pela escolha”, afirmou.

Para Azambuja, a declaração ajuda a afastar qualquer dúvida sobre o posicionamento da família Bolsonaro em relação à disputa pelo Senado no Estado.

“A Michelle Bolsonaro me disse que torce pela nossa candidatura, pois entendeu que a nossa chapa é forte e tem plenas condições de ficar com as duas vagas ao Senado”, declarou.

O ex-governador também afirmou que a disputa interna envolvendo os nomes que representariam o partido na eleição está encerrada. “As duas candidaturas do PL ao Senado em Mato Grosso do Sul já estão pacificadas”, disse.

A presença de Azambuja ao lado de Michelle ocorre em um momento em que o ex-governador procura ampliar sua inserção entre os eleitores mais identificados com Jair Bolsonaro.

Embora tenha construído sua trajetória política principalmente no PSDB antes de ingressar no PL, Azambuja agora busca reforçar os vínculos com as principais lideranças nacionais da legenda e com o eleitorado conservador.

O discurso adotado pelo candidato também procura aproximá-lo da retórica utilizada pelo grupo político de Bolsonaro. Em Brasília, Azambuja colocou o enfrentamento ao PT como elemento de união entre as diferentes alas do partido.

“Todo mundo unido para enfrentar o nosso adversário em comum, que é o PT. Esse partido está destruindo o Brasil”, afirmou.

A estratégia ganha importância especialmente porque Capitão Contar e Marcos Pollon têm histórico de identificação direta com o bolsonarismo em Mato Grosso do Sul.

Ao aparecer ao lado de Michelle e Flávio Bolsonaro e receber o aval da ex-primeira-dama do Brasil, Azambuja busca consolidar sua presença nesse mesmo segmento do eleitorado.

Afinal, estar ao lado de Michelle oferece a Azambuja um ativo adicional na tentativa de conquistar o eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, permite ao PL apresentar uma imagem de unidade depois de meses de disputa sobre quem representaria o grupo na corrida pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado.

O encontro em Brasília também serviu para reforçar a tentativa de pacificação das divergências envolvendo integrantes da família Bolsonaro, pois Michelle relatou a Azambuja que o desentendimento com Flávio foi superado e que o grupo pretende concentrar esforços na eleição presidencial e na ampliação da bancada aliada no Senado.

A gravação realizada na Capital Federal integra essa estratégia, já que o material produzido com Flávio, Michelle e os candidatos ao Senado poderá ser utilizado tanto pela campanha presidencial quanto nas propagandas estaduais.

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