Política

Sidrolândia

Disputa por fazenda em MS avaliada em R$ 477 milhões vira caso de polícia em SP

Suposta falsificação, inquérito por estelionato e acusação mútua de golpe recheiam briga judicial entre usineiro e grupo paulista

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A disputa por um complexo de fazendas que abrange uma área de 9,4 mil hectares (7,5 mil deles produtivos) localizada a 71 quilômetros de Campo Grande, nas áreas dos municípios de Sidrolândia e Terenos, envolve uma disputa judicial em Mato Grosso do Sul e em São Paulo, guerra de acusações e uma suposta fraude, que levou o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil do Estado de São Paulo a abrir uma investigação por estelionato. 

Pudera, pois a megafazenda, que integra um conjunto de 14 fazendas e sítios, está avaliada em R$ 477 milhões, mas teria custado R$ 1,3 milhão (parcelados em quatro vezes) aos novos proprietários, que tentam tomar posse da área desde o fim do ano passado. 

O local abriga nada menos que a área que sediava a Usina de Álcool e Açúcar Santa Olinda, que quando quebrou, na década de 2000, deixou uma enorme dívida, créditos trabalhistas bilionários e até mesmo acusações de trabalho escravo envolvendo o grupo proprietário. 

A TRANSAÇÃO

José Pessoa Queiroz Bisneto, que já foi um dos maiores empresários do Brasil do ramo sucroalcooleiro, com sua Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA), briga na Justiça, em quatro foros diferentes, pela propriedade e pela posse das terras, com a empresa Bams, dona da BS1 Agro, ligada aos empresários José Diones Carlos Lima, Raphael dos Santos Andrade e Sebastião Pádua Ferreira. 

Ele sempre esteve na posse da fazenda e luta para não transferi-la, pois diz estar convicto de que foi vítima de um estelionato. A fazenda, segundo ele, foi vendida a um preço baixo porque o deságio em recuperações judiciais, que é o caso da CBAA desde 2009, é grande. 

No centro da disputa entre Pessoa e a Bams está o documento que tornou a transferência da megapropriedade do grupo de Pessoa para a Bams, que arrematou a área no processo de recuperação judicial do grupo do usineiro, que se estende há 15 anos. O caso ainda parece estar distante de uma solução. 

A Jotapar e sua credora BBN alegam que a Bams teria falsificado a assinatura de um documento de cessão de crédito no processo falimentar. A Bams nega e afirma que sua oponente tenta tumultuar o processo para não transferir a propriedade. 

É esse documento, supostamente falsificado, que é objeto de investigação do Deic. Enquanto a polícia paulista investiga, os dois lados da disputa encomendaram suas perícias particulares em um processo que tenta anular o documento que cedeu o crédito falimentar, que por sua vez proporcionou que a Bams arrematasse a área. 

A perícia encomendada por José Pessoa, feita por um advogado do estado de Alagoas, aponta que o documento anexado no processo de recuperação judicial, que tramita na 8ª Vara Cível de São José do Rio Preto (SP), é falso e teve uma página enxertada. Já a Bams contratou duas peritas de São Paulo, e ambas alegam, em suas análises, que o documento é verdadeiro. 

Por enquanto, nesse processo, a magistrada Adriana Cardoso dos Reis, da 37ª Vara Cível de São Paulo (SP), onde o processo que visa anular o documento tramita, suspendeu o documento e os efeitos dele.

ENTENDA O CASO

Credora das usinas de Pessoa, a BBN Finance, por ter socorrido as safras de cana dele na década de 2000, habilitada na recuperação judicial, cedeu seus créditos à Bams, que, de posse deles, arrematou o grupo de fazendas em 17 de setembro de 2021, denominado unidade produtiva independente (UPI) Amambai.

A cessão de crédito ocorreu meses antes, em fevereiro, e os valores dos créditos, pouco mais de R$ 27 milhões, curiosamente eram muito inferiores ao valor que a fazenda já tinha na época, que é muito próximo do atual, de R$ 477 milhões. Ao mesmo tempo, a Bams pagou pelos créditos R$ 1,3 milhão, parcelados em quatro vezes.

Sobre o arremate das fazendas, a Bams alega que a hasta pública (leilão) ocorreu sem qualquer questionamento das partes envolvidas no processo de recuperação judicial. Inclusive, em 11 de fevereiro de 2022, foi expedida nesse mesmo processo uma carta de arrematação que transferia 100% das ações dessa unidade produtiva independente à Bams. 

A Bams, no mesmo ano, mudou de nome para BS1 Agro Participações, em julho de 2022, mesmo mês em que celebrou um acordo com a CBAA, de Pessoa, para a transmissão dos imóveis arrematados pela BS1. 

O acordo fixava o pagamento de um valor de arrendamento de R$ 3,1 milhões e ainda a transmissão da área em 30 de abril do ano passado. Ocorre que, depois dessa data, a Jotapar, empresa ligada à CBAA e a Pessoa, teria oferecido dificuldades para a transmissão da posse das fazendas à BS1, e é aí que entra a Justiça de Mato Grosso do Sul.

BRIGA PELA POSSE

Em abril, houve denúncia de esbulho possessório: uma suposta invasão de sem-terra na fazenda. Mais tarde, houve também um interdito proibitório, ação em que quem está na posse pede para quem tem interesse nela não avançar. Mas dessa vez, os personagens não eram mais homens do MST.

Tratavam-se de pessoas ligadas à Bams/BS1 querendo tomar posse da fazenda, que a empresa alega ser dela. Do outro lado, a Jotapar, protegendo a posse, tentou se blindar e foi à Justiça, em Sidrolândia, contra a Bams, mas não teve sucesso. No fim do ano passado, conseguiu uma liminar favorável concedida pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) Odemilson Roberto Castro Fassa. 

Nela, já sabendo da suspeita de uma possível fraude na cessão de crédito que deu origem ao negócio, o desembargador impediu que os representantes da Bams/BS1 tomassem posse da fazenda e, por sua vez, estabeleceu que a Jotapar deposite R$ 260 mil em juízo como forma de pagamento por um eventual arrendamento, até a resolução do mérito. 

NOVOS CAPÍTULOS

No pedido mais recente, a Bams/BS1 se diz inconformada com o valor de R$ 260 mil como pagamento dos R$ 3,1 milhões acordados anteriormente e pede que o valor do arrendamento depositado em juízo, de agora em diante, seja o valor de mercado para as terras da região. Considerando uma fazenda de 9,4 mil hectares (7,5 mil produtivos), o valor desejado seria de R$ 620 mil. 

"TRAIÇÃO"

José Pessoa diz que teria sido enganado por Roberto Campos Marinho Filho, ligado à Bams, e que não sabia que a empresa estava em nome de laranjas. Também o acusa de fraude. "Eu mesmo dei boas referências dele ao síndico [da recuperação judicial]". 

Sobre a venda dos créditos de R$ 27 milhões por R$ 1,3 milhão, Pessoa afirma que um plano de recuperação "prevê um deságio muito grande, aproximadamente 60% sem qualquer correção, além de um prazo muito longo de pagamento". 

E sobre o contrato para a entrega da terra, de forma mansa e pacífica, em 30 de abril do ano passado, Pessoa diz que foi assinado "na nossa boa-fé de que não havia fraude na cessão".

"Felizmente, a Bams não compareceu à área para tomar posse no dia 30 de abril. Teríamos dado posse a ela. Somente quando tomamos conhecimento da fraude, por meio da notificação da BBN, é que suspendemos a entrega da posse", completa.

Imunidade Tributária

Câmara aprova PEC que amplia imunidade tributária para igrejas

Deputado de MS coautor da proposta, defende impacto da medida em hospitais filantrópicos, creches e entidades sociais ligadas às igrejas

28/05/2026 17h52

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A ampliação da imunidade tributária para entidades religiosas avançou no Congresso Nacional após a Câmara dos Deputados aprovar, em dois turnos, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estende o benefício à compra de bens e serviços utilizados por igrejas e organizações ligadas à atividade religiosa.

Entre os parlamentares que atuaram pela aprovação da matéria está o deputado federal sul-mato-grossense Dr. Luiz Ovando (PP), coautor da proposta e presidente da Frente Parlamentar Evangélica em Mato Grosso do Sul.

A PEC estabelece que a imunidade tributária já garantida pela Constituição aos templos religiosos e entidades de qualquer culto também alcance tributos incidentes sobre a aquisição de bens e serviços considerados essenciais para a implantação, manutenção e funcionamento dessas instituições.

Na prática, a medida poderá beneficiar igrejas e organizações sociais ligadas à atividade religiosa na compra de materiais de construção, equipamentos de som, veículos e outros itens utilizados em suas atividades.

O texto também contempla instituições sem fins lucrativos mantidas por entidades religiosas, como creches, hospitais filantrópicos, asilos, orfanatos, seminários, conventos, comunidades terapêuticas e serviços de acolhimento.

A proposta aprovada pela Câmara tem origem na PEC 5/2023, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), e recebeu parecer favorável do relator, deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO).

Defesa das obras sociais

Durante a tramitação da matéria, Dr. Luiz Ovando destacou que a ampliação da imunidade tributária busca garantir segurança jurídica para instituições que desenvolvem atividades sociais em diversas regiões do país.

Segundo o parlamentar, muitas dessas entidades prestam serviços que complementam o atendimento oferecido pelo poder público, especialmente nas áreas de assistência social, saúde e acolhimento.

“Taxar igrejas é sufocar obras sociais e penalizar o povo que sustenta a esperança do Brasil. Essa aprovação representa mais uma vitória em defesa das instituições que ajudam milhões de brasileiros diariamente”, afirmou o deputado.

Hospitais filantrópicos

Dr. Luiz Ovando também ressaltou o papel dos hospitais filantrópicos no atendimento à população brasileira. Conforme o parlamentar, muitas dessas unidades enfrentam dificuldades financeiras, mas continuam sendo fundamentais para o funcionamento da rede de saúde.

“Muitos hospitais filantrópicos estão lutando para sobreviver financeiramente, mas continuam salvando vidas todos os dias e ajudando a desafogar outros hospitais. Como médico, sei da importância dessas instituições para milhares de famílias que dependem de atendimento digno e humanizado”, declarou.

Críticas da oposição

A aprovação da PEC, entretanto, foi alvo de críticas de parlamentares da oposição. Bancadas do PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede votaram contra a proposta sob o argumento de que o texto amplia benefícios tributários sem apresentar mecanismos claros de fiscalização e transparência.

Os defensores da matéria argumentam que a medida apenas regulamenta e amplia a proteção constitucional já concedida às entidades religiosas, garantindo maior segurança jurídica para instituições que exercem atividades sociais e assistenciais.

Próximos passos

Com a aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados, a proposta segue agora para análise do Senado Federal. Caso seja aprovada pelos senadores sem alterações, a PEC será promulgada e passará a integrar o texto da Constituição Federal.

A regulamentação dos critérios para acesso ao benefício deverá ocorrer posteriormente por meio de lei complementar, que definirá regras nacionais para a habilitação das entidades e as condições necessárias para usufruir da imunidade tributária.

Renegociação

Comissão do Senado aprova renegociação de dívida rural

Senadora Tereza Cristina esteve à frente das negociações

28/05/2026 15h00

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta quarta-feira (27) o Projeto de Lei 5122/23, que cria uma linha especial para refinanciamento das dívidas de produtores rurais afetados por perdas climáticas e econômicas entre 2019 e 2025. O texto prevê prazo de até 15 anos para pagamento, com carência de três anos e juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, negociação ligada à senadora Tereza Cristina (PP), que propõe a criação de um Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), incorporado ao relatório do senador Renan Calheiros.

A proposta mantém o Fundo Social do Pré-Sal e outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda como fontes de recursos para viabilizar as renegociações. O projeto também recebeu urgência para tramitação e deve ser votado em breve no plenário do Senado antes de retornar à Câmara dos Deputados.

Segundo Tereza Cristina, o mecanismo poderá ampliar o acesso ao crédito para produtores rurais que não possuem garantias suficientes para contratar financiamentos.

“A grande inovação é a criação do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI). Esse fundo tem o potencial de permitir aos produtores rurais, mesmo aqueles sem garantias para oferecer, o acesso ao crédito”, afirmou a senadora.

Tereza explicou ainda que o substitutivo apresentado pelo governo federal não chegou a ser incorporado ao texto final aprovado pela comissão. De acordo com a parlamentar, o relatório foi ajustado a partir da proposta que já havia sido aprovada pela Câmara.

“Infelizmente não foi possível aceitar o substitutivo do governo federal. Assim, a solução do relator foi aperfeiçoar o projeto que veio da Câmara”, disse.

Durante a discussão do projeto, Tereza Cristina afirmou que o Congresso tenta construir uma alternativa para produtores que enfrentam uma combinação de fatores adversos no campo, como juros elevados, queda no preço das commodities, eventos climáticos extremos e aumento no custo dos insumos.

A senadora ressaltou ainda que a situação ultrapassa interesses políticos ou setoriais e pode afetar diretamente a produção de alimentos no país.

“Quando a atividade no campo se desorganiza é a segurança alimentar da mesa dos brasileiros que fica ameaçada”, argumentou.

Segundo ela, os problemas começaram com as perdas registradas no Rio Grande do Sul, mas atualmente atingem produtores em diferentes regiões do Brasil.

Projeto segue para análise do Plenário e deve ser votado em junho, ainda sem data definida.

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