Política

Operação Jogo Limpo

Marcio Fernandes diz que dinheiro apreendido seria utilizado para pagar funcionários de fazenda

Deputado teve o celular apreendido enquanto saia de uma agência bancária em frente ao Shopping Campo Campo Grande

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Alvo de operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (25), o deputado Marcio Fernandes (PL) disse ao Correio do Estado que foi surpreendido pelos agentes federais enquanto sacava R$ 100 mil para pagar funcionários de fazenda. A ação apura possível prática dos crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral. 

O parlamentar teve o celular apreendido e estava em uma agência do Banco do Brasil situada em frente ao Shopping Campo Grande quando foi abordado pelos oficiais. 

Ao ser questionado sobre o saque, Fernandes disse ter ido ao banco buscar o dinheiro justamente para pagar trabalhadores que não recebem via PIX, verba segundo ele, provisionada há uma semana. 

"Valor estava provisionado para o pagamento de despesas relacionadas às suas propriedades rurais. Ao deixar a agência, ele foi abordado por agentes da Polícia Federal e acompanhou o cumprimento de mandado eleitoral em sua residência e em seu comitê de campanha", destacou a assessoria do deputa em nota. 

Em meio ao imbróglio, a Polícia Federal realizou buscas na casa do deputado, situada no Royal Park, contudo, segundo ele, não encontrou nada.

Foram apreendidos diversos maços de dinheiro no comitê de campanha do deputado estadual, escritório localizado no bairro Chácara Cachoeira. Dezenas de cédulas com notas de R$ 50 e R$ 100.

Neste momento, a polícia ainda contabiliza o montante apreendido, contudo, a estimativa é de que mais de R$ 250 mil tenham sido confiscados. Segundo a polícia, foram apreendido ao todo três celulares e um pen drive, além de material de campanha. 

Em contato com o Correio do Estado, o advogado de defesa de Márcio Fernandes, Assahd Milan disse estar retornando de São Paulo e desconhece o mote das investigações.

"Não tive acesso às investigações", declarou. Marcio Fernandes prestou esclarecimentos à Policia Federal e foi liberado na sequência. 

Ação ocorreu por volta do meio-dia desta sexta-feira (25)Ação ocorreu por volta do meio-dia desta sexta-feira (25) / Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

De início, a assessoria de imprensa do parlamentar alegou  que apesar do ocorrido, não havia qualquer interconrrência para além da "batida" policial, considerada como "rotina". A assessoria mantém a versão de que nenhum dinheiro foi encontrado no comitê de campanha. 

A equipe frisou que a polícia federal também agiu em outros comitês parlamentares espalhados pela Capital.

A ação ocorrida no Bairro Chácara Cachoeira acontece menos de 10 dias do primeiro turno, marcado para o próximo dia 4 de outubro. 

Íntegra da nota divulgada pelo deputado 

O deputado estadual e candidato a reeleição pelo Partido Liberal (PL), Marcio Fernandes, esclarece os fatos relacionados à ação da Polícia Federal nesta sexta-feira (25).

Por volta das 11h, o deputado realizou, em uma agência do Banco do Brasil, o saque de R$ 100 mil de sua conta pessoal. O valor havia sido previamente provisionado junto ao banco e seria usado em despesas relacionadas às suas propriedades rurais. Ao deixar a agência, ele foi abordado por agentes da Polícia Federal e acompanhou o cumprimento de mandado eleitoral em sua residência e em seu comitê de campanha.

Além do valor sacado e do aparelho celular do deputado, foram recolhidos em sua residência um pendrive com arquivos da campanha eleitoral de 2020. No comitê, as equipes levaram dois HDs externos com imagens, dois notebooks e material gráfico de campanha. Itens de uso regular de qualquer campanha eleitoral, e nada de irregular foi encontrado nos locais.

O deputado Marcio Fernandes reitera seu compromisso com a verdade e se coloca à inteira disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento. Reafirma também a lisura de sua conduta, que sempre pautou sua vida pessoal e sua trajetória profissional e pública.
 

Período eleitoral

Cabe destacar que os candidatos não podem ser detidos ou presos até 6 de outubro. A prisão nesse período só pode acontecer em caso de flagrante delito.

A proteção está prevista no Código Eleitoral, uma vez que os candidatos não podem ser presos a partir de 15 dias antes da eleição até 48h depois da votação.

Se ocorrer a prisão de um candidato, ele deverá ser imediatamente conduzido à presença de um juiz competente, que irá avaliar a legalidade da detenção. Se constatar ilegalidade, o juiz deverá determinar a soltura imediata, além de poder responsabilizar o autor da prisão.

Mesmo que a detenção em flagrante delito seja confirmada, o candidato poderá concorrer às eleições, pois a legislação exige condenação por órgão colegiado ou trânsito em julgado (condenação definitiva) para impedir o direito de disputa.

Colaborou Daniel Pedra 

*Atualizado às 16h40 para acréscimo de informações

eleições

Eleitores "reprovaram" pastores candidatos em Mato Grosso do Sul

Com mais de 650 mil eleitores evangélicos, seis postulantes que concorriam à Alems e oito candidatos à Câmara perderam

09/10/2026 07h45

Deputado Estadual Antônio Vaz

Deputado Estadual Antônio Vaz Foto: Reprodução/Alems

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Mesmo com 658.087 eleitores declaradamente evangélicos, ao menos 14 candidatos ligados a esse seguimento religioso não conquistaram vagas nas eleições realizadas no domingo em Mato Grosso do Sul. 
O levantamento do Correio do Estado identificou oito candidaturas evangélicas sem vaga na disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e seis na briga pelas oito cadeiras do Estado na Câmara dos Deputados.

A contagem considera os vínculos religiosos identificados, incluindo candidatos que não utilizam títulos como pastor ou missionário no nome de urna. Entre eles estão o deputado estadual Antônio Vaz (Republicanos), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, e o vereador campo-grandense Herculano Borges (Republicanos), pastor da Igreja Fé Invadindo a Terra (FIT). 

Já os mais de 658 mil eleitores evangélicos no Estado foram dimensionados aplicando o porcentual de 32,5% desse segmento religioso entre os moradores de Mato Grosso do Sul com 10 anos ou mais de idade, identificado pelo Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aos 2.024.884 eleitores aptos a votar neste ano, informados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).

Na Alems, a principal baixa foi mesmo a de Antônio Vaz, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. O parlamentar recebeu 19.101 votos, mas não conseguiu renovar o mandato.

Também ficaram sem cadeira os vereadores campo-grandenses Herculano Borges, pastor auxiliar da Igreja FIT, com 12.781 votos, e Sílvio Pitu, missionário da Igreja Sara Nossa Terra, com 18.392 votos.

A relação de candidatos do segmento que não se elegeram inclui ainda a Pastora Barbara Mesquita (Avante), com 238 votos, o Pastor Adilson Oliveira (DC), com 80 votos, o Pastor Cláudio Domingos (DC), com 77 votos, o Pastor Valdir (DC), com 32 votos, e a Missionária Jane (PDT), da Igreja Pentecostal, com 56 votos.

Na disputa pela Câmara dos Deputados, a maior votação entre as candidaturas evangélicas que ficaram sem vaga foi a de Cassy Monteiro (PL), da Assembleia de Deus, que recebeu 44.865 votos e terminou como suplente.

O deputado federal dr. Luiz Ovando (PP), ligado à Terceira Igreja Batista de Campo Grande, também não conseguiu renovar o mandato, apesar dos 34.679 votos, enquanto o vereador campo-grandense Marquinhos Trad (PV), da Igreja Evangélica Atos de Justiça, recebeu 31.382 votos e também ficou fora da bancada federal.

Outros três nomes com atuação religiosa documentada não conquistaram cadeira: o vereador campo-grandense Neto Santos (Republicanos), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, com 13.248 votos; André Campos (PL), pastor da Igreja Monte Sião, em Corumbá, com 8.054 votos; e o radialista e apresentador Maurício Picarelli (PRD), pastor e missionário com atuação na Primeira Igreja Batista, com 1.475 votos.

Deputado Estadual Antônio Vaz

OUTRO LADO

Apesar das derrotas, o segmento terá oito representantes na Alems e na bancada estadual da Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027, um a mais que na composição atual. Entre os vencedores, são cinco deputados estaduais e três federais. 

No caso do Legislativo estadual, as derrotas, porém, foram acompanhadas pela chegada de dois novos nomes evangélicos: a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), missionária da Igreja Comunidade Tempo de Vida, que foi eleita com 36.108 votos; e o vereador rio-brilhandense Daverson Matos (PL), missionário da Igreja Assembleia de Deus Missões, que conquistou 30.604 votos. 

Ambos se juntam aos deputados estaduais reeleitos Lídio Lopes (Avante), missionário da Assembleia de Deus, que recebeu 20.801 votos, o Professor Rinaldo Modesto (União Brasil), missionário da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que obteve 23.763, e Londres Machado (PP), com vínculo com a Primeira Igreja Batista de Campo Grande, que alcançou 33.581 votos.

Com a saída de Antonio Vaz e a entrada dos dois candidatos do PL, a representação evangélica passa de quatro para cinco integrantes entre as 24 cadeiras da Alems, ou seja, a participação cresce de 16,7% para 20,8% dos parlamentares.

BANCADA FEDERAL

Entre os evangélicos reeleitos para representar Mato Grosso do Sul em Brasília (DF) estão os deputados federais Camila Jara (PT) e Rodolfo Nogueira (PL), bem como a ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil). 

Assim, a bancada federal do Estado mantém três evangélicos entre seus oito integrantes, o equivalente a 37,5% das cadeiras. A mudança ocorre na composição: Luiz Ovando deixa o grupo, enquanto Rose Modesto retorna, ao lado de Camila Jara e Rodolfo Nogueira.

A deputada federal petista, da Igreja Verbo da Vida, renovou o mandato com 154.157 votos, enquanto o deputado federal liberal, da Igreja Comunidade Tempo de Vida, conseguiu 103.303 votos. Já Rose Modesto, que é ligada à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, retorna à Câmara dos Deputados após conquistar 124.409 votos.
 

ARTICULAÇÃO POLÍTICA

Deputado federal reeleito, Beto Pereira reforça apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno

O parlamentar sul-mato-grossense participou do anúncio nacional do Republicanos e destacou que a legenda já apoiava o candidato do PL no Estado

08/10/2026 11h02

No centro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, recebe o apoio de Marcos Pereira, presidente nacional do partido (à esquerda), e de Beto Pereira, presidente estadual da sigla (à direita)

No centro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, recebe o apoio de Marcos Pereira, presidente nacional do partido (à esquerda), e de Beto Pereira, presidente estadual da sigla (à direita) Divulgação

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O deputado federal reeleito Beto Pereira (Republicanos), presidente do partido em Mato Grosso do Sul, confirmou o apoio da legenda a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.

O parlamentar participou, na noite de ontem (7), em Brasília (DF), do anúncio que oficializou a adesão nacional do Republicanos à candidatura.

Segundo Beto, a decisão confirma o posicionamento adotado pelo partido em Mato Grosso do Sul, onde a sigla já havia apoiado Flávio no primeiro turno.

“O Republicanos oficializou o apoio em todo o Brasil para Flávio Bolsonaro. Nós, em Mato Grosso do Sul, estivemos juntos no primeiro turno e agora é hora de priorizar aquilo que o Brasil quer: mudança. É Flávio 22”, afirmou o parlamentar.

Realizado na sede nacional do partido, o anúncio também contou com a presença do governador reeleito Eduardo Riedel (PP) e dos senadores eleitos Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL.

A articulação para formalizar o apoio envolveu as principais lideranças do Republicanos, entre elas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reeleito no primeiro turno, e o deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional da sigla.

No centro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, recebe o apoio de Marcos Pereira, presidente nacional do partido (à esquerda), e de Beto Pereira, presidente estadual da sigla (à direita)

Representantes de Mato Grosso do Sul também participaram das conversas. A adesão amplia o apoio de partidos de direita à candidatura de Flávio Bolsonaro, que encerrou o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT).

O candidato do PL já havia recebido o respaldo da federação União Progressista e do Novo. Em Mato Grosso do Sul, o Republicanos saiu das urnas com duas cadeiras na Câmara dos Deputados, conquistadas por Beto Pereira e Isa Marcondes, e duas na Assembleia Legislativa, com Renato Câmara e Pedro Pedrossian Neto.

A legenda somou 256 mil votos para deputado federal e 110 mil para deputado estadual. O partido também garantiu a vice-governadoria com Barbosinha, que integrou a chapa de Eduardo Riedel. O governador foi reeleito no primeiro turno com 914 mil votos.

No cenário nacional, o Republicanos elegeu 41 deputados federais e passou a ocupar a posição de quinta maior bancada da Câmara dos Deputados. A sigla terá representantes de 22 unidades da Federação, com presença nas cinco regiões do país.

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