Política

Política

Palavras de risco

Palavras de risco

RUBENS FERNANDO DE CAMILLO, ARQUITETO, WWW.RUBENSDECAMILLO.COM.BR

26/03/2010 - 05h34
Continue lendo...

Em recente artigo na revista Veja (“Área de risco”, edição de 17 de março), J.R. Guzzo é especialmente ácido. O objeto central de suas críticas fica claro logo de início: a nova Cidade Administrativa de Minas Gerais, projetada por Oscar Niemeyer a mando de Aécio Neves. Nada contra a opinião do jornalista em sua condenação veemente à iniciativa do governador mineiro, não fossem algumas afirmações no mínimo infelizes. De acordo com ele, “Paris, por exemplo, talvez ofereça as demonstrações mais agressivas do que é capaz de produzir a combinação entre a mania de grandeza dos governos e a arrogância dos arquitetos”, concluindo ainda que “Pensar que seja possível melhorar a paisagem de uma cidade como Paris recorrendo a escritórios de arquitetura é, obviamente, de uma pretensão sem limites”. Passada a surpresa inicial com a virulência dessas palavras, comecei a pensar em como responder adequadamente ao articulista. Não o fiz a tempo e qual foi minha surpresa ao ler a seção “cartas” da edição seguinte (24 de março), onde o leitor Antonio Carlos Domansky Junior parecia, ao menos aparentemente, ter matado a charada: “Qual seria o profissional indicado e legalmente habilitado a repensar a paisagem das grandes cidades senão o arquiteto?”. Perfeito, não fosse outro trecho onde Domansky sentencia, com a melhor das intenções: “A combinação entre a mania de grandeza dos governos e a arrogância dos arquitetos, condenada pelo autor, foi historicamente o combustível para a construção de muitas das grandes obras da arquitetura, a exemplo de Paris, citada por ele.” Resultado: mais gasolina no incêndio, na medida em que tal afirmação passa a ideia equivocada de que qualquer obra pública importante tem necessariamente que ser realizada com essa fórmula. Em primeiro lugar, cabe um esclarecimento. A atuação profissional dos arquitetos e urbanistas na esfera pública ultrapassa em muito o simples projeto de edifícios administrativos, contemplando todo o tipo de obras, desde edifícios escolares, culturais, para fins de saúde até grandes intervenções em áreas urbanas degradadas. Há um propósito permanente de bem servir, onde há pouco espaço para arrogância. E, num ambiente democrático, nem sempre estas iniciativas partem de um único governante, sendo muitas resultado da mobilização e participação de comunidades e setores organizados da sociedade. Mas, como a restrição de Guzzo é a um conjunto administrativo, ou sobre a necessidade ou não de fazê-lo (no artigo ele preferiria recuperar o centro de Belo Horizonte), vale uma reflexão sobre os critérios empregados para condená-lo. Na maioria dos casos, avalia-se um edifício público por sua utilidade, custo e eficácia. Muito natural, em tempos de escândalos recorrentes na utilização de recursos do contribuinte. Estabelecer critérios objetivos para essa avaliação dá transparência ao processo. Ocorre que, além de seu caráter utilitário, um edifício público tem um valor simbólico. Um conjunto administrativo não é uma obra qualquer, ele simboliza de algum modo a cidadania. Podemos nos espelhar nele, da mesma forma que os fiéis católicos na idade média se orgulhavam de suas catedrais góticas. Uma edificação pode inclusive se tornar o símbolo de um país, como a Ópera de Sidney, na Austrália. O mesmo acontece na esfera privada (onde supostamente predominaria a racionalidade e eficiência); não foi por acaso que a Federação das Indústrias do Estado do São Paulo (FIESP) construiu aquele prédio piramidal na Avenida Paulista, quando poderia ter optado por algo bem mais simples. O edifício expressa, em termos materiais, o prestígio da entidade. Diante disso tudo, e se temos todas as condições de realizar edifícios com responsabilidade e bom senso, poderíamos perguntar: o que seria verdadeiramente um desrespeito ao dinheiro público? Será que o contribuinte gostaria de ver seus impostos em obras que logo exijam reparos ou manutenção, a pretexto de uma falsa economia? Um edifício de qualidade não deve ser adequado ao fim que se destina, como dizia o saudoso engenheiro Falcão Bauer? Por que associar a arquitetura ao supérfluo e, num nível mais filosófico, por que precisamos abdicar da beleza nas cidades? Pelo menos J.R.Guzzo tem razão em um ponto, quando afirma que “Não se vê, ali, nenhum sinal de que tenha ocorrido alguma boa ideia na arquitetura mundial ao longo dos últimos cinquenta anos.” Na verdade, houve muitas, que vêm sendo aplicadas em diversos lugares, poucas em nosso país. É que, para o bem ou para o mal, o Brasil teve o privilégio de ver nascer em seu território um dos mais importantes arquitetos do século 20 e, por preguiça ou falta de alternativas, insiste em cultuar um ícone de 102 anos de idade ainda em plena atividade profissional.

Declaração

Trump promete 'grande segurança' para petroleiros no Estreito de Ormuz

"Acho que vocês verão muita segurança e isso acontecerá muito, muito rapidamente", disse

11/03/2026 19h00

Continue Lendo...

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira, 10, "grande segurança" para os petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz, enquanto Teerã reforçava o controle sobre a via marítima em meio à guerra contra americanos e israelenses.

"Acho que vocês verão muita segurança e isso acontecerá muito, muito rapidamente", disse Trump a repórteres na Casa Branca, ao ser questionado sobre como garantiria a segurança de Ormuz.

A emissora americana CNN informou na noite de terça-feira que o Irã havia iniciado a instalação de minas na via marítima. Segundo o presidente, as tropas americanas retiraram "praticamente" todas as minas "em uma única noite".

No 12º dia do conflito no Oriente Médio, pelo menos três navios foram atacados em Ormuz e no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que embarcações israelenses, americanas e de aliados dos dois países são "alvos legítimos".

Questionado sobre o que os EUA precisam fazer para encerrar a operação militar no Irã, Trump respondeu: "Mais do mesmo."

"Veremos como tudo isso termina. No momento, eles perderam a Marinha, perderam a Força Aérea. Não têm nenhum equipamento antiaéreo, não têm radar", disse Trump. "Seus líderes se foram e poderíamos fazer muito pior."

O republicano afirmou que as tropas americanas poderiam destruir a infraestrutura do Irã "em uma hora", caso quisessem. "Estamos deixando certas coisas que, se as eliminarmos - ou poderíamos eliminá-las ainda hoje, em uma hora - eles literalmente jamais conseguiriam reconstruir esse país", disse.

Um dos repórteres também questionou Trump sobre a escolha do filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, como novo líder supremo iraniano, mas o republicano não quis comentar o assunto.

Assine o Correio do Estado

Encaminhado à Câmara

Senado aprova acordo de ciência e tecnologia entre Brasil e Tunísia

Comissão de Relações Exteriores é presidida por Nelsinho Trad

11/03/2026 16h45

Comissão é presidida por Nelsinho Trad (PSD)

Comissão é presidida por Nelsinho Trad (PSD) Foto: Agência Senado

Continue Lendo...

Documento aprovado na Comissão de Relações Exteriores (CRE) nesta terça-feira (10) aproximou Brasil e Tunísia de um acordo que promove intercâmbio de pesquisadores e de informações científicas “contribuindo para a internacionalização de universidades brasileiras”, disse o presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

O texto encaminhado ao plenário da Câmara dos Deputados prevê mecanismos usuais como intercâmbio de pesquisadores e especialistas, troca de informações científicas, realização de seminários e programas conjuntos de trabalho.

Cada país arcará com os custos do envio de seus participantes, exceto se outras condições forem acordadas. 

O acordo estimula a cooperação entre bibliotecas e instituições científicas para intercâmbio de publicações e informações e estabelece que os custos relativos ao intercâmbio de cientistas e especialistas serão, em regra, suportados pela parte que envia pesquisadores, salvo acordo diverso formalizado por escrito. 

Os países assinaram o tratado em Brasília, em abril de 2017. O Congresso Nacional precisa aprovar o texto para permitir ao presidente da República confirmá-lo e inseri-lo na legislação brasileira.

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).