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Justiça

Em 6 anos, País identificou desvios de R$ 19 bilhões

Em 6 anos, País identificou desvios de R$ 19 bilhões

Folhapress

04/05/2014 - 00h00
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O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, afirmou ontem (3) que o Brasil já conseguiu identificar cerca de R$ 19,6 bilhões depositados no país e no exterior que podem ser fruto de esquemas de lavagem de dinheiro.

O montante foi levantado em investigações que tiveram auxílio de laboratórios contra a lavagem de dinheiro em diversos estados. Os laboratórios são uma iniciativa do Ministério da Justiça que criou o programa em 2006.

Até março do ano que vem, serão investidos R$ 41 milhões na criação e instalação de 43 laboratórios em todos os estados do país.

"Saímos de um cenário de 13 laboratórios em 2010, com investimento de R$ 4 milhões nessas tecnologias e chegamos agora a um cenário de 43 laboratórios com mais R$ 36 milhões investidos", afirmou Abrão em entrevista coletiva após a cerimônia de assinatura de treze novos acordos de cooperação técnica para a expansão da rede nacional de laboratórios. Seis mil pessoas em todo o país foram treinadas para atuar com as novas tecnologias.

Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que assinou os acordos, "o detectar da lavagem de dinheiro pode ser muito mais eficaz e rápido se tivermos equipamentos tecnológicos que permitem fazer esse trabalho [de identificação]. Os laboratórios foram acolhidos pelo ministério como uma política correta de combate à corrupção", disse.

De acordo com Abrão, os laboratórios permitem uma análise de um grande volume de informações com rapidez além de gerar relatórios com alto grau de precisão, o que diminui a possibilidade de erro humano. "Isso aperfeiçoa as investigações e o próprio sistema de Justiça, diminuindo as chances de impunidade nos casos de corrupção", disse.

O secretário afirmou que nos oito anos de funcionamento dos laboratórios, 1808 casos foram analisados levando à identificação de R$ 19,6 bilhões de ativos com indício de irregularidades. De acordo com Abrão, as investigações permitiram o bloqueio de cerca de US$ 200 milhões no exterior. "Esse montante foi devidamente identificado e está aguardando as ações judiciais terem o trânsito em julgado no Brasil para que possam ser devidamente repatriados", disse.

Além disso, o país já iniciou 21 negociações com outros países onde os valores estão depositados para que haja a recuperação do montante.

Abrão citou como exemplo algumas operações que tiveram auxílio das tecnologias empregadas pelos laboratórios, como os trabalhos prévios da Polícia Federal de enfrentamento ao PCC, em São Paulo, o caso do propinoduto, descoberto em 2002 no Rio de Janeiro, e o escândalo da construção do edifício do Tribunal Regional do Trabalho em que o juiz Nicolau dos Santos Neto foi condenado pele desvio de recursos para a obra.

"Hoje, podemos dizer que todas as grandes operações que envolvem grande volume de informações passam devidamente pelas estruturas dos laboratórios", disse. 

Regulamento

TSE define regras para canais de WhatsApp durante a campanha

Atualização de resolução da Corte eleitoral foi por unanimidade

16/10/2026 19h00

Foto: Antônio Augusto / TSE

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu nesta sexta-feira (16) regras para o funcionamento de canais de WhatsApp que apoiam campanhas eleitorais. 

A decisão foi tomada após a guerra de liminares sobre o funcionamento do canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para apoiar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por unanimidade, os sete ministros da Corte aprovaram uma atualização na resolução do TSE que trata da propaganda eleitoral na internet e da fiscalização dos canais de comunicação utilizados pelas candidaturas.

Conforme a decisão, canais que receberem apoio técnico ou financeiro das campanhas deverão ser registrados na Justiça Eleitoral.

O vínculo deverá ser estabelecido a partir do recebimento de recursos, ajuda técnica, além do direcionamento para página oficial do candidato.

O apoio espontâneo ou compartilhamento de materiais de campanha não poderão ser caracterizados como vínculo direto com a campanha. 

Se as regras não forem cumpridas, os canais poderão ser desativados até que a regularização seja providenciada. 

Na terça-feira (13), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a reativação do canal Exército do Lula, após a campanha de Lula registrar o canal no tribunal, conforme determinação do ministro.

A reativação ocorreu após decisões conflitantes de Kassio e do ministro corregedor-geral do TSE, Villas Bôas Cueva, que havia liberado o canal.

quer respostas

CPI do tapa-buraco será aberta na Câmara Municipal de Campo Grande

Dentre os fatos determinados da investigação estão ausência de ações e respostas do Executivo diante das reclamações da população, prejuízos causados, redução dos investimentos, dentre outros

16/10/2026 18h04

CPI irá investigar onde estão sendo usados recursos para tapar buracos em Campo Grande

CPI irá investigar onde estão sendo usados recursos para tapar buracos em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Com a assinatura de 24 vereadores, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do tapa-buraco deverá ser aberta na Câmara Municipal de Campo Grande. A proposta é investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buracos na Capital.

O requerimento para a criação da CPI foi apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), na sessão do dia 13 de agosto deste ano.

Até o começo desta sexta-feira (16), nove parlamentares haviam assinado o requerimento, número que saltou para 24 após uma reunião realizada nesta tarde na Casa de Leis. 

Para que a CPI seja aberta, é necessário o apoio de no mínimo um terço dos vereadores. Como a Câmara de Campo Grande tem um total de 29 vereadores, eram necessárias 10 assinaturas, mas houve mais do que o dobro. Segundo Luiza, os cinco que ainda não assinaram manifestaram apoio positivo.

"Campo Grande não consegue entender porque nós temos tanto recurso aplicado no tapa-buraco e não conseguimos que esse serviço efetivamente chegue as vias públicas e pare de atrapalhar a vida das pessoas", disse a vereadora Luiza Ribeiro após a reunião.

Segundo ela, o documento que reúne as assinaturas já foi entregue ao presidente da Câmara Municipal, Papy, que irá encaminhar para a procuradoria jurídica, para que sejam feitos os atos de instauração da CPI.

O nome de todos os vereadores que assinaram o requerimento não foi divulgado até a publicação desta reportagem. Antes da reunião, já haviam assinado a própria Luiza, Jean Ferreira (PT), Landmark (PT),  Marquinhos Trad (PV), Maicon Nogueira (PP), André Salineiro (PL), Vererinário Francisco (União Brasil), Flávio Cabo Almi (PSDB) e Ronilço Guerreiro (Podemos).

CPI do tapa-buraco

O requerimento estabelece como fatos determinados da investigação a ausência de ações e respostas do Executivo diante das reclamações da população, os prejuízos causados pela falta de manutenção adequada, a redução dos investimentos, os casos de possíveis irregularidades e a ausência de resposta ao requerimento aprovado pelo Plenário.

Um dado apresentado no requerimento é que, das 24.673 indicações encaminhadas pela Câmara ao Executivo no primeiro semestre de 2026, quase 9 mil foram destinadas à realização de serviços de tapa-buraco em diferentes regiões do Município.

Outro ponto destacado no documento é a redução da dotação destinada ao projeto de Modernização e Requalificação das Vias Urbanas, cujos investimentos previstos passaram de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões em 2026, uma redução de quase 70%.

O requerimento também aponta que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul investiga ações relacionadas ao serviço de tapa-buracos em Campo Grande e cita a Operação “Buraco Sem Fim”, que apurou suspeitas de fraudes em contratos, incluindo possíveis irregularidades em medições de serviços e pagamentos por obras parcialmente executadas ou não realizadas.

Por fim, é mencionado o acompanhamento do tema pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).

“Não estamos falando apenas de buracos nas ruas. Estamos falando de dinheiro público, de qualidade dos serviços prestados à população e da necessidade de saber por que Campo Grande chegou a essa situação. A Câmara precisa cumprir seu papel de fiscalização e investigar”, defende Luiza Ribeiro.

A proposta solicita a criação da CPI pelo prazo inicial de 120 dias, com a definição dos fatos a serem investigados, composição da comissão e prazo para conclusão dos trabalhos após a adoção das providências regimentais.

Para Luiza Ribeiro, a questão central é garantir transparência. “A população de Campo Grande precisa saber quanto está sendo gasto, como os serviços são executados e por que os problemas persistem. Afinal, a manutenção das ruas é um serviço público essencial, e a população tem o direito de saber como seu dinheiro está sendo aplicado ", argumenta. 

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