Política

incógnitas para 2024

Eleições municipais testarão influência de Reinaldo Azambuja e de Tereza Cristina

Os candidatos de ambos devem se enfrentar na disputa pelas prefeituras de Campo Grande, Dourados e Terenos

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A pouco menos de nove meses das eleições municipais deste ano, o Correio do Estado inicia hoje uma série de matérias abordando as principais incógnitas para o pleito que se avizinha. Nesta primeira reportagem, tratamos de como a influência política do ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e da senadora Tereza Cristina (PP) deve contribuir para a escolha dos prefeitos de Campo Grande, Dourados e Terenos, cidades onde estes dois velhos aliados devem se enfrentar.

No caso de Reinaldo Azambuja, os candidatos do PSDB nesses três municípios serão o deputado federal Beto Pereira (Campo Grande), o ex-deputado estadual Marçal Filho (Dourados) e o prefeito Henrique Wancura (Terenos). No caso de Tereza Cristina, os candidatos do PP serão a prefeita Adriane Lopes (Campo Grande), o prefeito Alan Guedes (Dourados) e a vereadora Lucilha de Almeida (Terenos).

Para o diretor e coordenador do Instituto de Pesquisas Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, a influência dessas duas lideranças políticas locais vai até certo ponto, porém, isso não vai ser definitivo para eleger o prefeito ou a prefeita dessas cidades, pois os candidatos terão de trabalhar as questões locais e ser capazes de mostrar que são fortes, viáveis e bons gestores, e o discurso e a capacidade de resolver os problemas dos municípios vão fazer toda a diferença nestas eleições.

“Nos casos específicos de Campo Grande e Dourados, na minha opinião, todos os partidos vão se concentrar muito nesses dois municípios porque, juntando ambos, são aproximadamente 40% do total de votos no Estado, então, os projetos políticos para quem está de olho no Senado, na Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa e até mesmo no cargo de governador, essas duas cidades são muito importantes, principalmente para os partidos de Reinaldo Azambuja e de Tereza Cristina, que terão um grande embate em ambas”, ressaltou.

Aruaque Barbosa completou ainda que nessas duas cidades os partidos que lançarem candidaturas na majoritária terão de se empenhar muito porque o vencedor largará na frente para as eleições de 2026. “O partido que conseguir esses dois municípios dará um salto gigantesco, pois terá em mãos mais de 40% do eleitorado de Mato Grosso do Sul”, argumentou.

POLARIZAÇÃO NACIONAL

O diretor do IPR também analisou como a polarização entre o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) influenciará nas eleições municipais nas principais cidades de Mato Grosso do Sul.

“Na minha opinião, vai ter essa divisão sim, entre Lula e Bolsonaro, entre os candidatos, mas vamos ter também candidatos neutros. Só que eu acredito que, por exemplo, a direita não vai conseguir se unir em torno de uma única candidatura. Então, acho que isso vai dividir votos em Campo Grande, que é uma cidade conservadora”, projetou.

Aruaque Barbosa pontuou que, ao contrário da direita, que tem vários nomes – Adriane Lopes, Capitão Contar (PRTB), Marcos Pollon (PL), Coronel David (PL), entre outros –, a esquerda tende a encontrar uma dificuldade local. “Vai usar mais a imagem do Lula?”, questionou, lembrando que o PT tem apenas o nome da deputada federal Camila Jara.

Ele disse que Campo Grande terá uma das eleições municipais mais disputadas dos últimos tempos. “Tudo indica que sim, mas ainda não está nada certo, pois não temos certeza sobre as candidaturas de alguns agentes políticos. Pois, se o ex-governador André Puccinelli [MDB] sair, teremos um cenário, se a Rose Modesto [União Brasil] for para a disputa, será outro, assim como se o Capitão Contar sair candidato, pois os três têm densidade eleitoral”, explicou.

O diretor do IPR adiantou que não teremos apenas candidatos alinhados à direita ou à esquerda. “Teremos candidatos de diferentes vertentes, provocando a divisão dos votos. Dessa forma, quem for ao segundo turno terá de unir esses dois grupos antagônicos”, finalizou.

PODER EM XEQUE

OAB/MS pede afastamento de Moraes e senadores defendem apuração rigorosa

Tereza e Soraya cobram atuação do Senado diante da crise no STF, enquanto Nelsinho convocará comissão que fiscaliza inteligência

10/09/2026 07h55

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, está no

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, está no "olho do furacão" Foto: Luiz Silveira/STF

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A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS) e os três senadores do Estado aumentaram a pressão por uma apuração independente das suspeitas que atingem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Enquanto a Ordem defendeu o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes, as parlamentares Tereza Cristina (PP) e Soraya Thronicke (PSB) cobraram o cumprimento das responsabilidades constitucionais do Senado e Nelsinho Trad (PSD) anunciou a convocação da comissão responsável por fiscalizar as atividades de inteligência.

As manifestações convergem na defesa da investigação, mas apresentam diferenças, pois a OAB/MS foi além e pediu o afastamento cautelar de Moraes, enquanto Tereza afirmou que o Senado não pode se omitir, Soraya defendeu a análise dos pedidos de impeachment com critérios iguais e Nelsinho adotou uma posição mais procedimental, propondo que os fatos sejam discutidos no espaço institucional adequado.

A posição da OAB/MS foi aprovada por unanimidade durante sessão extraordinária realizada na terça-feira, quando a entidade justificou a medida pela gravidade dos fatos revelados após o levantamento do sigilo das investigações envolvendo o Banco Master.

O Conselho Seccional também defendeu a suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para atuar no caso, pois, conforme a Ordem, as medidas são necessárias para garantir transparência e preservar a credibilidade das instituições.

“Defender as instituições também significa exigir respostas firmes quando fatos graves colocam em risco a confiança que a sociedade nelas deposita”, afirmou a OAB/MS.

SENADORES

Tereza Cristina afirmou que as suspeitas envolvendo o STF provocam perplexidade na população e podem comprometer a confiança da sociedade nas instituições. “A população brasileira está estarrecida com os fatos que envolvem hoje o STF. E com razão. A sociedade não pode perder a confiança nas nossas instituições.

Nenhuma autoridade está acima da lei. O Senado tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir”, declarou.

Tereza também defendeu que seja assegurado o direito de defesa aos envolvidos, mas afirmou que a gravidade das suspeitas exige investigação. “A ampla defesa deve ser garantida a todos, mas não podemos ignorar suspeitas gravíssimas. Temos de buscar a verdade. Sempre com independência, transparência e respeito à Constituição”, completou.

Já Soraya Thronicke classificou o momento como uma das crises mais graves enfrentadas pelo Supremo nos últimos anos. “Estamos diante de uma das crises mais agudas do STF nos últimos tempos. Na minha avaliação, algumas decisões recentes ultrapassam os limites de atuação da Corte, e o afastamento de dirigentes da Polícia Federal não é razoável”, declarou.

Ela também afirmou que o Poder Judiciário não pode ser utilizado como instrumento de disputas pessoais ou políticas e que a proximidade das eleições aumenta a necessidade de isenção por parte das instituições.

“O Senado precisa cumprir seu papel constitucional e analisar os pedidos de impeachment com provas, direito de defesa e os mesmos critérios para todos. Havendo crime de responsabilidade, deve haver consequência”, defendeu.

Presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), Nelsinho Trad confirmou que convocará uma reunião do colegiado para que os fatos sejam discutidos no Congresso Nacional. 
Ele afirmou que o pedido apresentado atende às exigências regimentais e, por isso, deverá ser analisado pelo colegiado. 

“Havendo um pedido que atenda às exigências regimentais, vamos realizar a reunião e permitir que os fatos sejam tratados no espaço institucional adequado, observando sempre o Regimento Interno do Senado”, declarou.

DEMOCRACIA

PT inicia ofensiva contra André Mendonça e pede apoio de militantes

Mobilização começou após o presidente dizer que "se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral"

10/09/2026 07h08

"Ou o STF abre o sigilo sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida", disse Lula

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou, nesta quarta-feira, 9, uma campanha nas redes sociais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master.

Depois de Lula dar uma declaração pública pedindo a quebra integral do sigilo da investigação, petistas vieram a público criticar o juiz e iniciaram uma campanha de mobilização da militância em oposição a Mendonça.

"Na minha opinião, ou o STF abre o sigilo e mostra ao Brasil os segredos ocultos sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição está comprometida. É preciso revelar toda a verdade sobre o candidato suspeito", disse Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.

Poucos minutos antes, Lula pediu "explicações e medidas imediatas" para enfrentar a "crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário" em seu perfil nas redes sociais.

"Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", afirmou o presidente e candidato à reeleição. "Por isso é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja a quem for, doa a quem doer."

Nos bastidores, alguns dos principais conselheiros de Lula veem André Mendonça como o responsável pelo momento ruim do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Eles apontavam o entorno do ministro do STF como responsável pelos vazamentos da investigação da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - a situação piorou após a queda do sigilo de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A gota d’água ocorreu após a divulgação de pesquisas que apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, o que mergulhou a campanha de vez numa crise.

Para alguns desses conselheiros, a situação envolvendo Moraes complicou ainda mais a situação de Lula. Para esse grupo, é inevitável que parte do eleitorado brasileiro não associe Moraes a Lula. Além disso, dizem eles, ainda existe gratidão do Planalto ao que ministro fez no julgamento da tentativa de golpe de Estado, que levou, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão.

A campanha pediu apoio da militância nos grupos de WhatsApp. "Faltam só 25 dias para as eleições, gente! Não tem para onde correr: a missão de hoje é para agora, hein? Precisamos falar sobre as atitudes do ministro André Mendonça no caso envolvendo a blindagem de Flávio Bolsonaro e defender que as instituições cumpram o seu papel com independência", disse um dos textos divulgados no grupo de WhatsApp "Lulaverso", criado pela campanha de Lula em 2022 e ativo até hoje.

Essa publicação foi feita antes da declaração pública de Lula. "Bora botar a boca no trombone! Cada compartilhamento, postagem e conversa importam muito. Está proibido deixar a tarefa para depois."

Éden Valadares defendeu em publicação nas redes que o momento pede reação imediata. "A situação política no Brasil é muito grave. O que eram suspeitas se confirmam em evidências, e precisamos denunciar e reagir agora. A crise institucional que se instalou no Supremo Tribunal Federal está sendo transformada em instrumento eleitoral pelo ministro relator do caso do Banco Master ao barrar as investigações sobre Flávio Bolsonaro, ao ser parcial nas apurações do banqueiro Daniel Vorcaro, ao negar ao Brasil a verdade sobre o escândalo Dark Horse", afirmou.

"A condução do processo claramente tenta influenciar as eleições brasileiras ao proteger o candidato bolsonarista à Presidência da República."

Na semana passada, o Estadão revelou que Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias. A investigação mostrou que Vorcaro pedia auxílio e orientações ao ministro do Supremo sobre as investigações do Master. Também aparecem conversas com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, intermediadas por um advogado.

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 7, aponta Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 41% no segundo turno. O cenário não era registrado desde março, quando ambos também apareciam no mesmo patamar numérico.

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