Política

Corrupção

Decisão do TRF-3 pode implodir Lama Asfáltica

Corte mandou afastar, por "excesso de eloquência", juiz do caso que tinha condenado o ex-governador André Puccinelli, o ex-deputado Edson Giroto e outros

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Decisão expressa pelo TRF-3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região pode destroçar com a Lama Asfáltica, maior operação da Polícia Federal, em Mato Grosso do Sul, surgida em julho de 2015, com intuito de combater a corrupção. 

A investida policial pôs na cadeia ex-governador, ex-deputado federal, estadual, servidores públicos e empresários.

A severidade da operação ficou em risco porque a corte federal afastou um dos juízes que atua no caso, que sentenciou e mandou prender envolvidos, por achar que o magistrado agiu com “parcialidade”.  

Agora, a sentença, que favoreceu apenas um (o ex-secretário de Obras Edson Giroto) dos cerca de 40 envolvidos num esquema de corrupção, segundo a PF, MPF (Ministério Público Federal), MPE (Ministério Público Estadual) e Receita Federal, pode encorajar os outros réus e, se replicada a decisão do TRF-3, cai por terra as investigações da Lama Asfáltica.

Para André Borges, conceituado advogado, a Lama Asfáltica pode ficar fragmentada “porque isso [decisão] é uma jurisprudência unânime do TRF-3”.

Para ele, criminalista, “então, isso pode ser estendido a outros processos que estão com esse juiz e também pode ajudar como uma espécie de precedente de jurisprudência para processos  de outros juízes."

"Ou seja, em todos os processos que tiver havido uma atuação parcial, muito eloquente do magistrado, em prol da acusação, por exemplo, o processo pode ser anulado”.

 

Para a corte, o magistrado empenhou-se “por demais” em audiências em que ouvia os réus, ou seja, o juiz, entendeu o TRF-3, esforçou-se “em colher elementos confirmatórios das fraudes, tomando a si o papel que caberia ao Ministério Público”.

Para o TRF-3, o juiz Bruno Cezar, “usou excesso de eloquência acusatória sem ao menos permitir à defesa qualquer meio de prova, mostrando comprometimento de sua imparcialidade”.

A decisão cita ainda que num das audiências, o juiz agiu como se fosse do Ministério Público: 

“ao ser ouvida uma testemunha, após o representante do Parquet [MP] asseverar que não tinha perguntas, o magistrado faz cerca de 40 (quarenta) indagações, num nível de detalhamento extremamente grande, sobre questões técnicas relacionadas às obras." 

"Se em tese o conhecimento do processo e o esforço do magistrado seriam elogiáveis, verifica-se aqui o descumprimento da lei, em sua letra e espírito, configurando a postura inquisitorial ou acusatória vedada, pois incompatível com a imparcialidade”.

O recurso concordado pelo TRF-3 e que afastou o juiz das investigações no âmbito da Lama Asfáltica, o exceção de suspeição, definido anteontem, foi relatado pelo desembargador Paulo Fontes, o mesmo que havia mandado soltar Giroto, em março do ano passado.

IMPRESSÃO

André Borges, o criminalista, disse que “se juiz não se esforçar para ser imparcial, como no caso dessa decisão, a defesa estará ­­totalmente prejudicada, porque ninguém lhe ouvirá, com a atenção merecida, considerando que a outra parte, o Ministério Público, também é parcial, no processo penal”.

O advogado afirmou, também que, “pela lei atual o juiz deve apenas, eventualmente, complementar a prova, deixando o protagonismo para a acusação e a defesa”, afirmou Borges, que complementou: “fora disso a conduta é ilegal e leva à anulação dos atos decisórios”.

 

IMPLICADOS

Outro que foi preso por causa as investigações da Lama Asfáltica foi o ex-governador André Puccinelli. 

De julho a dezembro de 2018, período de cinco meses, ele foi mantido numa cela do centro de triagem de Campo Grande. O filho dele André Júnior, também foi preso.

A dupla, para a PF, envolveu-se num esquema de propina paga pela empresa JBS. 

Em torno de R$ 1,2 milhão caiu na conta do filho do ex-governador, recurso que foi devolvido e hoje é mantido numa conta judicial.

João Amorim, dono de empreiteira e que partipou da construção do Aquário do Pantanal, suntuosa obra erguida nos altos da Avenida Afonso Pena, também foi preso durante a operação. 

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Antecipação

CCJ adianta sabatina de Jorge Messias no Senado para 28 de abril

Sabatina passou do dia 29 para o dia 28 de abril, uma terça-feira, em decorrência da proximidade com o feriado de 1.º de Maio

15/04/2026 13h30

Jorge Messias

Jorge Messias Foto: Divulgação

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado alterou nesta quarta-feira, 15, a data da sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias. Ele foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

A sabatina passou do dia 29 para o dia 28 de abril, uma terça-feira, em decorrência da proximidade com o feriado de 1.º de Maio, Dia do Trabalhador.

Ao realizar a leitura do relatório sobre a indicação do AGU nesta quarta, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) explicou que foi procurado por parlamentares que manifestaram preocupação com a possibilidade de esvaziamento da sessão em virtude do feriado. O pedido foi acolhido pelo presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).

O relator apresentou um parecer favorável à condução de Messias ao STF. Ele avaliou que Messias teve atuação conciliadora à frente da Advocacia Geral da União (AGU) e cumpre "as exigências constitucionais concernentes à reputação ilibada e ao notável saber jurídico para o exercício do cargo para o qual foi indicado".

No início do mês, o Estadão mostrou que Messias tem nove votos favoráveis na CCJ, onde são necessários ao menos 14 dos 27 votos para a aprovação.

Se for aprovada após a sabatina, a indicação do AGU segue para votação em plenário, onde precisa da maioria absoluta de votos (pelo menos 41 senadores favoráveis) em votação secreta.

A escolha de Lula por Messias foi publicada em Diário Oficial da União em 20 de novembro de 2025, mas o Palácio do Planalto só oficializou a indicação no dia 1.º deste mês. Na última quinta-feira, 9, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou o processo à CCJ.

Caso seja aprovado na Casa, Jorge Messias ocupará o lugar de Luís Roberto Barroso, que se aposentou no ano passado.

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Infraestrutura

Para frear rejeição, Lula avaliza empréstimo de R$ 1,2 bilhão a MS

A última pesquisa IPR/Correio do Estado revelou que o petista é rejeitado por 48,72% da população sul-mato-grossense

15/04/2026 08h00

A cerimônia de assinatura do aval do presidente Lula contou com Riedel e a bancada federal de MS

A cerimônia de assinatura do aval do presidente Lula contou com Riedel e a bancada federal de MS Divulgação

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A menos de seis meses das eleições de 4 de outubro e com uma rejeição de 48,72% da população de Mato Grosso do Sul, conforme pesquisa de intenções de votos, registrada sob os números BR-02995/2026 e MS-00334/2026, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já trabalha para tentar melhorar a imagem diante dos eleitores sul-mato-grossenses.

Na tarde de ontem, em Brasília (DF), ele avalizou um empréstimo de R$ 1,2 bilhão solicitado pelo governador Eduardo Riedel (PP) junto ao Banco Mundial (Bird) para investimentos na infraestrutura rodoviária estadual e que terá condições consideradas favoráveis, com juros de IPCA + 1% ao ano, prazo de pagamento de até 18 anos e período de carência.

Por meio do Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE) e da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul (Seilog), o governo estadual vai desenvolver um programa de manutenção proativa, adequação à resiliência climática e segurança viária de 800 quilômetros de rodovias do Estado. 

Estão previstas nas modalidades de Contrato de Reabilitação e Manutenção (Crema) e de projeto, construção e manutenção (DBM) as rodovias MS-134, MS-141, MS-145, MS-147, MS-274, MS-276, MS-395, MS-473, MS-475, MS-478 e MS-480, enquanto na modalidade Contrato de Reabilitação e Manutenção – Parcerias Público e Privadas (Crema-PPP) estão previstas obras nas rodovias MS-377 e MS-240.

Ao todo, serão beneficiando os seguintes municípios: Jateí, Naviraí, Iguatemi, Eldorado, Novo Horizonte do Sul, Itaquiraí, Nova Andradina, Angélica, Anaurilândia, Bataguassu, Taquarussu, Água Clara, Três Lagoas, Inocência e Paranaíba.

O governador Eduardo Riedel e o deputado federal Vander Loubet (PT) destacaram a parceria entre os governos estadual e federal após a assinatura da autorização, pelo presidente Lula, para o empréstimo bilionário.

Após reunião em Brasília, Vander afirmou que o acordo simboliza a cooperação entre as gestões e deve beneficiar diretamente a população sul-mato-grossense, especialmente na área de infraestrutura. 

 “O financiamento, com garantia da União, será aplicado em obras de recapeamento, melhorias logísticas e manutenção de rodovias por até 10 anos, com foco na região do Vale do Ivinhema”, disse.

Ele completou que o presidente Lula tem olhado o conjunto, não apenas pontos isolados. “Esse investimento atende toda uma região e mostra um modelo de parceria que beneficia o Estado como um todo”, afirmou o parlamentar.

Já Riedel ressaltou o papel do governo federal e da bancada do Estado no Congresso Nacional na viabilização do empréstimo, classificando a operação como essencial para o desenvolvimento regional. 

Ele também destacou a articulação política conduzida por Vander Loubet para que o projeto avançasse. “É fundamental para o Estado. Estamos falando de mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos, somando financiamento e contrapartida. Isso vai transformar aquela região”, ressaltou.

Riedel ainda enfatizou que divergências políticas não devem interferir em ações estruturantes para MS. “As diferenças não podem atrapalhar o andamento de projetos importantes. O que importa é acreditar em um Estado grande e vitorioso”, declarou.

Ele explicou que o próximo passo será o envio da proposta ao Senado para autorização final, antes da assinatura definitiva do contrato com o Banco Mundial.

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