Política

PRESIDENTE DA CÂMARA

'O sonho se tornou um pesadelo', diz Mario Cesar sobre administração de Bernal

'O sonho se tornou um pesadelo', diz Mario Cesar sobre administração de Bernal

CRISTINA MEDEIROS

09/03/2014 - 18h00
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Se depender da vontade da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campo Grande, o prefeito Alcides Bernal (PP) será julgado e, com as articulações partidárias, até cassado pelo Legislativo, na próxima quarta-feira. A Casa de Leis fará sessão especial para votar processo de cassação do administrador da maior cidade de Mato Grosso do Sul, por ter cometido irregularidades constatadas pela CPI do Calote e, logo depois, pela Comissão Processante. Na primeira tentativa de cassar o mandato em dezembro, o prefeito se beneficiou do Judiciário, após guerra de liminares; mas, desta vez, o presidente da Casa, Mario Cesar (PMDB), diz não ter dúvidas de que a sessão será encerrada com uma decisão do plenário. Na entrevista, via e-mail, o vereador diz esperar que os colegas tenham discernimento e maturidade para votar com responsabilidade, que poderá determinar, ou não, a perda do cargo do prefeito. Sobre a possibilidade de possível despejo do prédio, por força de ação judicial, Mario Cesar sai atirando contra Bernal: “Esperamos que o prefeito não cometa mais essa irresponsabilidade”. Veja a entrevista.

Com decisão do Superior Tribunal de Justiça, a Câmara de Campo Grande voltará a julgar relatório com pedido de cassação do prefeito Alcides Bernal (PP). Qual postura a população deve esperar dos vereadores?
Espero que os vereadores tenham discernimento e maturidade sobre os crimes político-administrativos cometidos pelo prefeito Alcides Bernal. A população elegeu os parlamentares para melhor representá-la, e uma das principais funções do Legislativo é fiscalizar. Fizemos isso e foram constatadas irregularidades. A população pode ter certeza de que vamos agir com responsabilidade, lisura e transparência. É o mínimo que podemos fazer pelo bem de nossa cidade.

Em uma primeira análise, seria possível a bancada de sustentação conseguir os dez votos necessários para salvar o mandato do prefeito?
O prefeito está preocupado apenas em se salvar da cassação, quando, na verdade, deveria ter uma base para melhorar a governabilidade, possibilitando, assim, uma gestão pública eficiente. Essa postura demonstra, mais uma vez, que a única preocupação dele é não ser cassado, deixando de lado os interesses da população. A tendência é de que a maioria vote pela cassação do seu mandato. Mas isso só será possível saber após o término da sessão.

Ainda cabe recurso em favor de Bernal. Neste caso, o senhor considera que há tempo hábil para uma nova reviravolta jurídica, capaz de travar todo o processo, como ocorreu em dezembro?
A Justiça está aí para salvaguardar o direito de todos. Esperamos que, com essa decisão, do STJ, feita pelo ministro Felix Fischer, na qual ele destacou que não houve nenhum erro de forma ou irregularidade na condução da Câmara sobre o processo, possamos concluir a sessão de julgamento.

Qual é o sentimento geral na Casa de Leis sobre o desempenho da administração
municipal?

O sentimento da Câmara Municipal de Campo Grande é reflexo do que a população pensa, que apostou numa mudança, e essa transformação não aconteceu nos mesmos moldes que foram prometidos durante a campanha política, em 2012. Ou seja: o sonho se tornou um pesadelo. Campo Grande sofre com esse equívoco eleitoral que aconteceu no município, com um índice de rejeição nunca visto em gestões anteriores.

Há uma semana, o Correio do Estado publicou pesquisa apontando queda acentuada na aprovação do prefeito. O senhor não acha que o resultado é um indicador para que os vereadores votem a favor da cassação?
O julgamento dos crimes político-administrativos cometidos pelo prefeito Alcides Bernal não estão vinculados à desaprovação de sua administração. Mas, sem dúvida nenhuma, esse resultado vem ratificar o que a Câmara já havia detectado no ano passado e, naquele momento, não estava sendo compreendida. Após 15 meses de mandato, vejo que a população está legitimando o que tínhamos previsto. Essa pesquisa é um indicador que o povo está nos dando, para que possamos tomar essa importante decisão.

No caso de Bernal não comparecer à sessão, qual será a medida adotada para não comprometer o processo?
Se o prefeito não comparecer, ele pode ser representado por seu advogado. Se nenhum dos dois aparecerem, a sessão acontecerá da mesma maneira, e a Câmara, inclusive, nomeou um advogado para representá-lo e garantir seu direito de defesa.

Em meio ao processo de cassação, a Câmara vive expectativa de despejo. Qual será a posição da Mesa Diretora nesta longa disputa judicial com proprietários do imóvel?
O que a Câmara poderia fazer ela fez. Tentamos abrir todas as tratativas com o prefeito. Fomos, inclusive, ao Ministério Público, para nos auxiliar nesse processo. Esperamos que ele não cometa mais essa irresponsabilidade com a população. Fizemos economia de duodécimo e devolvemos para ele quantia significativa. Falta de dinheiro em caixa não é desculpa.

Há alguma solução imediata para, ao menos, evitar o despejo neste momento de grande tensão política na Casa de Leis?
Sim. Vontade do prefeito de Campo Grande para resolver o problema. Depende só do Executivo uma solução para acabarmos com uma novela que se arrasta há, pelo menos, uma década em Campo Grande. É preciso deixar claro que o problema deve ser resolvido.

Em dezembro, Bernal mandou secretários e sem-teto para tumultuar a sessão. Houve, até, denúncia de que uma integrante do seu primeiro escalão levara pedras na bolsa para atingir vereadores. Como pretende evitar a repetição desse quadro de violência?
Lamento muito que o prefeito tenha organizado uma desordem pública como essa, levando seu primeiro escalão e servidores comissionados para tumultuar a sessão de julgamento. Para evitar qualquer violência, vamos tomar todas as providências possíveis, para salvaguardar os direitos das pessoas de bem que queiram acompanhar o destino de Campo Grande, o trabalho da imprensa, dos vereadores, enfim, de todos que queiram participar desse momento histórico, mas triste, pelo qual estamos passando.

Recentemente, a Comissão de Saúde constatou sobras de caixa de R$ 43 milhões; em contrapartida, os postos oferecem péssima prestação de serviços à população. Qual a medida a ser tomada pela comissão. O MPE será acionado?
A Comissão de Saúde trabalha para solucionar esse grave problema. É lamentável que a população precisando tanto de serviços públicos de saúde não os tenha, mesmo com tanto dinheiro em caixa. Já vi administrações não fazerem por não terem verbas para isso, mas sobrando dessa maneira é a primeira vez. Novamente, é a população que paga por esse equívoco político. 

Eleições 2026

Aldeia de MS declara apoio a Lula e veta campanha de Flávio Bolsonaro

Vice-cacique Ester Salina afirma que decisão foi tomada pela comunidade para defender direitos indígenas e o território

10/10/2026 16h15

Aldeia  Pirajuí, em Paranhos

Aldeia Pirajuí, em Paranhos Arquivo Pessoal

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A comunidade indígena da Aldeia Pirajuí, em Paranhos, localizada a 465 km de Campo Grande, decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 e orientou apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) a não entrarem na reserva para fazer campanha eleitoral. Segundo a vice-cacique Ester Salina, a decisão foi tomada pelos próprios moradores, com o objetivo de defender os direitos dos povos indígenas e o território tradicional.

“Primeiramente, nós, povos indígenas, entendemos perfeitamente que a Constituição está em risco, ao distinguir os nossos direitos dos artigos 231 e 232. Sendo assim, a nossa comunidade entendeu muito bem quais riscos estamos correndo se os nossos direitos forem engolidos”, afirmou Ester em entrevista ao Correio do Estado, neste sábado (10).

A vice-cacique disse que a posição da comunidade também considera propostas associadas ao candidato da direita e os possíveis impactos sobre os direitos indígenas, caso ele seja eleito. Ela, porém, não detalhou quais propostas motivaram a preocupação.

Em comunicado divulgado pela comunidade, a Aldeia Pirajuí declara estar “fechada com o Lula no 2º turno” e pede que pessoas interessadas em fazer campanha para Flávio Bolsonaro evitem entrar na reserva.

Aldeia  Pirajuí, em Paranhos

“Em respeito à decisão soberana da comunidade e pela segurança das pessoas que queiram fazer campanha para o 22, orientamos que evitem entrar na Reserva Indígena Aldeia Pirajuí”, diz o texto, que também solicita respeito à decisão dos moradores.

Ester ressaltou que o posicionamento não foi imposto pelas lideranças nem resultado de interferência de grupos ligados aos dois lados da disputa política. Segundo ela, a comunidade deliberou sobre o apoio e as lideranças tiveram de respeitar a escolha.

“Essa decisão foi colocada pela comunidade de Pirajuí. E nós, como liderança, tivemos que acatar a decisão da comunidade”, declarou.

A vice-cacique também negou influência externa na definição do posicionamento eleitoral. “A comunidade tem autonomia suficiente para decidirmos sem intervenção de ninguém dos dois lados. Não teve influência de ninguém, nem da direita nem da esquerda. Só estamos defendendo o nosso direito e território”, afirmou.

A orientação divulgada pela aldeia é direcionada à entrada de pessoas que pretendam fazer campanha para o candidato do PL. O comunicado não detalha como a medida será aplicada nem menciona eventuais episódios anteriores envolvendo representantes de campanhas eleitorais.

Ester acrescentou que a localização da aldeia na fronteira seca e a falta de segurança também influenciaram a decisão. Segundo ela, moradores indígenas enfrentam ameaças e intimidações durante os períodos eleitorais.

“E mais um fato importante que também influenciou a comunidade a tomar essa decisão: nossa aldeia está localizada na fronteira seca, onde não temos segurança suficiente. Nós sabemos o perigo que nossos eleitores correm a cada eleição, por meio de ameaças e intimidações dos não indígenas”, finalizou.

IMPASSE ELEITORAL

Disputas judiciais podem gerar alteração em três cadeiras da Assembleia Legislativa

Jamilson tenta validar votos no TSE, enquanto as situações de Guerreiro e Lidio podem provocar outras mudanças

10/10/2026 08h00

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A composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) para a legislatura de 2027 a 2030 ainda pode sofrer alterações, em razão de questões judiciais envolvendo o deputado estadual Jamilson Name (PP), o deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro (PSDB) e o deputado estadual reeleito Lidio Lopes (Avante).

Conforme apuração do Correio do Estado, até esta sexta-feira ainda não havia decisões que efetivassem as substituições projetadas após a eleição de domingo, porém, as disputas judiciais que podem alterar três cadeiras da Casa de Leis podem se estender além da diplomação e da posse dos deputados eleitos e reeleitos. 

Os possíveis beneficiados, porém, evitam comentar a perspectiva de assumir um mandato por decisão judicial. O vereador campo-grandense Silvio Pitu (PSDB), apontado como possível substituto de Guerreiro, afirmou que não acompanha a questão.

Já o deputado estadual Junior Mochi (MDB), que poderia conquistar uma cadeira em um cenário de anulação dos votos de Lidio por suposta compra de votos, também preferiu não se manifestar.

RECURSO NO TSE

A movimentação judicial mais concreta envolve Jamilson Name, que recebeu 35.211 votos, atualmente sub judice. Sua defesa apresentou agravo interno contra a decisão do ministro Sebastião Reis Júnior, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que indeferiu o registro de candidatura após recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE).

Os advogados pediram urgência na análise pelo plenário, o restabelecimento do registro e o aproveitamento dos votos, além das providências necessárias para retotalização, diplomação e exercício do mandato.

A defesa sustenta que a votação obtida reforça a necessidade de uma definição do colegiado, embora não substitua o exame jurídico da candidatura.

No recurso, os advogados também contestam a fundamentação utilizada para barrar o registro. Argumentam que não foi demonstrada a integração da estrutura econômica atribuída ao parlamentar à organização armada investigada em outro processo nem interferência concreta dessa estrutura nas eleições.

Se os votos de Jamilson forem validados, a projeção aponta sua entrada na lista de eleitos e a passagem do deputado estadual reeleito Marcio Fernandes (PL) à suplência.

Nesse cenário, o PL cairia de nove para oito deputados, enquanto a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, ampliaria a bancada de quatro para cinco parlamentares.

Marcio, por sua vez, afirmou na terça-feira que considera sua eleição confirmada pelo resultado divulgado e aguarda a definição judicial. “Eu estou eleito, cabe à Justiça definir o que vai acontecer para a frente, só Deus sabe. Eu estou eleito”, declarou.

GUERREIRO E PITU

Ex-prefeito de Três Lagoas, Ângelo Guerreiro permanece com o registro de candidatura apresentado como deferido na atualização consultada.

A discussão envolve os possíveis efeitos eleitorais da condenação por improbidade administrativa relacionada a contratos de coleta de lixo durante sua gestão na prefeitura municipal.

Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) rejeitou um pedido de suspensão da candidatura, mas não resolveu o mérito de eventual inelegibilidade decorrente da condenação.

A defesa anunciou recursos contra o julgamento na Justiça estadual, alegando nulidades processuais e buscando a reforma da decisão.

A possível entrada de Pitu depende de Guerreiro ser impedido de ocupar a cadeira e de seus votos permanecerem válidos para a Federação PSDB-Cidadania. Se houver anulação da votação, os efeitos poderão alcançar a distribuição de vagas entre as legendas, exigindo outro cálculo.

Procurado para comentar o cenário, Pitu destacou o desempenho eleitoral do correligionário e lamentou que a federação não tenha conquistado mais uma cadeira. “O Ângelo Guerreiro foi muito bem votado. Não estou acompanhando isso. Prefiro não comentar. Lamento muitíssimo o PSDB não ter eleito quatro”, afirmou.

LIDIO E MOCHI

No caso de Lidio Lopes, a possibilidade de mudança está relacionada à suspeita de compra de votos envolvendo um assessor de sua equipe. O deputado negou participação e atribuiu o episódio a uma ação isolada do funcionário.

ão há decisão de cassação ou anulação de votos confirmada nas informações reunidas.

A projeção apresentada à reportagem considera que uma eventual cassação acompanhada da anulação dos votos de Lidio poderia beneficiar Junior Mochi. Nessa hipótese, o Avante perderia sua única cadeira e o MDB passaria de um para dois representantes.

A vaga, entretanto, não seria transferida automaticamente. A retirada dos votos exigiria nova totalização e recálculo da distribuição das cadeiras entre partidos e federações. Mochi evitou avaliar a possibilidade de retornar à Assembleia por esse caminho. “Não quero comentar. Essa questão cabe ao Judiciário”, disse.

PRAZOS

A diplomação e a posse não encerram, por si só, as possibilidades de mudança na Assembleia Legislativa. A legislação estabelece prazos para apresentar as contestações, mas o julgamento de uma ação proposta dentro do período permitido pode ocorrer já no mandato.

Ações de investigação judicial eleitoral por abuso de poder e representações por compra de votos podem ser apresentadas até a diplomação.

O recurso contra expedição de diploma, restrito às hipóteses legais de inelegibilidade e falta de condição de elegibilidade, tem prazo, em regra, de três dias contados da diplomação.

Já a ação de impugnação de mandato eletivo, fundamentada em abuso de poder econômico, corrupção ou fraude, pode ser proposta até 15 dias depois da diplomação. Esses prazos não representam uma data obrigatória para conclusão dos processos.

No caso de Jamilson, a discussão sobre o registro já está em andamento no TSE. Nos demais cenários, eventual alteração dependerá das medidas cabíveis, das provas e dos efeitos das decisões.

Assim, os deputados podem tomar posse e ainda enfrentar questionamentos capazes de modificar a composição da Casa ao longo da legislatura.

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