Escanteado no PL, o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Estado João Henrique Catan oficializou neste domingo (8) sua mudança para o Novo.
A mudança já havia sido comunicada por Catan durante sessão na Assembleia Legislativa na última quinta-feira. Eleito em 2022 com 25.914 votos, destacou que a "onda laranja" - referência a cor do novo partido - vai tomar Mato Grosso do Sul.
Desafeto antigo do governador Eduardo Riedel e de Reinaldo Azambuja, o deputado deixa o PL por entender que bolsonaristas perderam espaço no antigo partido. Em referência aos ex-companheiros, disse que o Estado precisa de gente com "verdade" e que "tenha lado". A assinatura de filiação ao partido contou até mesmo com direito a "fumaça laranja".
"Nossas lideranças, nossos colegas, os militantes da direita de Mato Grosso do Sul foram perdendo seu protagonismo, sempre foram escanteados, para não dizer utilizados ou sub-aproveitados. E, estando eu em conexão com meu público, com a direita que deseja um novo caminho para Mato Grosso do Sul, venho comunicar vossa excelência e meu líder, deputato Coronel David, que estarei deixando as fileiras do Partido Liberal para encontrar um novo caminho para Mato Grosso do Sul", disse na última sessão.
Racha no partido
Na eleição de 2022, tanto Riedel quanto Azambuja eram do PSDB e por conta disso o deputado alega que eles não representam o que ele chama de "verdadeira direita".
Recentemente o ex-governador e o governador se encontraram com Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL, dias depois das polêmicas informações envolvendo o deputado federal Marcos Pollon (PL).
Na primeira, veio a público uma anotação do próprio FLávio Bolsonaro dizendo que Pollon havia exigido R$ 15 milhões para abrir mão da disputa ao Senado, vaga que foi prometida a Reinaldo Azambuja. No dia sequinta, Flávio veio a público dizendo que as anotações eram somente para que ele se lembrasse de avisar a Pollon que existiam comentários de que ele estaria exigindo este pagamento.
Depois disso, porém, Michele Bolsonaro divulgou uma carta de Jair Bolsonaro na qual ele dizia que seu candidato a senador em Mato Grosso do Sul era Marcos Pollon. Esta carta foi interpretada como sendo uma traição da família Bolsonaro a Azambuja, já que acordo anterior havia previsto que Azambuja e o Capitão Contar fossem os candidatos da direita ao Senado.
Janela
O anúncio de Catan ocorreu no primeiro dia para que deputados troquem de partido sem correrem o risco de perderem o mandato. E, conforme o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro, nas próximas semanas devem ocorreram várias mudanças semelhantes.
Dos 24 parlamentares, quase a metade deve trocar de partido e o PL, agora comandado por Reinaldo Azambuja, deve ter o maior número de filiações.
A previsão é de que receba os tucanos Mara Caseiro, Zé Teixeira e Paulo Corrêa . Além disso, Marcio Fernandes (MDB) e Lucas de Lima (sem partido) devem ter o mesmo destino. Assim, apesar de perder Catan, o PL ficaria com sete deputados, pois contina com Neno Razuk e Coronel David.
Jamilson Name, por sua vez deve se filiar ao PP, se juntando a Londres Machado e Gerson Claro. Outro que deve mudar de sigla é Paulo Duarte, que deve deixar o PSB e se filiar ao PSDB. Pedrossian Neto também estuda a trocar o PSD pelo Republicanos. Rinaldo Modesto, por sua vez, está de olho no Podemos.


