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Para Delcídio, decisão de anular provas da Lava Jato é "uma reparação histórica"

O ministro Dias Toffoli, do STF, anulou todas as provas obtidas por meio do acordo de leniência da empresa Odebrecht

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A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular todas as provas obtidas por meio do acordo de leniência da construtora Odebrecht e dos sistemas de propina da empresa, que serviram de base para diversas acusações e processos na Operação Lava Jato, foi recebida com alívio pelo ex-senador Delcídio do Amaral, presidente estadual do PTB em Mato Grosso do Sul.

Para o magistrado, as provas são imprestáveis, não podem ser usadas em processos criminais, eleitorais e em casos de improbidade administrativa, por isso, ele determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) devem apurar a responsabilidade de agentes públicos envolvidos na celebração do acordo de leniência.

Essas provas, conforme Delcídio do Amaral, embasaram a delação dos executivos e motivaram a ação contra ele por suspeita de obstruir a Operação Lava Jato. O inquérito contra o ex-senador tramitava na Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul, e Delcídio, ex-líder do governo Dilma Rousseff, chegou a ser preso em 2015.

Toffoli argumentou que a 2ª Turma do STF considerou “imprestáveis” como prova os sistemas da Odebrecht de registro das propinas pagas a agentes políticos. Uma perícia demonstrou que os programas MyWebDay B e Drousys teriam sido alterados. Dias Toffoli usou o mesmo entendimento do ministro Ricardo Lewandowski, agora aposentado, que beneficiou outros réus, como o presidente Lula (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

“Essa decisão do ministro Dias Toffoli é uma reparação histórica para mim, pois armaram uma arapuca contra a minha pessoa porque, na época, eu estava crescendo demais na área política. Eles montaram um flagrante forjado, mas, diferentemente do caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segui todo o rito jurídico e fui inocentado, tanto em primeira quanto em segunda instância, e nesta última por unanimidade.

Fui inocentado no bom direito, pois não usei subterfúgios jurídicos, meu caso transitou em julgado, isto é, não há mais como modificar o resultado do julgamento”, reforçou Delcídio do Amaral ao Correio do Estado.
Ele lembrou que a decisão de Dias Toffoli em seu favor saiu no fim de agosto deste ano e serviu para reforçar a sentença que havia lhe inocentado, caracterizando o caso como flagrante forjado, enquanto a decisão atual do ministro que beneficia o presidente Lula saiu somente na semana passada.

“O meu processo correu antes que o processo do Lula e, agora, só restaram contra mim as ações de caráter eleitoral por decisão dos ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral [TSE]”, detalhou.
O político pontuou que, em razão dessa decisão de Dias Toffoli, tudo isso ensejará uma série de ações por perdas e danos contra a União e seus agentes públicos. “Fui inocentado porque forjaram um flagrante, e flagrante forjado é prova inidônea. Não precisei usar de caducidade e nem de mudança de foro, pois a verdade se restabeleceu. Resgatei minha honra, da minha família e dos meus amigos”, ressaltou. 

Na opinião de Delcídio do Amaral, Deus põe a mão na cabeça dos justos. “Continuarei trabalhando pela cidadania e pelo desenvolvimento econômico e social da minha terra, Mato Grosso do Sul, e do Brasil. O tempo demonstrou que eu estava certo e, agora, os meus detratores terão de me engolir, pois já estou preparando ações contra todos eles”, avisou.

Questionado pela reportagem sobre Lula, que politicamente deu a volta por cima e retornou à Presidência da República, enquanto ele perdeu o mandato e ficou inelegível, o ex-senador disse que não guarda mágoas. “Que ele toque a vida dele e tenha sucesso. Quero voltar à vida política com força, para a tristeza de uma catrefa do nosso estado”, anunciou.

SAIBA

Para anular o acordo de leniência da Odebrecht com a Lava Jato, um dos argumentos do ministro Dias Toffoli foi a história de que os procuradores da operação não tinham feito pedido oficial de cooperação internacional, via Ministério da Justiça, para ter acesso aos dados do sistema eletrônico que geria o departamento de propinas da empreiteira.

Porém, esses dados, que serviram como provas no acordo de leniência da Odebrecht, estavam armazenados na Suíça e foram enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR) em outubro de 2017. Depois de dizer a Dias Toffoli que não tinha achado nenhum pedido de cooperação internacional da Lava Jato nos seus sistemas, o Ministério da Justiça mandou um ofício ao ministro do STF, na terça-feira, informando que encontrou a solicitação formal da PGR à Suíça. Dessa forma, o pedido que não existia até a anulação do acordo de leniência da Odebrecht passou a existir depois da anulação do acordo.

Eleições 2026

Pardal já soma 19 denúncias de irregularidades eleitorais em MS

Consulta feita pelo Correio do Estado mostra que Campo Grande concentra 12 registros

24/08/2026 16h30

Aplicativo Pardal

Aplicativo Pardal Gerson Oliveira

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Consulta feita pelo Correio do Estado ao painel público do Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral destinada ao recebimento de denúncias sobre propaganda irregular, mostra que Mato Grosso do Sul já contabiliza 19 ocorrências relacionadas às eleições de 2026.

O levantamento foi realizado nesta segunda-feira (24), e considera os registros apresentados desde 16 de agosto, data do pontapé oficial do período de campanhas eleitorais. O número representa três denúncias a mais em relação ao balanço do encerramento da primeira semana, que apontava 16 ocorrências.

Campo Grande concentra 12 registros, o equivalente a mais de 60% das denúncias feitas no Estado. Dourados aparece em seguida, com duas. Ivinhema, Jardim, Miranda, Nova Andradina e Três Lagoas possuem uma ocorrência cada.

Na Capital, as denúncias envolvem distribuição de material gráfico, comícios e showmícios, utilização de bens públicos, propaganda na internet e outdoors. Um dos registros aparece no sistema sem a informação sobre o tipo de irregularidade apontada.

Em Dourados, uma denúncia está relacionada ao uso de bens públicos e outra à propaganda na internet. Ivinhema tem um caso envolvendo omissão de informações obrigatórias, enquanto Jardim e Nova Andradina registraram ocorrências relacionadas a outdoors. Em Miranda e Três Lagoas, as denúncias tratam de propaganda eleitoral na internet.

Entre os cargos envolvidos, candidatos a deputado estadual e a deputado federal aparecem empatados, com oito denúncias cada. As duas ocorrências restantes têm como alvo candidaturas ao governo de Mato Grosso do Sul.

O painel público do Pardal não informa os nomes dos candidatos ou responsáveis denunciados. O relatório disponibilizado pela Justiça Eleitoral apresenta somente o município, o tipo de irregularidade, o cargo envolvido e a situação da ocorrência. Os nomes podem constar no ambiente interno da Justiça Eleitoral ou em processos do PJe que não estejam sob sigilo.

A propaganda na internet é o tipo mais frequente, com quatro registros. Bens públicos, comícios e showmícios, distribuição de material gráfico e outdoors aparecem com três denúncias cada. Também há uma ocorrência por omissão de informações obrigatórias e outra sem classificação.

Das 19 denúncias apresentadas em Mato Grosso do Sul, 15 já foram peticionadas no Processo Judicial Eletrônico. Outras duas permanecem em andamento e duas foram baixadas do sistema. A maior parte dos registros, 13, foi enviada por aparelhos com sistema iOS, enquanto seis partiram de dispositivos Android.

O registro no Pardal não significa que a irregularidade tenha sido comprovada. As informações encaminhadas pelos eleitores passam pela análise da Justiça Eleitoral, que verifica a existência de elementos mínimos e define as providências cabíveis para cada caso.
 

eleições 2026

Eduardo Bolsonaro endossa crítica a Michelle e reacende tensão na família durante campanha

Ex-deputado comentou e posteriormente compartilhou um vídeo do influenciador Allan dos Santos no qual a candidatura da ex-primeira-dama ao Senado pelo Distrito Federal é colocada em dúvida

24/08/2026 15h00

Eduardo Bolsonaro endossou crítica a Michelle

Eduardo Bolsonaro endossou crítica a Michelle Foto: Reprodução / Redes Sociais

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Um movimento de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais voltou a expor divergências dentro da família do ex-presidente Jair Bolsonaro em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de fortalecer sua campanha presidencial e reconstruir a aproximação política com Michelle Bolsonaro. Neste domingo, o ex-deputado comentou e posteriormente compartilhou um vídeo do influenciador Allan dos Santos no qual a candidatura da ex-primeira-dama ao Senado pelo Distrito Federal é colocada em dúvida.

Ao publicar o conteúdo, Eduardo resumiu sua avaliação em uma frase: "Triste, mas verdadeiro…". No vídeo, Allan afirma preferir a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) à de Michelle. O influenciador também questiona qual será a orientação política da ex-primeira-dama caso ela conquiste uma das duas cadeiras destinadas ao Distrito Federal no Senado.

"Eu prefiro mil vezes Bia Kicis e Sebastião Coelho do que a Michelle com oito anos de incógnita. É uma incógnita, porque nós não sabemos o que ela poderá trazer para a direita. O que não é incógnita: pauta feminista, pauta de esquerda, saindo da boca de alguém que se diz de direita", afirmou Allan.

Michelle, que aparece bem posicionada nas pesquisas para o Senado, disputa espaço justamente com nomes ligados ao mesmo campo da direita.

O episódio ocorre em um momento delicado para Flávio. Nas últimas semanas, o senador e Michelle protagonizaram movimentos de reaproximação após divergências que chegaram a colocar em dúvida o grau de participação da ex-primeira-dama na campanha presidencial. A tentativa agora é ampliar sua presença ao lado do candidato e explorar sua força especialmente entre o eleitorado feminino e os evangélicos.

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