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Oposição aciona Justiça e TSE para barrar desfile de carnaval que homenageia Lula

As ações questionam o Termo de Colaboração firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro

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A oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ingressou com duas ações na Justiça para tentar barrar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, cujo enredo neste Carnaval aborda a trajetória do presidente.

O senador Bruno Bonetti (PL-RJ) e o deputado Anderson Moraes (PL-RJ) protocolaram nesta segunda-feira, 9, uma ação popular na Justiça Federal, enquanto o Partido Novo apresentou nesta terça-feira, 10, uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bonetti - que é suplente do senador Romário (PL-RJ), atualmente licenciado - também protocolou no Senado um projeto de lei que busca impedir o uso de recursos federais em desfiles carnavalescos que façam homenagens a governantes em exercício.

As ações questionam o Termo de Colaboração firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), no valor de R$ 12 milhões (R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial), destinado oficialmente à promoção internacional do Carnaval do Rio como produto turístico.

Para os parlamentares, parte desses recursos estaria sendo utilizada para viabilizar um desfile com caráter personalista e político, o que configuraria desvio de finalidade e violação aos princípios da administração pública. Já o Novo acusa Lula, o PT e a escola de propaganda eleitoral antecipada.

Como mostrou o Estadão, o quadro técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) também recomendou a suspensão desse repasse.

Segundo o documento do TCU, o Ministério da Cultura aparece como interveniente no Termo de Colaboração em nota pública, mas essa condição não está formalmente prevista no instrumento contratual. O TCU pediu explicações sobre o papel do ministério no acordo, e os parlamentares também endereçam o questionamento ao órgão.

O Ministério do Turismo esclareceu que, este ano, os repasses federais para as escolas de samba são de competência da Embratur e do Ministério da Cultura.

Procurados, o Ministério da Cultura, a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) ainda não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem. A Acadêmicos de Niterói também foi procurada para comentar a ação e o projeto de lei. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.

Na petição, Bonetti e Moraes sustentam que o financiamento público de um desfile que exalta a trajetória pessoal e política do presidente em ano eleitoral compromete a neutralidade do Estado e pode caracterizar abuso de poder político e econômico.

Bonetti afirmou que a iniciativa não busca censurar manifestações artísticas, mas estabelecer limites ao uso do dinheiro público.

"A liberdade criativa é absoluta. O uso do dinheiro do povo, não. Se uma escola quiser homenagear um político em exercício, que faça isso com recursos privados, não com verba federal", disse o senador.

Já o Novo sustenta que o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e assume caráter de campanha ao fazer referências à polarização de 2022, utilizar jingles históricos do PT e aludir ao número de urna do partido, além de empregar expressões que, segundo a legenda, equivaleriam a pedido de voto.

O Novo também destaca que o presidente de honra da escola, Anderson Pipico, é vereador do PT em Niterói, o que, para a sigla, fragilizaria qualquer alegação de neutralidade artística.

A reportagem tentou contato com o gabinete do vereador e aguarda resposta.

"A legislação eleitoral brasileira é rigorosa ao coibir campanha antecipada e o abuso de poder econômico e político. Não é razoável tratar como normal, em ano eleitoral, o desfile de uma escola de samba que se autodefine como 'petista', apresenta um samba-enredo de exaltação a Lula e, ao mesmo tempo, recebe recursos vultosos de um governo comandado pelo próprio PT", afirmou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro.

Já o líder do Novo na Câmara, deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), disse que o PT confunde propositalmente o público e o privado. "Na verdade, o que Lula faz é sequestrar o Estado para seus próprios fins", afirmou.

Procurado por meio da Secretária de Comunicação da Presidência, Lula não se manifestou sobre as falas.

A ação popular ainda será analisada pela Justiça Federal. No TSE, a representação foi distribuída ao ministro André Mendonça, que poderá decidir sobre o pedido de liminar ou submeter a questão ao plenário; em seguida, os representados serão intimados para se manifestar, e o caso ainda passará pela análise do Ministério Público Eleitoral antes do julgamento definitivo.

Projeto de Lei

Paralelamente, Bonetti protocolou um projeto que proíbe explicitamente a utilização de verbas federais em eventos culturais ou desfiles carnavalescos que promovam a "exaltação personalizada" de autoridades e agentes públicos em mandato.

Na prática, a proposta veda repasses da União que possam ser interpretados como promoção pessoal, propaganda política ou elogio a governantes, ainda que de forma indireta.

O texto determina que qualquer repasse federal a escolas de samba, agremiações carnavalescas ou entidades culturais deverá observar estritamente os princípios constitucionais da impessoalidade, moralidade administrativa e finalidade pública.

Em caso de descumprimento, o projeto prevê sanções como suspensão imediata dos repasses, devolução dos valores com correção monetária e proibição de novas parcerias com a União por até cinco anos.

O projeto de lei começará a tramitar no Senado, onde deverá passar por comissões temáticas antes de ir ao plenário.

Enredo em homenagem a Lula

Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói levará à Avenida o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", que pretende retratar a infância do presidente em Pernambuco e sua trajetória até o Planalto. A escola foi fundada há quatro anos.

Como mostrou a Coluna do Estadão, Lula confirmou a aliados que irá ao Rio no domingo de carnaval, 15 de fevereiro, para assistir ao desfile da escola.

O prefeito Eduardo Paes ofereceu dois camarotes da prefeitura do Rio para Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e convidados, na Marquês de Sapucaí. O presidente também estará acompanhado de ministros e parlamentares. O carnaval deve selar a aliança Lula-Paes no Rio.

Eleições 2026

Assessor de deputado estadual é preso com R$ 127 mil e santinhos em MS

Ex-vereador Zé Bocão foi abordado em Japorã com dinheiro em espécie e material de campanha; segundo o registro policial, ele ainda teria oferecido R$ 5 mil aos militares

01/10/2026 16h57

José Antônio Pires de Souza, o Zé Bocão, é assessor parlamentar de Lidio Lopes e foi preso em Japorã.

José Antônio Pires de Souza, o Zé Bocão, é assessor parlamentar de Lidio Lopes e foi preso em Japorã. Foto: Reprodução Facebook.

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Uma denúncia sobre um veículo em alta velocidade terminou com R$ 127 mil em dinheiro apreendidos, material de campanha eleitoral e a prisão de José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Mundo Novo. Ele é assessor parlamentar do deputado estadual e candidato à reeleição Lidio Lopes (Avante).

O flagrante ocorreu às 20h49 desta quarta-feira (30), no Bar do Último Gole, em Japorã, no extremo sul de Mato Grosso do Sul.

Zé Bocão estava em um Volkswagen T-Cross e informou aos policiais que havia saído de Campo Grande e seguia para Mundo Novo, município onde construiu sua trajetória política.

A abordagem ocorreu depois que a Polícia Militar recebeu denúncia de que um T-Cross trafegava em alta velocidade entre Iguatemi e Japorã.

Após localizar o veículo, os militares fizeram a abordagem e relataram que o motorista demonstrava nervosismo durante a fiscalização.

Na vistoria, os policiais encontraram 11 pacotes com dinheiro em espécie, compostos por notas de R$ 50 e R$ 100, além de santinhos e outros materiais da campanha de Lidio Lopes.

José Antônio Pires de Souza, o Zé Bocão, é assessor parlamentar de Lidio Lopes e foi preso em Japorã.Dinheiro apreendido estava dividido em pacotes e foi encontrado junto a materiais da campanha de Lidio Lopes. Foto: Polícia Militar.

A primeira estimativa feita durante a ocorrência indicava aproximadamente R$ 130 mil. Após a conferência do dinheiro apreendido, o montante foi contabilizado em cerca de R$ 127 mil.

A apreensão do dinheiro junto ao material eleitoral deverá ser esclarecida pelas autoridades responsáveis pela investigação.

A presença dos valores e dos santinhos no mesmo veículo, por si só, não comprova compra de votos, e caberá à apuração determinar a origem, a finalidade e o destino do dinheiro.

Oferta de R$ 5 mil aos policiais

O flagrante teve outro desdobramento quando Zé Bocão foi informado de que seria encaminhado à delegacia. Segundo o boletim de ocorrência, o assessor teria oferecido R$ 5 mil aos policiais militares para evitar a condução.

Os militares recusaram a proposta e deram continuidade ao procedimento. A suposta oferta deverá ser analisada pelas autoridades diante da possibilidade de enquadramento por corrupção ativa, além das demais circunstâncias relacionadas ao transporte do dinheiro.

Após os procedimentos iniciais, o caso foi encaminhado para apuração das autoridades competentes, que deverão esclarecer as circunstâncias em que os valores e o material eleitoral estavam sendo transportados.

Assessor de Lidio Lopes

José Antônio Pires de Souza mantém vínculo profissional com Lidio Lopes há pelo menos sete anos. Documento oficial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) mostra que ele foi nomeado em 16 de agosto de 2019 para exercer o cargo em comissão de Assessor de Gabinete Parlamentar XII, diretamente no gabinete do deputado.

A nomeação consta no Ato nº 574/2019-PRES., publicado pela Assembleia Legislativa. No documento, reproduzido pela reportagem, José Antônio Pires de Souza aparece entre os servidores nomeados para trabalhar no gabinete de Lidio Lopes.

Atualmente, Zé Bocão integra o quadro de servidores da Assembleia Legislativa e recebe R$ 2.983,49, conforme informação funcional relacionada ao cargo.

A atuação do assessor também se estende à articulação política do parlamentar no interior.

Em junho deste ano, publicação sobre uma agenda de Lidio Lopes no Cone Sul apontou Zé Bocão como responsável pela articulação do deputado em 13 municípios da região, atuando na interlocução entre lideranças locais e o gabinete.

A relação entre os dois vai além da atividade profissional. Em outubro de 2025, Zé Bocão recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, concedido pela Assembleia Legislativa por indicação de Lidio Lopes.

Na ocasião, ele foi apresentado como ex-vereador de Mundo Novo e assessor parlamentar.

Trajetória política

Antes de assumir o cargo na Assembleia Legislativa, José Antônio Pires de Souza construiu sua trajetória política em Mundo Novo. Ele exerceu mandatos como vereador e chegou à presidência da Câmara Municipal.

As informações disponíveis divergem sobre a quantidade de mandatos. O relato relacionado ao flagrante aponta que Zé Bocão foi vereador por cinco mandatos, enquanto registros referentes à homenagem concedida pela Assembleia Legislativa em 2025 mencionam quatro.

Por isso, o número exato ainda precisa ser confirmado em registros oficiais da Câmara de Mundo Novo.

Natural do Paraná, Zé Bocão mudou-se para Mundo Novo na década de 1970 e posteriormente ingressou na política municipal, antes de passar a trabalhar na estrutura da Assembleia Legislativa.

O Correio do Estado procurou o deputado Lídio Lopes e questionou se Zé Bocão permanece atualmente em seu gabinete, se o assessor estava realizando atividade de campanha no momento da abordagem, se havia conhecimento sobre o transporte dos R$ 127 mil e  qual seria a origem e a destinação dos valores.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanecer aberto para manifestação.

Eleições

AGU aciona PF e PGR para apurar aporte dos EUA em campanha contra o STF

Notícia-crime se baseia em reportagem do jornal britânico The Guardian, que aponta uso de verba do governo norte-americano para financiar grupos críticos à Suprema Corte

01/10/2026 16h28

The Guardian denunciou patrocínio dos EUA à campanha anti-STF

The Guardian denunciou patrocínio dos EUA à campanha anti-STF Arquivo

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A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou formalmente a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta quinta-feira (1º de outubro), ao apresentar uma notícia-crime que pede a apuração imediata sobre um suposto financiamento do governo dos Estados Unidos a campanhas e ações direcionadas contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido de investigação tem como base uma reportagem do jornal britânico *The Guardian*, publicada na quarta-feira (30).

De acordo com as revelações do periódico internacional, o Departamento de Estado norte-americano teria liberado US$ 1 milhão por meio do Fundo de Direitos Humanos e Democracia. A quantia teria como destino o programa “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, voltado ao custeio de grupos que acusam a Suprema Corte brasileira de censura e abuso de poder.

Na peça enviada às autoridades, a AGU enfatiza que a ordem constitucional do país tem como pilares inegociáveis a soberania nacional, a independência e o princípio da não intervenção. O documento reforça que tanto a Constituição Federal quanto a Lei dos Partidos Políticos vedam expressamente a subordinação ou o financiamento de qualquer agremiação política por parte de governos ou entidades estrangeiras.

O órgão destaca ainda a gravidade do cenário revelado, apontando que os fatos ganham maior dimensão no contexto eleitoral e em meio a recentes episódios de pressão externa sobre as instituições brasileiras. Diante disso, a AGU cobra a identificação célere de todos os envolvidos, a punição dos responsáveis e o rastreamento dos destinatários que teriam recebido os recursos em território nacional.

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