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Nova Lei de Licitações passa a valer em janeiro, mas ainda confunde prefeitos

O Idams reforça que a Lei nº 14.133 /2021 confere maior segurança jurídica aos trabalhos dos agentes públicos nas contratações

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A partir de 1º de janeiro de 2024, a Lei Federal nº 14.133/2021, mais conhecida como “Nova Lei de Licitações”, passará a reger de forma exclusiva em todo o território nacional as licitações ou contratações diretas feitas pelos agentes públicos, pois, desde o dia 1º de abril de 2021, a nova norma conviveu com as leis que já tratavam desses processos no Brasil - as leis federais nº 8.666/1993 (Lei de Licitações e Contratos), nº 10.520/2002 (Lei do Pregão) e nº 12.462/2011 (Lei do Regime Diferenciado de Contratações Públicas - RDC).
 
No entanto, conforme análise do presidente do Instituto de Direito Administrativo de Mato Grosso do Sul (IDAMS), o advogado administrativista João Paulo Lacerda da Silva, os quase três anos em vigor da “Nova Lei de Licitações” não foram suficientes para que todos os prefeitos de Mato Grosso do Sul a dominem sem fazer confusões. 
 
“A Nova Lei de Licitações é uma via de mão dupla para a sociedade e para os gestores públicos de todo País. Como aspecto positivo, é possível destacar que a norma é atenciosa em resguardar o interesse público e confere maior segurança jurídica aos trabalhos dos agentes públicos atuantes nos processos de contratação, vez que encampou entendimentos e regramentos que, até então, emanava apenas da doutrina administrativista e da jurisprudência dos Tribunais de Contas”, assegurou João Paulo Lacerda.
 
Contudo, completou o advogado administrativista, trata-se de um modelo legislativo pensado essencialmente a partir da realidade da administração pública federal, cujas condições materiais para colocar em prática os novos comandos legais são substancialmente distintas daquelas observadas nos 5.568 municípios do Brasil. 
 
“Exemplificando, ela impõe a segregação de funções dos agentes atuantes nos processos de contratação, ou seja, o servidor que atua em uma fase do processo licitatório não poderá atuar em outras etapas. São notórias as dificuldades práticas para implementação de regras com esse teor, sobretudo nos entes públicos dotados de menores estruturas de pessoal”, alertaram.
 
Ele também reforçou que se insere a “Nova Lei de Licitações” em uma cultura de governança digital, fomentando a prática de atos e o desenvolvimento de processos em meio eletrônico. “Embora louvável e necessário essa nova convergência, há severos obstáculos para o pleno atendimento desta inovação pela administração pública em geral, ainda muito inserida no contexto de fluxos de trabalho em papel e em documentos físicos”, lembrou.
 
Nesta tônica, de acordo com o presidente do IDAMS, o ponto de maior dificuldade da operabilidade é que a nova normativa exige que cada ente público produza seus próprios regulamentos sobre mais de 40 dispositivos tratados ao longo do texto da nova lei.
 
“Essa elaboração envolve esforços conjuntos de gestores e cúpulas administrativas, controladorias internas, procuradorias jurídicas e servidores da linha de frente de trabalho dos processos de contratações públicas, pressupondo mais do que meras adaptações formais aos comandos da nova lei, necessitando de inovações afeitas à infraestrutura local, à organização administrativa, à capacitação de servidores e, em maior instância, profundas modificações na cultura da administração pública habituada à Lei Federal nº 8.666/1993 (Lei de Licitações e Contratos), vigente há mais de 30 anos”, analisou.
 
Já o diretor da Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), Eduardo dos Santos Dionizio, comparou se a nova lei representa um avanço em matéria de contratações públicas ou não. “De maneira geral, pode-se afirmar que a nova lei não trouxe muitas inovações, além do que já convivíamos no mundo das licitações, porquanto herdou muito das legislações anteriores, absorvendo muitos entendimentos doutrinários e adotando muito da jurisprudência, especialmente do Tribunal de Contas da União (TCU)”, disse.
 
De outro modo, conforme ele, não se pode esquecer que a Lei 14.133/2021 traz em seus dispositivos muitos elementos que, ao longo do tempo, darão às compras governamentais maior efetividade. “A lei exige do gestor público efetivo planejamento fazendo com que se evite compras desnecessárias, com preços acima dos praticados no mercado e o superfaturamento. Preconiza que as licitações alcancem o resultado de contratação mais vantajoso para a administração e para a sociedade”, relatou. 
 
Outro ponto fundamental enfatizado pela nova lei, de acordo com Eduardo Dionizio, é que a administração deve manter de forma permanente práticas de gestão de riscos e de controle preventivo sobre as contratações, tudo isso para que os recursos públicos alcancem os seus objetivos. “Por fim, embora não tenha inovado de forma significativa no aspecto da simplificação, a nova lei representa sim importante avanço, porquanto exige do gestor público adequado planejamento e a busca do melhor resultado nas contratações, além do que deve manter controle efetivo a fim de devolver à sociedade produtos e serviços de qualidade”, argumentou.
 
Para o presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), Valdir Couto de Souza Júnior (PSDB), que é prefeito de Nioaque (MS), a “Nova Lei de Licitações” já entraria em vigor em abril de 2023, sendo prorrogado o prazo para sua aplicação até o dia 31 de dezembro de 2023. “Essa prorrogação possibilitou aos municípios se estruturarem e capacitarem seus servidores municipais. A própria Associação fez capacitações e congressos para viabilizar uma transição mais efetiva. O Governo do Estado também vem incentivando e fazendo parceria com a gente para capacitação dos servidores, portanto, acredito que todos os municípios já estão aptos para aplicação da nova lei”, assegurou.
 
A procuradora-geral do Estado Ana Carolina Ali Garcia também é da mesma opinião do presidente da Assomasul. “O Estado está compartilhando as suas práticas pré-implementação da Nova Lei de Licitações com os gestores e técnicos municipais também por intermédio de eventos presenciais e, no ambiente virtual, por meio da página eletrônica da Procuradoria Geral do Estado (PGE), onde estão os normativos, os pareceres referenciais, vídeos e aulas. A PGE também tem trabalhado na capacitação do servidor, que é o instrumento de origem de orientação”, ressaltou.
 
Ana Carolina Ali acrescentou que, para o gestor e por intermédio de parcerias, a PGE conta com as parcerias com  a Fundação Escola de Governo de Mato Grosso do Sul (Escolagov), com a Secretaria Estadual de Administração e com a Fundação Estadual Jornalista Luiz Chagas de Rádio e TV Educativa de Mato Grosso do Sul (Fertel) para fazer a difusão desses conhecimentos até os municípios do interior.

eleições 2026

Flávio Bolsonaro não vem a MS e Riedel afirma que não haverá impacto na campanha

Governador disse que é normal o candidato a presidência não visitar todos os estados, assim como ele, que concorre a reeleição ao governo, não irá aos 79 municípios

24/08/2026 18h34

Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo Grande

Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo Grande Foto: Paulo Ribas

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O governador de Mato Grosso do Sul e candidato a reeleição, Eduardo Riedel (PP), minimizou o fato do senador e candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) não vir a Mato Grosso do Sul durante a campanha eleitoral, afirmando que a não visita não terá impacto na campanha da direita no Estado.

A informação de que Flávio não deve vir ao Estado no período de campanha foi repassada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável, e que cumpre uma série de agendas em Campo Grande nesta segunda-feira (24).

Riedel disse que apesar de Flávio não vir, a esposa dele, Fernanda Bolsonaro, deve vir "em algum momento". O governador ressaltou que o apoio permanece.

"Nós somos o Flávio aqui em Mato Grosso do Sul, está aqui o coordenador-geral da campanha, a gente tem que se somar agora. O Brasil é muito grande, a campanha é muito curta. Eu não vou conseguir ir nos 79 municípios, vou em diversos, mas tenho certeza que terá algum Eduardo Riedel me representando, como aqui está o Flávio Bolsonaro representado, então nenhum impacto", disse o governador.

Riedel disse ainda que a majoritária está bem consolidada, fruto de um arranjo politico-partidário que envolve PP, PL, MDB, Republicanos, PSD, PSDB, e que a centro-direita se uniu.

Ela ressalta, no entanto, que alguns políticos dos partidos citados tem posição diferente e acabaram manifestando apoio a candidatos de outra vertente política, como é o caso de cerca de 40 prefeitos bolsonaristas que declararam apoiar o petista Vander Loubet (PT) ao Senado.

"Um ou outro que tem uma posição diferente para um voto específico, é natural que se manifeste, mas eu não acredito que haja um impacto nessa composição", avaliou Riedel.

Marinho discursa em evento

Em encontro com políticos e apoiadores, no comitê do PL em Campo Grande, Rogério Marinho discursou e teceu elogios a senadora Tereza Cristina (PP), afrimando que ela é uma liderança importante não só no setor do agro, mas em todo o Brasil, pelo trabalho que exerce e capacidade de "construir consensos".

Ele também elogiou os demais candidatos ao Senado pela aliança, Capitão Contar e Reinaldo Azambuja, afirmando estar "falando para convertidos", se referindo ao fato de que o público era composrto de pessoas da centro-direita.

A nível nacional, Marinho teceu críticas ao PT e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e alegou que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido boicotado pelo Judiciário.

Por fim, ele disse que não há terceira via no Brasil e defende a eleição de Flávio como forma de tirar o PT do governo. 

Marinho disse ainda que, caso seja eleito, a primeira medida de Flávio será entregar um projeto de lei que proíbe a reeleição presidencial.

"Flávio vai pensar nas próximas gerações, porque ele não está preocupado em se reeleger, ele está preocupado em deixar um legado, ele tá preocupado em honrar o legado de Jair Messias Bolsonaro", concluiu Marinho.

 Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, cumpriu agenda em Campo GrandeRiedel, Azambuja e demais políticos da centro-direita participaram de reunião com o senador Rogério Marinho (Foto: Paulo Ribas)

Eleições 2026

Pardal já soma 19 denúncias de irregularidades eleitorais em MS

Consulta feita pelo Correio do Estado mostra que Campo Grande concentra 12 registros

24/08/2026 16h30

Aplicativo Pardal

Aplicativo Pardal Gerson Oliveira

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Consulta feita pelo Correio do Estado ao painel público do Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral destinada ao recebimento de denúncias sobre propaganda irregular, mostra que Mato Grosso do Sul já contabiliza 19 ocorrências relacionadas às eleições de 2026.

O levantamento foi realizado nesta segunda-feira (24), e considera os registros apresentados desde 16 de agosto, data do pontapé oficial do período de campanhas eleitorais. O número representa três denúncias a mais em relação ao balanço do encerramento da primeira semana, que apontava 16 ocorrências.

Campo Grande concentra 12 registros, o equivalente a mais de 60% das denúncias feitas no Estado. Dourados aparece em seguida, com duas. Ivinhema, Jardim, Miranda, Nova Andradina e Três Lagoas possuem uma ocorrência cada.

Na Capital, as denúncias envolvem distribuição de material gráfico, comícios e showmícios, utilização de bens públicos, propaganda na internet e outdoors. Um dos registros aparece no sistema sem a informação sobre o tipo de irregularidade apontada.

Em Dourados, uma denúncia está relacionada ao uso de bens públicos e outra à propaganda na internet. Ivinhema tem um caso envolvendo omissão de informações obrigatórias, enquanto Jardim e Nova Andradina registraram ocorrências relacionadas a outdoors. Em Miranda e Três Lagoas, as denúncias tratam de propaganda eleitoral na internet.

Entre os cargos envolvidos, candidatos a deputado estadual e a deputado federal aparecem empatados, com oito denúncias cada. As duas ocorrências restantes têm como alvo candidaturas ao governo de Mato Grosso do Sul.

O painel público do Pardal não informa os nomes dos candidatos ou responsáveis denunciados. O relatório disponibilizado pela Justiça Eleitoral apresenta somente o município, o tipo de irregularidade, o cargo envolvido e a situação da ocorrência. Os nomes podem constar no ambiente interno da Justiça Eleitoral ou em processos do PJe que não estejam sob sigilo.

A propaganda na internet é o tipo mais frequente, com quatro registros. Bens públicos, comícios e showmícios, distribuição de material gráfico e outdoors aparecem com três denúncias cada. Também há uma ocorrência por omissão de informações obrigatórias e outra sem classificação.

Das 19 denúncias apresentadas em Mato Grosso do Sul, 15 já foram peticionadas no Processo Judicial Eletrônico. Outras duas permanecem em andamento e duas foram baixadas do sistema. A maior parte dos registros, 13, foi enviada por aparelhos com sistema iOS, enquanto seis partiram de dispositivos Android.

O registro no Pardal não significa que a irregularidade tenha sido comprovada. As informações encaminhadas pelos eleitores passam pela análise da Justiça Eleitoral, que verifica a existência de elementos mínimos e define as providências cabíveis para cada caso.
 

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