Política

DECISÃO JUDICIAL

Juiz nega bloqueio de bens de Waldir Neves, investigado por corrupção

Conselheiro do TCE-MS, que desde o ano passado é monitorado por tornozeleira e não pode ir ao trabalho, é acusado por corrupção

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Juiz da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, Ariovaldo Nantes Corrêa, negou ao menos "por ora" o bloqueio dos bens do conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul), Waldir Neves, investigado por suposto crime de corrupção por meio de fraude em processo licitatório.

Pelo mesmo crime, os conselheiros Waldir Neves, Iran Coelho das Neves e Ronaldo Chadid foram afastados dos cargos em dezembro passado por seis meses por deliberação do STJ (Superior Tribunal de Justiça). 

O TCE-MS é integrado por sete conselheiros. Sem os três, as vagas foram preenchidas interinamente por auditores da corte fiscal.

A decisão do magistrado estadual tem a ver com a ação popular movida pelo ex-secretário-geral do MPC-MS (Ministério Público de Contas) e advogado Ênio Martins Murad.

Na ação, o ex-secretário pede punição ao conselheiro Waldir e que eles e os supostos envolvidos na licitação devolvam uma soma milionária que teria sido desviada do TCE.

""Verifica-se, que em 4 anos [de 2018 a 2022], a contratação ora impugnada saltou de R$ 21,5 milhões para R$ 102,1 milhões, além disso, a empresa de informática ora ré repassou R$ 39 milhões para 38 pessoas e empresas suspeitas, além de pagar contas pessoais do réu Conselheiro do TCE/MS [Waldir]", diz trecho da ação.

Dataeasy Consultoria e Informática Ltda é a empresa que venceu a licitação e que teria se implicado no suposto esquema de fraude licitatório.

Na ação popular, movida na justiça estadual, o advogado propôs primeiro a denuncia contra o conselheiro Waldir Neves Barbosa, a empresa Dataeasy Consultoria e Informática Ltda., Parajara Moraes Alves Júnior, Douglas Avedikian, os dois ex-servidores do Tribunal de Contas. Depois pediu a inclusão de outras 12 pessoas e o recurso foi aceito pelo juiz Ariovaldo Nantes Corrêa.

RELAÇÃO

O magistrado mandou incluir no rol dos denunciados o conselheiro Iran Coelho das Neves - até então investigado pelo STJ - e outras 11 pessoas, entre os quais, empresários e ex-servidores do TCE, que são:
Murilo Moura Alencar, Paulo Antonio Morandi de Queiroz, Ricardo da Costa Brockveld, Ronaldo Solon de Pontes Teixeira Pires, Aben Keller Rodrigues Alves, Rolando Moreira Lima Bonaccorsi, Willian das Neves Barbosa Yoshimoto, Marcelino de Almeida Menexes, Ricardo Murilo Pereira do Monte e Rafael Manella Martinelli.

PEDIDO NEGADO

Quanto ao pedido de bloqueio dos bens, pleiteado pelo ex-secretário do MPC, o juiz assim se manifestou na decisão:

"... não há notícias ou indícios de que os requeridos estejam se desfazendo ou dilapidando seu patrimônio de forma a se esquivarem de eventual condenação de ressarcimento ao erário e os fatos indicados na inicial estão sendo também objetos da Cautelar Inominada Criminal nº 81/DF junto ao Superior Tribunal de Justiça, na qual foi deferido o afastamento de alguns dos requeridos de seus cargos como Conselheiros do TCE/MS, dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos mesmos, além da utilização de tornozeleira eletrônica por parte deles (fls. 40-133), o que leva a crer que eventual movimentação suspeita será objeto de observação pelos órgãos de investigação, afastando, ao menos por ora, a urgência necessária para determinação do bloqueio como pretendido pelo requerente [Ênio Murad]".

Ainda conforme o magistrado, os comprometidos na ação, tem prazo para se defenderem:

"Citem-se os requeridos para apresentarem contestação no prazo de 20 dias".

MEDIDAS TOMADAS

Depois do afastamento dos conselheiros, o atual presidente do TCE-MS, Jerson Domingos, pôs fim ao contrato entre a corte fiscal e a empresa de informática.

De acordo com a decisão do STJ, os três conselheiros afastados devem ser monitorados pela tornozeleira e nem sequer podem entrar no prédio do TCE-MS.

No período do afastamento, em 8 de dezembro do ano passado, por meio dos advogados que os defendem os conselheiros negaram irregularidades ou envolvimento na suposta fraude ao processo licitatório e ainda em desvio de recursos do tribunal.

OUTRO LADO

Já quanto à decisão da justiça estadual, os conselheiros Waldir e Iran ainda não se manifestaram. No entanto, assim que quiserem se pronunciar suas versões aqui serão publicadas.

 

 

 

eleições 2026

Adesivo eleitoral pode levar à perda da cobertura de seguro

Seguradoras alertam sobre mudanças no veículo durante campanhas

10/08/2026 14h30

Carros que colocarem adesivos eleitorais devem avisar a seguradora previamente

Carros que colocarem adesivos eleitorais devem avisar a seguradora previamente Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

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Motoristas que pretendem adesivar veículos com propaganda eleitoral ou utilizá-los em atividades de campanha nas eleições 2026 devem informar previamente a seguradora para evitar problemas em caso de sinistro. O alerta é da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Segundo a vice-presidente da Comissão de Seguro Auto da entidade, Keila Farias, a adesivação com material eleitoral e o uso do automóvel em atividades de campanha podem ser considerados pelas seguradoras como aumento de risco, devido à maior exposição a acidentes, vandalismo e circulação em eventos públicos.

A FenSeg acrescenta que mudanças no perfil de uso do veículo sem atualização da apólice podem resultar em recusa de indenização por roubo, furto ou colisão.

As seguradoras argumentam que a utilização do carro para transporte de material de campanha, deslocamento de equipes ou atividades de apoio altera as condições avaliadas quando o contrato foi firmado.

A entidade também destaca que danos a adesivos, plotagens e envelopamentos geralmente não estão cobertos pelos seguros convencionais. Além disso, prejuízos decorrentes de tumultos, motins e atos de vandalismo costumam estar entre as exclusões previstas nos contratos.

Como evitar a perda da cobertura

  • Informar a seguradora antes de adesivar o veículo
  • Comunicar qualquer mudança na utilização do carro durante a campanha eleitoral
  • Consultar o corretor de seguros antes de prestar serviços a candidatos ou partidos
  • Solicitar um endosso para registrar formalmente a alteração na apólice, quando necessário
  • Verificar se o envelopamento exige atualização do registro do veículo junto ao Detran
  • Conferir quais danos e situações estão excluídos da cobertura contratada

COSTURA POLÍTICA

Secretário diz que acordo entre Azambuja e Nelsinho pode redesenhar disputa de 2028

Walter Carneiro Jr. reforça que aliança não é apenas eleitoral e vê condições para grupo permanecer unido no próximo pleito

10/08/2026 07h35

Walter Carneiro Júnior é o titular da Casa Civil do Estado

Walter Carneiro Júnior é o titular da Casa Civil do Estado Foto: Reprodução

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O acordo político que colocou o senador Nelsinho Trad (PSD) como primeiro-suplente de Reinaldo Azambuja (PL) na disputa pelo Senado pode ultrapassar as eleições deste ano e influenciar diretamente a formação das alianças para o pleito municipal de 2028.

A avaliação é do secretário de Estado da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, completando que a composição entre o ex-governador e o senador não deve ser vista apenas como uma solução para acomodar as forças políticas que integram a base do governador Eduardo Riedel (PP) na eleição deste ano, mas como parte de uma aliança com potencial para permanecer unida nos próximos pleitos.

"Esse time político não se uniu agora, há muito tempo já caminham juntos. O que está sendo construído é algo maior do que uma composição eleitoral pontual", afirmou ao Correio do Estado.

A declaração ganha peso diante do novo desenho político estabelecido após Nelsinho desistir da tentativa de reeleição ao Senado e aceitar ocupar a primeira-suplência de Azambuja.

A movimentação aproximou ainda mais duas das principais forças políticas da base governista e abriu espaço para que o entendimento firmado neste ano seja reproduzido nas eleições seguintes.

Walter Carneiro Jr. não confirmou, porém, nenhum acordo envolvendo nomes ou candidaturas para 2028. Segundo o secretário, a composição atual cria condições políticas para a continuidade da aliança, mas eventuais definições sobre a próxima eleição deverão ocorrer mais adiante.

"Vejo esse entendimento como um gesto de maturidade política. Reinaldo e Nelsinho estão demonstrando que é possível colocar o projeto de Estado acima das disputas individuais", declarou.

Para Carneiro Jr., a união de lideranças com experiência e presença política permite construir uma base que pode se consolidar ao longo do tempo e alcançar futuras eleições.

Além da perspectiva de continuidade da aliança, ele revelou que um dos principais fatores que pesou na desistência de Nelsinho foi um obstáculo jurídico envolvendo a candidatura à reeleição pelo PSD e a permanência do partido na coligação encabeçada por Riedel.

"O governador validou uma decisão tomada pelos nove partidos que fazem parte da nossa coligação, foi uma decisão colegiada apresentada pelos presidentes de partido. Uma decisão de cunho muito pessoal do senador Nelsinho, que enxergou um cenário muito difícil quando foi colocado que, juridicamente, ele não teria como disputar a reeleição pelo PSD coligado com a chapa encabeçada pelo governador Eduardo [Riedel]. Talvez esse tenha sido o maior entrave", explicou.

Walter Carneiro Jr. classificou a decisão de Nelsinho como um "ato de grandeza", por abrir mão de um projeto individual em favor da manutenção da unidade política.

A nova composição também amplia o espaço de Azambuja na campanha pela reeleição de Riedel. O secretário não chegou a apontar formalmente o ex-governador como coordenador político da campanha, mas deixou claro que ele terá posição estratégica.

"Ele já é o nome escolhido da nossa coligação para representar Mato Grosso do Sul no Senado. Trata-se de uma liderança política consolidada, com ampla experiência administrativa e reconhecida capacidade de diálogo e articulação", afirmou.

Na avaliação de Carneiro Jr., caso seja eleito, Azambuja também poderá desempenhar papel importante na articulação da bancada federal do Estado.

Ele afirmou ainda que os nove partidos reunidos em torno de Riedel caminharão com um único candidato à Presidência da República. "Em Mato Grosso do Sul, a realidade política é diferente, nossa base política de centro-direita está unida e caminhará de forma coesa. Teremos um único candidato à Presidência da República, que é o Flávio Bolsonaro [PL]", declarou.

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