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Pesquisa revela que a classe política é a menos confiável para os brasileiros

A edição 2022 da pesquisa Confiabilidade Global, feita pelo Instituto Ipsos, mediu a percepção de cidadãos de 28 países

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Fundado em 1975 por Didier Truchot, em Paris, na França, o Instituto Ipsos, uma empresa multinacional de pesquisa e consultoria de mercado, divulgou a edição 2022 da pesquisa Confiabilidade Global, que mediu a percepção de cidadãos de 28 países sobre a confiança nas principais profissões do mundo e apontou que os políticos são os que menos gozam da confiança dos brasileiros.

Pela pesquisa do Instituto Ipsos, 76% dos brasileiros entrevistados não consideram os políticos confiáveis, depois, para 64%, os menos confiáveis são os ministros de Estado, enquanto para 53% são os banqueiros. Considerando a média global, os cargos de menor confiança no mundo são políticos, ministros e executivos de publicidade, mencionados em 64%, 55% e 43% das listas, respectivamente.

Na análise do cientista político Tércio Albuquerque, no caso do Brasil, especificamente, não é nenhuma novidade que a pesquisa mostre os políticos com um índice muito alto de falta de confiança, seguidos por ministros de Estado e banqueiros.

“A razão disso pode ser explicada por vários pontos que nós temos de considerar, mas o primeiro deles é que os políticos, por si só, não se dão, muitas vezes, ao próprio respeito quando iniciam as campanhas de eleição ou reeleição”.

Os políticos, conforme Albuquerque, apresentam planos mirabolantes e, depois, na grande maioria das vezes, os ignoram. Ainda segundo o cientista político, eles não só esquecem as tais promessas, como abandonam os eleitores. “Qual é a percepção do eleitor que o elegeu, que deu seu voto para que ele pudesse lá exercer o mandato? Só pode ser a total falta de confiança”, reforçou.

Ele pontuou que, após a posse dos políticos eleitos, há uma total ignorância dos eleitores sobre como eles estão exercendo seus mandatos, então, esse é um ponto que gera falta de confiança. “Não executam planos e sequer dão satisfação do mandato para aqueles que são, na verdade, os outorgantes do poder para que eles lá os representem”, lamentou.

O segundo ponto, de acordo com o cientista político, é que, quando há uma posição política para ser defendida de interesse do País, do estado ou do município, não são raros os políticos que buscam atender aos seus interesses e, mais uma vez, abandonam qualquer tipo de percepção da sua região, que deveria ser o foco principal.

“Porém, eles buscam, muitas vezes, por meio de acertos, defender a própria família e os interesses próprios, inclusive com recursos financeiros do Estado. Então, isso também demonstra muito o descrédito da população em relação a eles”, argumentou.

Um outro ponto levantado por Albuquerque é que não se pode deixar de analisar a forma como a política é exercida no Brasil. “Nós temos uma legislação horrível, muito retrógrada e que não respeita a evolução do mundo quando permite reeleições reiteradas de políticos. Nós os vemos se gabando de terem 20 mandatos como vereador, como deputado estadual, como deputado federal e como senador da República. Isso traz total desconfiança do povo, pois o que levaria um político a permanecer ininterruptamente nas suas atividades e não desenvolver outro tipo de atividade? Tanto que hoje se entende que política é profissão, quando, na verdade, não é. É um exercício de mandato em favor do povo”, ressaltou.

Tércio Albuquerque completou que os políticos se encarregam de não merecerem a confiança de qualquer eleitor que seja.

“O índice de 76% mostra que nós estamos quase chegando a 20% do eleitorado que ainda acredita nos políticos. Isso é muito triste e não pode ser motivo de orgulho. Passou da hora de os políticos terem consciência de que precisam respeitar os limites do mandato e respeitar o eleitor que foi lá e, com seu sufrágio, possibilitou que ele exercesse mandato. Por isso, o político precisa ter consciência de que não é uma coisa sua, mas é uma coisa do povo, da população. O grande responsável ou os grandes responsáveis por sua descredibilidade são os políticos”, disse.

MAU EXEMPLO

Um exemplo do motivo do descrédito dos políticos no Brasil pode ser o caso do partido Novo, que foi criado pregando o “purismo liberal” de não usar verba pública e proibir seus integrantes de utilizá-la, porém, em março deste ano, autorizou a utilização do Fundo Partidário.

O presidente do Novo em Mato Grosso do Sul, Luís Augusto Lima Scarpanti, disse ao Correio do Estado que o partido vem utilizando os rendimentos do Fundo Partidário desde janeiro. “Como ficamos desde 2015 até o fim de 2022 recebendo os recursos do Fundo Partidário, acabamos acumulando R$ 100 milhões, que ficaram aplicados no Banco do Brasil”, revelou.

Desde o início deste ano, conforme Scarpanti, a sigla está utilizando o rendimento desses R$ 100 milhões para a manutenção do diretório nacional e dos diretórios estaduais. “Em breve vamos votar a alteração estatutária que proíbe a utilização do Fundo Partidário, e a tendência é de que esse ponto não seja mais proibido”, adiantou.

Na opinião dele, isso não desvirtua o Novo, visto que a sigla continua defendendo os princípios econômicos liberais que sempre pregou e praticando a defesa de um governo menos inchado e que exija menos impostos.

SAIBA

O Ipsos entrevistou, de forma on-line, 21.515 pessoas, sendo 1.000 no Brasil, entre 27 de maio e 10 de junho de 2022. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos porcentuais. Também foram pesquisados Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Chile, China, Colômbia, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Itália, Japão, Malásia, México, Holanda, Peru, Polônia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia e Estados Unidos.

ACUSAÇÃO DE CENSURA

Fachin rebate relatório de comitê dos EUA sobre liberdade de expressão

Presidente do STF disse que documento tem "caracterizações distorcida"

03/04/2026 19h00

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, durante sessão de encerramento do ano judiciário

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, durante sessão de encerramento do ano judiciário Rosinei Coutinho/STF

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, rebateu as acusações de censura contra plataformas digitais que constam em um relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos, divulgado nesta quinta-feira (2).

Produzido por parlamentares que apoiam o presidente Donald Trump, o relatório diz que o ministro Alexandre de Moraes cometeu atos de censura à liberdade de expressão nos Estados Unidos ao determinar medidas de suspensão de perfis de brasileiros que moram naquele país e são acusados de promover ataques virtuais às instituições brasileiras.

Em nota oficial, Fachin disse que o relatório tem “caracterizações distorcidas” sobre a natureza e alcance de decisões específicas da Corte.

O presidente afirmou que o ordenamento jurídico brasileiro protege a liberdade de expressão, mas o direito não é absoluto.

“Entende-se que, em determinados casos, a liberdade de expressão pode excepcionalmente sofrer limitações pontuais, em particular quando estas sejam necessárias à preservação da eficácia de outro direito fundamental. Do mesmo modo, não se pode alegar o direito à liberdade de expressão para o cometimento de crimes tipificados em lei”, disse o presidente do STF.

Fachin também ressaltou que as determinações de Moraes para retirada de conteúdo ilegal foram tomadas em investigações sobre milícias digitais acusadas de cometer crimes contra a democracia e de tentativa de golpe de Estado no país.

“A ordem instituída pela Constituição Federal de 1988, como interpretada pelo STF, eleva a liberdade de expressão à condição de direito preferencial no universo dos direitos fundamentais. Outros direitos prevalecem sobre ela apenas em caráter excepcional, com base na lei, mormente em hipóteses em que se invoque a liberdade de expressão para o cometimento de crimes devidamente tipificados”, completou o presidente.

eleições 2026

Eleitor tem um mês para regularizar pendências e ficar apto a votar

Basta ir ao cartório eleitoral ou acessar serviço eletrônico do TSE

03/04/2026 16h00

Eleições 2026 acontecerão em outubro

Eleições 2026 acontecerão em outubro FOTO: Divulgação

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O cidadão que pretende tirar o título de eleitor pela primeira vez ou alterar o local de votação tem até o dia 6 de maio para regularizar suas pendências na Justiça Eleitoral.

O prazo também vale para quem precisa regularizar o título de eleitor a fim de votar nas eleições gerais de outubro, quando serão eleitos o presidente da República, o vice-presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Para resolver as pendências, o eleitor pode procurar o cartório eleitoral mais próximo ou acessar o serviço eletrônico disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Primeiro título

De acordo com a Constituição, o voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens entre 16 e 17 anos e idosos acima de 70 anos.

Após completar 15 anos, os jovens poderão solicitar a emissão do título de eleitor. Contudo, somente estará apto a votar quem tiver completado 16 anos na data da eleição.

Janela Eleitoral

Termina nesta sexta-feira (3) o prazo da chamada janela eleitoral, período em que os políticos que vão disputar as eleições podem mudar de partido e não serem punidos com a perda do mandato.

Desincompatibilização

Neste sábado (4), encerra-se o prazo para desincompatibilização de agentes públicos que vão participar das eleições. Governadores, prefeitos e ministros de Estado que pretendem se candidatar a outros cargos devem deixar suas funções.

A medida está prevista na Constituição e impede a utilização do cargo para obtenção de vantagens eleitorais.

 

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