Condenado por desvio de dinheiro no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes em 2013, o empresário José Carlos Rozin foi preso nesta sexta-feira (20) no âmbito da Operação Unlock II, acusado de organizar e financiar o bloqueio do Trevo da Bandeira, no dia 18 de novembro último.
A ação ocorreu por negativa ao resultado das Eleições Gerais do último ano, pleito vencido por Luiz Inácio Lula da Silva.
O empresário é apontado como um dos financiadores do protesto com queima de pneus no Trevo da Bandeira (BR-163 com BR-463), na entrada do município. Na ocasião, um Fiat Uno que cruzava o local foi carbonizado após cruzar a barreira de pneus em chamas.
Com a finalidade de cumprir três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em Dourados, a operação conjunta entre Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi articulada contra envolvidos nos crimes de bloqueios de rodovias federais em Mato Grosso do Sul, que ocorreram em novembro de 2022.
Segundo a Polícia Federal, as ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal de Mato Grosso do Sul em processo que investiga as manifestações e bloqueios em rodovias dos dias 18 de novembro.
Anteriormente
Na data de 20 de novembro de 2022, a Polícia Federal, com apoio da PRF, deflagrou a primeira fase da Operação Unlock, que resultou na apreensão do veículo e de materiais que teriam sido utilizados no mesmo ato criminoso, além da prisão do motorista que transportou os pneus até o local do incêndio.
"A ação desencadeada hoje tem por objeto o aprofundamento das investigações, em especial a identificação dos demais envolvidos, inclusive organizadores e financiadores do ato ilícito", explicou a PF.
Conforme a divulgação, o grupo de pessoas investigadas deverá responder pelos crimes de incitação ao crime, associação criminosa, desobediência e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Escândalo
Em 2013, Rozin compunha o grupo de pessoas denunciadas pelo Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS), quadrilha acusada de desviar cerca de R$ 14 milhões em recursos públicos federais destinados ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de Dourados (MS), entre 2001 e 2006.
Conforme o MPF, os recursos eram desviados através de contratos do DNIT com as empresas TV Técnica Viária Construções, Rodocon Construções Rodoviárias e ECR Sociedade Civil de Engenharia e Consultoria. Entre as ações, as empresas foram contratadas para a execução de obras e serviços na BR-163 e BR-267, em trechos dentro do Estado.
Do mesmo modo, a empresa ECR faria a supervisão e controle das obras de restauração executadas pela empresa Técnica Viária. As empresas Base Engenharia e Spessato Diesel eram fornecedoras de bens e serviços, atuando indiretamente nos contratos públicos que eram fraudados.
Outra investigação
Ainda hoje (20), a Polícia Federal também cumpriu, em Campo Grande, mandado de prisão contra Soraia Bacciotti, direitista conservadora residente em Mato Grosso do Sul.
Conforme já noticiados pelo Correio do Estado, ela é suspeita de participar do ataque à Praça dos Três Poderes, em Brasília, na tarde de 8 de janeiro de 2023.



