Política

PAGO PELA JBS

Condenado por evasão de divisas diz que ex-secretário do Meio Ambiente de MS também recebeu propina

Ivanildo Miranda, delator na Lama Asfáltica afirmou que Carlos Alberto Negreiros Said Menezes recebeu US$ 60 mil

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Na decisão do juiz da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Bruno Cezar da Cunha Teixeira, que sentenciou o pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, conforme noticiou o Correio do Estado, ontem, quinta-feira (31), por evasão de divisas, aparece um detalhe que não teria sido investigado, embora o suposto crime tenha ocorrido há pelo menos uma década. 

Num trecho da sentença, Miranda afirmou que, em torno de US$ 60 mil, ou algo perto de R$ 300 mil nos dias de hoje, teria sido destinado ao ex-secretário de Estado do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, Carlos Alberto Negreiros Said Menezes 

O esquema foi detonado pela Lama Asfáltica, operação da PF, deflagrada em jullho de 2015.

Miranda foi condenado a uma prisão pequena que fora convertida em multa e ele não perdeu a liberdade por ter comprado, em 2012, um avião nos Estados Unidos da América com dinheiro que havia arrecadado por meio de propina paga pela empresa JBS, a companhia mundial que produz alimentos. 

Esta empresa, segundo investigação da Polícia Federal, ofertava propina ao governo estadual e, em troca, recebia benefícios fiscais, ou seja, não precisava pagar impostos. Ivanildo Miranda, seria um dos operadores do esquema: ele agia como representante do governo e indicava à empresa onde deveria ser depositado a soma do suborno. 

Ivanildo Miranda teve a sentença reduzida por ter colaborado com as investigações da PF. Ele agiu como delator da trama, isto é, entregou os comparsas. As propinas, segundo as investigações eram distribuídas no período administrado pelo ex-governador André Puccinelli, do MDB (2007-2014). 

Note aqui o trecho da sentença contra Ivanildo e que ele narra sobre a propina entregue ao então secretário do Meio Ambiente. 

O 'FAVORECIDO'

“Ivanildo nega que tal pagamento tenha ocorrido em seu benefício – menciona em Juízo, corroborando declaração complementar à Polícia Federal, que o favorecido seria Carlos Alberto Negreiros Said Menezes, então Secretário de Estado do MS”. 

Segue o magistrado no assunto: 

“Em sentido contrário, aliado à informação declinada pelo colaborador [Ivanildo] verifica-se a aproximada correspondência temporal com os demais pagamentos (que precedeu as outras duas transferências em aproximadamente duas semanas) e o fato de que tenha sido feito pagamento a instituição financeira dos EUA (de onde IVANILDO adquiria a aeronave), o que destoaria das demais formas de recebimento e repasse de propina descritas ao longo da denúncia maior (remanesce apenas a imputação de crime contra o sistema financeiro sob competência da Justiça Federal, qual elucidado). 

O juiz federal completa o raciocínio acerca da fala de Ivanildo, que acrescentou o nome do ex-secretário no histórico das remessas de dólares para comprar a aeronave nos EUA. 

“Como elemento mais categórico, o recibo de pagamento pela S.A. Fliers LLC., assinado pelo próprio acusado [Ivanildo], demonstra que que foi Ivanildo quem providenciou um aporte de US$ 210 mil [algo em torno de R$ 1 milhão) para a aquisição da aeronave. Fora os US$ 60 mil, que podem ter sido ou não remetidos por ordem de Ivanildo, nada há nos autos que diga respeito ao modo como o acusado teria remetido estes últimos valores ao exterior”. 

Pelo relatado pelo juiz, o depoimento de Ivanildo que inclui o ex-secretário na lista de quem recebia propina da JBS, não o convenceu. 

Said Menezes, o ex-secretário, não aparece na investigação acerca dos subornos recebidos. 

INVESTIGADO POR OUTRO CRIME 

Desde 2021, o ex-diretor do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e ex-secretário estadual do Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e da Tecnologia, Carlos Alberto Negreiros Said Menezes, aparece como réu em ação por improbidade administrativa pela morte de 6.212 peixes no Aquário do Pantanal.  

Os peixes morreram antes de inaugurado Aquário construído nos altos da Avenida Afonso Pena, principal via de Campo Grande. 

A Justiça determinou à época o bloqueio de R$ 2.086.620,97 para ressarcimento ao Estado pelo prejuízo causados pelas mortes.  

Ainda no período, segundo o despacho do juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, a medida cumpriu determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

O processo é de autoria do Ministério Público Estadual (MPMS), e desde janeiro de 2016 o pedido de indenização pela morte dos animais corria na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. 

SEM MANIFESTO

Já quanto ao depoimento de Ivanildo Miranda, o Correio do Estado tentou localizar o ex-secretário do Meio Ambiente na tarde desta sexta-feira, mas até a publicação deste material ainda não tinha conseguido. Assim que ele se manifestar, a reportagem será atualizada. 

 

CENÁRIO POLÍTICO

Assembleia com 3 ex-governadores pode impor desafio de governabilidade a Riedel

Caso seja reeleito, governador deverá negociar com lideranças que acumulam décadas de experiência política e administrativa

07/08/2026 07h40

Casa de Leis pode ter Paulo, Jerson, Zeca, Zé, André e Londres

Casa de Leis pode ter Paulo, Jerson, Zeca, Zé, André e Londres Foto: Montagem

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Com o fim das convenções partidárias e o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral, já é possível afirmar que o governador Eduardo Riedel (PP), caso seja reeleito no pleito de outubro deste ano, poderá iniciar o segundo mandato diante de um cenário político diferente daquele encontrado no primeiro.

De acordo com análise do Correio do Estado, a tendência de uma Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) composta por parlamentares de longa trajetória política e administrativa, incluindo três ex-governadores, deverá elevar o peso das negociações entre Executivo e Legislativo.

A situação pode ficar ainda mais complexa, especialmente se o deputado estadual Londres Machado (PP), de 84 anos, cumprir a promessa de encerrar a carreira política como presidente da Casa de Leis na próxima legislatura.

Afinal, a eventual eleição de Londres Machado para a presidência da Alems reforçaria esse cenário, pois, como decano da Casa, o parlamentar acumula mais de quatro décadas de atuação.

Ele, inclusive, administrou Mato Grosso do Sul de forma interina por duas vezes, pois, na época, o recém-criado Estado não tinha vice-governador, e é reconhecido pela habilidade na articulação política e na construção de consensos entre diferentes grupos.

Mesmo pertencendo ao mesmo partido do governador, a relação institucional entre Executivo e Legislativo exige equilíbrio permanente. A experiência demonstra que os presidentes da Casa costumam exercer papel determinante na condução da agenda, na formação de maiorias e na mediação dos interesses dos deputados.

Além de Londres, a disputa pelas 24 cadeiras da Casa neste ano reúne outros nomes experientes da política sul-mato-grossense, como os deputados estaduais Zé Teixeira (PL), de 86 anos, Zeca do PT (PT), de 75 anos, que já foi governador por dois mandatos, e Paulo Corrêa (PL), de 69 anos, que já presidiu a Alems por duas vezes.

O ex-deputado estadual Jerson Domingos (União Brasil), de 75 anos, que já presidiu a Alems e também o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), e o ex-governador André Puccinelli (MDB), de 78 anos, que, além de chefe do Executivo estadual por dois mandatos, já foi deputado estadual e federal e prefeito de Campo Grande por dois mandatos, também estarão na disputa por uma vaga na Assembleia.

O grupo reúne décadas de atuação nos Poderes Executivo e Legislativo, além de ampla influência política construída em diferentes regiões. Caso esses nomes confirmem a reeleição, no caso de três deles, e a eleição, no caso dos outros três, a Alems poderá contar com uma das bancadas mais experientes dos últimos anos.

Nesse contexto, a relação entre o Palácio Guaicurus e a Casa de Leis tende a ganhar uma dinâmica própria.

Diferentemente de legislaturas marcadas por maior renovação, a presença de parlamentares veteranos pode ampliar o protagonismo do Legislativo na definição da pauta política, na condução de votações estratégicas e na negociação de projetos considerados prioritários pelo Executivo.

Além dos nomes citados, a próxima legislatura deverá reunir parlamentares com diferentes perfis políticos, ampliando a pluralidade de forças dentro da Casa.

Esse cenário poderá exigir do governo uma interlocução constante para garantir a aprovação de matérias estratégicas, especialmente aquelas que envolvam temas fiscais, administrativos e de interesse dos municípios.
Se confirmadas a reeleição de Riedel e a composição atualmente projetada para a Casa de Leis, o segundo mandato do atual governador poderá ser marcado por um Legislativo com mais experiência política, maior capacidade de articulação e protagonismo institucional.

Mais do que contar com uma base numericamente favorável, o governo dependerá da habilidade de construir consensos e manter uma relação de diálogo permanente com deputados estaduais acostumados aos bastidores políticos.

Retomada

STF retoma julgamento sobre a ilegalidade de jogos de azar, como bingo e jogo do bicho

Recurso foi apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul

06/08/2026 23h00

Foto: Divulgação / STF

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O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quinta-feira, 6, o julgamento que discute a constitucionalidade da lei que proíbe a exploração de jogos de azar, como bingo, jogo do bicho e máquinas caça-níqueis.

O artigo 50 da Lei das Contravenções Penais, de 1941, estabelece que explorar jogo de azar em local público ou acessível ao público constitui contravenção penal, sujeita à pena de prisão simples, de três meses a um ano, e multa. O STF analisa se essa proibição contraria o princípio da livre iniciativa e as liberdades fundamentais previstas na Constituição Federal de 1988.

O recurso foi apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) contra uma decisão da Turma Recursal dos Juizados Especiais Criminais do Estado que absolveu uma pessoa acusada de explorar máquinas caça-níqueis em um bar em São Leopoldo (RS), na região metropolitana de Porto Alegre. A Turma Recursal entendeu que, com a Constituição de 1988, a exploração de jogos de azar deixou de ser contravenção penal por ser incompatível com o princípio das liberdades individuais. Na quarta-feira, 5, foram ouvidas as manifestações das partes, de terceiros interessados e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O ministro Luiz Fux, relator do recurso, afirmou em seu voto que é contraditório invocar os princípios da livre iniciativa e da liberdade econômica para defender a exploração de jogos de azar, por considerar que esses conceitos são incompatíveis nesse contexto. Ele também mencionou as apostas online, conhecidas como bets. "Todos na tribuna mencionaram a evolução dos jogos de azar até alcançar as denominadas bets, que também tem efeitos gravíssimos, efeitos gravíssimos", disse. Fux deve concluir seu voto nesta quinta-feira.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a manutenção da criminalização dos jogos de azar. "A possibilidade do jogo leva ao risco de desenvolvimento de patologias de ordem psiquiátrica, e cada vez mais isso tem sido apontado pela literatura específica", afirmou. Gonet também destacou que a "jogatina" gera riscos "não só sobre o apostador, mas sobre sua família, vizinhos e companheiros".

A procuradora Flávia Raphael Mallmann, representante do MP-RS, afirmou que a livre iniciativa não garante o direito de explorar atividades ilegais e que a lei continua em vigor. Já o advogado Laerte Gschwenter, que representa a pessoa absolvida, disse que a proibição prevista na lei é incompatível com os direitos fundamentais garantidos pela Constituição de 1988, Segundo ele, o Estado não tem legitimidade para criminalizar uma escolha individual de um cidadão plenamente capaz que exerce seu livre-arbítrio.

O STF informou que a decisão tomada neste julgamento terá impacto sobre, pelo menos, 2.728 processos que estão suspensos em todas as instâncias.

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