Política

Quebra de hierarquia

Convite de Bolsonaro a Adriane teria provocado atrito dentro do PL de MS

Rodolfo Nogueira negou que tenha intermediado uma conversa entre o ex-presidente e a prefeita de Campo Grande

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O suposto convite do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) para que a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (Patriota), e o esposo dela, deputado estadual Lidio Lopes (Patriota), se filiem ao PL provocou um atrito entre as principais lideranças da legenda em Mato Grosso do Sul e o primeiro-suplente de senador Aparecido Andrade Portela, o Tenente Portela, que é vice-presidente da sigla no Estado.

Segundo fontes ouvidas pelo Correio do Estado, por interesses pessoais, Tenente Portela teria atravessado a hierarquia da executiva estadual do partido, que tem como presidente o deputado federal Rodolfo Nogueira, e colocado Adriane Lopes em contato direto com Jair Bolsonaro.

Essas mesmas fontes revelaram que o primeiro-suplente da senadora Tereza Cristina (PP-MS) estaria negociando colocações de pessoas próximas a ele na Prefeitura Municipal de Campo Grande. Em troca, Tenente Portela viabilizou uma aproximação da prefeita da Capital com o ex-presidente da República.

Além disso, o fato de Adriane Lopes estar passando por problemas em sua gestão por conta da “herança” deixada pelo ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD) teria minado o interesse do PL de Mato Grosso do Sul em uma provável filiação dela à legenda, já que a atual chefe do Executivo campo-grandense poderia não ter força política na busca da reeleição em 2024.

Com essa “atravessada” do Tenente Portela, o tiro pode ter saído pela culatra, pois pode fazer com que Adriane Lopes se afaste ainda mais do governador Eduardo Riedel. Afinal, o primeiro-suplente de senador fez, no segundo turno das eleições gerais do ano passado, campanha para o Capitão Contar (PRTB).

SEM INTERMEDIAÇÃO

Procurado pela reportagem, Rodolfo Nogueira disse que ficou sabendo que houve uma conversa entre Adriane Lopes e Jair Bolsonaro, porém, sem a sua intermediação.

“Eu não fui o intermediador dessa conversa nem estava presente na ocasião. Soube depois que a ligação foi realizada pelo vice-presidente do PL e suplente de senador Tenente Portela”, afirmou o deputado ao Correio do Estado.

Questionado se o fato de Bolsonaro ter convidado Adriane para se filiar ao partido se deu em razão de ela ser a provável candidata do partido para concorrer à Prefeitura de Campo Grande, o presidente estadual da legenda ressaltou que a sigla já tem ótimos nomes para disputar o cargo.

“O deputado estadual Coronel David e o deputado federal Marcos Pollon já colocaram os seus nomes à disposição. O partido está aberto para lançar um candidato conservador e alinhado com as bandeiras do ex-presidente Jair Bolsonaro”, salientou Rodolfo Nogueira.

O deputado federal também revelou à reportagem que, como não participou da conversa entre Portela, Bolsonaro e Adriane, não saberia confirmar se o ex-presidente realmente fez o convite para que a prefeita se filiasse ao PL, tornando-se, então, candidata do partido em 2024. “Como não participei da conversa, não posso responder”, declarou.

Sobre as articulações do PL para as eleições municipais do próximo ano, Rodolfo Nogueira disse que está conversando com as lideranças do partido nos municípios para definir nomes para compor a chapa de prefeitos e vereadores.

“Todo processo eleitoral passa primeiro pela disposição de nomes e, depois, por pesquisas para saber a viabilidade de cada candidatura. Estamos neste processo”, ressaltou o presidente estadual do PL.

O CONVITE

Conforme interlocutores da prefeita Adriane Lopes, o convite de Bolsonaro teria sido feito por meio de uma chamada de vídeo realizada pelo Tenente Portela.

Na oportunidade, o ex-presidente teria explicado que estava assumindo as articulações do PL para o próximo ano e convidado a prefeita e seu marido para engrossar as fileiras da sigla em Mato Grosso do Sul.

Por ser prefeita, Adriane Lopes pode mudar de partido a qualquer momento, já que os cargos de majoritária não exigem fidelidade partidária. Entretanto, o deputado estadual Lidio Lopes teria de aguardar a fusão do Patriota com o PTB, em fase final de formalização, para conseguir deixar a legenda.

Ambos já revelaram que vão deixar o Patriota em caso de fusão e estariam conversando com vários partidos, o que inclui PL, PP, União Brasil e PT.

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eleições 2026

Flávio Bolsonaro não vem a MS e Riedel afirma que não haverá impacto na campanha

Governador disse que é normal o candidato a presidência não visitar todos os estados, assim como ele, que concorre a reeleição ao governo, não irá aos 79 municípios

24/08/2026 18h34

Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo Grande

Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo Grande Foto: Paulo Ribas

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O governador de Mato Grosso do Sul e candidato a reeleição, Eduardo Riedel (PP), minimizou o fato do senador e candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) não vir a Mato Grosso do Sul durante a campanha eleitoral, afirmando que a não visita não terá impacto na campanha da direita no Estado.

A informação de que Flávio não deve vir ao Estado no período de campanha foi repassada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável, e que cumpre uma série de agendas em Campo Grande nesta segunda-feira (24).

Riedel disse que apesar de Flávio não vir, a esposa dele, Fernanda Bolsonaro, deve vir "em algum momento". O governador ressaltou que o apoio permanece.

"Nós somos o Flávio aqui em Mato Grosso do Sul, está aqui o coordenador-geral da campanha, a gente tem que se somar agora. O Brasil é muito grande, a campanha é muito curta. Eu não vou conseguir ir nos 79 municípios, vou em diversos, mas tenho certeza que terá algum Eduardo Riedel me representando, como aqui está o Flávio Bolsonaro representado, então nenhum impacto", disse o governador.

Riedel disse ainda que a majoritária está bem consolidada, fruto de um arranjo politico-partidário que envolve PP, PL, MDB, Republicanos, PSD, PSDB, e que a centro-direita se uniu.

Ela ressalta, no entanto, que alguns políticos dos partidos citados tem posição diferente e acabaram manifestando apoio a candidatos de outra vertente política, como é o caso de cerca de 40 prefeitos bolsonaristas que declararam apoiar o petista Vander Loubet (PT) ao Senado.

"Um ou outro que tem uma posição diferente para um voto específico, é natural que se manifeste, mas eu não acredito que haja um impacto nessa composição", avaliou Riedel.

Marinho discursa em evento

Em encontro com políticos e apoiadores, no comitê do PL em Campo Grande, Rogério Marinho discursou e teceu elogios a senadora Tereza Cristina (PP), afrimando que ela é uma liderança importante não só no setor do agro, mas em todo o Brasil, pelo trabalho que exerce e capacidade de "construir consensos".

Ele também elogiou os demais candidatos ao Senado pela aliança, Capitão Contar e Reinaldo Azambuja, afirmando estar "falando para convertidos", se referindo ao fato de que o público era composrto de pessoas da centro-direita.

A nível nacional, Marinho teceu críticas ao PT e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e alegou que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido boicotado pelo Judiciário.

Por fim, ele disse que não há terceira via no Brasil e defende a eleição de Flávio como forma de tirar o PT do governo. 

Marinho disse ainda que, caso seja eleito, a primeira medida de Flávio será entregar um projeto de lei que proíbe a reeleição presidencial.

"Flávio vai pensar nas próximas gerações, porque ele não está preocupado em se reeleger, ele está preocupado em deixar um legado, ele tá preocupado em honrar o legado de Jair Messias Bolsonaro", concluiu Marinho.

 Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo GrandeRiedel, Azambuja e demais políticos da centro-direita participaram de reunião com o senador Rogério Marinho (Foto: Paulo Ribas)

Eleições 2026

Pardal já soma 19 denúncias de irregularidades eleitorais em MS

Consulta feita pelo Correio do Estado mostra que Campo Grande concentra 12 registros

24/08/2026 16h30

Aplicativo Pardal

Aplicativo Pardal Gerson Oliveira

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Consulta feita pelo Correio do Estado ao painel público do Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral destinada ao recebimento de denúncias sobre propaganda irregular, mostra que Mato Grosso do Sul já contabiliza 19 ocorrências relacionadas às eleições de 2026.

O levantamento foi realizado nesta segunda-feira (24), e considera os registros apresentados desde 16 de agosto, data do pontapé oficial do período de campanhas eleitorais. O número representa três denúncias a mais em relação ao balanço do encerramento da primeira semana, que apontava 16 ocorrências.

Campo Grande concentra 12 registros, o equivalente a mais de 60% das denúncias feitas no Estado. Dourados aparece em seguida, com duas. Ivinhema, Jardim, Miranda, Nova Andradina e Três Lagoas possuem uma ocorrência cada.

Na Capital, as denúncias envolvem distribuição de material gráfico, comícios e showmícios, utilização de bens públicos, propaganda na internet e outdoors. Um dos registros aparece no sistema sem a informação sobre o tipo de irregularidade apontada.

Em Dourados, uma denúncia está relacionada ao uso de bens públicos e outra à propaganda na internet. Ivinhema tem um caso envolvendo omissão de informações obrigatórias, enquanto Jardim e Nova Andradina registraram ocorrências relacionadas a outdoors. Em Miranda e Três Lagoas, as denúncias tratam de propaganda eleitoral na internet.

Entre os cargos envolvidos, candidatos a deputado estadual e a deputado federal aparecem empatados, com oito denúncias cada. As duas ocorrências restantes têm como alvo candidaturas ao governo de Mato Grosso do Sul.

O painel público do Pardal não informa os nomes dos candidatos ou responsáveis denunciados. O relatório disponibilizado pela Justiça Eleitoral apresenta somente o município, o tipo de irregularidade, o cargo envolvido e a situação da ocorrência. Os nomes podem constar no ambiente interno da Justiça Eleitoral ou em processos do PJe que não estejam sob sigilo.

A propaganda na internet é o tipo mais frequente, com quatro registros. Bens públicos, comícios e showmícios, distribuição de material gráfico e outdoors aparecem com três denúncias cada. Também há uma ocorrência por omissão de informações obrigatórias e outra sem classificação.

Das 19 denúncias apresentadas em Mato Grosso do Sul, 15 já foram peticionadas no Processo Judicial Eletrônico. Outras duas permanecem em andamento e duas foram baixadas do sistema. A maior parte dos registros, 13, foi enviada por aparelhos com sistema iOS, enquanto seis partiram de dispositivos Android.

O registro no Pardal não significa que a irregularidade tenha sido comprovada. As informações encaminhadas pelos eleitores passam pela análise da Justiça Eleitoral, que verifica a existência de elementos mínimos e define as providências cabíveis para cada caso.
 

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