Política

INVESTIGAÇÃO

ONG que recebeu repasse de Pollon é alvo de operação em SP

Instituto Conhecer Brasil, presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, é investigado por supostas irregularidades em contrato de internet pública de R$ 157 milhões

Continue lendo...

A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), administrada pela empresária Karina Ferreira da Gama e citada em investigações sobre emendas parlamentares destinadas por integrantes do PL, entre eles o deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon, foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (1º).

De acordo com o portal g1 São Paulo, a investigação apura suspeitas de fraude e possível desvio de recursos públicos em um contrato firmado entre a entidade e a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos de internet sem fio na capital paulista.

Segundo a Polícia Civil, o contrato originalmente estimado em R$ 108 milhões por ano chegou a R$ 157,1 milhões após a celebração de aditivos pela administração municipal. Os investigadores apuram se pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos sem a efetiva prestação dos serviços contratados.

A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados à empresária Karina Ferreira da Gama e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pela gestão do contrato. O objetivo é recolher documentos, computadores e aparelhos eletrônicos que possam auxiliar no avanço das investigações.

Conforme informações divulgadas pelo g1, o inquérito aponta indícios de direcionamento no processo de contratação da ONG. A Polícia Civil sustenta que o Instituto Conhecer Brasil não possuía histórico de atuação nem experiência comprovada no setor de telecomunicações antes de vencer o chamamento público.

Ainda segundo a investigação, os valores cobrados pela entidade estariam acima dos praticados no mercado e dos custos registrados por empresas ligadas ao próprio município. O contrato previa a instalação de 5 mil pontos de conectividade até junho de 2025, mas apenas 3,2 mil teriam sido entregues dentro do prazo.

Os investigadores também apontam que a prefeitura teria antecipado pagamentos de aproximadamente R$ 26 milhões sem a correspondente execução dos serviços. Parte desses repasses, segundo a polícia, ocorreu quando apenas seis pontos de internet estariam efetivamente em funcionamento.

Ligação com investigação no STF

O nome de Karina Ferreira da Gama já havia aparecido em outra investigação de repercussão nacional. Conforme reportagem publicada pela Agência Brasil em maio deste ano, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que parlamentares prestassem esclarecimentos sobre emendas destinadas a entidades ligadas à empresária.

Além do Instituto Conhecer Brasil, Karina também preside a Academia Nacional de Cultura (ANC) e é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A investigação teve origem em representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que questionou a destinação de recursos públicos para entidades vinculadas à empresária. A parlamentar levantou a hipótese de que organizações e empresas sob sua gestão poderiam atuar de forma integrada, dificultando a rastreabilidade da aplicação dos recursos.

Entre os parlamentares citados na apuração está o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS).

Segundo informações encaminhadas ao STF e divulgadas pela Agência Brasil, Pollon indicou R$ 1 milhão para um projeto audiovisual denominado Heróis Nacionais - Filhos do Brasil que não se rendem. O projeto seria executado por entidade ligada a Karina Ferreira da Gama.

Contudo, conforme esclarecimentos apresentados pelo parlamentar, a iniciativa não avançou devido ao não cumprimento de requisitos técnicos necessários para sua execução. Diante disso, foi solicitado o redirecionamento dos recursos para o Hospital de Amor de Barretos, em São Paulo.

Em nota divulgada à época, a assessoria de Pollon afirmou que a destinação ocorreu de forma regular, transparente e dentro das prerrogativas legais do mandato parlamentar.

“A inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos”, sustentou o deputado em manifestação encaminhada ao STF.

A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) também informou ter destinado recursos para o mesmo projeto, mas afirmou que a indicação não foi executada. Já o deputado Mário Frias (PL-SP) negou irregularidades e afirmou que os projetos financiados não possuem relação com o filme Dark Horse.

Assine o Correio do Estado

eleição

Colômbia vai às urnas neste domingo (31), com possível guinada à direita

Na ampla lista de candidatos, as pesquisas mostraram uma corrida acirrada entre três líderes: o governista Iván Cepeda e os opositores Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia

31/05/2026 09h45

Continue Lendo...

Em meio a alertas por violência de grupos armados ilegais e uma campanha marcada pela divisão entre continuar ou reverter as políticas do presidente Gustavo Petro, os colombianos vão às urnas neste domingo para eleger um novo governante entre uma lista de 11 candidatos.

Na ampla lista de candidatos, as pesquisas mostraram uma corrida acirrada entre três líderes: o governista Iván Cepeda e os opositores Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, deixando para trás até agora outros candidatos que representam setores mais moderados.

Cepeda, senador e candidato pelo governista Pacto Histórico, prometeu aprofundar a agenda política de Petro, ampliando programas sociais e continuando com as reformas do sistema previdenciário e trabalhista, enquanto busca que o Congresso aprove a polêmica reforma da saúde.

Enquanto isso, Valencia, afilhada política do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), e De la Espriella, simpatizante de Donald Trump e Nayib Bukele, prometeram dar ao país uma guinada para priorizar a austeridade do Estado e a mão dura contra os grupos armados ilegais e os narcotraficantes.

Entre os líderes, Cepeda é o único que continuaria com a política de "paz total" com a qual Petro iniciou diálogos paralelos com os grupos revolucionários ilegais, aos quais ainda não conseguiu desarmar.

O próximo inquilino do palácio presidencial deverá governar em um país com cerca de 27 mil insurgentes, segundo cálculos da Fundação Ideias para a Paz, um centro de pesquisa sobre o conflito interno. Uma década após a assinatura do acordo de paz com as extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o país ainda lida com dissidências dessa guerrilha e outros grupos armados como o cartel Clã do Golfo e a guerrilha Exército de Libertação Nacional, alimentados pelo narcotráfico e a mineração ilegal.

Os locais de votação serão abertos às 10h e fecharão às 18h, ambos os horários são de Brasília. No total, 41,4 milhões de colombianos estão habilitados para votar. A Registraduría Nacional iniciará hoje a contagem dos votos, sem horários fixos para entregar o resultado inicial, que tem uma função informativa e que nos dias posteriores será verificado durante a apuração em que será declarada a eleição.

A jornada eleitoral contará com aproximadamente 1, 5 mil observadores de organizações e missões internacionais que vigiarão sua transparência, incluindo o Centro Carter e a União Europeia.

Eleições

Colômbia decide amanhã se continua com modelo social de Petro ou se vira para direita

São 41,1 milhões os colombianos registrados no cadastro eleitoral, incluindo aqueles que residem no exterior

30/05/2026 21h00

Presidente Gustavo Petro

Presidente Gustavo Petro Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Os colombianos têm neste domingo (31) um encontro com as urnas para eleger o sucessor do presidente Gustavo Petro, em uma disputa eleitoral que se limita ao seguidor de seu modelo social, Iván Cepeda, e àqueles que apostam em uma guinada à direita, Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, em meio a uma forte polarização e ao fracasso do atual governo em trazer a paz ao país.

São 41,1 milhões os colombianos registrados no cadastro eleitoral, incluindo aqueles que residem no exterior, que já puderam começar a votar ao longo desta semana. Nesta ocasião, os eleitores elegerão exclusivamente o presidente e o vice-presidente, uma vez que as eleições legislativas já foram realizadas em março.

Para evitar um segundo turno, qualquer candidato deve obter mais de 50% dos votos. O único capaz de conseguir isso, segundo algumas pesquisas, é Cepeda, que esteve durante toda a campanha na liderança das pesquisas, o que garante, pelo menos, sua passagem para o segundo turno em 21 de junho.

Cepeda prometeu dar continuidade à agenda progressista do presidente cessante Gustavo Petro, que buscou reforçar a presença do Estado em questões como aposentadorias e saúde, bem como reiniciar qualquer processo de negociação de paz apenas com os grupos armados que deixarem de assassinar líderes sociais.

As pesquisas mais otimistas atribuem a Cepeda até 44% dos votos, enquanto as mais cautelosas o colocam dez pontos abaixo. O candidato do Pacto Histórico, no entanto, corre o risco de ser derrotado em um hipotético segundo turno diante da previsível união das forças conservadoras.

Apesar de ter ampla experiência no Congresso, este filósofo e defensor dos Direitos Humanos reforçou sua carreira política com sua disputa judicial contra o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe por suas supostas ligações com grupos paramilitares e testemunhas falsas, pela qual foi condenado e posteriormente absolvido.

Cepeda participou de vários processos de negociação com grupos armados, entre eles o de 2016 com as extintas FARC, e, como defensor dos direitos humanos, conseguiu o reconhecimento como genocídio do massacre de mais de 5.700 pessoas por sua militância na União Patriótica (UP), da qual seu pai fez parte antes de ser assassinado em 1994 em uma trama entre o Estado e os paramilitares.

CANDIDATOS CONSERVADORES

O melhor colocado para disputar essa liderança de Cepeda nas pesquisas é o autoproclamado "outsider" da política colombiana Abelardo de la Espriella, um empresário e polêmico ultradireitista que, como advogado, chegou a representar figuras controversas como o fraudador condenado David Murcia Guzmán e Alex Saab, considerado o testa-de-ferro do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

"Recuperar a força pela razão ou pela força dentro do marco da lei" é um dos lemas de campanha desse admirador confesso do presidente Donald Trump e de sua política antidrogas. Assim como têm feito outros líderes conservadores da região, ele apostou no modelo de mão dura do salvadorenho Nayib Bukele.

De la Espriella também falou de um plano de choque para resolver a crise humanitária que existe no setor de saúde colombiano e de uma luta implacável contra a corrupção, prometendo devolver aos bolsos dos colombianos os mais de 20 milhões de euros que estima serem desviados a cada ano.

Sob sua candidatura independente Defensores da Pátria, as pesquisas lhe atribuem entre 30% e 37% dos votos, algumas das mais otimistas, embora outras, como as da emissora Caracol ou do jornal 'El Tiempo', mostrem uma diferença de até dez pontos a favor do candidato do partido no poder.

A terceira colocada é a senadora Paloma Valencia, membro de uma dinastia de políticos conservadores como o ex-presidente Guillermo León Valencia. A candidata do Centro Democrático é a escolhida pelo ex-presidente Uribe para estas eleições, nas quais obteria 14% dos votos, insuficiente para um segundo turno

Assim como De la Espriella, ela propõe aumentar as ofensivas militares contra os grupos armados, inclusive com a colaboração dos Estados Unidos, impor mais medidas punitivas e se mostrou em desacordo com a justiça especial decorrente dos acordos de paz de 2016 e de qualquer solução negociada.

Além disso, defende uma visão conservadora da família, negou que o aborto seja um direito das mulheres e se opôs à adoção por casais do mesmo sexo, algo que reiterou diante de quem será seu companheiro de chapa presidencial, Juan Daniel Oviedo, um candidato abertamente homossexual.

Valencia ainda é lembrada por ter proposto, há alguns anos, dividir o departamento de Cauca em dois: um para os indígenas - a quem acusou de conivência com as FARC -, "para que eles façam suas greves, suas manifestações e suas invasões", e outro com vocação para o desenvolvimento, que seria destinado ao restante dos habitantes.

DESAFIOS PARA A PRÓXIMA LEGISLATURA

Uma das grandes preocupações do eleitorado são os problemas do sistema público de saúde. À falta de medicamentos e de pessoal somam-se problemas de gestão, de recursos e a chegada de milhares de venezuelanos que chegam às áreas fronteiriças para receber assistência que não podem obter em seu país.

Petro deixará a Casa Nariño com sua reforma da saúde arquivada no Congresso após mais de um ano de debates, com a qual pretendia, por exemplo, reforçar a rede de centros de atenção primária, mas, acima de tudo, que o Estado centralizasse o controle dos recursos, acabando assim com a mediação das empresas privadas, às quais acusa de uso indevido de fundos, sendo este o principal ponto de atrito.

Juntamente com a saúde, a corrupção e a segurança são os outros temas que mais preocupam o eleitorado. A Colômbia continua sendo um dos países mais violentos da região. Segundo dados oficiais, em 2025 a taxa de homicídios foi a mais alta desde 2021, chegando a 14.000. Nos últimos cinco anos, os grupos armados duplicaram o número de seus membros; o caso mais emblemático é o do Clã do Golfo.

Sua ambiciosa política de paz esbarrou na dura realidade de que o narcotráfico, o verdadeiro motor que move esses grupos armados, continua sendo muito mais lucrativo do que as alternativas que o Estado pode oferecer, apesar de ter reduzido o número de pobres, aumentado o salário mínimo e apresentado previsões de crescimento ligeiramente superiores às dos demais países da região.

Apesar de Petro ter conseguido levar adiante sua reforma agrária, formalizando 1,7 milhão de hectares, promovendo a substituição de plantações ilícitas em vez de recorrer à erradicação e realizando algumas das maiores apreensões de cocaína dos últimos anos, as plantações de coca estão em níveis históricos.

Seja quem for o próximo presidente, ele deverá levar suas promessas eleitorais a um Congresso onde o Pacto Histórico, do partido do governo, é a maior força política em ambas as câmaras, seguido pelo Centro Democrático, o que prenuncia uma polarização significativa, na qual outras formações tradicionais, como liberais e conservadores, serão decisivas para formar maiorias e possíveis coalizões de governo.

Este conteúdo é de inteira responsabilidade da Europa Press e não representa a opinião do Grupo Estado, que não é responsável por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base no material disponibilizado.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).