Política

OPERAÇÃO ÚLTIMA RATIO

Desembargador suspeito de corrupção continuará afastado

CNJ proclamou decisão unânime que mantém Vladimir Abreu da Silva longe das funções até o dia 4 de fevereiro de 2027

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O desembargador Vladimir Abreu da Silva, investigado por suspeita de corrupção e venda de decisões judiciais na Operação Ultima Ratio, vai permanecer afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por mais 140 dias, período equivalente a quase cinco meses.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proclamou oficialmente o resultado do julgamento que prorrogou o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado e manteve a medida cautelar que o impede de exercer suas funções.

Como o novo prazo começou a ser contado no dia 17, o período de afastamento se estende, em princípio, até o dia 4 de fevereiro de 2027, salvo se houver nova deliberação do Conselho antes dessa data.

A decisão foi tomada por unanimidade na 13ª Sessão Virtual de 2026, encerrada no dia 18, no PAD nº 0000095-49.2026.2.00.0000.

“O Conselho, por unanimidade, aprovou questão de ordem para prorrogar o prazo de conclusão do presente PAD por mais 140 dias, a contar de 17/9/2026, mantido o afastamento cautelar do Desembargador”, registra a proclamação do resultado.

O processo é relatado pelo conselheiro Silvio Roberto Oliveira de Amorim Junior e os 13 integrantes do CNJ que participaram da votação acompanharam a manutenção do afastamento. A conselheira Jaceguara Dantas declarou impedimento e Ulisses Rabaneda não votou por ausência justificada.

A prorrogação não representa julgamento definitivo das acusações. O Conselho ampliou o prazo para a instrução do processo administrativo e considerou necessária a manutenção da medida cautelar enquanto o caso continua sendo apurado.

QUASE DOIS ANOS

Vladimir de Abreu está afastado do TJMS desde o dia 24 de outubro de 2024, ou seja, há quase dois anos, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Ultima Ratio para investigar um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Estado.

Naquela ocasião, também foram afastados os desembargadores Alexandre Aguiar Bastos, Sideni Soncini Pimentel, Marcos José de Brito Rodrigues e Sérgio Fernandes Martins, que presidia o Tribunal de Justiça.

A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsificação de documentos e negociação de decisões judiciais envolvendo magistrados, advogados, empresários e outras pessoas relacionadas aos investigados.

O afastamento inicial foi determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também impôs medidas como a proibição de acesso às dependências do TJMS e restrições de contato entre investigados.

No caso de Vladimir, a medida foi sucessivamente mantida e posteriormente passou a ser analisada também pelo CNJ no âmbito disciplinar.

INDICIADO

No dia 20 de março deste ano, a PF concluiu um relatório de 711 páginas relacionado a uma das principais frentes da Ultima Ratio e incluiu Vladimir entre os desembargadores indiciados. O documento, referente ao Inquérito nº 1.483, foi encaminhado às autoridades responsáveis pela análise das conclusões da investigação.

Além de Vladimir, foram citados no relatório os desembargadores Sideni Soncini Pimentel, Julio Roberto Siqueira Cardoso, Alexandre Aguiar Bastos, Sérgio Fernandes Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues.

O indiciamento representa o entendimento da autoridade policial de que existem elementos para atribuir crimes aos investigados, mas não significa condenação. Eventual responsabilização criminal depende da atuação do Ministério Público e de julgamento pelo Poder Judiciário.

Outra frente investigativa, vinculada ao Inquérito nº 1.595, permaneceu em andamento para aprofundar fatos que não foram encerrados pelo relatório apresentado em março.

DISPUTAS

Vladimir aparece em diferentes episódios analisados pela Polícia Federal envolvendo disputas judiciais por propriedades rurais milionárias.

Um deles é o caso da Fazenda Pauliceia, em Maracaju, que, conforme a investigação, decisões judiciais teriam favorecido interesses ligados ao conselheiro Osmar Domingues Jeronymo, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), e familiares.

A propriedade chegou a ser avaliada em aproximadamente R$ 85 milhões. A PF sustenta que o caso envolveu documentos com indícios de falsificação e decisões judiciais que teriam contribuído para a transferência da área por valor muito inferior ao atribuído ao imóvel.

Vladimir aparece entre os magistrados mencionados pela investigação por sua atuação em recursos relacionados à disputa. Outro caso envolve a Fazenda Santo Antônio, em Corumbá.

O relatório policial analisou decisões tomadas por Vladimir, Sideni Pimentel e Julio Siqueira em processo relacionado à propriedade e à liberação de valores milionários.

A PF sustenta que existiriam elementos indicando pagamento de vantagens indevidas relacionado às decisões.

As conclusões policiais ainda dependem de análise judicial e não representam condenação dos envolvidos. Vladimir também aparece na apuração sobre a Fazenda Vai Quem Quer, igualmente em Corumbá.

A propriedade, com cerca de 5,6 mil hectares e valor estimado em mais de R$ 15 milhões, foi objeto de disputa judicial na qual Vladimir, Sideni e Alexandre Bastos participaram de julgamento que modificou decisão de primeira instância.

Mensagens apreendidas durante as investigações levaram a PF a suspeitar de articulação anterior ao julgamento para alterar o resultado do processo.

RELAÇÃO

Outro ponto explorado pela PF é a relação de Vladimir com o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador aposentado Sideni Soncini Pimentel.

A investigação identificou encontros, viagens e pescarias envolvendo Vladimir e Rodrigo, além de processos nos quais o desembargador participou de julgamentos de causas em que o advogado atuava.

Para a PF, a proximidade entre os dois passou a ter relevância na análise de possíveis conflitos de interesse e das decisões consideradas suspeitas.

Os investigadores também identificaram relações profissionais entre escritórios ligados aos filhos de magistrados e advogados envolvidos nas apurações.

FILHO DE VLADIMIR

A atuação do desembargador em favor do filho, o advogado Marcus Vinícius Machado Abreu, também foi analisada pela investigação. Mensagens apreendidas pela PF indicaram que Vladimir procurou colegas desembargadores para pedir que recebessem Marcus Vinícius em seus gabinetes.

As conversas estavam relacionadas a uma ação de aproximadamente R$ 16,9 milhões na qual o filho do magistrado tinha interesse profissional. Os desembargadores procurados chegaram a receber o advogado.

Os recursos relacionados ao caso, porém, acabaram rejeitados. O episódio passou a integrar as apurações sobre possível utilização da posição funcional do magistrado em benefício de interesses particulares.

*SAIBA

Ao instaurar o PAD contra Vladimir em 2025, o CNJ afirmou que informações obtidas durante a Ultima Ratio justificavam a abertura do processo. Na ocasião, o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, apontou que interceptações telemáticas e documentos indicariam possível recebimento de vantagens indevidas.

PoderData/Aya

Flávio Bolsonaro amplia vantagem e vai a 53%; Lula tem 47%

No primeiro turno da disputa presidencial, com 100% das urnas apuradas, Flávio pontuou 47,03% e Lula 45,16% dos votos válidos

08/10/2026 08h55

O avanço de Flávio na pesquisa vem acompanhado da queda na sua taxa de rejeição, que reucou três pontos

O avanço de Flávio na pesquisa vem acompanhado da queda na sua taxa de rejeição, que reucou três pontos

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Pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (8) mostra que o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ampliou a vantagem que teve ao final do primeiro turno sobre o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com a pesquisa, que é a primeira divulgada neste segundo turno, Flávio aparece com 53% dos votos válidos e Lula com 47%. No primeiro turno da disputa presidencial, com 100% das urnas apuradas, Flávio pontuou 47,03% e Lula 45,16%, uma vantagem para o senador de 1,87 p.p. Pela pesquisa divulgada hoje, a vantagem do candidato do PL é de 6 p.p.

De acordo com o PoderData/Aya, Lula preserva a preferência em segmentos estratégicos do eleitorado, como as mulheres, onde registra 50% das intenções de voto, contra 42% do senador do PL. Flávio vai melhor no Centro-Oeste (54%), no Sudeste (51%) e no Sul (58%) e entre os que cursaram o ensino médio (55%).

Expectativa de vitória

Os eleitores também foram questionados sobre quem tem mais chances de vencer a disputa pelo Palácio do Planalto neste segundo turno, medindo a expectativa de vitória, não de voto: 54% avaliam que Flávio tem mais chances de vencer a eleição, enquanto 37% consideram Lula o candidato com maior probabilidade de vitória. Outros 9% não souberam responder.

Em uma semana, a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro cresceu 9 pontos porcentuais, enquanto a de Lula recuou 11 pontos porcentuais. Na pesquisa anterior, 45% apostavam na vitória do senador, ante 48% que esperavam a reeleição de Lula.

Rejeição

O avanço de Flávio na pesquisa vem acompanhado da queda na sua taxa de rejeição. Nesta nova rodada do PoderData/Aya, 43% dos entrevistados dizem que não votariam "de jeito nenhum" no senador, um recuo de 3 pontos porcentuais em 7 dias. Entre os que rejeitam Lula, a taxa oscilou de 47% para 46%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 5 a 7 de outubro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos, com 3 mil eleitores de todo o País. A margem de erro é der 1,8 ponto porcentual para mais ou para menos, o nível de confiança é de 95% e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob protocolo BR-08134/2026.

MANDATO 2027-2030

Riedel e Barbosinha tomarão posse em 6 de janeiro

Diferentemente de outros anos, posse não ocorrerá mais em 1° de janeiro

08/10/2026 08h35

Barbosinha e Riedel em coletiva de imprensa

Barbosinha e Riedel em coletiva de imprensa GERSON OLIVEIRA

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Governador reeleito Eduardo Riedel e seu vice José Carlos Barbosa vão tomar posse novamente em 6 de janeiro de 2027, quarta-feira, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), localizada no Parque dos Poderes, em Campo Grande.

Eles assumirão mais um mandato de quatro anos (2027-2030). Ao todo, ficarão oito anos no poder executivo estadual, de 2023 a 2030. Isto significa que nas eleições gerais de 2030, Riedel não poderá mais concorrer ao cargo de governador.

Diferentemente de outros anos, a posse não ocorrerá mais em 1° de janeiro. O motivo da mudança de data é evitar que o dia coincida com as festas de fim de ano (revéillon), quando muitas pessoas estão viajando ou comemorando com família e amigos.

Com isso, pela primeira vez, a posse de governadores e vice ocorrerá simultaneamente em 6 de janeiro em todos os estados brasileiros.

A posse do presidente da República acontecerá um dia antes, em 5 de janeiro, terça-feira. A diplomação dos candidatos eleitos ocorrerá em 18 de dezembro de 2026.

Em 26 de novembro de 2025, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou a mudança na data da posse para governador, com a justificativa de que a Casa de Leis deve adotar o princípio de simetria, que determina que estados e municípios adotem normas equivalentes às previstas na Constituição Federal.

O Projeto de Emenda Constitucional é de autoria do deputado Zé Teixeira e coautoria de Gerson Claro, Gleice Jane, Lia Nogueira, Caravina, Junior Mochi, Marcio Fernandes, Paulo Corrêa, Paulo Duarte, Pedro Kemp e Zeca do PT.

A posse dos deputados estaduais eleitos será em fevereiro de 2027.

ELEIÇÕES 2026

Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador de Mato Grosso do Sul, no primeiro turno, por mais quatro anos. Ele recebeu 914.323 votos (67,07%).

O ex-deputado federal Fábio Trad (PT) terminou a disputa em segundo lugar, com 322.807 votos (23,68%). O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) ficou em terceiro 98.677 votos (7,24%).

A vantagem de Riedel sobre o candidato petista foi de 43,39 pontos porcentuais e 591.516 votos.

Após a vitória, o governador agradeceu a confiança dos eleitores e o empenho da equipe. "Obrigado, Mato Grosso do Sul! Juntos, nós fizemos história", disse o chefe do executivo estadual em suas redes sociais.

 

 

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