Política

CCJ

Com voto de deputado de MS, projeto que permite estados a legislar sobre armas de fogo é aprovado

O STF deliberou e considerou inconstitucional a lei de Mato Grosso do Sul, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados formou maioria e aprovou projeto

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Após o Supremo Tribunal Federal (STF) tornar inconstitucional a lei de Mato Grosso do Sul que facilitava o porte de arma de fogo, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou o projeto que libera os estados a legislar sobre armas de fogo.

Único representante de Mato Grosso do Sul, na CCJ, o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) votou favorável ao projeto de lei (108/2023) que autoriza os estados a legislar sobre o porte de arma de fogo. 

Durante seu discurso, Pollon, falou para a base, chegando a lançar uma provocação de que ninguém da direita pode ser contrário a proposta.

O projeto de lei complementar que autoriza o Distrito Federal e os estados a legislarem sobre o porte e posse de arma foi aprovado por 34 votos favoráveis e 30 contrários a proposta. 

Acerca da do projeto de lei complementar, sobre posse e porte de armas de fogo para defesa pessoal, práticas desportivas e controle de espécies exóticas invasoras, a deputada Caroline de Toni, autora do PL, defendeu a pauta justificando que se aprovada na Câmara dos Deputados poderia impedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) considere leis estaduais inconstitucionais.

"O Supremo Tribunal Federal tem, sim, enfrentando algumas ações diretas da inconstitucionalidade para dizer que por falta de uma lei complementar que delegue para os estados a competência para tal tema é que eles estão declarando essas leis estaduais e municipais inconstitucionais. Então, foi por esse sentido que nós fizemos esse projeto de lei, justamente na previsão do artigo 22, parágrafo único, para delegar essa competência da União para os estados", apontou a deputada em transmissão a Tv Câmara.

Durante a declaração de voto o deputado  Patrus Ananias (PT-MG) argumentou que o projeto afronta diretamente a legislação federal sobre armas de fogo, o Estatuto do desarmamento, conforme divulgado pela Agência de Notícias da Câmara.

“Estados e DF podem complementar residualmente a legislação federal, estabelecendo procedimentos e normas para melhor aplicação da legislação em seus territórios, sem que tenham um cheque em branco para legislar de maneira diversa e/ou avançar sobre matérias que devem observar a legislação nacional”, explicou. 

Texto segue para Câmara

O projeto segue para a Câmara dos Deputados para apreciação dos pares onde passará por votação. No texto apresentado, as autorizações serão de porte ou posse concedidas a pessoas que comprovem que residam no estado. 

 

STF declara projeto inconstitucional

Em sessão virtual, no dia 19 de abril, o Supremo Tribunal Federal finalizou a análise do projeto de Mato Grosso do Sul, e considerou inconstitucional por entender que a matéria é do âmbito de discussão da União e não concebe aos estados legislar acerca disso.

O projeto de lei de autoria dos deputados estaduais, João Henrique Catan e Coronel David, ambos do PL, foi sancionada pelo então à época governador, Reinaldo Azambuja (PSDB). A lei facilitava o porte de arma para atiradores desportivos no Estado.

A ação foi impetrada no Superior Tribunal Federal pela Presidência da República, argumentando que a competência do controle e fiscalização de material bélico cabe a União, portanto os estados não podem legislar sobre a matéria. 

Com voto do relator, o ministro Dias Toffoli, o STF entendeu que a Lei estadual 5.892/2022 é inconstitucional, já que Mato Grosso do Sul, não pode legislar acerca da matéria que cabe à União. 

Na questão, em que a atividade de atirador desportivo é apontada como atividade de risco, a questão foi desconsiderada, levando tendo sido amparada no Estatuto do Desarmamento (Lei Federal 10.826/2023) e do Decreto 11.615/2023.

O ministro ainda apontou que com relação o "porte de trânsito" para a categoria, o artigo 33, prevê que cabe ao Comando do Exército conceder o trânsito de armas de fogo desmuniciadas com acompanhamento de munição acondicionada em recipiente próprio. 

"Além de não deter competência formal para legislar acerca de material bélico, o Estado do Mato Grosso do Sul ainda o fez de forma contrária às regulamentações da União acerca do assunto", explicou Toffolli.

 

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Crise

Edson Fachin cancela sessão do STF em meio à crise entre Moraes e Mendonça

Nos bastidores da Corte, há expectativa que Fachin convoque reunião entre ministros

09/09/2026 13h15

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão plenária que estava prevista para esta quarta-feira, 9. Não houve justificativa para a atitude. A decisão foi tomada logo depois que o ministro Flávio Dino revogou a decisão do colega André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

Nos bastidores da Corte, há expectativa que Fachin convoque reunião entre ministros, ou que tome alguma decisão relativa à guerra instalada no tribunal nos últimos dias.

A crise começou quando Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal (PF) com trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na sequência, Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news como investigado.

Fachin, por sua vez, abriu prazo para todos os envolvidos se manifestarem. Enquanto os prazos corriam, Mendonça determinou na terça (8) a retirada de Rodrigues do cargo e, nesta quarta, Dino revogou a medida.

Havia expectativa que a sessão desta quarta fosse palco para a manifestação de ministros sobre a crise. Na terça, na Segunda Turma, que Mendonça integra, havia o mesmo risco. A sessão no colegiado também foi cancelada.

Entre os processos pautados para julgamento no plenário nesta quarta estava um que discute os poderes investigativos da Polícia Federal. Seria analisada a condução de investigações criminais por delegados de polícia, incluindo a possibilidade de requisição direta de perícias, informações, documentos e dados para a instrução de inquéritos.

transparência

OAB-MS defende afastamento de Alexandre de Moraes

Instituição defende a transparência plena e a preservação da credibilidade das instituições da República

09/09/2026 12h15

Sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (8)

Sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (8) DIVULGAÇÃO/OAB-MS

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Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), defendeu, por unanimidade, o afastamento cautelar do Ministro Alexandre de Moraes, durante sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (8), na sede da instituição, localizada na avenida Mato Grosso, número 4700, bairro Carandá Bosque, em Campo Grande.

Além disso, se manifestou sobre uma possível falta de imparcialidade do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, para atuação no caso.

O fato em questão se refere a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro.

A posição do Conselho será levada, nesta quarta-feira (9), à reunião do Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB com a Diretoria do Conselho Federal, em Brasília (DF).

A instituição defende transparência pela e preservação da credibilidade das instituições da República. Além disso, pede a devida apuração dos fatos.

“A OAB/MS ressalta que a defesa do afastamento cautelar não representa antecipação de juízo de responsabilidade, mas medida destinada a assegurar que os fatos sejam apurados com independência, serenidade e absoluta transparência, resguardados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. A advocacia tem o dever histórico de defender as instituições democráticas. E defender as instituições também significa exigir respostas firmes quando fatos graves colocam em risco a confiança que a sociedade nelas deposita”, afirmou a instituição por meio de nota enviada à imprensa.

ESCÂNDALO

Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o empresário e ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes mantinham contato desde 2023, com encontros intermediados pelo ex-ministro Fábio Faria.

As mensagens também indicam que Vorcaro procurou Moraes em meio ao avanço de investigações envolvendo o Banco Master e teria pedido ajuda para obter informações ou retardar medidas contra ele.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro tentou usar sua proximidade com o ministro para interferir nas investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), às vésperas de ser preso em novembro de 2025.

Vorcaro pediu repetidamente a Moraes que interviesse junto ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral Paulo Gonet, para atrasar ou evitar medidas judiciais contra ele. As mensagens sugerem que Moraes informava Vorcaro sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo detalhes confidenciais.

Os dados, extraídos do celular de Vorcaro, indicam que ele e Moraes se encontraram pelo menos seis vezes, com trocas de mensagens sobre almoços, jantares e encontros informais.

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