Política

VERIFICAÇÃO

Em sabatina do Correio do Estado, Capitão Contar fez 2 afirmações enganosas

Durante o mês de setembro, o Correio do Estado faz entrevistas com os candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul

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No dia 13 de setembro, o Correio do Estado deu sequência à série de entrevistas com os candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul, como ocorre tradicionalmente em todos os anos eleitorais. 

Abaixo, você um resumo sobre afirmações que poderiam ser falsas, enganosas ou verdadeiras, realizadas por Capitão Contar (PRTB), o primeiro entrevistado. 

As entrevistas são realizadas pela jornalista Laureane Schmidt, com duração de 25 minutos para o candidato responder às questões realizadas, com transmissão ao vivo pelas mídias sociais Facebook (Correio do Estado), Instagram (@correioestado) e YouTube (www.youtube.com/CorreioEstado).

 As perguntas são realizadas de forma democrática para todos os candidatos, distribuídas da seguinte forma:

  • 1 pergunta para o candidato se apresentar; 
  • 4 perguntas de temas livres com base em reportagens já publicadas pelo Correio do Estado; 
  • 2 perguntas que serão iguais para todos os candidatos; 
  • 2 perguntas relacionadas ao plano de governo; 
  • 4 perguntas que são sorteadas, ao vivo, pelo próprio candidato. 

Separamos, a seguir, tópicos a partir de afirmações realizadas pelo candidato ao longo da entrevista, as quais foram verificadas com base em informações oficiais. 

Escolas cívico-militares tem o maior Ideb - enganoso

  • Capitão Contar: "Quantos pais e mães não querem que seus filhos sejam matriculados em escolas cívico-militares, onde o Ideb é mais elevado". 

Como explica a Gazeta do Povo, ainda em setembro de 2019 o Ministério da Educação deu início - com o Ministério da Defesa - à ação que implementa o modelo cívico-militar nas escolas interessadas. 

Importante destacar que, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), é calculado em cima de dados de aprovação escolar (Censo) e médias de desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Entretanto, vale ressaltar que, apesar disso, as escolas que adotam o modelo cívico-militar possuem desenvolvimento metrificado pelo Índice do Programa das Escolas Cívico-Militares (IPECIM). 

Dentro deste contexto, realmente, a EECIV Professor Tito - também conhecida em MS como “Escola de Vencedores” -, obteve o maior Índice do Programa das Escolas Cívico-Militares (0,805) do Brasil.

Dito isso, é importante frisar que apenas os anos iniciais da educação, nas disciplinas de português e matemática, Mato Grosso do Sul apresenta desenvolvimento positivo no IDEB de 2019.

Tanto as taxas de aprovação dos anos iniciais (0,93), finais (0,88) e ensino médio (0,85), assim como a taxa do Ideb de cada um: 5,7; 4,6 e 4,1 respectivamente, apresentam um resultado classificado como "insucesso", estando abaixo dos 50% dos alunos com nível inadequado de aprendizado. 

Comércio e serviços são setores com maior arrecadação e geração de empregos: verdadeiro

  • Capitão Contar: "E olha que o setor de comércio, serviços, que estão intrinsecamente ligados, é o setor responsável pela maior arrecadação, a maior geração de empregos e são os primeiros a sofrerem esse arrocho por parte do estado". 

Conforme a Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), o comércio teve crescimento de 11.499 vagas no mercado formal de trabalho no ano passado, além de novo saldo positivo nos primeiros três meses de 2022 (261). 

Esse setor caracteriza-se como um dos segmentos (entre agropecuária, construção, indústria e serviços) que ampliou vagas formais nos últimos balanços, mesmo com a pandemia. 

Ainda, a Funtrab ressaltou que, o maior destaque na geração de empregos ficou por conta do setor de serviços, com uma explosão de 14.619 vagas em 2021 e 7.697 em apenas três meses deste ano.

Vale frisar que, tanto Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Mato Grosso do Sul (Sindifisco) e Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul (Sidifiscal) destacaram a arrecadação recorde de MS em 2021, destacando a forte participação desse segmento do chamado setor terciário (comércio atacadista, varejista, serviços de transporte, comunicações e outros).

FUNDERSUL tem R$ 1,5 bilhão arrecadado: verdadeiro

  • Capitão Contar: “Realmente é inconcebível ainda temos estradas em péssimas condições, pontes de madeira, com mais de R$ 1,5 bilhão arrecadados no FUNDERSUL, estamos batendo recordes de plantio, colheita e produção”. 

Conforme noticiado pelo próprio Correio do Estado, o Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) arrecadou 35% mais em 2021 que no ano anterior. 

Vale ressaltar, inclusive, que a arrecadação do Fundo bateu recorde no último ano, recolhendo R$ 1,57 bilhão (R$ 1.576.339.701,11) nos 12 meses de 2021. 

MS tem déficit de 4 mil policiais: enganoso

  • Contar: "Temos um déficit de efetivo tanto na polícia militar, polícia civil também é na polícia penal".
  • Capitão Contar: "Hoje nós temos um déficit de mais de 4000 homens e mulheres que podemos estar nas ruas" 

Quanto à situação das polícias em Mato Grosso do Sul, o déficit no efetivo é problema citado há tempos. Ainda em 2020, o então comandante da Polícia Militar de MS, coronel Waldir Acosta, mencionou que Mato Grosso do Sul apresentava 6 mil policiais em ofício, "e o previsto está próximo de 9 mil", destacou ele na época. 

Levando em conta esse déficit de aproximadamente 3 mil homens, tanto a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) quanto a própria Polícia Militar foram procuradas - mais recente - para comentar o atual efetivo da coorporação, e até o fechamento da matéria não encaminharam resposta. 

Em nota, o Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul confirmou o déficit. Pontuaram ainda que, o cenário ideal para o efetivo da PC em MS, completando o número de servidores, é em torno de 1 mil vagas.  

Além disso, em entrevista ao Correio Verifica, presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de MS, André Santiago, apontou que o déficit entre as polícias penais gira em torno de 3.900. 

Segundo o presidente do Sinsap-MS, Mato Grosso do Sul conta com uma massa carcerária de 22.500 detentos, 2.100 servidores ativos, numa escala de 24/72, sendo que o correto é que cada agente fique designado para cada 15 detentos. 

Saiba mais 

Os pontos destacados acima são os que classificamos como mais passíveis de dúvidas para a população. A entrevista completa pode ser assistida clicando neste link aqui, do canal do youtube do Correio do Estado.

Entrevistas  

A ordem das entrevistas foi definida em sorteio, e o primeiro a participar foi o candidato do Psol, Adonis Marcos, no dia 8. Magno Souza.

No dia 13 de setembro, o entrevistado será Capitão Contar (PRTB). A candidata do PT, Giselle Marques, será a entrevistada do dia 15 de setembro. No dia 16 será a vez de André Puccinelli (MDB).

Em 20 de setembro, Rose Modesto (União Brasil) será a entrevistada. Marquinhos Trad (PSD) será o entrevistado do dia 21 de setembro, e Eduardo Riedel (PSDB) fecha a série de entrevistas no dia 22 de setembro.

As perguntas são elaboradas por nossa equipe de jornalistas e também por representantes da sociedade civil, como entidades representativas de classe.  

Saiba mais sobre o Correio Verifica 

O Correio Verifica já publicou a explicação do perfil do candidato Adonis Marcos. Entre algumas checagens que já realizamos estão: PSDB-MS não apoia Simone Tebet, ao contrário do que ela afirmou em entrevista ao Jornal Nacional; e agência de Iara Contar não recebeu R$90 milhões em propagandas políticas, ao contrário do que afirma vídeo

 

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TRABALHO INFANTIL

Zema diz que criança vai poder trabalhar, caso seja eleito presidente: 'Vamos mudar isso'

Após a repercussão, ele publicou um novo vídeo, no qual mantém o posicionamento, mas passa a utilizar o termo "adolescente" em vez de criança.

02/05/2026 23h00

Zema é pré candidato para Presidente da República

Zema é pré candidato para Presidente da República Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Pré-candidato a presidente da República, Romeu Zema (Novo) indicou em uma entrevista que pode propor mudanças na legislação para ampliar as hipóteses em que jovens podem trabalhar no Brasil, caso seja eleito para comandar o País. Atualmente, a idade mínima é de 16 anos, que cai para 14 anos nos casos dos jovens aprendizes.

Ao comentar sobre o assunto, Zema utilizou o termo "criança" ao defender a medida. Após a repercussão, ele publicou um novo vídeo, no qual mantém o posicionamento, mas passa a utilizar o termo "adolescente" em vez de criança.

"Quando eu era criança, era permitido tirar uma carteira de trabalho aos 14 anos. Infelizmente, no Brasil se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar. Sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, que estão ao alcance dela", disse Zema no podcast Inteligência Ltda na sexta-feira, 1.º, Dia do Trabalhador.

Ele relatou que, quando era criança, ajudou o pai a contar parafusos e porcas e a embrulhar os produtos em jornal. "A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe lá não sei quantos cents por jornal entregue, no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando criança. Mas tenho certeza que nós vamos mudar isso aí", continuou o ex-governador de Minas Gerais.

Após a declaração ao podcast, a assessoria de imprensa do pré-candidato do Novo divulgou uma nova fala de Zema, na qual ele diz querer dar "oportunidades de trabalho" para adolescentes

"No Brasil, isso já é permitido a partir dos 14 anos como aprendiz, mas precisamos ampliar essas oportunidades, com proteção e sem atrapalhar a escola", afirmou Zema.

Segundo ele, a medida é necessária pois o trabalho digno forma caráter e disciplina e evita que os jovens ingressem no crime organizado.

Ex-diretora global de educação do Banco Mundial, Cláudia Costin vê problemas na proposta de Zema, seja ela para crianças ou para adolescentes. "A proposta vai prejudicar as crianças e vai contra a Organização Internacional do Trabalho, que diz com toda clareza que durante idade escolar obrigatória, que no Brasil é até os 17 anos, não deveria haver trabalho. A gente até admite algumas exceções, mas são raríssimas", disse.

Costin aponta que o Brasil hoje tem um problema com adolescentes de 16 a 18 anos. A legislação permite que eles trabalhem desde que não seja em condições insalubres, perigosas ou durante a noite. Por causa dessa última limitação, muitos jovens têm se matriculado na escola noturna para trabalharem durante o dia.

"A carga horária escolar no período noturno no Brasil é até menos que as cinco horas (previstas no ensino médio regular). Acaba sendo três horas e muitas vezes não tem aula na sexta", afirmou. "Em um mundo em que a inteligência artificial vem substituindo o trabalho num ritmo sem precedentes, esses jovens são candidatos a serem trabalhadores precarizados", acrescentou

A especialista lembra que o Brasil enfrenta hoje uma estagnação na produtividade do trabalho, porque as gerações anteriores tinham baixa escolaridade - o acesso ao ensino fundamental só foi universalizado no início dos anos 2000.

Para combater o problema, Costin defende uma solução distinta da de Zema: aumentar o tempo que os jovens passam nas escolas. "Não vamos enfrentar problemas de aprendizagem fazendo com que as aulas de escola sejam tão baixas quanto são hoje. Muitos Estados já estão caminhando para a escola em tempo integral", disse.

A Constituição Federal estabelece que a idade mínima para o trabalho no Brasil é de 16 anos. A exceção são os aprendizes, que podem firmar contratos especiais de trabalho a partir dos 14 anos.

Nesses casos, porém, o foco não é no trabalho em si, e sim que o jovem aprenda uma profissão - normalmente de nível técnico. Além disso, é obrigatório que o adolescente esteja matriculado na escola, o horário do trabalho seja compatível com as atividades escolares e a jornada seja limitada a três horas diárias.

No Brasil, a idade mínima para o trabalho já foi de 12 anos conforme a Constituição de 1967, promulgada durante a ditadura militar. A partir de 1988, subiu para 14 anos e, dez anos depois, na Reforma da Previdência aprovada no governo Fernando Henrique Cardoso, chegou aos atuais 16 anos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o País tinha 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024.

O trabalho infantil é caracterizado como aquele que interfere na escolarização e é prejudicial para a saúde e o desenvolvimento mental, físico, social ou moral. Desde 2016, houve queda de 21,4% de pessoas nessa situação.

Além da questão sobre o trabalho, Zema também defende a redução da maioridade penal, hoje em 18 anos, para "16 anos ou menos", de acordo com as diretrizes do seu plano de governo que foram publicadas em um site ligado ao Partido Novo e que tem sido divulgado por sua pré-campanha.

O ex-governador mineiro tem tido dificuldades de deslanchar nas pesquisas, mesmo após ficar em evidência por causa das críticas que fez ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a uma discussão pública com o ministro Gilmar Mendes.

Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada no início da semana, o ex-governador tem 3,1% das intenções de voto no primeiro turno, empatado em quarto lugar com Ronaldo Caiado (PSD), que tem 3,3%

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 46,6%, seguido de Flávio Bolsonaro (PL) com 39,7% e Renan Santos (Missão), com 5,3%.

 

POLÍTICA

Bolsonaro apresenta boa evolução de cirurgia no ombro

Ex-presidente seguirá internado, com medidas para prevenir trombose

02/05/2026 22h00

A autorização para o procedimento cirúrgico foi concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes

A autorização para o procedimento cirúrgico foi concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

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O ex-presidente Jair Bolsonaro segue internado em um quarto do Hospital DF Star, neste sábado (2), depois de ter sido submetido a uma cirurgia no ombro, em Brasília no dia anterior, sem intercorrências.

De acordo com o novo boletim médico divulgado ao meio dia deste sábado, o Bolsonaro “apresentou boa evolução e bom controle álgico [da dor]”.

Ainda de acordo com a equipe médica, o ex-presidente seguirá internado com medidas de prevenção de trombose e iniciará um protocolo de reabilitação motora e funcional.

A publicação é assinada pelo ortopedista e cirurgião de ombro, Alexandre Firmino Paniago; o cirurgião geral, Claudio Birolin; os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado; e o diretor geral do hospital privado, Allisson B. Barcelos Borges.

Prisão domiciliar

A autorização para o procedimento cirúrgico foi concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes – responsável pela execução penal do ex-presidente.

O ex-presidente foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão na ação penal da trama golpista.

Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, de 24 de março, Bolsonaro está em prisão domiciliar humanitária, após deixar o mesmo hospital privado da capital federal, onde esteve internado para tratar um quadro de pneumonia bacteriana.

Conforme a decisão de Moraes, a domiciliar tem prazo inicial de 90 dias. Após o prazo, a manutenção do benefício deverá ser reanalisada pelo ministro, que poderá solicitar nova perícia médica.

Antes da decisão que autorizou a prisão domiciliar, Bolsonaro cumpria pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. O local é conhecido como Papudinha.

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