Política

direita dividida

Menosprezado pela família Bolsonaro, Catan anuncia saída do PL

Anúncio ocorreu horas depois de o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro receber Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel na sede do partido

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Um dia depois de o governador Eduardo Riedel (PP) e o pré-candidato ao senado Reinaldo Azambuja  (PL) posarem para as câmeras ao lado do senador Flávio Bolsonaro, o deputado João Henrique Catan anunciou oficialmente, durante a sessão na Assebleia Legislativa, que está deixando o Partido Liberal, pelo qual foi eleito em 2022 com 25.914 votos. 

Desafeto antigo do governador e de Azambuja, o deputado deixa o PL por entender que os chamados bolsonaristas raiz perderam espaço. 

Em pronunciamento rápido, afirmou que "nossas lideranças, nossos colegas, os militantes da direita de Mato Grosso do Sul  foram perdendo seu protagonismo, sempre foram escanteados, para não dizer utilizados ou sub-aproveitados. É com certa triseza que eu venho anunciar, talvez com a mesma tristeza que eu vi naquela foto, naquele vídeo de ontem, dentro do Partido Liberal , com aquela falta de ânimo, com aquela falta de conexão. E,  estando eu em conexão com meu público, com a direita que deseja um novo caminho para Mato Grosso do Sul, venho comunicar vossa excelência e meu líder, deputato Coronel David, que estarei deixando as fileiras do Partido Liberal para econtrar um novo caminho para Mato Grosso do Sul". 

Embora não tenha feito o anúncio nesta quinta-feira na Assembleial, ele pretende se filiar ao Novo e promete enfrentar Eduardo Riedel na disputa ao Governo do Estado. Na eleição de 2022, tanto Riedel quanto Azambuja eram do PSDB e por conta disso o deputado alega que eles não representam o que ele chama de "vedadeira direita". 

O ex-governador e o governador se econtraram com Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL, dias depois das polêmicas informações envolvendo o deputado federal Marcos Pollon (PL).

Na primeira, veio a público uma anotação do próprio FLávio Bolsonaro dizendo que Pollon havia exigido R$ 15 milhões para abrir mão da disputa ao Senado, vaga que foi prometida a Reinaldo Azambuja. No dia sequinta, Flávio veio a público dizendo que a anotação eram omente para que ele se lembrasse de avisar a Pollon que existiam comentários de que ele estaria exigindo este pagamento. 

Depois disso, porém, Michele Bolsonaro divulgou uma carta de Jair Bolsonaro na qual ele dizia que seu candidato a senador em Mato Grosso do Sul era Marcos Pollon. Esta carta foi interpretada como sendo uma traição da família Bolsonaro a Azambuja, já que acordo anterior havia previsto que Azambuja e o Capitão Contar fossem os candidatos da direita ao Senado. 

E para tentar aparar as arestas, rapidamente foi agendado encontro com Flávio Bolsonaro e de imediato foram divulgadas fotos e vídeos deste encontro. 

Na manhã desta quinta-feira, logo depois do pronunciamento de João Henrique Catan, quem assumiu a palavra no chamado pequeno espediente foi o petista Pedro Kemp. Ele aproveitou deixa para alfinetar os rivais da direita. 

"Também senti um clima de volório ontem naquela foto na sede do Partido Liberal lá em Brasília. Não sei, não senti empolgação. Parece que a direita não está conseguindo se entender muito bem. Já está tendo defecções aqui. Vamos ver o que vai acontecer", alfinetou em meio à disputa entre os chamados bolsonaristas raiz e os apelidados de nutela. 

JANELA

O  anúncio de Catan ocorreu no primeiro dia para que deputados troquem de partido sem correrem o risco de perderem o mandato. E, conforme o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro, nas próximas semanas devem ocorreram várias mudanças semelhantes. 

Dos 24 parlamentares, quase a metade deve trocar de partido e o PL, agora comandado por Reinaldo Azambuja, deve ter o maior número de filiações. A previsão é de que receba os tucanos Mara Caseiro, Zé Teixeira e Paulo Corrêa . Além disso, Marcio Fernandes (MDB) e Lucas de Lima (sem partido) devem ter o mesmo destino. Assim, apesar de perder Catan, o PL ficaria com sete deputados, pois contina com Neno Razuk e Coronel David. 

Jamilson Name, por sua vez deve se filiar ao PP, se juntando a Londres Machado e Gerson Claro.  Outro que deve mudar de sigla é Paulo Duarte, que deve deixar o PSB e se filiar ao PSDB. Pedrossian Neto  também estuda a trocar o PSD pelo Republicanos. Rinaldo Modesto, por sua vez, está de olho no Podemos. 
 

ELEIÇÕES 2026

Com saída de Vander, PT passará aperto para eleger mais de um deputado federal

A pré-candidatura do vereador Marquinhos Trad (PV) à Câmara dos Deputados pode inviabilizar ainda mais a situação da sigla

24/04/2026 08h05

A deputada federal Camila Jara (PT) e o vereador Marquinhos Trad (PV) estarão juntos na chapa

A deputada federal Camila Jara (PT) e o vereador Marquinhos Trad (PV) estarão juntos na chapa Divulgação

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A decisão do deputado federal Vander Loubet de não tentar a reeleição para poder disputar uma cadeira no Senado tende a agravar o cenário do PT em Mato Grosso do Sul para manter as atuais duas vagas do partido pelo Estado na Câmara dos Deputados.

O Correio do Estado apurou que, sem o parlamentar, que cumpre atualmente o sexto mandato consecutivo na Casa de Leis, estando em exercício desde 2003, quando foi eleito pela primeira vez, e, depois, reeleito em todas as eleições subsequentes (2006, 2010, 2014, 2018 e 2022), a legenda corre um sério risco de não fazer nenhum deputado federal no pleito do dia 4 de outubro.

Pois, diferentemente das últimas seis eleições, o parlamentar com a trajetória mais longa na bancada federal de Mato Grosso do Sul não tentará a reeleição, cabendo à deputada federal Camila Jara fazer a função de puxadora de votos para o PT no Estado e, dessa forma, garantir ao menos uma cadeira para a sigla na Câmara dos Deputados.

No entanto, ela está longe de ser um nome consolidado dentro do partido e com densidade eleitoral capaz de alcançar os votos suficientes para garantir mais de uma cadeira na Casa de Leis, pois, de acordo com estimativa apresentada pelo diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, uma vaga de deputado federal exige cerca de 172 mil votos – na prática, esse valor funciona como referência do quociente eleitoral e do quociente partidário em Mato Grosso do Sul.

O quadro se torna ainda mais desafiador diante da movimentação de outros partidos e pré-candidaturas competitivas para a Casa de Leis, como os da ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil) e dos deputados federais Rodolfo Nogueira (PL), Beto Pereira (Republicanos), Dagoberto Nogueira (PP), Geraldo Resende (União Brasil) e dr. Luiz Ovando (PP).

Além disso, para agravar a situação a decisão do vereador Marquinhos Trad (PV), ex-prefeito de Campo Grande, de entrar na corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados pode impactar diretamente o desempenho do PT, ao atrair votos em um eleitorado urbano estratégico, especialmente na Capital, cidade que administrou por dois mandatos e pela qual foi eleito para a Câmara Municipal como um dos mais votados em 2024.

Isso porque o PV faz parte da Federação Partidária Brasil da Esperança, composta ainda por PT e PCdoB, ou seja, as três legendas atuam como se fossem um partido só na eleição proporcional (deputado federal e estadual), portanto, todos os votos dados para candidatos das três siglas entram no mesmo “bolo”.

Na prática, isso significa que um candidato do PV pode ajudar a eleger um do PT ou do PCdoB e vice-versa. No entanto, o ex-prefeito da Capital por dois mandatos larga com vantagem sobre outros nomes em construção, como o de Camila Jara, que ainda busca consolidar sua base eleitoral. 

O capital político acumulado à frente do Executivo municipal confere maior reconhecimento e capilaridade ao vereador, fatores que pesam em disputas proporcionais. 

Ainda assim, a vantagem individual de Marquinhos não garante, por si só, a abertura de espaço para mais de uma vaga dentro do mesmo campo político. 

O sistema proporcional, aliado à fragmentação partidária e à concorrência crescente, impõe um cenário de incerteza. Nesse contexto, o PT precisará ampliar sua votação de forma significativa para evitar um encolhimento na bancada federal.

Nos bastidores, lideranças petistas reconhecem que a ausência de Vander Loubet – tradicional puxador de votos – altera o equilíbrio interno e externo da disputa.

A estratégia agora passa por fortalecer nominatas e ampliar alianças, numa tentativa de compensar a perda de um dos principais nomes da sigla no Estado.

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Pedido

Lula diz que pediu retorno de agentes e delegados da PF para derrotar crime organizado

Segundo presidente, a convocação é uma medida que visa derrotar o crime organizado

23/04/2026 23h00

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 23, em uma agenda em Planaltina (DF), que ordenou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, que convide os delegados e agentes da Polícia Federal (PF) que não estão atuando na corporação a assumirem os seus postos. Segundo Lula, a convocação é uma medida que visa derrotar o crime organizado.

"Ontem [quarta-feira, 22], eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vão ficar fora aqueles que são secretários de Estado, mas aqueles agentes ou delegados que estão aí, em outro lugar, fingindo que estão trabalhando, e não estão, todos vão ter que voltar porque nós vamos derrotar o crime organizado neste País", declarou o presidente.

Em fala de tom eleitoral, Lula disse que os brasileiros precisam retirar do Congresso Nacional parlamentares que utilizam a internet para propagar mentiras. Segundo Lula, no decorrer da campanha eleitoral, ele irá fazer falas mais contundentes contra os adversários.

"Então, essa gente que fica fazendo essa imbecilidade e mentindo na internet, esse ano, vocês têm que assumir a responsabilidade: nós precisamos desmascarar os mentirosos e as mentirosas desse país"

O presidente participou nesta quinta da Feira Brasil na Mesa, realizada no Embrapa Cerrados, na região administrativa de Planaltina, no Distrito Federal. O evento, que ocorre até o sábado, 25, apresenta tecnologias, produtos e experiências desenvolvidos a partir da pesquisa agropecuária brasileira.

Antes de discursar no evento, Lula visitou pomares e a feira organizada pela Embrapa. Falou brevemente no local. Em tom de brincadeira, disse que "quando eu viajar vou tentar levar um pé de jabuticaba para o Xi Jinping" e "um para o Trump, para acalmar ele, jabuticaba é calmante". Nas últimas semanas, o petista tem se distanciado do presidente dos Estados Unidos, após meses de aproximação que culminaram na retirada de várias sanções contra os produtos brasileiros e autoridades brasileiras. 

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