Política

ELEIÇÕES 2022

Lula chora, fala em Deus e exalta defesa de democracia ao ser diplomado

Cerimônia acontece em meio a manifestações bolsonaristas que não reconhecem vitória petista

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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta segunda-feira (12), ao ser diplomado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que a população reconquistou o direito de viver em democracia.

Emocionado e chorando, Lula dedicou ao povo brasileiro o diploma de presidente eleito. Citou Deus e disse que fará todos os esforços para cumprir com o compromisso de "fazer o Brasil um país mais desenvolvido e mais justo".

A declaração foi feita na cerimônia de diplomação no TSE. Lula e o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), receberam os diplomas confirmando que estão aptos a tomar posse, assinados pelo presidente da corte, ministro Alexandre de Moraes.

A cerimônia reforça a vitória eleitoral em meio a atos antidemocráticos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado na tentativa de reeleição.

Lula ainda afirma que vai terminar de definir a composição do primeiro escalão de seu governo nos dias seguintes à diplomação. Os primeiros nomes, como de Fernando Haddad para comandar o Ministério da Fazenda, foram anunciados na sexta-feira (9).

Ainda que simbólica, a diplomação ganhou maior relevância em 2022. Bolsonaro e seu partido, o PL, promovem contestações com argumentos frágeis contra o resultado eleitoral e insuflam manifestações antidemocráticas nas estradas e em frente aos quartéis. A margem para contestar o resultado das eleições fica mais estreita com a diplomação.

A partir desse momento, deixam de ser aceitas as Aijes (ação de investigação judicial eleitoral). Nesse tipo de procedimento são apresentados indícios de abuso de poder, e a Justiça Eleitoral pode dar aval para uma investigação.

Por outro lado, ainda há prazo de 15 dias após a diplomação para apresentação de Aimes (ação de impugnação de mandato eletivo), desde que haja "provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude".

As entidades fiscalizadoras das eleições, como partidos e as Forças Armadas, também podem solicitar até 5 de janeiro ao TSE a "verificação extraordinária pós-pleito da integridade e autenticidade dos sistemas eleitorais".

O PL já apresentou uma contestação desse tipo, que foi negada e apontada por Moraes como tentativa de tumultuar a democracia. Na ação, o partido comandado por Valdemar Costa Neto pediu anulação de votos depositados em urnas de modelos anteriores a 2020.

Moraes condenou o PL a pagar multa de quase R$ 23 milhões por litigância de má-fé, afirmando que a ação visava "tumultuar o próprio regime democrático brasileiro".

Essa é a terceira diplomação de Lula. Em 2002, ele elogiou o sistema eletrônico de votação e chorou ao receber o diploma.

Na cerimônia seguinte, em 2006, o petista disse que "acabou-se o tempo em que algumas pessoas ousavam dizer que como povo deveria votar".

Carnaval

Oposição aciona Justiça e TSE para barrar desfile de carnaval que homenageia Lula

As ações questionam o Termo de Colaboração firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro

10/02/2026 23h00

Presidente da República, Lula

Presidente da República, Lula Divulgação/Ricardo Stuckert

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A oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ingressou com duas ações na Justiça para tentar barrar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, cujo enredo neste Carnaval aborda a trajetória do presidente.

O senador Bruno Bonetti (PL-RJ) e o deputado Anderson Moraes (PL-RJ) protocolaram nesta segunda-feira, 9, uma ação popular na Justiça Federal, enquanto o Partido Novo apresentou nesta terça-feira, 10, uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bonetti - que é suplente do senador Romário (PL-RJ), atualmente licenciado - também protocolou no Senado um projeto de lei que busca impedir o uso de recursos federais em desfiles carnavalescos que façam homenagens a governantes em exercício.

As ações questionam o Termo de Colaboração firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), no valor de R$ 12 milhões (R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial), destinado oficialmente à promoção internacional do Carnaval do Rio como produto turístico.

Para os parlamentares, parte desses recursos estaria sendo utilizada para viabilizar um desfile com caráter personalista e político, o que configuraria desvio de finalidade e violação aos princípios da administração pública. Já o Novo acusa Lula, o PT e a escola de propaganda eleitoral antecipada.

Como mostrou o Estadão, o quadro técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) também recomendou a suspensão desse repasse.

Segundo o documento do TCU, o Ministério da Cultura aparece como interveniente no Termo de Colaboração em nota pública, mas essa condição não está formalmente prevista no instrumento contratual. O TCU pediu explicações sobre o papel do ministério no acordo, e os parlamentares também endereçam o questionamento ao órgão.

O Ministério do Turismo esclareceu que, este ano, os repasses federais para as escolas de samba são de competência da Embratur e do Ministério da Cultura.

Procurados, o Ministério da Cultura, a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) ainda não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem. A Acadêmicos de Niterói também foi procurada para comentar a ação e o projeto de lei. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.

Na petição, Bonetti e Moraes sustentam que o financiamento público de um desfile que exalta a trajetória pessoal e política do presidente em ano eleitoral compromete a neutralidade do Estado e pode caracterizar abuso de poder político e econômico.

Bonetti afirmou que a iniciativa não busca censurar manifestações artísticas, mas estabelecer limites ao uso do dinheiro público.

"A liberdade criativa é absoluta. O uso do dinheiro do povo, não. Se uma escola quiser homenagear um político em exercício, que faça isso com recursos privados, não com verba federal", disse o senador.

Já o Novo sustenta que o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e assume caráter de campanha ao fazer referências à polarização de 2022, utilizar jingles históricos do PT e aludir ao número de urna do partido, além de empregar expressões que, segundo a legenda, equivaleriam a pedido de voto.

O Novo também destaca que o presidente de honra da escola, Anderson Pipico, é vereador do PT em Niterói, o que, para a sigla, fragilizaria qualquer alegação de neutralidade artística.

A reportagem tentou contato com o gabinete do vereador e aguarda resposta.

"A legislação eleitoral brasileira é rigorosa ao coibir campanha antecipada e o abuso de poder econômico e político. Não é razoável tratar como normal, em ano eleitoral, o desfile de uma escola de samba que se autodefine como 'petista', apresenta um samba-enredo de exaltação a Lula e, ao mesmo tempo, recebe recursos vultosos de um governo comandado pelo próprio PT", afirmou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro.

Já o líder do Novo na Câmara, deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), disse que o PT confunde propositalmente o público e o privado. "Na verdade, o que Lula faz é sequestrar o Estado para seus próprios fins", afirmou.

Procurado por meio da Secretária de Comunicação da Presidência, Lula não se manifestou sobre as falas.

A ação popular ainda será analisada pela Justiça Federal. No TSE, a representação foi distribuída ao ministro André Mendonça, que poderá decidir sobre o pedido de liminar ou submeter a questão ao plenário; em seguida, os representados serão intimados para se manifestar, e o caso ainda passará pela análise do Ministério Público Eleitoral antes do julgamento definitivo.

Projeto de Lei

Paralelamente, Bonetti protocolou um projeto que proíbe explicitamente a utilização de verbas federais em eventos culturais ou desfiles carnavalescos que promovam a "exaltação personalizada" de autoridades e agentes públicos em mandato.

Na prática, a proposta veda repasses da União que possam ser interpretados como promoção pessoal, propaganda política ou elogio a governantes, ainda que de forma indireta.

O texto determina que qualquer repasse federal a escolas de samba, agremiações carnavalescas ou entidades culturais deverá observar estritamente os princípios constitucionais da impessoalidade, moralidade administrativa e finalidade pública.

Em caso de descumprimento, o projeto prevê sanções como suspensão imediata dos repasses, devolução dos valores com correção monetária e proibição de novas parcerias com a União por até cinco anos.

O projeto de lei começará a tramitar no Senado, onde deverá passar por comissões temáticas antes de ir ao plenário.

Enredo em homenagem a Lula

Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói levará à Avenida o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", que pretende retratar a infância do presidente em Pernambuco e sua trajetória até o Planalto. A escola foi fundada há quatro anos.

Como mostrou a Coluna do Estadão, Lula confirmou a aliados que irá ao Rio no domingo de carnaval, 15 de fevereiro, para assistir ao desfile da escola.

O prefeito Eduardo Paes ofereceu dois camarotes da prefeitura do Rio para Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e convidados, na Marquês de Sapucaí. O presidente também estará acompanhado de ministros e parlamentares. O carnaval deve selar a aliança Lula-Paes no Rio.

REUNIÃO

Valdemar e Azambuja se reúnem em MS para debater candidatura de Flávio Bolsonaro

Além do apoio no Estado à candidaturo para presidente do Brasil, também foi discutido sobre a reeleição de Eduardo Riedel ao Governo

10/02/2026 19h45

Valdemar visitou Azambuja na sede do Partido Liberal, em Mato Grosso do Sul

Valdemar visitou Azambuja na sede do Partido Liberal, em Mato Grosso do Sul Marcelo Victor / Correio do Estado

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Nesta terça-feira (10), o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, esteve na sede em Mato Grosso Do Sul e visitou o ex-governador e atual presidente da sigla no Estado, Reinaldo Azambuja. Em vídeo publicado na rede social Instagram, o líder do partido ressaltou a entrada de Azambuja e disse que esta foi uma das melhores iniciativas de Jair Bolsonaro dentro do partido.

"A entrada do Reinaldo Azambuja no PL foi uma das ações mais importantes do Bolsonaro no nosso partido. O Reinaldo é de uma capacidade, já provou isso, já organizou o partido aqui e por isso fiz questão de vir aqui hoje. Nós devemos muita obrigação com o Reinaldo", disse Valdemar Costa Neto no vídeo.

Na reunião entre os líderes do partido, foram discutidas as questões das organização partidária nos 79 municipios do Estado, a formação da chapa, e, principalmente, o apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente da República e a campanha em Mato Grosso do Sul.

Além disso, também foi debatido sobre o fortalecimento da reeleição do governador Eduardo Riedel, dos senadores, dos deputados federais e estaduais.

Na última semana, Reinaldo Azambuja esteve em reunião com o presidente Valdemar Costa Neto, na sede do partido em Brasília, para discutir estes temas e alinhar as estratégias.

Ao Correio do Estado, ele reforçou que o encontro era uma oportunidade para que a executiva estadual esteja em sintonia com a nacional de olho na disputa eleitoral deste ano.

“Precisamos estar em sintonia, pois a nossa intenção é a montagem de chapas competitivas, tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa. O nosso foco é fazer três federais e, pelo menos, seis estaduais”, revelou Azambuja.

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