Política

CÂMARA DOS DEPUTADOS

Conselho de Ética "passa pano" ao não votar as representações contra Pollon

Foi adiada a reunião que votaria pareceres sobre quebra de decoro parlamentar durante a ocupação do plenário em 2025

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Mais uma vez, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados adiou, na tarde de ontem, uma definição final para o imbróglio em que se envolveu o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) em agosto do ano passado no plenário da Casa de Leis e que pode culminar com afastamento ou até a perda do mandato do parlamentar sul-mato-grossense.

Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o deputado federal Fabio Schiochet (União Brasil-SC) decidiu ontem, outra vez, pelo adiamento da reunião para a votação dos pareceres das representações 
nº 24/2025 e 26/2025, apresentadas pela Mesa Diretora da Casa de Leis, contra Pollon por suposto procedimento incompatível com o decoro parlamentar durante ocupação do plenário Legislativo da Casa no ano passado.

Esse julgamento já tinha sido interrompido no dia 12 de dezembro de 2025, após uma sessão marcada por impasses regimentais e pela ausência do deputado federal sul-mato-grossense, que apresentou atestado médico após passar mal durante reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar no dia anterior.

Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Em agosto do ano passado, 14 deputados federais, entre eles o sul-mato-grossense, ocuparam o plenário para impedir o início da sessão ordinária para forçar a votação de anistia irrestrita aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado no dia 8 de janeiro de 2023 com atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).

Além de sentar na cadeira do presidente da Casa de Leis, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) – o que gerou a primeira representação contra o parlamentar sul-mato-grossense – Pollon ainda se referiu ao colega de parlamento de “p...” e um “b...”, fazendo chacota da altura do deputado federal do Republicanos, gerando a segunda representação.

“A anistia está na conta da ‘p…’ do Motta. Nós queremos colocar o povo para enfrentar o Alexandre de Moraes [ministro do STF], mas nós não podemos peitar o ‘b...’ do Hugo Motta, um baixinho de 1,60 metro”, disse Pollon, conforme consta no relatório do corregedor, deputado federal Diego Coronel (PSD-BA).

De acordo com a representação da Mesa Diretora, que tem como relator o deputado federal Ricardo Maia (MDB-RN), a fala teria sido feita no dia 3 de agosto, gravada e amplamente divulgada em redes sociais, o que teria “atingido a honorabilidade e credibilidade” da Casa de Leis.

Essas duas representações de Pollon chegaram a totalizar 120 dias de punição por dois fatos: Ofender a Presidência da Câmara dos Deputados (Motta) e obstruir a Mesa Diretora da Casa de Leis (sentar-se na cadeira de Motta).

ADIAMENTO

Na tarde de ontem, após o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar declarar aberta a quinta reunião extraordinária deliberativa da quarta sessão legislativa ordinária destinada a apreciação dos pareceres finais, o deputado federal Sargento Gonçalves (PL-RN) solicitou a retirada de pauta das representações nº 24/2025 e 26/2025, enquanto o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) se manifestou contrário ao requerimento.

“Que eu me lembro e falo de mandatos anteriores, é a primeira vez que eu vejo uma iniciativa desse tipo. Agora, se se alegou aqui e ouvi, às vezes, on-line algumas oitivas, se se alega que o que aconteceu não foi relevante, não houve dolo, não prejudicou os trabalhos legislativos, por que se quer protelar? É claro que o pedido de retirada de pauta é protelatório”, criticou Chico Alencar.

Ele ainda completou que o relator do caso se dedicou, se empenhou, esteve presente em todas as audiências que precederam e que ajudaram a instruir o processo.

“Então, é espantoso que não se queira ouvir o relator considerar o seu voto, tenho o direito do pedido de vistas para qualquer um de nós, mas não, o objetivo é protelar e deixar, não sei para quando, essa decisão que pode até ser favorável aos representados”, argumentou.

Para o parlamentar, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados não parece disposto a zelar pela ética e o decoro parlamentar, independente do que o relator vá trazer.

“Não parece interessado em saber como o relator, com seu histórico de muita exação, muito critério, em outras comissões inclusive, pode nos trazer. Vêm duas semanas aí que são on-line, esvaziadas. Vem a Páscoa, depois vem o feriado de Tiradentes, depois já estamos em maio, junho, já é o ambiente eleitoral, o Conselho não consegue quórum, como hoje teve dificuldade de conseguir, e aí a gente empurra com a barriga”, lamentou.

Apesar de todo o apelo de Chico Alencar e do seu voto contrário, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou, por maioria, o requerimento de retirada de pauta das representações nº 24/2025 e 26/2025, o que foi celebrado por Pollon.

“Presidente, só queria, de público, agradecer a todos os familiares dos presos políticos do 8 de janeiro que se fizeram presentes aqui hoje [ontem]”, declarou.

Ele ainda prosseguiu, dizendo que os familiares dos presos políticos estavam lá para apoiá-lo. “Obrigado por não desistirem do Brasil. Obrigado por não desistirem de nós. E nós não desistiremos do Brasil. Nós não desistiremos de vocês. Nós não desistiremos do nosso presidente Bolsonaro”, reforçou.

Diante da aprovação do requerimento de retirada de pauta, o deputado federal Fabio Schiochet encerrou a reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e, ao ser questionado sobre quando será a próxima, disse que vai “chamar a próxima reunião no momento oportuno”.

“A gente acabou de receber um e-mail de uma continuidade, então está cancelada a reunião de amanhã [hoje]”, finalizou.

PERSEGUIÇÃO

Por sua vez, Pollon voltou a reafirmar que as duas representações são retaliações contra atuação em favor da anistia, pois, na primeira representação, ele e os deputados Zé Trovão (PL-SC) e Marcel van Hattem (Novo-RS) ocuparam a Mesa Diretora cobrando o compromisso do presidente da Casa para pautar a anistia, enquanto a segunda foi por ter feito um discurso em cima de caminhão em ato pró-anistia em Campo Grande.

Durante o julgamento, Pollon destacou que sua conduta está totalmente amparada pelo direito à livre manifestação do pensamento, inerente ao exercício do mandato parlamentar.

“Meu único ‘crime’ foi falar, falar em defesa de pessoas que eu conheço, que acompanho há anos, falar contra injustiças, falar pela liberdade e pela anistia de pessoas que sofreram perseguição política e daqueles que perderam a vida injustamente na cadeia. Se isso virar motivo para processo disciplinar, algo está muito errado”, declarou.

Durante os dois julgamentos, o deputado federal denunciou os supostos abusos contra os presos políticos do 8 de Janeiro, dizendo que foram relatadas condições desumanas que os manifestantes presos têm enfrentado, incluindo casos de tortura, violência, humilhação e negligência.

Para ele, durante o andamento dos processos, o Conselho de Ética acumulou diversas irregularidades, estranhezas e ineditismos, levantando estranheza por parte de seus integrantes.

No fim do ano passado, conforme Pollon, o relator tentou levar a toque de caixa os depoimentos das testemunhas para apresentar o relatório ainda em 2025, antes do recesso parlamentar.

O parlamentar ressaltou que o julgamento contra ele está repleto de irregularidades e “ineditismos”. Pois, conforme Pollon, pela primeira vez, parlamentares são julgados de maneira coletiva e não individual.

“Todas as testemunhas apresentadas por mim foram impedidas de depor pelo relator. Pela primeira vez em décadas, o Conselho de Ética realizou sessões extraordinárias às quintas[-feiras] e sextas[-feiras]”, criticou.

Segundo o deputado federal sul-mato-grossense, as irregularidades foram tantas que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) passou a acompanhar o julgamento após denúncia do seu advogado de defesa, Ricardo de Sequeira Martins.

“Ele renunciou à defesa após denunciar que a comissão não estava assegurando condições mínimas para o exercício da advocacia”, ressaltou.

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Investigação

Vorcaro questionou comparsa sobre atraso de mesada a Ciro Nogueira, afirma PF

"Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?", perguntou Felipe Vorcaro a Daniel

07/05/2026 14h00

Geraldo Magela/Agência Senado

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A troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seu primo Felipe Cançado Vorcaro revela, segundo a Polícia Federal, como eram tratados os pagamentos de propina ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) em troca de suposto favorecimento aos interesses do banqueiro no Congresso Nacional.

O senador foi alvo de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira, 7, na nova fase da Operação Compliance Zero. Já Felipe Vorcaro teve a prisão temporária decretada.

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar". (Leia a íntegra abaixo.)

Segundo a investigação, Felipe questionou Daniel sobre a manutenção dos pagamentos mensais ao "pessoal que investiu" na BRGD S.A, empresa sediada em Nova Lima (MG) e dirigida formalmente por Oscar Vorcaro, pai de Felipe.

A PF aponta a companhia como uma das principais fontes dos recursos movimentados no esquema que pagava mesada de até R$ 500 mil ao senador.

Para os investigadores, a BRGD era usada para viabilizar repasses mensais ao parlamentar e ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro (PL) por meio da chamada "parceria BRGD/CNLF".

A CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., segundo a investigação, era administrada formalmente pelo irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que também foi alvo de busca e apreensão. A defesa dele não se manifestou.

"Pessoal me passou aqui sobre o aumento dos pgtos parceiro brgd, mas fluxo está indo praticamente todo para o btg e ainda estou precisando aportar valores altos todo mes", escreveu Felipe Vorcaro a Daniel em 28 de janeiro de 2025, segundo as mensagens obtidas pela PF.

"Resolve isso pra mim", respondeu Vorcaro no mesmo dia. "Eu ponho dinheiro depois para repor."

Meses depois, em 30 de junho de 2025, Daniel voltou a cobrar o operador financeiro sobre os pagamentos ao senador. "Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?", escreveu o banqueiro.

"Vou ver se dou um jeito aqui. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?", respondeu Felipe Vorcaro, em referência, segundo a investigação, ao valor da mesada destinada ao senador Ciro Nogueira.

Em março deste ano, o Estadão revelou que a PF tinha encontrado no celular de Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento do banqueiro para uma pessoa de nome Ciro, citado sem sobrenome. Na época, o senador disse conhecer Vorcaro, mas afirmou não ter proximidade e negou ter recebido pagamentos.

A representação da PF descreve Felipe como integrante do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa.

A investigação também aponta que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador um imóvel de alto padrão por tempo indeterminado, além de custear hospedagens, deslocamentos e viagens internacionais de luxo.

Entre os gastos listados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A PF cita ainda a disponibilização de um cartão voltado ao pagamento de despesas pessoais.

A operação desta quinta foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que também ordenou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens. No total, a PF cumpre dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nos Estados de Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.

Leia a íntegra da nota da defesa de Ciro Nogueira

"A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas."

Eleições 2026

Deixou de regularizar título eleitoral? Saiba o que fazer

Cadastro permanece fechado de 7 de maio a 2 de novembro; a partir de 3 de novembro, é possível regularizar o título

07/05/2026 12h31

Título eleitoral brasileiro

Título eleitoral brasileiro Divulgação

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Último dia para regularizar o título eleitoral foi ontem, quarta-feira, 6 de maio. O encerramento ocorre 150 dias antes da eleição, de acordo com a Lei das Eleições nº 9.504/1997.

Milhares de pessoas conseguiram regularizar, mas, outras milhares, não.

Vários eleitores enfrentaram, nos últimos dias, horas e horas de uma fila quilométrica para ficar em dia com a Justiça Eleitoral.

Em Campo Grande, pessoas que chegaram até as 18h na fila e não conseguiram atendimento, receberam um agendamento para realizar a regularização entre 11 e 15 de maio.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgará, em 20 de julho, o número de faltosos que não compareceram aos cartórios eleitorais para efetuar a regularização.

Ontem, 6 de maio, foi o último dia para:

  • realizar transferência de domicílio
  • transferir endereço ou local de votação
  • tirar o primeiro título eleitoral
  • realizar revisão eleitoral
  • atualizar dados cadastrais
  • atualizar cadastro de biometria

A partir de então, o prazo para regularização está fechado de 7 de maio até 2 de novembro.

AINDA TEM JEITO?

Quem perdeu o prazo, poderá regularizar o título de eleitor a partir de 3 de novembro, após as eleições gerais, que é quando reabre o cadastro.

De acordo com o TRE, quem não conseguiu solicitar o título ou está com o documento cancelado, apesar de não poder votar em outubro, pode requerer a certidão circunstanciada para assegurar direitos que exigem a quitação eleitoral.

De acordo com a resolução do TSE nº 23.750/2026, a certidão circunstanciada tem valor de certidão de quitação e pode ser obtida por eleitores com o título cancelado ou solicitada por pessoas que completaram 18 anos durante o fechamento do cadastro (informando a impossibilidade legal de realização do alistamento nesse período).

A certidão é necessária para tirar passaporte, emitir Cadastro de Pessoa Física (CPF), receber benefícios sociais, tomar posse em cargo público e renovar matrícula em instituições públicas de ensino.

OBRIGATORIEDADE E CONSEQUÊNCIAS

O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas, com idade entre 18 e 70 anos.

Mas, eleitores que não votarem nas eleições ou não justificarem o voto, podem sofrer punições, como não poder:

  • Tirar carteira de identidade ou passaporte
  • Inscrever-se em concurso público, prova para cargo público ou função pública, da União, estado ou município
  • Ser empossado em concurso público, cargo público ou função pública, da União, estado ou município
  • Participar de concorrência pública do governo federal, estado ou município
  • Receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público
  • Renovar matrícula em estabelecimento de ensino público
  • Obter certidão de regularidade do exercício do voto, justificativa ou pagamento da multa no último turno da última eleição ou de regularidade do comparecimento às urnas ou pagamento da multa pela ausência e do atendimento às convocações para os trabalhos eleitorais
  • Obter certidão de quitação eleitoral para fins de instrução de registro de candidatura
  • Praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda

VOTAR SEM O TÍTULO DE ELEITOR

Pessoas que perderam, extraviaram ou tiveram o título de eleitor roubado, podem ficar despreocupadas, pois é possível votar sem o documento.

Para isso, basta saber o local de votação e levar um documento oficial com foto (RG, CNH, passaporte, carteira de categoria profissional reconhecida por lei, entre outros) no dia das eleições.

Também é possível votar com o título de eleitor digital (e-título), disponível nas plataformas iOS ou Android.

Além disso, existe a possibilidade de imprimir seu título eleitoral. É simples: basta preencher o CPF do eleitor, data de nascimento, nome da mãe e nome do pai no site da Justiça Eleitoral.

ELEIÇÕES 2026

Brasileiros vão às urnas em 4 de outubro (1° turno) e 25 de outubro (2° turno) para eleger parlamentares para o mandato 2027-2030).

Os cargos em disputa são presidente da República, governadores, senadores (duas vagas por estado), deputados federais e deputados estaduais/distritais.

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