Política

INVESTIGAÇÃO

Lira e o kit robótica: veja as suspeitas e investigações sobre o presidente da Câmara

Os registros de pagamentos para destinatário identificado apena como Arthur somam cerca de R$ 265 mil

Continue lendo...

Ao enviar o inquérito da Operação Hefesto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) ampliou as suspeitas sobre a participação de autoridades em esquema de desvios na compra de kits de robótica para escolas públicas de Alagoas.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que não é citado nos primeiros relatórios da investigação, foi implicado depois que os policiais apreenderam anotações manuscritas de uma série de pagamentos a "Arthur". Os registros somam cerca de R$ 265 mil, como revelou a revista Piauí.

Em nota, Lira afirmou que toda a sua movimentação financeira ‘tem origem nos seus ganhos como agropecuarista e da remuneração como deputado federal’.

A presença de aliados políticos e até de um auxiliar de longa data, o assessor Luciano Cavalcante, aumenta a pressão sobre o presidente da Câmara. Ele nega irregularidades e chegou a dizer, em entrevista à GloboNews, que ‘cada um é responsável pelo seu CPF’.

O assessor foi alvo de buscas no início do mês e, após a perícia no material apreendido, a Polícia Federal enviou o caso ao Supremo Tribunal Federal, que tem competência para conduzir investigações sobre autoridades com prerrogativa de foro.

Entenda o passo a passo da investigação:

Quando começou a investigar a compra de kits de robótica para escolas públicas de Alagoas, em abril de 2022, a Polícia Federal deu início a um pente-fino nos contratos firmados por 43 prefeituras alagoanas com uma mesma empresa: a Megalic LTDA.

Os investigadores se depararam com indícios de superfaturamento e direcionamento das licitações. A suspeita é que os editais tenham sido previamente combinados com a empresa para incluir exigências que a beneficiassem e restringissem a concorrência. Os kits foram comprados por valores até 420% acima da média do mercado.

A PF também encontrou cidades que compraram kits muito além da necessidade. A prefeitura de Girau do Ponciano, por exemplo, tem 1.857 alunos matriculados na rede pública fundamental e contratou oito mil equipamentos.

O passo seguinte foi reconstituir o histórico da Megalic para descobrir quem está por trás da empresa. O CNPJ está registrado em nome de Roberta Lins Costa Melo e Edmundo Catunda, pai do vereador de Maceió João Catunda (PSD), aliado de Lira.

Quando foi aberta, em 2013, a Megalic tinha capital social declarado de R$ 20 mil. Três anos depois, em 2015, o valor era de R$ 1 milhão. "A empresa foi constituída ‘para vencer licitações’ e contratar com o poder público. Causa perplexidade que uma empresa recém-constituída e com capital social baixíssimo tenha conseguido vencer licitações e firmar contratos milionários em tão pouco tempo no mercado, considerando a grande concorrência de fornecedores de grande porte para itens comuns", afirmou a PF em um dos primeiros relatórios do inquérito.

A lupa da PF foi então direcionada para as movimentações financeiras da Megalic. Os policiais se debruçaram sobre relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e identificaram transferências suspeitas para uma teia de pessoas físicas e jurídicas, o que permitiu ampliar o rol de investigados.

Um casal chamou a atenção da Polícia Federal: Pedro Magno e Juliana Salomão Dias. Eles teriam vínculos com 25 CNPJs diferentes, o que acendeu o alerta dos investigadores sobre a possibilidade de serem operadores especializados em lavagem de dinheiro. Policiais passaram meses à paisana seguindo os dois e descobriram uma intensa rotina de saques fracionados em espécie em agências bancárias e entregas presenciais em Brasília e em Maceió. O esforço da PF agora é para desvendar os destinatários do dinheiro. Ambos foram presos na Operação Hefesto.

Foi monitorando o casal que a Polícia Federal chegou a Luciano Cavalcante. A PF descobriu que um dos carros usados pelo casal de operadores para fazer os saques em Maceió ficava na casa do auxiliar e da mulher dele, Glaucia Cavalcante, que seriam os donos do veículo.

Em nota, o advogado André Callegari, que defende Luciano Cavalcante, informou que ele ‘conhece superficialmente Pedro Magno e o carro foi emprestado quando Luciano estava fora de Alagoas’.

Ao cruzar os dados das movimentações da Megalic, os investigadores chegaram também a Alexsander Moreira - diretor de Apoio à Gestão Educacional do Ministério da Educação (MEC), ele foi exonerado após a Operação Hefesto. Moreira era responsável pelo setor que avalia o cumprimento de metas do Plano Nacional de Educação (PNE) pelos municípios. Moreira teve R$ 737 mil em movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Outros dois personagens com passagens em cargos públicos estão na mira da investigação. O deputado federal Gilvan Máximo (Republicanos-DF) e o veterinário Laurício Monteiro Cruz, ex-diretor de Imunização do Ministério da Saúde na gestão do general Eduardo Pazuello. Eles foram filmados em restaurantes de Brasília recebendo entregas de Pedro Magno.

COM A PALAVRA, ARTHUR LIRA

"Toda movimentação financeira e pagamentos de despesas do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, seja realizada por ele e, às vezes, por sua assessoria, tem origem nos seus ganhos como agropecuarista e da remuneração como deputado federal."

COM A PALAVRA, LUCIANO CAVALCANTE

"O advogado André Callegari, que defende Luciano Cavalcante, esclarece que conhece superficialmente Pedro Magno e o carro foi emprestado quando Luciano estava fora de Alagoas."

COM A PALAVRA, OS DEMAIS CITADOS

A reportagem entrou em contato com o gabinete do deputado Gilvan Máximo, com a prefeitura de Girau do Ponciano e com a Megalic e aguarda resposta. Também busca contato com os demais citados. O espaço está aberto para manifestação ([email protected] e [email protected]).

Assine o Correio do Estado

Apuração

PF vai acessar dados de operação da Civil que atingiu produtora de Dark Horse, decide Dino

Policia pediu acesso ao material para ampliar as investigações sobre suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo emendas parlamentares, envolvendo a produtora

24/08/2026 19h00

Ministro Flávio Dino

Ministro Flávio Dino Foto: Gustavo Moreno/STF

Continue Lendo...

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento de dados da Polícia Civil de São Paulo com a Polícia Federal (PF) dos dados apreendidos na operação que atingiu Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP Entertainment Ltd, responsável pelo filme "Dark Horse" (Azarão, na tradução do inglês), sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A própria PF pediu acesso ao material para ampliar as investigações sobre suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo emendas parlamentares, envolvendo a produtora. O roteiro de Dark Horse é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que, em 2024, destinou R$ 2 milhões em emendas para a ONG do filme.

Em maio, a defesa de Mário Frias negou ao ministro Flávio Dino que tenha feito triangulação de repasse de emendas para financiar a produção do filme. O deputado disse que a alegação é "puramente especulativa", baseada em "pré-julgamento" e um "argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade".

A reportagem pediu manifestação de Karina sobre as investigações O espaço está aberto.

Nas primeiras horas do mês de junho, a 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), deflagrou uma operação para investigar a suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade de Karina Ferreira da Gama.

Na ocasião, o ICB, a Go UP, dois endereços residenciais de Karina e a sede da Secretaria Municipal Inovação e Tecnologia foram alvos da operação, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão determinados pela 1.ª Vara Regional da Garantias (1.ª RAJ).

A Polícia Civil também requisitou à Justiça acesso às análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras feitas pelo ICB, pela Go Up e por Karina. Entre as hipóteses investigadas está a de que parte dos recursos possa ter ido parar nos cofres da Go Up durante o tempo em que o filme "Dark Horse" foi produzido.

A obra teve mais de 90% de seu orçamento bancado com dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. O financiamento secreto foi tratado entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro mesmo depois da prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal em um dos celulares do banqueiro.
 

eleições 2026

Flávio Bolsonaro não vem a MS e Riedel afirma que não haverá impacto na campanha

Governador disse que é normal o candidato a presidência não visitar todos os estados, assim como ele, que concorre a reeleição ao governo, não irá aos 79 municípios

24/08/2026 18h34

Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo Grande

Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo Grande Foto: Paulo Ribas

Continue Lendo...

O governador de Mato Grosso do Sul e candidato a reeleição, Eduardo Riedel (PP), minimizou o fato do senador e candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) não vir a Mato Grosso do Sul durante a campanha eleitoral, afirmando que a não visita não terá impacto na campanha da direita no Estado.

A informação de que Flávio não deve vir ao Estado no período de campanha foi repassada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável, e que cumpre uma série de agendas em Campo Grande nesta segunda-feira (24).

Riedel disse que apesar de Flávio não vir, a esposa dele, Fernanda Bolsonaro, deve vir "em algum momento". O governador ressaltou que o apoio permanece.

"Nós somos o Flávio aqui em Mato Grosso do Sul, está aqui o coordenador-geral da campanha, a gente tem que se somar agora. O Brasil é muito grande, a campanha é muito curta. Eu não vou conseguir ir nos 79 municípios, vou em diversos, mas tenho certeza que terá algum Eduardo Riedel me representando, como aqui está o Flávio Bolsonaro representado, então nenhum impacto", disse o governador.

Riedel disse ainda que a majoritária está bem consolidada, fruto de um arranjo politico-partidário que envolve PP, PL, MDB, Republicanos, PSD, PSDB, e que a centro-direita se uniu.

Ela ressalta, no entanto, que alguns políticos dos partidos citados tem posição diferente e acabaram manifestando apoio a candidatos de outra vertente política, como é o caso de cerca de 40 prefeitos bolsonaristas que declararam apoiar o petista Vander Loubet (PT) ao Senado.

"Um ou outro que tem uma posição diferente para um voto específico, é natural que se manifeste, mas eu não acredito que haja um impacto nessa composição", avaliou Riedel.

Marinho discursa em evento

Em encontro com políticos e apoiadores, no comitê do PL em Campo Grande, Rogério Marinho discursou e teceu elogios a senadora Tereza Cristina (PP), afrimando que ela é uma liderança importante não só no setor do agro, mas em todo o Brasil, pelo trabalho que exerce e capacidade de "construir consensos".

Ele também elogiou os demais candidatos ao Senado pela aliança, Capitão Contar e Reinaldo Azambuja, afirmando estar "falando para convertidos", se referindo ao fato de que o público era composrto de pessoas da centro-direita.

A nível nacional, Marinho teceu críticas ao PT e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e alegou que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido boicotado pelo Judiciário.

Por fim, ele disse que não há terceira via no Brasil e defende a eleição de Flávio como forma de tirar o PT do governo. 

Marinho disse ainda que, caso seja eleito, a primeira medida de Flávio será entregar um projeto de lei que proíbe a reeleição presidencial.

"Flávio vai pensar nas próximas gerações, porque ele não está preocupado em se reeleger, ele está preocupado em deixar um legado, ele tá preocupado em honrar o legado de Jair Messias Bolsonaro", concluiu Marinho.

 Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo GrandeRiedel, Azambuja e demais políticos da centro-direita participaram de reunião com o senador Rogério Marinho (Foto: Paulo Ribas)

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).