Política

INVESTIGAÇÃO

Jamilson Name minimiza ameaças contra ele rastreadas pelo serviço de inteligência da Sejusp

Relatório diz que por trás de uma trama articulada contra o deputado estaria o irmão e um advogado que defende 'o PCC'

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Relatório produzido pela superintendência de inteligência da Sejusp, Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, revela uma suposta trama que impõe risco à vida do deputado estadual Jamilson Name, do PSDB.

A eventual conspiração contra o parlamentar teria a participação, conforme o diagnóstico da superintendência, tocada em caráter sigiloso, do irmão do deputado, hoje encarcerado em presídio federal em Mossoró (RN) e também de uma célula do PCC (Primeiro Comando da Capital), a mais famosa facção criminosa do Brasil.

O Correio do Estado confirmou com o deputado a existência da apuração confidencial. "Sei sim, fui notificado", resumiu o parlamentar, por telefone, na tarde desta sexta-feira (14).

Embora o relatório que foi entregue ao presidente da AL-MS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) indique risco à sua segurança, Jamilson disse não crer nas ameaças disparadas pelo próprio irmão.
Tanto que o deputado afirmou que não é intenção sua em reforçar a segurança pessoal.

De acordo com o documento da inteligência da superintendência, o ponto central do relatório que aponta eventual ameaça ao parlamentar seria um advogado criminalista que defendia Jamil Name Filho, o irmão do deputado, conhecido como Jamilzinho, que está preso.

Capturado no âmbito da Omertà, operação do Gaeco, do MInistério Público de MS, em setembro de 2019, Jamilzinho enfrenta denúncias por ser supostamente chefe de uma milícia armada.

O advogado em questão teria sido dispensado pelo deputado, e isso teria provocado ira no defensor e também no irmão do parlamentar.

De acordo com o relatório confidencial, Jamilson não queria mais que o advogado agisse na defesa do irmão porque quase todo o circulo da clientela dele seria ligado ao PCC, a facção criminosa.

O deputado disse ainda ter trocado o advogado do irmão por Nefi Cordeiro, famoso jurista, ex-ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), com escritório em Brasília.

Para reforçar a ideia de que não tem levado a sério a suposta ameaça do próprio irmão, o deputado disse que daqui a alguns dias deve viajar para Mossoró, onde pretende visitar Jamilzinho.

O Correio do Estado não teve acesso ao relatório, mas ouviu pessoas que o leram, incluindo o deputado.
Num trecho do relatório, é transcrito uma eventual fala do irmão preso que, contrariado com a demissão de seu advogado, teria dito que o irmão "uma hora vai cair".

Para o parlamentar, o relatório da superintendência foi sustentado na versão do advogado, não do irmão.

A assessoria de imprensa do presidente da AL-MS, Gerson Claro, do PP, que recebeu o documento, informou que o parlamentar estava viajando na tarde nesta sexta-feira e que ele retornaria na segunda-feira (17).
 

 

Reforço

Em meio a crise, STF reforça esquema de segurança para o Sete de Setembro

Esquema será o mesmo utilizado em anos anteriores

04/09/2026 23h00

Foto: Divulgação / STF

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Em meio à crise interna protagonizada por André Mendonça e Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai reforçar a segurança em torno da sede, em Brasília, para o Sete de Setembro. O esquema será o mesmo utilizado em anos anteriores e em grandes eventos que possam colocar as instalações da Corte em risco.

O planejamento de segurança está sendo realizado de forma integrada entre o tribunal, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o Comando Militar do Planalto, as Forças Armadas, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Palácio do Planalto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), as forças de segurança do DF e outros órgãos.

Segundo informações do STF, a atuação conjunta contempla compartilhamento de inteligência, avaliação de riscos e definição coordenada de efetivos, áreas de responsabilidade, revistas, bloqueios, restrições do espaço aéreo e monitoramento de drones. Ainda de acordo com o tribunal, serão adotadas "as medidas de reforço necessárias" nas áreas de atuação do tribunal

O esquema de segurança coordenado com outros órgãos de segurança vem sendo adotado pelo STF nos últimos anos e se intensificou a partir do 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas na tentativa de golpe de Estado. Para este ano, o aparato já tinha sido pensado antes da crise se instalar no tribunal.

No início da semana, Mendonça enviou para o presidente, Edson Fachin, um relatório da Polícia Federal com indícios de uma ligação pouco republicana entre Moraes e Daniel Vorcaro. Em resposta, Moraes pediu para Fachin a abertura de uma investigação contra Mendonça por ter supostamente adotado procedimentos irregulares na condução do caso.

Brasília

Fachin diz que gravidade dos fatos não autoriza atalhos

Lula critica vazamentos seletivos e alerta para riscos à democracia

04/09/2026 21h00

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, garantiu, nesta sexta-feira (4), em Brasília, que será dentro da legalidade a resposta do Judiciário brasileiro aos fatos relacionados a supostas irregularidades na condução do caso do Banco Master e ao vazamento de trocas de mensagens entre o também ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário! Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo [legal] e as garantias constitucionais”, afirmou o ministro Edson Fachin.

Diante da crise no Poder Judiciário acentuada nesta semana, o presidente da Suprema Corte prometeu que a apuração dos fatos seguirá os procedimentos estabelecidos pela Constituição Federal e pelo ordenamento jurídico.

“Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, declarou o presidente do STF.

O ministro Edson Fachin também reiterou a necessidade de as instituições da República serem preservadas, sobretudo em momentos de maior tensão. Ele frisou que nenhuma autoridade e nenhum Poder da República estão acima da Constituição Federal, pois “nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito”.

As declarações foram dadas no Palácio do Planalto, durante o evento de sanção de leis que criam fundos para aperfeiçoamento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público da União (MPU), para aumentar as fontes de recursos, com o objetivo de modernizar as instituições e ampliar o acesso da população à Justiça.

Igualdade

No mesmo evento no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a aplicação da legislação brasileira deve ser a mesma para todos os cidadãos.

“Ninguém, em nome da Democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém! Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira, vale para uma médica”, afirmou o presidente Lula. 

Para Lula, todos devem estar subordinados aos mesmos trâmites da legislação. "Afinal de contas, ela [a lei] vale para todos”, afirmou.

Vazamentos seletivos

Dirigindo-se ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente da República cobrou transparência para contornar a crise, sob pena de o Poder Judiciário perder a credibilidade da opinião pública. 

“O que nós não podemos, neste país, é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos e econômicos. Não é possível”, lamentou Lula.

O presidente Lula apontou que esses vazamentos colocam em risco a democracia brasileira. 

“Estamos vivendo uma época muito perigosa. O denuncismo, as fake news, os vazamentos [de dados de investigações] não contribuem com a democracia”.

Entenda a crise

Nesta semana, o ministro do STF André Mendonça enviou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o pedido de abertura de inquérito contra o ministro do Supremo Alexandre Moraes, após relatório da Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraudes no Banco Master.

Em resposta, nesta quarta-feira (3), Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra a atuação do Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, da Polícia Federal.

Horas antes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação da investigação sobre conversas de Moraes e Vorcaro.

Nesta sexta-feira, o presidente do Supremo estabeleceu o prazo de cinco dias para que o ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestem sobre o caso.

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