O litoral catarinense registrou dois fenômenos raros em menos de uma semana. No sábado (26), uma camada espessa e esbranquiçada tomou conta de trechos da orla, entre eles a praia do Gravatá, em Navegantes, e pontos de Florianópolis, pegando banhistas de surpresa.
Dias antes, na segunda-feira (21), Laguna, Jaguaruna e Imbituba haviam sido atingidas por um tsunami meteorológico — evento que já havia acontecido em 2023, também na Praia do Cardoso, em Laguna. Os dois episódios não têm relação direta entre si, mas reforçam como o clima na região tem se comportado de forma atípica nas últimas semanas.
Nevoeiro surpreende quem estava na praia
Câmeras de moradores e turistas flagraram o instante em que a névoa engoliu a paisagem ensolarada em poucos minutos, reduzindo bruscamente a visibilidade na faixa de areia. O especialista Leandro Puchalski explica que se trata de um nevoeiro marítimo, formado quando ar quente e carregado de umidade encontra uma superfície de mar mais fria.
Esse choque de temperaturas faz o vapor da atmosfera se transformar em gotículas bem rente à água, e o vento empurra essa névoa densa até a costa. Diferente do tsunami meteorológico, esse fenômeno não representa perigo e some sozinho conforme o sol esquenta ou os ventos mudam de direção.
O que causou o tsunami meteorológico
Uma faixa de nuvens ligada a uma linha de instabilidade se formou no Litoral Sul, gerando rajadas de vento sul entre 60 e 90 km/h, segundo a Defesa Civil de Laguna.
A combinação dessas rajadas com mudanças bruscas na pressão do ar empurrou o mar para cima de forma repentina. Por volta das 6h, conforme captaram marégrafos de Imbituba e Laguna e câmeras de segurança na faixa litorânea.
A força da água arrastou redes de pesca e equipamentos de pescadores, além de deslocar embarcações que já foram recuperadas sem avarias graves. O estrago mais visível ficou por conta de uma igreja da região, que teve parte do muro derrubada pela correnteza — sem registro de qualquer pessoa ferida.
Chuvas atingem outras regiões do estado
Enquanto o litoral lidava com esses episódios, outras 11 cidades catarinenses decretaram Situação de Emergência por causa de temporais: Timbé do Sul, Criciúma, Turvo. São Joaquim, Campo Erê, Araranguá, Forquilhinha, Ermo, Meleiro, Bom Jardim da Serra e Nova Veneza.
Porto União é a cidade mais afetada e ainda tramita o próprio decreto de Emergência. O município soma 203 pessoas desabrigadas, 241 desalojadas e 135 famílias atingidas por conta de chuvas fortes. E ventos que passaram de 60 km/h, com cinco abrigos abertos para receber quem perdeu a casa.




