Política

NOVO PARTIDO

Fusão PTB-Patriota criará o Mais Brasil e Delcídio é cotado para liderá-lo em MS

O atual presidente do Patriota, deputado estadual Lidio Lopes, tem dito a interlocutores que não deve permanecer na sigla

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Para driblar a cláusula de barreira imposta pela legislação eleitoral, o PTB e o Patriota, após as eleições do ano passado, decidiram se juntar e fazer acordo de fusão, aguardando apenas a homologação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tornar o novo arranjo oficial, o que deve acontecer na primeira quinzena do mês de março.

Com o processo de fusão, eles vão dar lugar a uma nova legenda, o Mais Brasil, que terá como número de urna o 25 – atualmente o PTB usa o número 14, e o Patriota, o 51. As duas siglas decidiram se juntar logo após o primeiro turno das eleições de 2022, quando não atingiram sozinhas o número mínimo de parlamentares eleitos na Câmara dos Deputados nem a votação mínima exigida para superar a cláusula de desempenho. 

O Patriota elegeu quatro deputados federais, e o PTB, apenas um. Embora mesmo juntos não atinjam 11 parlamentares eleitos, eles conseguem somar 2% dos votos válidos no Brasil, outra opção válida para cumprir a cláusula de barreira. Em Mato Grosso do Sul, o ex-senador Delcídio do Amaral, atual presidente do diretório estadual do PTB, disse ao Correio do Estado que vai permanecer na nova legenda.

Já o atual presidente do diretório estadual do Patriota, deputado estadual Lidio Lopes, tem dito aos seus interlocutores que não deve seguir no Mais Brasil, pois a nova sigla não teria os mesmos princípios do seu partido. O Patriota surgiu em 2011 como Partido Ecológico Nacional (PEN) e só adotou o novo nome em 2017. 

Dois anos depois, em 2019, incorporou o Partido Republicano Progressista (PRP) para superar as exigências de desempenho previstas para as eleições de 2018. Agora, o Patriota vai se unir ao PTB, cuja origem remonta ao trabalhismo e à era Vargas, mas que passou a ser mais conservador a partir dos anos 1980, quando houve um racha na legenda que deu origem ao PDT de Leonel Brizola. 

Nos últimos anos, o PTB completou a guinada ao conservadorismo e à direita, fez parte da base de apoio do governo do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL) e até mudou suas tradicionais cores (preto, vermelho e branco) para as da bandeira do Brasil.
 

Deve ficar

Delcídio do Amaral declarou à reportagem que, entre o fim deste mês e a primeira quinzena de março, o TSE deve homologar a fusão do PTB com o Patriota, criando o Mais Brasil. “Em princípio, vou continuar no Mais Brasil”, afirmou, sem revelar se pretende assumir a presidência estadual do novo partido.

No entanto, pessoas próximas ao ex-senador disseram que a possibilidade de que ele assuma o comando da nova sigla em Mato Grosso do Sul é maior do que 90%, e, como já é dada como certa a saída de Lidio Lopes e da sua esposa, a prefeita de Campo Grande Adriane Lopes (Patriota), esse porcentual deve aumentar ainda mais.

O Correio do Estado entrou em contato com Lidio Lopes, mas ele não retornou até o fechamento desta edição. Porém, seus interlocutores dão como certa a saída dele do partido e a possível ida para o PP, da senadora Tereza Cristina, que chegou a confirmar à reportagem no fim de janeiro que convidou Adriane Lopes e seu marido para se filiarem ao partido, já de olho nas eleições municipais de 2024.

No entanto, a parlamentar revelou que esse convite foi feito entre o primeiro e o segundo turnos das eleições gerais do ano passado, quando a prefeita estava fechando apoio à candidatura de Eduardo Riedel para governador.

“Tive uma reunião, sim, com a prefeita Adriane entre o primeiro e o segundo turnos, quando discutimos vários assuntos, inclusive questões partidárias. Eu coloquei para ela que seria muito bem-vinda ao PP, caso fosse mudar de partido”, ressaltou Tereza Cristina.

A senadora eleita revelou ao Correio do Estado que depois dessa oportunidade nunca mais falou sobre esse assunto com a prefeita Adriane Lopes e nem com o esposo dela, o deputado estadual Lidio Lopes, que é o presidente estadual do Patriota. 

Porém, Tereza Cristina lembrou que, pelo fato de ser deputado estadual, Lidio Lopes tem janela partidária para trocar de legenda quando desejar. “Se depois ele tiver interesse de vir para o PP, nós teremos muito prazer em conversar sobre esse assunto com ele”, afirmou.


 
Deve sair

No fim do ano passado, Lidio Lopes declarou em entrevista de rádio que não via com bons olhos a fusão do seu partido com o PTB, que em Mato Grosso do Sul é comandado pelo ex-senador Delcídio do Amaral. Ele lamentou o fato, mas admitiu que era a única saída para Patriota e PTB atingirem a cláusula de barreira e, dessa forma, garantirem a sobrevivência política.

Lidio Lopes lembrou que pegou a legenda para ser construída em Mato Grosso do Sul e, hoje, graças a esse trabalho, o Patriota está presente em 73 municípios do Estado. “Além disso, tivemos chapa de vereadores em 55 municípios e, atualmente, somos o quarto maior partido do Estado em número de prefeitos, com cinco gestores municipais, incluindo a Prefeitura de Campo Grande, onde a Adriane Lopes assumiu o cargo.

Temos também 35 vereadores eleitos pelo Patriota e, proporcionalmente, Mato Grosso do Sul é o Estado onde a sigla tem mais prefeitos eleitos no Brasil”, pontuou. O parlamentar ressaltou que há um período de avaliação das questões partidárias. “Quando surge uma possibilidade de fusão, os parlamentares que já estão no mandato podem definir se permanecem ou vão para outra sigla”, informou, deixando transparecer que ele e a esposa poderiam migrar para outra sigla. 

“O grande problema de uma fusão é a ideologia partidária”, pontuou, lembrando que o Patriota é um partido que foi fundado com bases cristãs e familiares, pelos princípios de um partido de direita e com muito respeito pelo País.

TSE

Atualmente, o Brasil conta com 32 partidos políticos registrados no TSE. Além dos 18 pedidos de processo de criação de novas agremiações, tramitam atualmente na Corte solicitações de fusão e incorporação de legendas. Caso aprovados, serão três legendas a menos e o registro de uma nova.

Segundo o artigo 2º da Lei nº 9.096/1995, a Lei dos Partidos Políticos, “é livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos cujos programas respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana”.

Além disso, havendo fusão ou incorporação, devem ser somados exclusivamente os votos dos partidos fundidos ou incorporados obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, para efeito da distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do acesso gratuito ao rádio e à televisão.

Veja a diferença entre fusão e incorporação

A fusão ocorre quando dois ou mais partidos já existentes se unem, formando um novo. Já na incorporação, uma legenda vai adentrar outra, deixando aquela de existir. Os requisitos para os processos de fusão e incorporação estão previstos na Resolução do TSE nº 23.571/2018 e na Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995).

O novo estatuto do partido resultado de fusão ou o instrumento de incorporação deve ser levado a registro e averbado, respectivamente, no Ofício Civil e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

início da campanha

Maioria dos candidatos da direita no Estado "esconde" Flávio Bolsonaro

Eles estão priorizando as próprias candidaturas e deixando o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro em segundo plano

19/08/2026 07h40

Flávio Bolsonaro discursa sendo observado por Azambuja e Riedel

Flávio Bolsonaro discursa sendo observado por Azambuja e Riedel Marcelo Victor/Correio do Estado

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A maioria dos principais candidatos da direita e da centro-direita em Mato Grosso do Sul ainda não incorporou Flávio Bolsonaro (PL) à campanha eleitoral. Desde o início oficial da disputa, as publicações e as mobilizações estão concentradas nos próprios números, propostas e trajetórias políticas.

O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado, os candidatos a deputado federal Rose Modesto (União Brasil), Dr. Luiz Ovando (PP), Rodolfo Nogueira (PL) e Mara Caseiro (PL), além dos candidatos a deputado estadual Gerson Claro (PP), Coronel David (PL) e Zé Teixeira (PL), ainda não colocaram o presidenciável nas suas campanhas.

Riedel participou, no domingo, de adesivaços de aliados e da inauguração do QG de voluntários de Flávio Bolsonaro em Campo Grande. Apesar do gesto público, as manifestações divulgadas pelo governador permaneceram concentradas na própria reeleição e nas candidaturas estaduais.

Azambuja já apareceu ao lado de Flávio, participou de reuniões em Brasília (DF) e declarou apoio ao projeto nacional do PL. Na largada oficial, porém, priorizou o próprio número e propostas relacionadas ao municipalismo, à saúde e à descentralização dos recursos federais.

Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Gerson Claro abriu a campanha à reeleição com um adesivaço em Campo Grande. A comunicação do deputado foi dedicada à prestação de contas do mandato, ao diálogo político e às propostas para o Estado, mas Flávio não ganhou destaque na mobilização.

Rose Modesto também inaugurou comitê e realizou adesivaço para lançar sua candidatura a deputada federal. A presidente estadual do União Brasil apoia Riedel, Reinaldo e Contar, mas mantém distância da candidatura presidencial do PL; na pré-campanha chegou a declarar preferência pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).

Dr. Luiz Ovando iniciou sua campanha à reeleição para deputado federal com carreata e adesivaço em Campo Grande. Filiado ao PP e identificado com pautas conservadoras, o parlamentar concentrou a divulgação nos mais de R$ 286 milhões que afirma ter destinado aos municípios do Estado.

Nas primeiras peças da campanha de Ovando, o destaque ficou para o próprio número, as entregas do mandato e a sua atuação nos 79 municípios.

SILÊNCIO

A ausência de Flávio Bolsonaro chama mais atenção entre candidatos do próprio PL, como Coronel David, Rodolfo Nogueira, Zé Teixeira e Mara Caseiro. Até agora, o presidenciável não ganhou destaque nas primeiras ações do grupo.

Coronel David começou a campanha para deputado estadual ressaltando seus valores, sua trajetória e a identificação com o “partido de Bolsonaro”. A referência, porém, permanece ligada principalmente ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Rodolfo Nogueira abriu a campanha à reeleição em Dourados com um encontro de pastores e lideranças cristãs. O evento destacou o agronegócio, a segurança pública, a família e o próprio número do candidato.

O apelido Gordinho do Bolsonaro, utilizado por Rodolfo, também reforça a proximidade com Jair Bolsonaro. Flávio não foi protagonista do lançamento nem das primeiras mensagens divulgadas pelo candidato.

Veterano da Assembleia Legislativa, Zé Teixeira concentrou sua comunicação na defesa do agronegócio, do municipalismo e de sua trajetória parlamentar. Não houve publicação específica para promover o candidato presidencial do PL.

Mara Caseiro lançou a candidatura a deputada federal com o slogan “MS é Mara”. As primeiras peças destacam sua atuação nos municípios e o projeto de ampliar o trabalho em Brasília.

A deputada acompanhou Flávio durante uma agenda na Expogrande, em abril, quando defendeu o agronegócio e a união da direita. A aproximação registrada na pré-campanha, entretanto, ainda não apareceu nas primeiras ações da campanha oficial da candidata da direita.

Crescimento

Indústria naval supera patamar recorde de empregos de 2014

Paralelamente à construção naval, ganham espaço atividades associadas ao fim do ciclo de vida de unidades marítimas

18/08/2026 21h00

Foto: Divulgação

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A indústria de construção e reparação naval alcançou, em julho, o patamar de 86 mil trabalhadores empregados, superando o nível de 2014, quando 82.400 postos de trabalho eram gerados pelos estaleiros, antes do começo da última crise da indústria, afirmou nesta terça-feira, 18, o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha.

"O setor de reparo naval continua a ter boas perspectivas no Brasil, também com muitas obras de modernização e conversão de embarcações", pontuou durante a Navalshore, feira da indústria marítima no Rio de Janeiro.

O avanço não ocorreu de forma homogênea no país. O Norte foi apontado pelo Sinaval como uma das regiões que mais cresceram, beneficiado por novas obras e por iniciativas ligadas ao desenvolvimento tecnológico. Já o Nordeste apresentou evolução mais moderada, enquanto o Sudeste manteve forte participação, concentrando uma parcela significativa dos projetos em andamento

Paralelamente à construção naval, ganham espaço atividades associadas ao fim do ciclo de vida de unidades marítimas, como o desmantelamento e a reciclagem de embarcações e estruturas offshore.

"O FPSO P3-32 já foi reciclado e agora está sendo iniciado o desmantelamento do FPSO P-35, em Rio Grande (RS). Com a entrada em vigor, em julho do ano passado, da Convenção de Hong Kong para a reciclagem segura, nossa expectativa, inclusive, é muito positiva", acrescentou.

"Para assegurar este progresso nas atividades dos estaleiros e na cadeia de fornecedores de bens e serviços nacionais, será necessária a continuidade das obras e das políticas de Estado que estão sendo implementadas no Brasil, quaisquer que sejam os dirigentes", apontou.

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