Política

LIBERDADE DE IMPRENSA

MPMS rechaça censura de Pollon ao Correio do Estado sobre "Dark Horse"

Promotor de Justiça afirma que publicações trataram de emendas e da atuação parlamentar e não da vida privada do deputado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) afirmou que as reportagens do Correio do Estado questionadas judicialmente pelo deputado federal Marcos Pollon (PL) abordaram fatos de interesse público relacionados ao exercício do mandato parlamentar, e não aspectos da vida privada do político.

O entendimento consta em manifestação assinada pelo promotor de Justiça Júlio Bilemjian Ribeiro no processo nº 0812381-50.2026.8.12.0110, que tramita na 10ª Vara do Juizado Especial Criminal de Campo Grande.

Pollon apresentou queixa-crime contra os jornalistas Eduardo Miranda e Alicia Miyashiro e contra o Correio do Estado. O deputado atribui aos acusados a suposta prática dos crimes de difamação e injúria, previstos nos artigos 139 e 140 do Código Penal. 

Fac-símile do parecer do promotor de Justiça Júlio Bilemjian RibeiroFac-símile do parecer do promotor de Justiça Júlio Bilemjian Ribeiro - Foto: Reprodução

A ação questiona duas reportagens publicadas pelo jornal. A primeira, intitulada “Além de Daniel Vorcaro, deputado de MS também ajudou a ‘bancar’ filme sobre Bolsonaro”, foi divulgada no dia 13 de maio. A segunda, “ONG que recebeu repasse de Pollon é alvo de operação em SP”, foi publicada no dia 1º de junho.

Na queixa-crime, Pollon sustenta que as matérias apresentaram informações supostamente falsas, pejorativas e ofensivas à sua honra e reputação.

Ele também alega que os textos criaram uma associação indevida entre sua atuação política, a destinação de emendas federais e possíveis irregularidades envolvendo terceiros.

Para o MPMS, entretanto, os assuntos abordados nas reportagens estão diretamente vinculados às atribuições institucionais de Pollon como deputado federal.

“Observa-se da própria narrativa constante da queixa-crime que as alegadas ofensas não dizem respeito a aspectos da vida privada do querelante, mas sim a fatos diretamente relacionados ao exercício de seu mandato parlamentar federal”, afirmou o promotor.

Na manifestação, Júlio Bilemjian Ribeiro reforçou que as publicações discutiram a destinação de recursos provenientes de emendas parlamentares, a atuação política de Pollon e sua condição de deputado federal. Portanto, abordaram fatos ligados à atividade institucional do parlamentar e de interesse público.

O promotor, contudo, não analisou nessa manifestação se houve ou não difamação ou injúria. O parecer se concentra na definição do ramo do Poder Judiciário competente para processar e julgar a ação apresentada pelo deputado.

Segundo o MPMS, como as supostas ofensas apontadas por Pollon estão relacionadas ao exercício de uma função pública federal, o processo não deve permanecer na Justiça Estadual.

A continuidade da ação nesse ramo do Judiciário poderia provocar um vício de incompetência absoluta e resultar na anulação dos atos processuais.

O Ministério Público citou a Súmula 147 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual compete à Justiça Federal processar e julgar crimes praticados contra funcionário público federal quando relacionados ao exercício da função.

Também foi mencionado um precedente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), que reconheceu a competência federal para julgar crime contra a honra praticado por meio da imprensa contra um deputado federal.

“Não há como dissociar a pretensão deduzida da condição funcional ostentada pela vítima”, registrou Júlio Bilemjian Ribeiro.

Com esse entendimento, o MPMS pediu que a Justiça Estadual reconheça sua incompetência para analisar o processo e determine a redistribuição dos autos à Seção Judiciária da Justiça Federal de Mato Grosso do Sul. O pedido ainda precisa ser analisado pelo juiz responsável pela ação.

INVESTIGAÇÃO

O nome de Pollon aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira para investigar suspeitas de desvios de emendas parlamentares.

Dino destacou que Pollon, eleito por Mato Grosso do Sul, destinou R$ 1 milhão a um projeto em São Paulo. 
Conforme o ministro, a situação revela “aparente desconformidade com a exigência de absoluta vinculação federativa” estabelecida pelo Supremo para a aplicação desses recursos.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Entre as entidades investigadas estão a Academia Nacional de Cultura, o Instituto Conhecer Brasil e a Go Up Entertainment, todos ligados à empresária Karina Ferreira da Gama.

O ministro determinou a suspensão das atividades da Academia Nacional de Cultura (ANC) e proibiu o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo de “Dark Horse”, e outros 28 investigados de deixarem o País.

A investigação busca esclarecer o destino de recursos públicos que teriam circulado por entidades e empresas vinculadas entre si, algumas delas instaladas nos mesmos endereços.

A Controladoria-Geral da União também identificou situações consideradas atípicas na contratação de fornecedores localizados em outros estados.

A presença de Pollon na decisão decorre da indicação da emenda de R$ 1 milhão ao projeto paulista e da possível irregularidade na vinculação territorial do recurso. A citação, isoladamente, não comprova que o deputado tenha participado de eventual desvio.

SEM DESTINO

A emenda indicada por Pollon tinha como finalidade o financiamento do projeto audiovisual “Heróis Nacionais”, que seria executado pela ANC.

A ANC é presidida por Karina Ferreira da Gama, também ligada à Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel.

Os registros oficiais mostram que a verba indicada pelo deputado foi transferida ao governo de São Paulo. O recurso, porém, não chegou à Academia Nacional de Cultura, e o projeto audiovisual não foi executado.
Pollon declarou que, diante da inviabilidade da iniciativa, pediu ao governo paulista que o dinheiro fosse redirecionado ao Hospital de Amor de Barretos. 

Até o momento, entretanto, não há confirmação pública de que a instituição tenha recebido a verba.
Os sistemas oficiais consultados indicavam que o dinheiro permanecia sem execução e formalmente vinculado ao projeto cultural. 

O Correio do Estado procurou o Hospital de Amor para confirmar se houve o redirecionamento ou alguma comunicação oficial sobre a emenda e aguarda resposta.

Chamamento

Tereza Cristina aciona 40 senadores para acompanhar julgamento de Moraes no STF

Tendência, entretanto, é que o julgamento seja adiado por pedidos de vista de ministros aliados de Moraes

14/09/2026 14h30

tereza

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A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) ligou para mais de 40 parlamentares ao longo do final de semana para pedir que venham a Brasília acompanhar a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para esta terça-feira (15), visto que o julgamento no Supremo pode definir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Os congressistas que já estão na capital vão fazer um pronunciamento nesta segunda-feira, no Senado, com a presença de Tereza e do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

Conforme apurado pelo Estadão, a tendência, entretanto, é que o julgamento seja adiado por pedidos de vista de ministros aliados de Moraes.

Por sua vez, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) solicitou na semana passada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que abra uma sessão extraordinária nesta terça para que os parlamentares acompanhem o julgamento no Supremo mas, conforme apurou a Coluna, Alcolumbre não deve se pronunciar oficialmente sobre o pedido.

O presidente do Congresso tem se queixado a aliados da pressão que vem sofrendo de seus pares, especialmente os da oposição, para que dê andamento a pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Em conversas reservadas, os congressistas reclamam da "passividade" da Casa diante da crise que passou a assombrar a Corte. Alcolumbre é próximo de Alexandre de Moraes e voltou a ter boa interlocução com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fatores que diminuem ainda mais as chances de o presidente do Senado agir em relação aos conflitos envolvendo o STF antes das eleições.

Com informações de Estadão Conteúdo 
 

BASTIDORES DO PODER

Veteranos se unem para levar Londres à presidência da Assembleia Legislativa

Puccinelli, Teixeira, Zeca e Jerson articulam eleição do decano, enquanto Riedel avalia Caravina e Corrêa busca apoio de Azambuja

14/09/2026 07h55

Os candidatos Jerson Domingos, Zé Teixeira, Zeca do PT, André Puccinelli e Londres Machado

Os candidatos Jerson Domingos, Zé Teixeira, Zeca do PT, André Puccinelli e Londres Machado Foto: Montagem

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Uma articulação envolvendo alguns dos políticos mais experientes de Mato Grosso do Sul começa a desenhar a disputa pelo comando da Assembleia Legislativa de Mato Grosos do Sul (Alems) na próxima legislatura. 
Conforme apuração do Correio do Estado, o deputado estadual Londres Machado (PP), o ex-governador André Puccinelli (MDB), o deputado estadual Zé Teixeira (PL), o deputado estadual Zeca do PT e o ex-conselheiro Jerson Domingos (União Brasil), do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), já teriam se alinhado em torno de um acordo para entregar a presidência da Casa ao decano do Parlamento estadual.

Nos bastidores, de acordo com a reportagem, o grupo é chamado de “Bancada da Bengala”, em referência à idade e à longa trajetória política de seus integrantes, afinal, juntos, os cinco têm idade média de quase 80 anos. 

Zé Teixeira é o mais velho, com 86 anos, seguido por Londres Machado, de 84 anos, André Puccinelli, com 78 anos, Zeca do PT, com 76 anos, e Jerson Domingos, com 75 anos – ele completará 76 anos em novembro.

No entanto, a movimentação depende do resultado das urnas no dia 4 de outubro, pois, enquanto Londres, Zé Teixeira e Zeca tentam renovar os respectivos mandatos, Puccinelli e Domingos buscam retornar à Alems. 

Caso todos os três sejam reeleitos e os dois eleitos, o grupo pretende trabalhar para que Londres assuma novamente o comando do Legislativo, independentemente das preferências das principais lideranças políticas do Estado.

Embora Zé Teixeira seja o mais velho, Londres é considerado o decano em razão do número de mandatos e do tempo de atuação parlamentar. 

Ele tenta chegar ao 14º mandato de deputado estadual e acumula diversas passagens pela presidência da Alems.

A articulação antecipada pode contrariar os planos do governador Eduardo Riedel (PP), que tenta a reeleição, e do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), que busca uma cadeira no Senado, duas das principais forças políticas envolvidas na formação da futura Mesa Diretora.

Riedel cogitaria apoiar Pedro Caravina (PSDB) para a presidência. O deputado, entretanto, precisaria conquistar um novo mandato e construir maioria entre os parlamentares eleitos. 

No PL, Paulo Corrêa também estaria pressionando Azambuja para receber o apoio do partido na disputa pelo principal cargo da Casa.

PONTO PACÍFICO

Apesar das divergências em torno da presidência, há espaço para uma composição. O ponto considerado pacífico nas conversas é que Riedel e Azambuja poderiam participar diretamente da escolha do primeiro-secretário, segundo posto mais importante da Mesa Diretora e responsável pela administração da Alems.

Para a função, a preferência seria por Gerson Claro (PP), atual presidente da Alems. O parlamentar mantém bom trânsito tanto com Riedel quanto com Azambuja e também possui uma relação política próxima com Londres Machado. 

Essa condição permitiria que ele funcionasse como elo entre a bancada governista, o grupo ligado ao ex-governador e os parlamentares veteranos. 

A eventual chapa com Londres na presidência e Gerson Claro na primeira-secretaria surgiria, assim, como uma solução para acomodar os diferentes grupos. 

O arranjo preservaria o comando político da Alems com o decano, ao mesmo tempo que garantiria às duas principais lideranças influência sobre a administração da Casa.

Qualquer acordo, entretanto, continuará condicionado ao desempenho dos envolvidos nas eleições. 
Além de conquistarem os respectivos mandato, os integrantes do experiente grupo precisarão reunir votos dos outros 19 deputados estaduais que formarão a próxima legislatura.

* Saiba 

Presidente da Alems precisa ter 13 votos

A eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul será realizada no dia 1º de fevereiro de 2027, depois da posse dos 24 deputados estaduais. 

A votação será nominal e aberta, com possibilidade de disputa por chapa ou candidatura individual.
Para vencer no primeiro escrutínio, o candidato precisará de pelo menos 13 votos. 

Se ninguém alcançar esse número, haverá uma segunda votação por maioria simples. Em caso de empate, será eleito o candidato mais idoso.

Além do presidente, serão escolhidos três vice-presidentes e três secretários para mandatos de dois anos, com possibilidade de reeleição. 

Os interessados deverão registrar as chapas ou candidaturas individuais até o início da sessão, indicando o cargo que pretendem disputar.

O presidente eleito ficará responsável por conduzir as sessões e os trabalhos legislativos, além de participar do comando administrativo da Casa. 

As regras estão previstas no Regimento Interno da Alems.

Caso algum dos cargos não seja preenchido após o segundo escrutínio, será aberto um novo prazo de até 48 horas para inscrições, e outra eleição deverá ocorrer em até 72 horas. Até a definição, os trabalhos serão conduzidos provisoriamente.

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