Política

eleições 2024

Ex-senador, Delcídio pretende voltar à vida política como prefeito de Corumbá

Natural da cidade, ele deve assumir a presidência do PDR no Estado e colocar-se como pré-candidato ao Executivo municipal

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Sem mandato desde 10 de maio de 2016, quando foi cassado pelo Senado, por 74 votos favoráveis, nenhum contrário e uma abstenção, o ex-senador Delcídio do Amaral, que, com a aprovação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da criação do Partido Renovação Democrática (PRD), resultado da fusão entre PTB e Patriota, será o presidente da nova legenda em Mato Grosso do Sul, pretende retornar a um cargo eletivo como prefeito de Corumbá, cidade onde nasceu no dia 8 de fevereiro de 1955.

Segundo fontes ouvidas pelo Correio do Estado, Delcídio do Amaral já teria confidenciado a pessoas próximas que será o pré-candidato da nova sigla a prefeito da cidade pantaneira nas eleições municipais de 2024, como forma de pagar uma dívida pessoal que teria como filho do município, cuja população sempre lhe apoiou nos anos em que foi senador.

O ex-senador acredita que seria o melhor nome para colocar Corumbá nos trilhos do desenvolvimento e devolver o município ao local de destaque que merece, pois tem um grande potencial turístico mal explorado, já que concentra a maior parte do Pantanal Sul-Mato-Grossense e não se aproveita de o fato de ser a porta de entrada no Brasil do gás boliviano e nem das inúmeras oportunidades disponibilizadas pela extração do minério de ferro.

O sonho de Delcídio do Amaral não está tão longe da realidade, afinal, nos últimos levantamentos de intenções de votos para prefeito realizados em Corumbá, o nome do ex-senador foi citado mesmo sem que ele tivesse ainda cogitado a possibilidade, tanto nas pesquisas espontâneas quanto nas estimuladas.
 

FACILITAÇÃO

Além disso, para facilitar ainda mais a possível candidatura de Delcídio a prefeito de Corumbá, o partido do atual prefeito, Marcelo Iunes (PSDB), que não poderá se candidatar à reeleição, está em pé de guerra no município, com uma disputa interna envolvendo o gestor, que pretende lançar o seu secretário municipal de Governo, Luiz Antônio da Silva, o Pardal, mas enfrenta a concorrência da ex-deputada federal Bia Cavassa e do vereador Luciano Costa.

Outro facilitador para a candidatura de Delcídio do Amaral é que um dos favoritos ao cargo de prefeito, o ex-deputado estadual Paulo Duarte (PSB), já se retirou da disputa, pois tem como missão coordenar as candidaturas de seu partido, do qual é o atual presidente, em Mato Grosso do Sul no próximo pleito.
Dessa forma, o maior adversário do ex-senador na disputa pela prefeitura de Corumbá em 2024 é o médico

Gabriel Alves de Oliveira (MDB), mais conhecido como Dr. Gabriel, que foi candidato a deputado estadual nas eleições do ano passado.

No momento, em função do atrito interno no PSDB, Dr. Gabriel aglutina os apoios de Paulo Duarte, Chicão Viana (PSD), Bia Cavassa e Luciano Costa, que pretendem lançá-lo como candidato do grupo. Nos bastidores, ele é cotado a trocar o MDB pelo PSB para ser o candidato dessas lideranças políticas.
 

AINDA É CEDO

Procurado pelo Correio do Estado, Delcídio do Amaral informou que “ainda é cedo para tomar uma decisão tão importante como a de sair candidato a prefeito de Corumbá”.

“O meu foco no momento é ajudar no fortalecimento do PDR em Mato Grosso do Sul, pois queremos lançar candidatos fortes em 2024”, revelou.

Porém, Delcídio reconheceu que tem sim uma dívida de gratidão com o município e, quem sabe um dia, poderá usar toda sua experiência como ex-senador da República, ex-secretário de Estado de Infraestrutura e Habitação na gestão de Zeca do PT e de ex-ministro de Minas e Energia na gestão do ex-presidente da República Itamar Franco para ajudar no desenvolvimento econômico de Corumbá.

O ex-senador disse ainda que o novo partido abre novas perspectivas, “não só na construção de uma legenda para chamar de nossa, mas uma sigla que vai atrair lideranças importantes de todas as regiões do Estado, como pessoas detentoras de mandato que desejam fazer política, mas que, dentro do status quo político de Mato Grosso, não conseguem avançar”.

Delcídio ressaltou ainda que alguns políticos poderão se aproveitar para trocar de partido antes da janela sem perder o mandato. “Nós temos um fundo partidário previsto de R$ 22 milhões ainda para este ano. Então, é um fundo que nos anos subsequentes nos criará condições para fazer política e consolidar o partido, que tem um projeto político para o Estado e para o Brasil”, garantiu. 

Ele também reforçou que será possível discutir a boa política e aquilo que é importante do ponto de vista de inovação, reformismo, renovação, quadros e propostas para Mato Grosso do Sul.

“Demorou, mas, com isso, a gente resgata a oportunidade de montar uma agremiação partidária que vai honrar os sul-mato-grossenses e os brasileiros e, ao mesmo tempo, também fazer um belo papel nas eleições municipais do próximo ano, elegendo vereadoras e vereadores e lançando candidatos a prefeito em vários municípios, olhando, principalmente, os municípios polos, sendo uma grande oportunidade de se consolidar novos quadros políticos”, afirmou. 

Registro

Alvo das operações Omertà e Armagedon, Jerson Domingos pode ter candidatura barrada

Ex-presidente do Tribunal de Contas disputa cadeira na Assembleia Legislativa

18/08/2026 17h15

Jerson Domingos, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado

Jerson Domingos, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Foto: Arquivo Correio do Estado

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Alvo de duas denúncias apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul e candidato a deputado estadual Jerson Domingos (União Brasil) pode ser barrado de disputar as eleições de 2026.

A impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral sustenta que ele estaria inapto a disputar uma vaga na Alems em razão da causa de inelegibilidade prevista no artigo 17, § 4º, da Constituição Federal, dispositivo que veda aos partidos políticos a utilização de organização paramilitar.

Ele é apontado como integrante de um núcleo responsável por providenciar armas e a logística necessária para ações criminosas. Segundo a acusação, Jerson, que é cunhado de Jamil Name e tio de Jamilson Name, teria recebido, juntamente com Cinthya Name Belli, ordens para adotar providências relacionadas à aquisição de armas, veículos e contratação de executores. 

Jerson foi denunciado na segunda fase da Omertà por supostamente praticar o crime de impedimento ou embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa. 

Já na terceira fase da operação, a Armagedon, foi denunciado por integrar organização criminosa armada e por tráfico de armas de fogo. 

As investigações também resultaram em apreensões de armas e munições em quatro imóveis ligados a Jerson durante a segunda fase da Operação Omertà, deflagrada em março de 2020. 

A Procuradoria também recupera episódios anteriores da trajetória política de Jerson Domingos para sustentar a impugnação.

Entre eles está uma ocorrência registrada em dezembro de 2009, quando o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu imagens de um cambista ligado ao jogo do bicho circulando nas dependências da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) com um crachá de visitante emitido em nome do ex-presidente do TCE. 

À época, Jerson afirmou desconhecer a situação e disse que tomaria providências. O episódio posteriormente deu origem a uma ação penal por contravenção relacionada ao jogo do bicho. 

Diferentemente do sobrinho Jamilson Name condenado a oito anos pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, Jerson não possui condenação definitiva.

Em abril de 2024, a 1ª Vara Criminal de Campo Grande determinou o desmembramento dos processos em relação a ele e encaminhou cópias ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), diante do entendimento de que conselheiros de tribunais de contas possuem prerrogativa de foro.

Os casos passaram a tramitar na Corte Especial do STJ, sob relatoria do ministro Luis Felipe Salomão. Ele deixou a corte em novembro de 2025 ao atingir a idade limite de 75 anos, aposentando-se compulsoriamente. 

Na impugnação, a Procuradoria pede que, caso os requeridos não apresentem defesa em sete dias, seja realizado o julgamento antecipado do mérito, com o consequente indeferimento do registro de candidatura de Jerson Domingos.

Impugnação

Procuradoria eleitoral quer barrar candidatura de dono de faculdade paraguaia

Doação irregular realizada em 2020 pode impedir Carlos Bernardo de disputar cadeira no Congresso pela 2ª vez

18/08/2026 15h30

Pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara

Pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara Foto: Reprodução / União Brasil

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Pela segunda vez em quatro anos, a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul pode barrar a candidatura de Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal e fundador da Faculdade de Medicina da Universidade Central do Paraguai em Pedro Juan Caballero, cidade fronteiriça a Ponta Porã, interior do Estado. 

O pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara-GO em 2020. Em decisão colegiada, a Justiça determinou à época que o repasse ultrapassou o limite legal de 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador em 2019.

Com base na declaração de imposto de renda, Carlos Bernardo poderia doar até R$ 20.767,55, contudo, o repasse ultrapassou em R$ 69.223,45 o limite permitido. 

Na ocasião, ele foi apontado como o maior doador da campanha de Rogério Rezende, valor que correspondeu a 26,58% da arrecadação total do candidato e 300% do que ele poderia doar.

Conforme a alegação do procurador Silvio Pettengill Neto, a doação "não deveria existir na realidade da
campanha eleitoral do beneficiário, de modo que a sua simples existência na conta bancária de candidato ou partido beneficiado, por óbvio, acarretou o desequilíbrio entre os candidatos em disputa."

De acordo com o Portal DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, a doação aconteceu às vésperas do primeiro turno, 13 de novembro, dois dias antes do pleito. Rogério Rezende foi derrotado nas urnas. 

Desse modo, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul reconheceu a irregularidade, ratificou a sentença do juízo da 52ª zona eleitoral e impediu Carlos Bernardo de disputar as eleições há quatro anos, quando lançou-se candidato a deputado federal pelo MDB. 

"A Lei Complementar n. 64/1990, ao regulamentar as hipóteses de inelegibilidade infraconstitucionais, estabelece no art. 1º, inc. I, al. p, que 'são inelegíveis (...) para qualquer cargo (...) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22'”.

Apesar da decisão colegiada impedir a candidatura de Carlos Bernardo por oito anos, ele disputou a prefeitura de Ponta Porã em 2024.

Na ocasião, a Justiça entendeu que a doação irregular realizada por ele ao candidato goiano não impactaria diretamente a disputa pela prefeitura ponta-poranense. Cabe recurso.

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