Política

Partido dos Trabalhadores

Chefe de gabinete de Vander pede punição de Landmark por traição na votação da Taxa do Lixo

Representação protocolada nesta quarta-feira (18) acusa vereador de "fuga" e aponta que voto online poderia ter derrubado veto da prefeita; documento cita até homenagem à esposa do parlamentar como indício de desvio ético

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A crise interna no Partido dos Trabalhadores (PT) de Campo Grande escalou novo ponto na quarta-feira (18). Ido Michels, chefe de gabinete do deputado federal Vander Loubet, principal fiador político da eleição do vereador Landmark Rios, protocolou representação ético-disciplinar pedindo a condenação do parlamentar por infidelidade partidária.

O documento, ao qual o Correio do Estado teve acesso com exclusividade, classifica a ausência de Landmark na votação decisiva sobre a Taxa do Lixo, ocorrida no último dia 10, como "vexatória", "cruel" e uma "fuga" das responsabilidades partidárias.  

O pedido de sanção veio como consequência da sessão ordinária de 10 de fevereiro, quando a Câmara Municipal analisou o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao Projeto de Lei Complementar 1.016/26. 

O projeto visava suspender o decreto do Executivo que alterou o lançamento da Taxa do Lixo e do IPTU, gerando aumentos considerados abusivos por entidades como a OAB-MS.   

Para derrubar o veto da prefeita e livrar a população da cobrança, a oposição precisava de 15 votos. O placar final, no entanto, parou em 14 votos pela derrubada. O que faltou pertencia justamente a Landmark Rios, que não compareceu à sessão, alegando agenda oficial em Brasília.   

Na representação de 10 páginas encaminhada ao presidente do Diretório Municipal, deputado Pedro Kemp, Ido Michels desconstrói o álibi da viagem. O autor argumenta que o Regimento Interno da Casa de Leis permite a participação remota e que Landmark poderia ter registrado seu voto online, como fizeram outros parlamentares em situações análogas.   

"O Representado LANDMARK se ausentou, fugiu, das duas votações em evidente conluio com a péssima gestão do Poder Executivo Municipal", dispara Michels no texto, referindo-se também à ausência do vereador na sessão extraordinária de janeiro.   

O documento revela ainda bastidores daquele dia: os outros dois vereadores da bancada petista, Luíza Ribeiro e Jean Ferreira, teriam tentado contato telefônico insistente para que Landmark se conectasse e votasse, sem sucesso.   

O peso político da denúncia reside na autoria. Ido Luiz Michels é doutor em Geografia Humana, professor da UFMS e braço direito de Vander Loubet, o cacique petista que ajudou a eleger Landmark com mais de 4 mil votos em 2024.   

Ao pedir a abertura de processo na Comissão de Ética, o grupo de Vander sinaliza que retirou o apoio político ao vereador. A acusação é de que Landmark violou o Estatuto do PT ao desrespeitar a orientação de bancada e "apoiar governos que contrariem os princípios programáticos do Partido".  

Em um dos trechos mais duros da representação, Michels acusa o vereador de usar o mandato para "mera satisfação de interesses pessoais". Como prova, anexa ao processo a notícia de que, logo após a polêmica da Taxa do Lixo, Landmark indicou sua própria esposa, Flávia Percília Ertzogue Rubio Rios, para receber uma homenagem oficial da Câmara Municipal em alusão ao aniversário da capital.   

"A utilização do mandato eletivo parlamentar não se presta a nefastas práticas de (...) mera satisfação de interesses pessoais", escreve.   

Ao Correio do Estado, Michels deu a seguinte declaração:

"Fiz na condicao de filiado e entendo que foi uma posicao equivocada dele e inexplicavel. E serve como processo de amadurecimento do partido. Nao podemos passar como se nada tivesse acontecido”"

No dia da votação, a assessoria do vereador divulgou nota afirmando que a ausência se deu por uma "coincidência de datas causada por sucessivos adiamentos da matéria" e que o vereador estava em Brasília articulando recursos para habitação e regularização fundiária junto ao Ministério das Cidades e ao gabinete do senador Nelsinho Trad (PSD).   

O processo agora deve seguir para análise de admissibilidade pela Executiva Municipal do PT.

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Judiciário

OAB-MS define lista sêxtupla para desembargador no TJMS; procuradora é a mais votada

Ana Carolina Ali Garcia foi a mais votada pelo Conselho Seccional da OAB-MS; lista sêxtupla tem outras duas advogadas e três advogados

29/05/2026 13h03

Procuradora do Estado, Ana Carolina Ali Garcia

Procuradora do Estado, Ana Carolina Ali Garcia Divulgação

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A procuradora do Estado de Mato Grosso do Sul, Ana Carolina Ali Garcia, foi a mais votada na disputa da vaga da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) pela vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

Ela é o primeiro nome da lista sêxtupla que deve ser encaminhada para a TJMS pelo presidente da OAB-MS, Bitto Pereira, na semana que vem. Também integram a lista as advogadas Regina Iara Ayub, Silmara Salamaia Gonçaves, José Eduardo Chemin Cury (também conhecido como Dadinho Cury), Ewerton Araújo de Brito, e José Roberto Rodrigues da Rosa. 

A lista é composta por três mulheres e três homens porque está alinhada ao princípio da paridade de gênero, obrigação das escolhas das listas de Quinto Constitucional da OAB-MS desde o início desta década. 

Ana Carolina Ali Garcia, que até abril último atuava como Procuradora-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul foi a mais votada pelo Conselho Seccional da OAB-MS, com 43 votos. 

A votação foi a seguinte: 

  • - Ana Carolina Ali Garcia: 43 votos
  • - Regina Iara Ayub: 42 votos
  • - Silmara Salamaia Gonçalves: 42 votos
  • - José Eduardo Chemin Cury: 41 votos
  • - Ewerton Araújo de Brito: 39 votos
  • - José Roberto Rodrigues da Rosa: 35 votos

A expectativa é que, em até 60 dias, talvez antes, o TJMS escolha a lista tríplice e a envie para o governador Eduardo Riedle, que escolherá três dos seis nomes propostos pela OAB-MS nesta primeira fase. 

O novo desembargador ocupará a vaga que foi do advogado Ari Raghiant, que ocupou o posto por 3 anos e meio e deixou o caro em março último, para voltar à advocacia. 

Eleições 2026

Verruck pode trocar disputa na Câmara para ser o 1º suplente de Capitão Contar

Atualmente, o ex-titular da Semadesc é pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos, mas quadro pode ser alterado

29/05/2026 08h00

O ex-secretário Jaime Verruck (Republicanos) e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL)

O ex-secretário Jaime Verruck (Republicanos) e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) Montagem

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As articulações políticas para a disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul começaram a ganhar força nos bastidores com as lideranças intensificando os diálogos sobre possíveis composições.
A novidade da vez é que o economista Jaime Elias Verruck, ex-titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), pode estar prestes a mudar os rumos de seu projeto político.

Dono de uma trajetória na área técnica e de gestão pública, com atuação destacada em setores ligados ao desenvolvimento econômico, produção e infraestrutura do Estado, o pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos é apontado como provável primeiro suplente do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) na corrida ao Senado.

Conforme apuração do Correio do Estado, a informação que circula entre lideranças ligadas às articulações eleitorais da direita, caso seja confirmada, obrigaria Verruck a abrir mão da Câmara dos Deputados.

Após mais de uma década à frente da Semadesc, atravessando os governos de Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP), Verruck deixou oficialmente o cargo em abril deste ano para cumprir o prazo de desincompatibilização previsto em lei.

Apesar da construção de um perfil técnico e de forte interlocução com o setor produtivo, o cenário interno do Republicanos é considerado difícil para sua candidatura. A legenda já tem nomes mais consolidados eleitoralmente, como o deputado federal Beto Pereira, apontado como principal aposta da sigla para manter representação na Casa.

Nos bastidores, a avaliação é de que o Republicanos teria dificuldades para eleger mais de um deputado federal em Mato Grosso do Sul, o que reduziria significativamente as chances de Verruck conquistar espaço competitivo na chapa.

A eventual ida para a condição de primeiro suplente de senador surge, nesse contexto, como alternativa estratégica para mantê-lo no centro das articulações políticas. 

Embora tenha menor protagonismo formal em relação à candidatura principal, a função garantiria presença no principal palanque da direita e manteria o ex-secretário próximo das decisões.

OUTRO LADO

Procurado pelo Correio do Estado, Capitão Contar afirmou que Verruck reúne qualidades técnicas e experiência administrativa que o credenciam como um possível nome dentro de um projeto político voltado ao desenvolvimento estadual.

Entretanto, apesar da avaliação positiva, Contar ressaltou que não existe, neste momento, nenhuma definição oficial ou tratativa formal envolvendo alianças ou composição política.

“Não há nenhuma definição ou conversa formal nesse momento. Mas o Jaime tem um perfil técnico muito respeitado, experiência de gestão e seria, sim, um bom nome dentro de um projeto que pensa no desenvolvimento do Estado”, declarou.
 

Já o ex-secretário negou qualquer possibilidade de disputar uma vaga de suplente ao Senado e afirmou que está focado na construção da pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

Ele lembrou que, neste momento, o PL ainda nem definiu quem será o segundo nome da legenda ao lado de Azambuja. “O primeiro é o Reinaldo e o segundo nome vai ser definido em pesquisa entre Contar e o deputado federal Marcos Pollon”, falou, reforçando que isso demonstra que não há definição consolidada no grupo.

“O segundo ponto é destacar que não houve nenhum convite e a minha posição é muito clara: eu sou candidato a deputado federal”, disse. 
Verruck ressaltou que está concentrado na articulação política em diversas regiões do Estado, fortalecendo alianças com lideranças municipais e estaduais para consolidar a candidatura. 

“Não há convite e também não há, da minha parte, nenhum interesse em trocar a candidatura de deputado federal por uma suplência de senador”, concluiu.

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