Política

CrowdTangle

Fim de ferramenta de acesso de dados do Facebook vai afetar eleições em MS

O aparato ajudava na verificação de fatos, como seguir, analisar, registrar, entre outros, o que acontece nas redes sociais

Continue lendo...

Às vésperas das eleições municipais deste ano, o CrowdTangle, ferramenta que permite de forma gratuita o monitoramento de redes sociais, como a análise e o registro do que acontece nesses ambientes on-lines, ficará indisponível a partir do dia 14  de agosto, conforme anúncio da Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp.


O comunicado causa preocupação para especialistas do segmento político, pois vai restringir o acesso a dados faltando menos de dois meses para o primeiro turno das eleições municipais.


Afinal, o CrowdTangle é uma ferramenta de informações públicas do Facebook muito utilizadas por publicitários, jornalistas, pesquisadores e verificadores de fatos, uma vez que auxilia na localização e no rastreamento 


de publicações com desinformações e discursos de ódio, entre outras finalidades.
Segundo o advogado eleitoralista Douglas de Oliveira, que é mestre em Direito e membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), a mudança afetará a análise sobre conteúdos que circulam nas redes da Meta.


“A informação de que a Meta deixará de disponibilizar a ferramenta CrowdTangle 
às vésperas das eleições deste ano deve ser interpretada como um retrocesso no monitoramento e no combate das campanhas de desinformação e propaganda eleitoral irregular durante o pleito deste ano”, afirmou o especialista.


Oliveira complementou que a ferramenta detém importante papel de democratização da informação, sobretudo no período eleitoral, pois permite de forma gratuita e acessível aos usuários da Meta o monitoramento das suas redes sociais, especialmente para evidenciar a existência de campanhas de desinformação, isto é, de fake news, ou propaganda eleitoral irregular, na medida em que facilita seguir, analisar e reportar o que acontece com os conteúdos públicos on-lines.


“Em um momento em que o Tribunal Superior Eleitoral [TSE] noticia a inauguração do Centro Integrado de Combate à Desinformação para as eleições, vinculado especialmente à Corte, a Meta caminha em sentido contrário, ao comunicar a desativação dessa ferramenta”, lamentou.


O advogado eleitoralista reforçou que a situação tende a dificultar a identificação de campanhas de desinformação e propaganda eleitoral irregular pelos próprios eleitores, que detinham condição 
de fazê-lo por meio da ferramenta CrowdTangle.


Oliveira salienta que essa pauta se trata de um retrocesso justamente na era da democratização da informação, uma involução que, para o advogado eleitoralista, certamente terá reflexos nas eleições.

ENTENDA O CASO


No comunicado emitido pela Meta, a empresa informou que os seus produtos de compartilhamento de dados estão evoluindo juntamente às mudanças tecnológicas e regulatórias.


“A eliminação progressiva do CrowdTangle nos permitirá concentrar recursos em nossas novas ferramentas de pesquisa, Meta Content Library e Content Library API, que fornecem dados úteis e de alta qualidade aos pesquisadores”, disse a empresa.


“A Meta Content Library foi projetada para nos ajudar a atender aos novos requisitos regulatórios de compartilhamento de dados e transparência, ao mesmo tempo em que atendemos aos rigorosos padrões de privacidade e segurança da Meta”, adicionou.


As novas ferramentas de pesquisa estarão disponíveis com o ICPSR, sigla em inglês para Consórcio Interuniversitário para Pesquisa Política e Social, da Universidade de Michigan, dos EUA.
Conforme a companhia, 


os usuários terão até 14 de agosto para fazer o download de dados que desejem. Pesquisadores que realizem “estudos científicos ou de interesse público e mantêm uma afiliação a uma instituição acadêmica ou sem fins lucrativos qualificada” podem solicitar o acesso à Meta Content Library.


A Meta comunicou que as organizações de verificação de fatos que trabalham com a empresa, a fim de identificarem informações incorretas nas suas plataformas, já estão sendo integradas à Meta Content Library.

Saiba

Meta já dava sinais há anos sobre decisão

Ao longo dos últimos três anos, a Meta deu diversos sinais de que pretendia encerrar o CrowdTangle. 
Em meados de 2021, a equipe que trabalhava com a ferramenta dentro da Meta foi desmantelada e assinalada para outros projetos. Ex-CEO do CrowdTangle, Brandon Silverman deixou a empresa em outubro daquele ano. Em janeiro de 2022, a Meta deixou de aceitar novos usuários no CrowdTangle. 


A Meta também rescindiu um contrato de US$ 40 mil com pesquisadores para entender discussões públicas ao redor da pandemia de Covid-19.

Assine o Correio do Estado

Defensiva

Defesa nega base para MPE impugnar candidatura de Jamilson Name

Name é alvo da Operação Omertà e condenado em primeira instância a oito anos de prisão

17/08/2026 18h00

Deputado estadual Jamilson Name

Deputado estadual Jamilson Name Divulgação

Continue Lendo...

A defesa do deputado estadual Jamilson Name (PP) rechaçou as chances de o pedido Ministério Público Eleitoral (MPE) impugnar o registro de sua candidatura. 

A impugnação foi protocolada neste domingo (16) pelo procurador regional eleitoral Silvio Pettengil Filho e distribuída ao desembargador Sérgio Fernandes Martins, vice-presidente e corregedor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Name busca reeleição em 2026. 

Name é alvo da Operação Omertà e condenado em primeira instância a oito anos de prisão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A sentença, proferida em janeiro de 2025 e está sob recurso.

Ao Correio do Estado, o advogado Valeriano Fontoura destacou que apesar da condenação em primeira instância, Jamilson Name não se enquadra na alegação uma vez que o critério utilizado para solicitar a impugnação, segundo ele, não se aplica.

"O pedido tem como base o Artigo 17, parágrafo 4 da Constituição Federal, o que se aplicaria a organizações paramilitares, a condenação em primeira instância a qual o deputado responde é sobre o campo da contravenção e lavagem de dinheiro", disse Fontoura. 

À reportagem, destacou que a defesa deve se manifestar ao longo desta semana. 

O MPE sustenta que, embora a condenação não seja definitiva, as provas reunidas durante a Operação Omertà seriam suficientes, para fins eleitorais, para demonstrar sua vinculação com uma organização criminosa e justificar o impedimento de sua candidatura.

Jamilson foi alvo da sexta fase da Operação Omertà, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em dezembro de 2020.

Segundo a acusação, ele teria exercido papel de liderança na estrutura ligada à exploração ilegal do jogo do bicho, especialmente na administração financeira da organização.

À época, Jamilson Name foi apontado como líder da organização com atividades ligadas à empresa Pantanal Cap, apontada pela acusação como instrumento utilizado para misturar recursos de origem lícita com valores provenientes do jogo do bicho.

O MPE também sustenta que ele passou a exercer maior autonomia e influência após a prisão do pai, Jamil Name, e do irmão, Jamil Name Filho.

O patriarca morreu em 2021, vítima da Covid-19, enquanto cumpria pena no presídio federal de Mossoró (RN), prisão onde Jamil Name Filho, que também foi preso no âmbito das investigações da Omertà, segue detido.

Na ação eleitoral, o procurador adota como fundamento a necessidade de preservar a legitimidade do processo eleitoral diante de possíveis vínculos com organizações criminosas. Pettengil ressalva que o pedido não representa antecipação de uma condenação criminal.

“Necessário ressalvar que não se busca, no caso, antecipar o juízo de condenação criminal ou afastar a garantia constitucional da presunção de inocência.”

Na sequência, o procurador sustenta que o precedente utilizado pelo Ministério Público Eleitoral não exige uma condenação criminal definitiva, mas considera a “necessidade de proteção do processo eleitoral contra a influência de organizações criminosas.”

A acusação aponta ainda que, após as prisões de Jamil Name e Jamil Name Filho, ele teria ampliado sua atuação dentro da organização.

Jamilson foi condenado em primeira instância pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Como a decisão está sob recurso, não houve trânsito em julgado da condenação.

Para o Ministério Público Eleitoral, a análise do pedido de impugnação ocorre em âmbito eleitoral e, por isso, as provas produzidas na Operação Omertà poderiam ser consideradas suficientes para avaliar os riscos à legitimidade do processo eleitoral, independentemente da conclusão definitiva da ação penal.

O pedido será analisado pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul, sob relatoria do desembargador Sérgio Fernandes Martins. Até a publicação desta matéria, a candidatura de Name segue em vigor.

Revogação

Ministério Público Eleitoral pede impugnação de candidatura de Jamilson Name, réu na Omertà

Deputado foi condenado a oito anos de prisão; sentença está sob recurso

17/08/2026 16h00

Deputado Jamilson Name

Continue Lendo...

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a impugnação do registro de candidatura do deputado estadual Jamilson Name (PP), alvo da Operação Omertà e condenado em primeira instância a oito anos de prisão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A sentença, proferida em janeiro de 2025 e está sob recurso.

A impugnação foi apresentada neste domingo (16) pelo procurador regional eleitoral Silvio Pettengil Filho e distribuída ao desembargador Sérgio Fernandes Martins, vice-presidente e corregedor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Name busca reeleição em 2026. 

O MPE sustenta que, embora a condenação não seja definitiva, as provas reunidas durante a Operação Omertà seriam suficientes, para fins eleitorais, para demonstrar sua vinculação com uma organização criminosa e justificar o impedimento de sua candidatura.

Jamilson foi alvo da sexta fase da Operação Omertà, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em dezembro de 2020. Segundo a acusação, ele teria exercido papel de liderança na estrutura ligada à exploração ilegal do jogo do bicho, especialmente na administração financeira da organização.

À época, Jamilson Name foi apontado como líder da organização com atividades ligadas à empresa Pantanal Cap, apontada pela acusação como instrumento utilizado para misturar recursos de origem lícita com valores provenientes do jogo do bicho. O MPE também sustenta que ele passou a exercer maior autonomia e influência após a prisão do pai, Jamil Name, e do irmão, Jamil Name Filho.

O patriarca morreu em 2021, vítima da Covid-19, enquanto cumpria pena no presídio federal de Mossoró (RN), prisão onde Jamil Name Filho, que também foi preso no âmbito das investigações da Omertà, segue detido.

Na ação eleitoral, o procurador adota como fundamento a necessidade de preservar a legitimidade do processo eleitoral diante de possíveis vínculos com organizações criminosas. Pettengil ressalva que o pedido não representa antecipação de uma condenação criminal.

“Necessário ressalvar que não se busca, no caso, antecipar o juízo de condenação criminal ou afastar a garantia constitucional da presunção de inocência.”

Na sequência, o procurador sustenta que o precedente utilizado pelo Ministério Público Eleitoral não exige uma condenação criminal definitiva, mas considera a “necessidade de proteção do processo eleitoral contra a influência de organizações criminosas.”

A acusação aponta ainda que, após as prisões de Jamil Name e Jamil Name Filho, ele teria ampliado sua atuação dentro da organização.

Jamilson foi condenado em primeira instância pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Como a decisão está sob recurso, não houve trânsito em julgado da condenação.

Para o Ministério Público Eleitoral, a análise do pedido de impugnação ocorre em âmbito eleitoral e, por isso, as provas produzidas na Operação Omertà poderiam ser consideradas suficientes para avaliar os riscos à legitimidade do processo eleitoral, independentemente da conclusão definitiva da ação penal.

O pedido será analisado pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul, sob relatoria do desembargador Sérgio Fernandes Martins. Até a publicação desta matéria, a candidatura de Name segue em vigor.

A reportagem entrou em contato com o deputado estadual e não obteve retorno até o fechamento. O espaço segue aberto. 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).