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Juiz suspende eleição do comando do União Brasil em Mato Grosso do Sul

A presidente estadual da legenda, senadora Soraya Thronicke, excluiu os nomes de várias lideranças do partido no Estado

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O juiz Fábio Saad Peron, da 15ª Vara Cível de Campo Grande, suspendeu, na tarde de ontem, a eleição para a escolha do comando regional do União Brasil em Mato Grosso do Sul.

A senadora Soraya Thronicke, atual presidente estadual da sigla e que briga pela reeleição, tinha excluído 15 dirigentes da legenda, motivando a decisão judicial.

Na lista dos cancelados do partido estava a ex-deputada federal Rose Modesto, que concorreu ao cargo de governadora de Mato Grosso do Sul nas eleições de outubro do ano passado, o ex-secretário estadual de Infraestrutura Marcelo Miglioli, que disputou a eleição para deputado federal também no pleito passado, Thiago Mônaco Marques, uma das lideranças do funcionalismo público estadual, Sindoley Morais, ex-candidato a deputado federal de Paranaíba, e Ahmad Hassan Gelara, de Dourados.

De acordo com a sentença de Fábio Saad, o União Brasil terá de se abster “de promover a alteração da composição da comissão estadual para que seja assegurado o direito ao voto dos membros e dos diretores inativados/excluídos indicados e que não sejam computados os votos dos membros ativados/incluídos relacionados”.

Conforme o magistrado, os dirigentes excluídos deverão ser restituídos imediatamente aos “cargos de membros e diretores”. Ao Correio do Estado, algumas pessoas envolvidas na eleição regional do União Brasil concordaram em comentar o assunto, desde que o anonimato fosse mantido.

Uma dessas fontes informou que a senadora Soraya Thronicke teria excluído justamente aqueles que não votariam nela, substituindo por outras pessoas de seu círculo, ou seja, que lhe garantiriam votos. “Tudo irregular. Nunca vi isso”, disse um dos ouvidos pela reportagem.

Em trecho do recurso que pediu a nulidade da eleição, Anderson Pereira do Carmo, tesoureiro do partido, sustenta que “foi surpreendido com o registro da inativação de seu cargo, de vários membros do órgão partidário estadual e de algumas comissões provisórias, bem como o cancelamento de filiações sem prévia deliberação da comissão executiva estadual e sem a oportunização do contraditório e da ampla defesa aos membros de tais órgãos partidários”.

O advogado Newley Amarilla pontuou ainda que o União Brasil de MS não conta com quatro diretórios municipais permanentes (5% do total), uma das condições para convocar a convenção estadual a fim de eleger a nova executiva.

“Por tais razões, verifica-se que a convocação das eleições para constituição e escolha dos membros do diretório estadual foi realizada em desacordo com a previsão estatutária, de forma a prejudicar a participação de filiados contrários à atual presidente, pois foi convocada ainda no mês de março e em uma quinta-feira, resultando no encerramento do prazo de inscrição de chapas na sexta-feira, em razão da previsão do artigo 29 do estatuto, que prevê que o registro de chapas deve ser realizado no prazo máximo de três dias antes da data designada para a realização da convenção. Isso prejudicou o exercício do direito de disputar cargos partidários previsto no artigo 16, inciso 2º, do estatuto”, pontuou.

Agora com a decisão, Rose Modesto permanece no cargo de primeira-vice-presidente da legenda. O Correio do Estado tentou falar com a senadora Soraya Thronicke, que estaria em Brasília, mas não houve retorno das ligações até o fechamento desta edição.

SEGUNDA DERROTA

Na semana passada, a presidente do União Brasil de MS já tinha sofrido uma derrota, pois teve de recuar sobre a exclusão do diretório municipal de Três Lagoas e também o de Dourados. Na oportunidade, ela disse que recorreria da decisão.

Conforme pedidos encaminhados à Justiça, Soraya, sem ter feito nenhum comunicado, cancelou filiações e suspendeu os dirigentes das comissões provisórias antes do término do mandato.

O presidente da comissão provisória de Três Lagoas, Davis Martinelli Leal dos Santos, e o tesoureiro adjunto, Anderson Pereira do Carmo, foram destituídos e surpreendidos com a exclusão no Sistema de Gerenciamento de Informações Partidárias (SGIP), da Justiça Eleitoral. Eles ingressaram com um mandado de segurança na 15ª Vara Cível de Campo Grande.

Por sua vez, a comissão provisória de Dourados ingressou com uma ação na 7ª Vara Cível do município. A argumentação segue a mesma: Soraya suspendeu os dirigentes sem realizar nenhum comunicado.

Na ação, foi solicitada “a suspensão dos atos de inativação dos cargos de membros e diretores dos órgãos partidários estadual e municipal e das desfiliações, praticados pela presidente do partido, e na determinação da sua reativação no SGIP, da Justiça Eleitoral”.

No texto, pede-se a “imposição ao réu da obrigação de não promover novas inativações e desfiliações, sem contraditório, ampla defesa e deliberação de 3/5 dos membros do conselho estadual, como exige o artigo 63 do estatuto, sob pena de multa diária de R$ 1 mil”.

“A coincidência da realização de um grande número de inativações, no curto período de 22 a 24 de março, evidencia a probabilidade do direito alegado pelos autores, ou seja, de que realmente não foram observados o contraditório e a ampla defesa para a realização das inativações”, escreveu o juiz Flávio Saad Peron, da 15ª Vara Cível de Campo Grande.

“Por fim, não se afigura presente o impedimento do inciso 3º, do artigo 300 do Código de Processo Civil, uma vez que não há risco de irreversibilidade da medida, pois, se o réu demonstrar que os atos impugnados nesta ação foram precedidos de contraditório, ampla defesa e deliberação do diretório estadual, na forma do estatuto, o status quo ante poderá ser imediatamente restaurado, com o restabelecimento das inativações e desfiliações questionadas na presente ação”, ressaltou o magistrado.

“Em verdade, ainda que tal pré-requisito não constasse expressamente do estatuto partidário, a garantia de contraditório e ampla defesa seria de observância obrigatória como decorrência do texto constitucional, de acordo com o qual ‘aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes’ (art. 5º, LV, da Constituição Federal)”, observou o juiz Emerson Ricardo Fernandes, da 7ª Vara Cível de Dourados.

As convenções foram realizadas na noite de 31 de março, e os integrantes obtiveram liminar para participar do encontro. De acordo com um advogado ouvido pelo Correio do Estado, caso o União Brasil não tenha cumprido a liminar, as convenções podem ser consideradas nulas. No entanto, por meio de sua assessoria, a senadora negou qualquer irregularidade.

“A comissão provisória do União Brasil de Três Lagoas encontra-se ativa e com plenos poderes para conduzir as atividades partidárias no município”, informou o comunicado.

“Em Três Lagoas, o presidente Fabrício Venturoli Lunardi segue na direção do partido em sua instância municipal e tem o nosso total apoio para a realização da convenção partidária, que está ocorrendo neste momento e que teve a apresentação de uma única chapa para a disputa”, declarou a nota.

O União Brasil de Mato Grosso do Sul tem até o dia 30 para efetuar a convenção estadual e manter Soraya no cargo de presidente regional do partido.

Saiba:O União Brasil é um partido político brasileiro de centro-direita que surgiu da fusão entre o Democratas (DEM) e o Partido Social Liberal (PSL), aprovada por ambas as agremiações em 6 de outubro de 2021.

A legenda segue uma linha conservadora e liberal, sendo considerada também uma sigla “pega tudo”, por abranger políticos com opiniões diferentes entre si.

Em fevereiro do ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a fusão e conferiu o registro partidário à nova legenda criada, que, na época, contava com o maior número de membros filiados na Câmara dos Deputados. Em fevereiro deste ano, o União Brasil tinha 1.058.386 de filiados, sendo o sexto maior partido do País.

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Contas Partidárias

TRE manda PSB de MS devolver dinheiro usado para pagar juros e multas

Contas do diretório estadual foram aprovadas com ressalvas; Justiça Eleitoral considerou irregular o uso de recursos do Fundo Partidário para quitar R$ 818,63 em encargos decorrentes de atrasos

07/08/2026 17h59

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), que aprovou com ressalvas as contas de 2024 do diretório estadual do PSB e determinou a devolução de R$ 818,63 ao Tesouro Nacional.

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), que aprovou com ressalvas as contas de 2024 do diretório estadual do PSB e determinou a devolução de R$ 818,63 ao Tesouro Nacional. Foto: Divulgação

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) determinou que o diretório estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) devolva ao Tesouro Nacional R$ 818,63 utilizados irregularmente para o pagamento de juros e multas por atraso. A decisão foi tomada durante a análise da prestação de contas da legenda referente ao exercício financeiro de 2024.

As contas foram aprovadas com ressalvas, por unanimidade, seguindo parecer do Ministério Público Eleitoral. A Corte, no entanto, considerou irregular o uso de recursos do Fundo Partidário para o pagamento de encargos decorrentes da inadimplência da própria legenda.

Na prática, a aprovação com ressalvas significa que o TRE-MS considerou as contas regulares no conjunto, mas identificou uma falha que, embora deva ser corrigida, não foi considerada grave o suficiente para provocar a rejeição da prestação de contas.

Neste caso, a irregularidade resultou na determinação para que o partido devolva R$ 818,63 aos cofres públicos.

O processo envolve o diretório estadual do PSB e apresenta como interessados, entre outros, a senadora Soraya Thronicke, Paulo Roberto Duarte, Ana Paula Campos Wolff Gomes e Eliete Aimee da Silva Duarte.

A irregularidade foi identificada durante a fiscalização realizada pela Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Anuais (Asepa).

Inicialmente, a análise apontou três pontos que precisavam de esclarecimentos: o pagamento de encargos decorrentes de inadimplência, no total de R$ 818,63; despesas de R$ 10.069,90 com uma empresa de assessoria e consultoria contábil; e um gasto de R$ 328,47 com combustível. 

Durante a tramitação do processo, entretanto, o partido apresentou novos documentos e conseguiu sanar os questionamentos relacionados às duas últimas despesas.

No caso dos R$ 10.069,90 pagos à Santos & Souza Assessoria e Consultoria Contábil Ltda., a Procuradoria Regional Eleitoral considerou que o contrato de prestação de serviços apresentado posteriormente, acompanhado de boletos e comprovantes de transferências bancárias, foi suficiente para demonstrar a regularidade da despesa. 

Situação semelhante ocorreu com os R$ 328,47 pagos ao Posto Emanuele Ltda. A apresentação da nota fiscal, do boleto bancário e do comprovante de pagamento levou a Justiça Eleitoral a considerar o gasto devidamente comprovado. 

Uso de dinheiro do Fundo Partidário permaneceu irregular

O problema que permaneceu na prestação de contas foi a utilização de R$ 818,63 do Fundo Partidário para quitar juros e multas de mora.

De acordo com a decisão, embora tenha sido regularmente intimado, o PSB-MS não apresentou justificativas para a utilização dos recursos nessa finalidade. 

A legislação eleitoral estabelece que recursos do Fundo Partidário não podem ser utilizados para pagar encargos provocados pela inadimplência da própria legenda, como juros, multas de mora e atualização monetária. Esses valores devem ser pagos com recursos próprios do partido. 

Na prática, o entendimento é de que recursos públicos destinados ao funcionamento das legendas não devem suportar custos adicionais gerados pelo atraso no cumprimento de obrigações financeiras do próprio partido.

Por esse motivo, o TRE-MS manteve a irregularidade e determinou a devolução dos R$ 818,63 ao Tesouro Nacional. Mesmo com o problema identificado, a Corte entendeu que a falha não comprometeu a integralidade da prestação de contas, permitindo a aprovação com ressalvas. 

Decisão foi unânime

O julgamento ocorreu em 3 de agosto e teve como relator o juiz Fernando Bonfim Duque Estrada. Os integrantes do TRE-MS acompanharam o parecer ministerial e aprovaram, por unanimidade, as contas do diretório estadual do PSB referentes a 2024, mantendo a obrigação de ressarcimento do valor considerado irregular. 

A decisão reforça que, mesmo quando as demais despesas são devidamente comprovadas durante a análise das contas, valores do Fundo Partidário empregados no pagamento de juros e multas decorrentes de atraso devem retornar aos cofres públicos.

Apuração

STF cobra Soraya Thronicke e Lindbergh Farias por acusações contra vice de Flávio

Na ocasião, Lindbergh Farias chamou Alfredo Gaspar de "estuprador" enquanto o deputado apresentava o relatório final de comissão

07/08/2026 14h30

Soraya Thronicke e Lindbergh Farias

Soraya Thronicke e Lindbergh Farias Fotos: Marcelo Victor e Câmara dos Deputados

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O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a senadora Soraya Thronicke (PSB) e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentem esclarecimentos complementares sobre as acusações de estupro de vulnerável feitas contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou à Polícia Federal (PF) diligências para apurar os fatos narrados pelos parlamentares, que afirmam possuir provas do caso e dizem que irão colaborar com a investigação.

Em nota à imprensa, Soraya Thronicke afirmou que prestará todas as informações solicitadas pelo STF e classificou o procedimento como uma etapa normal da investigação. "O procedimento é regular e está previsto no curso da investigação", declarou a senadora.

As acusações vieram a público em 27 de março, durante a sessão final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Na ocasião, Lindbergh Farias chamou Alfredo Gaspar de "estuprador" enquanto o deputado apresentava o relatório final da comissão. Gaspar reagiu imediatamente: "Eu estuprei corruptos como vossa excelência", o que provocou um intenso bate-boca entre os parlamentares.

Após a sessão, Lindbergh e Soraya concederam entrevista coletiva para explicar as declarações. Segundo o deputado petista, ele decidiu tornar pública a denúncia por considerar as acusações extremamente graves.

De acordo com os parlamentares, os fatos teriam ocorrido há oito anos, em Alagoas. Eles afirmam que uma criança, vítima de estupro de vulnerável, teria engravidado e dado à luz um filho de Alfredo Gaspar.

Também alegam que há uma segunda vítima, hoje com 21 anos, e que o material entregue às autoridades inclui diálogos, gravações e informações sobre supostos pagamentos entre R$ 70 mil e R$ 400 mil para compra de silêncio.

Lindbergh e Soraya afirmam que optaram por não divulgar detalhes do caso para preservar a identidade das vítimas. Eles informaram ainda que protocolaram uma notícia-crime na Polícia Federal acompanhada das supostas provas e sustentam que um exame de DNA seria suficiente para confirmar ou afastar as acusações.

Alfredo Gaspar nega todas as acusações. Após as declarações dos parlamentares, o deputado acionou o STF com uma queixa-crime por calúnia e difamação contra Soraya Thronicke e Lindbergh Farias. Na ação, sua defesa afirma que Gaspar "é casado há 36 anos com o único amor de sua vida, vivendo sob o signo dos ensinamentos e valores da fé cristã" e que "jamais cometeu a atrocidade criminosa sórdida" atribuída a ele.

Os advogados também sustentam que as acusações fazem parte de uma "trama sórdida e criminosa" destinada a intimidar o parlamentar e comprometer as conclusões do relatório apresentado por ele na CPMI do INSS.

O processo está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que, em abril, determinou que Soraya Thronicke e Lindbergh Farias apresentassem esclarecimentos em até 15 dias. Apesar da decisão, a petição permaneceu sem andamento por meses.

Na quinta-feira (6), a defesa de Alfredo Gaspar voltou a pedir providências à Procuradoria-Geral da República, e pediu imediata apuração do caso. Os advogados apresentaram o perfil genético do deputado e informaram que ele permanece à disposição para realizar um novo exame de DNA.

Também na quinta-feira, Alfredo Gaspar reforçou publicamente o pedido para que a investigação avance por meio da prova genética.

"Estou implorando, façam o exame de DNA, a prova científica", declarou.

Procurado para comentar novamente as acusações antes da publicação da reportagem, Alfredo Gaspar não respondeu. O deputado, no entanto, mantém a posição de negar integralmente todas as acusações que lhe foram atribuídas.

Com informações de Estadão Conteúdo 

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