Política

IMPASSE

Oposição quer CPI na Saúde e gera 'cabo de guerra' na Câmara de Campo Grande

Bancadas chegaram a analisar o requerimento, entretanto Comissão dependia de 10 assinaturas para ser instaurada

Continue lendo...

Na Câmara Municipal de Campo Grande alguns parlamentares que fazem oposição ao mandato da chefe do Executivo da Capital, Adriane Lopes (PP), buscam tirar do papel uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a área da saúde na Cidade Morena, movimentação essa que têm compilado assinaturas mas também dividido opiniões entre os vereadores locais. 

Na Casa de Leis da Capital do Mato Grosso do Sul, que fica localizada no número 1.600 da avenida Ricardo Brandão, os seguintes parlamentares assinaram seu "positivo" para tirar a CPI da Saúde do papel: 

  1. Jean Ferreira (PT)
  2. Luiza Ribeiro (PT)
  3. Landmark Rios (PT)
  4. Marquinhos Trad (PV)
  5. Flavio Cabo Almi (PSDB) 
  6. Maicon Nogueira (PP)
  7. Fabio Rocha (União Brasil)
  8. André Salineiro (PL)

Como bem esclarece a parlamentar do Partido dos Trabalhadores, Luiza Ribeiro, as bancadas chegaram a analisar o requerimento, porém, mesmo após feitas alterações em alguns pontos por parte do vereador Jean Ferreira, não foi possível alcançar o total de assinaturas necessárias, que deveriam ser no mínimo 10. 

Luiza lembra que, ainda em 2025, os vereadores entregavam a Comissão do transporte público quando ela mesmo teria se encarregado de entusiasmar Jean a construir o requerimento, sendo inclusive uma das primeiras a assinar o documento para investigar a saúde local. 

Para ela, a CPI seria "imprescindível", uma vez que a cada nova sessão para prestação de contas, segundo Luiza, os vereadores têm entendido que o campo-grandense têm contribuído com o pagamento dos seus impostos, sem que a Capital sofra com problemas de arrecadação. 

"Os impostos estaduais e federais também estão chegando. Toda prestação de contas a gente tem crescimento da receita. E não sabemos o que acontece que cresce a despesa também, mas aquilo que é necessário as pessoas não encontram: o remédio nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA); não acha o servidor; a vaga hospitalar... e precisamos entender o que está acontecendo com a Saúde. Os secretários mudam, como já mudaram várias vezes, mas tudo fica da mesma maneira", diz. 

Cabo de guerra

Entre os que apoiam a instauração de uma CPI para investigar a saúde de Campo Grande aparecem também nomes do mesmo espectro político do Partido Progressistas, sigla da prefeita de Campo Grande, favoráveis a uma Comissão Parlamentar de Inquérito em ano eleitoral.

É o caso do "tucano" do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Flavio Cabo Almi, que apesar de ter dado assinatura positiva para instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito, revela uma "descrença" da Casa de Leis neste tipo de processo. 

"A Câmara está em um processo de que ela não acredita mais na CPI. Tivemos um gasto exorbitante com a do Consórcio Guaicurus. Fizemos todo um trabalho, lutamos, entregamos todos os problemas e para lá nas instâncias superiores. O Poder Legislativo tem que tentar articular para melhorar a vida dos campo-grandenses e não ficar criando CPI para todas as outras pautas e não ver resultado", afirma. 

Do outro lado desta corda aparece, por exemplo, o nome do 1° secretário ex-presidente da Casa de Leis, Carlos Augusto Borges, o Carlão do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que não assinou o documento para instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito por acreditar que, agora, "CPI da Saúde é politicagem". 

"O que nós temos que investigar agora é a questão de alguns pontos que falaram que têm problema, como aquela que faz limpeza no posto de saúde, gestão de compra de remédio. Agora, CPI é o último remédio. Você está com uma dor no peito, vai ao posto de saúde o médico não vai mandar te operar. Tem que fazer um exame... nós temos que fazer uma investigação. Neste momento político eu não assino, acabou a eleição de Governo vamos tratar, eu assino 10 CPIs, que aí eu sei que não tem politicagem", cita. 

Carlão reforça que Jean Ferreira foi o único quem lhe pediu para assinar o documento, a quem o ex-presidente chamou de "gente boa" e "guri trabalhador", mas destacando que sabe de "uns caras" que estariam "fazendo rolo", segundo o vereador para ferrar com a atual prefeita, Adriane Lopes. 

"Agora tem cara que é candidato a vereador, deputado, fazendo política para a esquerda, direita, e quer fazer a CPI da saúde só pensando em política e voto, não na cidade nem no povo pobre que não tem exame, que não está na fila da cirurgia... são as últimas pessoas que ele pensa. Acredita que nós temos que ferrar a Adriane Lopes, mas ela é uma pessoa, eles vão ferrar a cidade", complementa. 

Ele ainda faz questão de reforçar que não seriam todos os oito nomes que assinaram a CPI que estariam de rolo, pois alguns, de fato, querem uma investigação sobre a saúde de Campo Grande. Porém, para Carlos Alguns Borges "a metade quer só ‘piseiro’". 

"Não assino! Estou aqui há 20 anos e sei das pessoas que querem fazer politicagem. Eu não gosto dela, eu não vou ferrar porque ela é Prefeita. Eu falei para Adriane Lopes: 'a senhora está errada, tem secretário que não é competente, não tem condições de estar aí'. Mas eu tenho que ajudar a administração no que eu puder para não ‘ferrar’ o povo", conclui.

Saúde de CG

Neste ano, a Saúde de Campo Grande teve a prestação de contas referente a 2024 reprovada após deliberação do Conselho Municipal de Saúde (CMS) sobre o Balanço Geral Anual do Fundo Municipal de Saúde (FMS) do exercício em questão. 

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) da Cidade Morena teve suas contas reprovadas por falta de informações prestadas para a conferência completa da execução financeira deste setor.

Além de apontadas ausências de: cronograma de desembolso; conciliações e até extratos bancários, o CMS ainda levantou suspeitas sobre suplementações, que nada mais são do que ajustes financeiros para cobertura de gastos, que giram em torno de R$156 milhões. 

Para além disso, a 76ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento administrativo para apurar, entre outros pontos, uma dívida milionária na Saúde de Campo Grande, indicando passivos que ultrapassam a casa de R$197 milhões. 

Com risco de enfrentar cenário de desabastecimento, o MP entrou em ação principalmente após denúncias feitas pelas próprias empresas contratadas pela prefeitura. Essas, por sua vez, relataram ao Ministério Público "dificuldade em receber" pelos serviços prestados. 

Entre esses serviços prestados, por exemplo, estariam especialmente o fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares, com casos de fornecedores que estariam há mais de 500 dias sem receber, o que evidencia o risco de descontinuidade do abastecimento nas unidades e postos de saúde. 

Real Time Big Data

Lula e Flávio estão em empate técnico nos dois turnos da eleição

No primeiro turno, Lula aparece com quatro pontos de vangatem. Em eventual segundo turno, Flávio aparece com um ponto a mais que o petista

01/10/2026 07h16

Esta é a última pesquisa presidencial da Real Time Big Data divulgada antes do primeiro turno e mostra estabilidade nos números relativos a Lula e Flávio

Esta é a última pesquisa presidencial da Real Time Big Data divulgada antes do primeiro turno e mostra estabilidade nos números relativos a Lula e Flávio

Continue Lendo...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 43% das intenções de voto para a Presidência, no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registra 39%, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira, 1º.

Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O equilíbrio se repete em uma eventual disputa de segundo turno, na qual Flávio tem 46% e Lula, 45%.

Renan Santos (Missão) aparece com 4%. Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) têm 3% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) registra 1%. Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Leonardo Avalanche (PRTB), somados, atingem 1%. Brancos e nulos são 3%, e outros 3% não sabem ou não responderam.

Considerando apenas os votos válidos, Lula tem 46%, contra 41% de Flávio. Renan aparece com 5%, Cury e Caiado têm 3% cada, enquanto Zema e os demais candidatos registram 1% cada.

Esta é a última pesquisa presidencial da Real Time Big Data divulgada antes do primeiro turno. No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio, o instituto vem registrando equilíbrio desde o início de setembro. Na rodada de 1º de setembro, os dois tinham 44%. Em 24 de setembro, Flávio marcou 45% e Lula, 44%. Agora, aparecem com 46% e 45%, respectivamente. A única exceção na série foi junho, quando Lula tinha 45% e Flávio, 40%; nas demais rodadas, a diferença ficou dentro da margem de erro.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula tem 38% e Flávio, 34%. Renan e Cury aparecem com 3% cada, Caiado tem 2% e outros nomes somam 1%. Brancos e nulos são 8%, enquanto 11% não sabem ou não responderam.

Segundo turno

Em eventual confronto direto, Flávio tem 46% e Lula, 45%. Brancos e nulos somam 5%, e 4% não sabem ou não responderam. Considerando apenas os votos válidos, o placar é de 51% para Flávio e 49% para Lula.

Lula também aparece tecnicamente empatado com Cury, por 45% a 44%, e com Caiado, por 45% a 43%. Contra Zema, o petista registra 45%, ante 40%, e, diante de Renan, tem 45% contra 38%.

Lula e Flávio também estão empatados na rejeição: 49% dos entrevistados afirmam que não votariam em cada um deles. Renan tem 43%, Caiado, 39%, Zema, 34%, e Cury, 33%. A pergunta permitia mais de uma resposta.

A gestão Lula é desaprovada por 52% dos entrevistados e aprovada por 46%. Na avaliação do governo, 45% consideram a administração ruim ou péssima, 33% a classificam como ótima ou boa e 21%, como regular.

A Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores, por telefone, em todo o País entre 26 e 30 de setembro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09503/2026.

Negativa

Evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam uso eleitoral de igrejas

Fiéis têm perfis diversos e forte presença nas redes, mostra pesquisa

30/09/2026 22h00

]

] Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil

Continue Lendo...

"O voto deveria ser do cidadão e não da religião", afirma o pastor Lucas Oliveira, 30 anos, que atua em uma igreja batista de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A frase do pregador evangélico, em conversa com a Agência Brasil, sintetiza uma das principais contradições reveladas pela pesquisa nacional Religião e Vida Pública no Brasil, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria, divulgada na semana passada.

Embora evangélicos e cristãos em geral, incluindo católicos, estejam no centro da disputa política nas eleições de 2026, como também estiveram em pleitos anteriores, a maioria rejeita que igrejas sejam transformadas em espaços de campanha ou que lideranças religiosas indiquem em quem os fiéis devem votar. Segundo a pesquisa, 83% dos entrevistados são contrários à indicação de voto por pastores e padres, enquanto 82% rejeitam a discussão política durante cultos e missas e 90% são contra campanhas eleitorais dentro dos espaços religiosos.

Isso, porém, não significa que a religião esteja afastada da política. Para a pesquisadora Lívia Reis, do Iser, a influência, atualmente, ocorre menos pela transferência direta de votos e mais pela formação de valores, identidades e pertencimentos. "É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos", aponta.

Segundo a pesquisadora, a politização dos templos, que se tornou comum nas eleições legislativas desde os anos 1990 e se intensificou nas eleições presidenciais a partir de 2018, gerou fortes divisões nas comunidades. Os fiéis passaram a entender que podem formar sua opinião política sem uma influência direta por parte das lideranças.

"A presença forte de lideranças no debate eleitoral não contradiz esse dado. Ela mostra que essas lideranças atuam para além do templo: na mídia, nas redes, no Parlamento. Além disso, a indicação de voto não é uniforme. Ela se concentra em algumas denominações, como a Universal, a Quadrangular e as assembleias de Deus. O que a pesquisa mostra é a distância entre o protagonismo público de certas lideranças e o que a base dos fiéis considera legítimo dentro do espaço religioso", analisa.


O pastor Lucas vem observando esse fenômeno nos últimos anos, e fala do trauma sofrido nas comunidades religiosas por causa do impacto do discurso eleitoral e da divisão interna que isso causou.

"Conheço pastor que lá em 2018 estava fervorosamente apoiando candidaturas, mas que hoje não quer nem tocar nesse assunto, quer esquecer que um dia fez campanha política. Porque com isso ele perdeu um número expressivo [de fiéis] da igreja. E o número não volta. Eu recebi muita gente. Nesse período, eu dialoguei com muita gente que estava machucada. Então, a igreja hoje, quando o assunto é política, se tornou um lugar de pessoas machucadas", relata.

O pastor Moisés Blanco, 46 anos, da Igreja Batista Peregrina, em Natal, identifica uma reação dentro do campo evangélico à politização dos espaços religiosos. Ele participa da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que reúne religiosos de todo o país contrários e preocupados com uso político dos templos.

"Essa consciência faz parte da gênese da maioria dos protestantes, da maioria dos evangélicos", afirma. Blanco relaciona essa preocupação à tradição protestante de defesa da liberdade de consciência, posteriormente desenvolvida por correntes que passaram a defender de forma explícita a separação entre Igreja e Estado.

"Era a luta contra o absolutismo, contra justamente essa unificação de Estado e rei e uma religião que era reflexo do próprio Estado", afirma Blanco ao se referir ao legado histórico do protestantismo, e que agora é negado por segmentos evangélicos que tentam, segundo ele, impor uma agenda religiosa sobre o ambiente público.

Radiografia cristã

A pesquisa Iser/Quaest foi realizada por meio de 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios brasileiros, em janeiro e fevereiro deste ano, incluindo todas as 27 capitais. Com margem de erro de 1%, constitui a mais abrangente e detalhada radiografia sobre como a fé e as mudanças no pertencimento religioso se entrelaçam com valores morais e a política na sociedade brasileira contemporânea.

Entre os principais dados, o levantamento mostra que o segmento evangélico é heterogêneo e corresponde hoje a 29% da população brasileira. No interior desse grande grupo social, sete em cada dez são pentecostais (70%), mas há parcelas relevantes de protestantes (17%) e os chamados evangélicos sem igreja (10%).

A denominação Assembleia de Deus segue sendo a maior do país, concentrando 32% dos fiéis evangélicos, seguida por 28% dos fiéis que declaram pertencer a milhares de outras denominações pequenas e médias. Já evangélicos sem igreja e batistas aparecem com 10% cada. Congregação Cristã, Igreja Universal e Igreja do Evangelho Quadrangular representam respectivamente 7%, 5% e 4% dos evangélicos, de acordo com a pesquisa Iser/Quaest.

Já o catolicismo representa 50% da população, mas a pesquisa distingue praticantes (31%) de não praticantes (19%). Os católicos praticantes apresentam níveis de engajamento semanal e hábitos de oração comparáveis aos dos evangélicos. Além disso, a pesquisa também mostra a adaptação das práticas católicas ao consumo de entretenimento religioso e às novas tecnologias.

Ambiente digital da fé

Se por um lado a pesquisa apontou que o fiel rejeita a politização do templo, a religião e os valores a ela associados continuam presentes nas redes, nos grupos e nas relações de confiança fora da igreja, mas influenciando o comportamento político dos cristãos no ambiente digital.

Entre os dados coletados, por exemplo, 66% dos entrevistados afirmaram utilizar o WhatsApp como espaço de articulação de comunidades e grupos religiosos online.

"As redes sociais e o WhatsApp permitem que a religião esteja na política sem passar pelo púlpito. A mensagem política chega pelo grupo da igreja, pelo influenciador religioso ou pelo vídeo compartilhado pela família, sem a formalidade de uma indicação no culto. Assim, a mediação religiosa se desloca do templo para um ambiente digital mais difuso, mas igualmente ancorado em relações de confiança", afirma a pesquisadora Lívia Reis.

No segmento católico, de acordo com o levantamento, há forte concentração em lideranças clericais de grande alcance, como Frei Gilson e outros padres que atuam nas mídias. No campo evangélico, a liderança digital aparece pulverizada em uma ampla lista de nomes, com Bispo Deive Leonardo à frente, junto com influenciadores e figuras do campo político que também são vistos como religiosos. No campo político, os evangélicos declaram se informar sobre política mais pelo WhatsApp, enquanto os católicos recorrem mais à televisão.

A religião também transborda para o consumo cultural: 73% dizem ter a Bíblia ou seus versículos como fonte de ensinamentos para a vida e 67% consomem música gospel. Um percentual de 59% diz consumir filmes e séries religiosas. Esse tipo de conteúdo alcança inclusive pessoas de outras religiões não cristãs e sem religião.

Como a religião determina o voto

Se a religião não determina automaticamente o voto, ela participa de sua construção por meio de valores, identidades e redes de pertencimento, mostra a pesquisa Iser/Quaest. Apesar de evitar ou até rejeitar uma orientação eleitoral pronta de sua liderança, o fiel elabora sua posição a partir de repertórios religiosos que se combinam a experiências de classe, raça, gênero, território, escolaridade e outros fatores.

Entre católicos brancos, por exemplo, há equilíbrio de preferências, enquanto entre católicos negros (pretos e pardos) a vantagem de candidatos de esquerda é mais expressiva, indica o levantamento. Entre evangélicos com ensino fundamental incompleto, o apoio às candidaturas de esquerda se aproxima das candidaturas de direita.


"A pesquisa mostra onde a religião faz diferença nas opiniões. Ela pesa em temas morais, como a aceitação da diversidade sexual, a ideia de que o Estado deveria defender valores cristãos e o ensino religioso cristão nas escolas públicas. Mas pesa pouco em políticas públicas. Vacinação, educação sexual como prevenção ao abuso, rejeição ao homeschooling e apoio a políticas sociais têm alta concordância em todos os grupos religiosos", explica Lívia Reis.

Dos 54% que se declaram conservadores, 75% apoiam o Bolsa Família e 66% são a favor da taxação dos mais ricos. Como a pesquisa não mede diretamente o que define o voto de cada pessoa, não dá para cravar que as pautas morais são prioritárias.

Outros números revelados na pesquisa também desafiam a associação automática entre identidade evangélica e posições conservadoras em determinados temas morais. Entre os evangélicos, 79% apoiam a educação sexual nas escolas, 80% são favoráveis ao uso de métodos contraceptivos e cerca de 90% rejeitam o homeschooling. Na questão do aborto, a divisão é ainda mais evidente: 47% são favoráveis à punição e 45%, contrários, com diferenças que variam não apenas segundo a religião, mas também de acordo com renda e escolaridade.

"Dizem que eu sou muito progressista para o espaço que entendem como conservador e muito conservador para um espaço progressista. Mas eu me identifico hoje como um cristão", aponta o pastor Lucas, de Nova Iguaçu. "Essa diferença entre conservador e progressista se trata de duas faces da mesma moeda", acrescenta.

Para Lívia Reis, os dados sugerem que as pautas morais funcionam como marcadores de identidade e de pertencimento, mobilizando mais o debate público, mas que elas convivem com posições bem menos polarizadas sobre temas concretos da vida social.

Um episódio recente envolvendo Nossa Senhora Aparecida mostrou como esse debate pode ganhar força fora dos espaços religiosos. O caso veio à tona após surgirem, na semana passada, informações segundo as quais grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro defendiam a destituição de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil. O candidato do PL nega.

Flávio Bolsonaro então acionou a Justiça Eleitoral com a alegação de que o fato era "inverídico" e trazia "discurso de ódio e imputação de crime". Ele obteve uma liminar favorável do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou centenas de remoções de conteúdos na internet.

No entanto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a decisão de Mendonça para liberar a postagem do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida. Mas, nessa terça-feira (29), uma terceira decisão, desta vez do ministro Luiz Fux, restabeleceu a suspensão das postagens sobre o caso.

Nesta quarta-feira (30), o TSE começou a julgar se mantém a decisão do ministro André Mendonça que ordenou a retirada de postagens sobre Nossa Senhora Aparecida. Até o momento, somente o próprio Mendonça votou no julgamento, no sentido de manter a decisão pela derrubada das publicações. A sessão virtual está marcada para durar até as 23h59 desta quarta.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).