Política

ELEIÇÕES 2022

Plano de militares para fiscalização de urnas prevê 8 etapas e fim só em janeiro

O trabalho envolve analisar uma série de conjuntos de dados fornecidos pelo TSE

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O trabalho de fiscalização do processo eleitoral feito pelas Forças Armadas prevê uma última etapa de análise de dados sobre as urnas eletrônicas que deve ocorrer até dois meses após as eleições, com término previsto para 5 de janeiro de 2023.

A última fase está detalhada no plano de trabalho produzido pelas Forças Armadas, documento ao qual a Folha teve acesso.

No texto, os militares destacam que a fiscalização das eleições foi dividida em oito etapas. A última, que será realizada após o pleito, envolve a "coleta e análise de artefatos relacionados às urnas".

No documento, as Forças Armadas afirmam que, após a eleição, há novas oportunidades de análise de dados que podem dar "subsídio para identificar anomalias" no processo de votação. O texto é assinado pelo coronel Marcelo Nogueira, chefe da equipe de fiscalização do sistema eleitoral das Forças Armadas.

De acordo com o plano, a última etapa será executada por militares especializados em processamento e análise de dados, mediante uma consulta aos comandos da Marinha, Exército e Aeronáutica.

Na prática  

O trabalho envolve analisar uma série de conjuntos de dados fornecidos pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com destaque para a comparação dos Boletins de Urna com os RDVs (Registros Digitais de Voto).

O Registro Digital do Voto é um mecanismo que permite recuperar voto por voto para uma recontagem eletrônica. A soma dos votos deve ser sempre igual aos dados do Boletim de Urna. No RDV, os dados são gravados de forma aleatória, para não revelar a ordem dos votantes e garantir o sigilo dos eleitores.

O mecanismo é disponibilizado pelo TSE às entidades fiscalizadoras -e, com ele em mãos, os militares pretendem checar se os votos registrados nos Boletins de Urna são os mesmos computados no RDV.

As Forças Armadas ainda pretendem analisar os logs das urnas, examinar os arquivos de imagem dos Boletins de Urna e verificar os arquivos de dados de votação por seção eleitoral, entre outros pontos.

Em nota, o TSE afirmou que todos os dados previstos para análise das Forças Armadas são disponibilizados às entidades fiscalizadoras, conforme resolução do tribunal. Procurado, o Ministério da Defesa não se manifestou.

As Forças Armadas foram incluídas como entidades fiscalizadoras das eleições pela primeira vez no ano passado, por decisão do então presidente do TSE Luís Roberto Barroso.

Desde então, os militares romperam um silêncio de 25 anos e passaram a fazer questionamentos à Justiça Eleitoral e solicitar dados de eleições anteriores, para entender o funcionamento do sistema eletrônico de votação.

A atuação das Forças Armadas tem sido utilizada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para intensificar os ataques às urnas eletrônicas. O presidente tem um histórico de declarações golpistas e já colocou em dúvida a realização do próprio pleito.

O documento obtido pela Folha ainda destaca que a checagem paralela dos Boletins de Urna pelos militares estava prevista para ser realizada e finalizada no dia da eleição. Esta era a sétima etapa de fiscalização do pleito.

Saiba mais  

Segundo o plano de trabalho, o objetivo era validar a base de dados da totalização, realizando "a coleta, por amostragem, de BU [Boletim de Urna], em seguida, realizando a totalização utilizando as informações completas da base de dados do TSE".

O plano inicial das Forças Armadas previa analisar 385 Boletins de Urna, comparando os dados com aqueles que são transmitidos para o TSE e contados pela Justiça Eleitoral. Os militares, no entanto, decidiram aumentar a amostra para cerca de 500 boletins.

A etapa foi executada da seguinte forma: militares de 153 municípios foram convocados para ir a seções eleitorais logo após o fim da votação. No local, eles tiraram fotos dos Boletins de Urna e enviaram os arquivos para uma equipe de técnicos das Forças Armadas, em Brasília, que fez a conferência dos dados.

No segundo turno, os militares farão a mesma checagem da totalização dos votos. No primeiro turno, não foram encontradas divergências nos dados do TSE, segundo militares com conhecimento do assunto.

Generais e coronéis ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que somente após a conclusão de todas as etapas da fiscalização é que será possível finalizar um relatório completo sobre as eleições de 2022.

Apesar disso, os militares têm produzido documentos internos com as conclusões de cada uma das etapas da fiscalização.

Esses relatórios foram solicitados pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes, ao Ministério da Defesa na última terça-feira (18). Em decisão, o ministro disse que, diante de notícias sobre o repasse de informações das Forças Armadas a Bolsonaro, a atuação dos militares poderia configurar infração.

"As notícias de realização de auditoria das urnas pelas Forças Armadas, mediante entrega de relatório ao candidato à reeleição, parecem demonstrar a intenção de satisfazer a vontade eleitoral manifestada pelo chefe do Executivo, podendo caracterizar, em tese, desvio de finalidade e abuso de poder", disse Moraes.

Em resposta ao TSE, as Forças Armadas afirmaram que ainda não concluíram o trabalho de fiscalização das eleições. "A emissão de um relatório parcial, baseado em fragmentos de informação, pode resultar-se inconsistente com as conclusões finais do trabalho, razão pela qual não foi emitido."

No documento encaminhado ao tribunal, os militares ainda disseram que vão enviar o relatório conclusivo sobre a fiscalização à Justiça Eleitoral "em até 30 dias após o encerramento da etapa 8 do plano de trabalho" -ou seja, até o início de fevereiro.

No fim do primeiro turno, Bolsonaro disse que esperaria a conclusão dos trabalhos das Forças Armadas para se manifestar sobre possíveis fraudes no sistema eleitoral.

"Vou aguardar o parecer aqui das Forças Armadas que ficaram presentes hoje lá na sala cofre. Repito, elas foram convidadas a participar, integrar uma comissão de transparência eleitoral. Então isso aí fica a cargo do ministro da Defesa", disse Bolsonaro na noite de 2 de outubro.

Na quarta-feira (19), o presidente mudou o discurso e, alinhado ao Ministério da Defesa, passou a dizer que não havia relatório sobre a fiscalização dos militares.

"Olha, as Forças Armadas não fazem auditoria. Lançaram equivocadamente. A Comissão de Transparência Eleitoral não tem essa atribuição. Furada, fake news", afirmou.

 

ELEIÇÕES 2026

De Lula a Caiado, Mato Grosso do Sul vira rota das agendas dos presidenciáveis

Nos últimos meses, o Estado recebeu agendas de Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Lula, que virá novamente

08/06/2026 08h00

Montagem

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Mato Grosso do Sul tem ganhado destaque no cenário político nacional ao receber, nos últimos meses, uma série de visitas de nomes que despontam como potenciais candidatos à Presidência da República no pleito deste ano.

Essa presença frequente de nomes ligados à corrida presidencial evidencia o peso político e econômico estadual no cenário nacional, sendo que as agendas reforçam a importância estratégica de Mato Grosso do Sul para lideranças de diferentes espectros ideológicos e consolidam o Estado como um dos principais palanques políticos do Centro-Oeste.

Com forte influência do agronegócio, posição estratégica na fronteira e eleitorado considerado relevante para a formação de alianças, Mato Grosso do Sul tem atraído a atenção de lideranças.

O primeiro grande compromisso de presidenciáveis ocorreu em março deste ano, quando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esteve em Campo Grande para a abertura da 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção (Cop15) sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).

Além disso, ele manifestou apoio à pré-candidatura do ex-deputado federal Fábio Trad a governador, dizendo que o nome do advogado era o mais adequado para representar o projeto popular e democrático do PT.

O presidente também elogiou a escolha da ex-primeira-dama do Estado, Dona Gilda, esposa do deputado estadual Zeca do PT, como candidata a vice na chapa.

A presença do petista marcou o início de uma sequência de visitas de figuras nacionais ao Estado. Lula, inclusive, tem retorno previsto para Mato Grosso do Sul ainda neste mês de junho, provavelmente no dia 25, quando vai ao Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, considerado um símbolo do sucesso da reforma agrária.

Essa será a terceira visita de Lula ao assentamento. A primeira ocorreu em março de 2003, no início de seu primeiro mandato, quando participou de ações ligadas ao programa Fome Zero e recebeu a doação de 15 toneladas de alimentos.

Nos últimos anos, Lula também esteve em Mato Grosso do Sul em outras ocasiões, como em julho de 2024, quando visitou Corumbá, e em dezembro de 2024, quando participou da inauguração simbólica da fábrica de celulose da Suzano, em Ribas do Rio Pardo.

OS OUTROS

Em abril deste ano, foi a vez do senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como um dos principais nomes da direita para a disputa presidencial, desembarcar em Mato Grosso do Sul.

Ele participou da abertura da Expogrande, quando criticou a alta carga tributária e a insegurança jurídica enfrentadas pelo agronegócio.

Durante o evento, confirmou o ex-governador Reinaldo Azambuja como candidato ao Senado e afirmou que a senadora Tereza Cristina é sua principal preferência para compor uma chapa presidencial como vice.

Já em maio, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), cumpriu uma extensa agenda no Estado focada em temas ligados ao agronegócio e à segurança pública, participando de encontros com empresários e lideranças evangélicas em Campo Grande, além de marcar presença na Expoagro, em Dourados.

Em Campo Grande, ele foi recebido pelo senador Nelsinho Trad (PSD), participando de encontros com pastores e empresários, enquanto em Dourados defendeu medidas de combate ao crime organizado, incluindo a classificação de facções como organizações terroristas e uso de satélite para monitorar as fronteiras.

No mesmo período, o médico e escritor Augusto Cury (Avante), que também se apresenta como pré-candidato à Presidência, esteve em Campo Grande para participar de um evento beneficente no Hospital São Julião.

Além da palestra, ele integrou um ato político que oficializou o deputado estadual Lidio Lopes como nova liderança do partido no Estado.

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Internacional

Trump diz que EUA não vão liberar ativos nem afrouxar sanções em acordo inicial com Irã

Trump enfatizou que qualquer alívio financeiro só será discutido em um momento posterior

07/06/2026 21h00

Presidente dos Estados Unidos da América, Donaldo Trump

Presidente dos Estados Unidos da América, Donaldo Trump Foto: Arquivo

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Em entrevista concedida ao programa Meet the Press, da rede de televisão americana NBC News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano não vai liberar ativos financeiros congelados nem afrouxar as sanções econômicas contra o Irã em nenhum eventual acordo inicial para encerrar a guerra entre os dois países. Trump enfatizou que qualquer alívio financeiro só será discutido em um momento posterior, caso as autoridades de Teerã demonstrem conformidade e bom comportamento.

O líder republicano criticou duramente as gestões anteriores, mencionando o pacto assinado pelo ex-presidente Barack Obama, que envolveu o envio de dinheiro em espécie aos iranianos. “Sob a minha liderança, o desfecho será muito mais favorável aos interesses de segurança de Washington”, disse o presidente.

O chefe do Executivo detalhou que os dois países estão muito próximos de assinar um pacto definitivo para cessar as hostilidades, mas revelou que a diplomacia americana exige termos ainda mais severos contra o que chamou de planos atômicos de Teerã. Trump quer incluir uma cláusula explícita que proíba o Irã não apenas de desenvolver, mas, também, de comprar ou adquirir armas nucleares por vias alternativas.

Caso um acordo de cooperação seja firmado, os EUA pretendem trabalhar em conjunto com as forças iranianas para confiscar e destruir todo o urânio enriquecido utilizando equipamentos militares americanos.

Na ausência de um entendimento diplomático rápido, o presidente alertou que as forças americanas vão continuar degradando o poderio militar iraniano de forma severa até que as tropas de Washington consigam coletar e neutralizar o material nuclear de maneira unilateral e segura.

No balanço das operações militares, Trump declarou que os EUA destruíram quase por completo as forças convencionais do país persa nos últimos três meses. Conforme relatórios do Pentágono, cerca de 90% da marinha e 95% das minas navais iranianas foram eliminadas, embora metade da frota não convencional de barcos do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) permaneça intacta.

O presidente ainda estimou que o Irã retém apenas 21% a 22% do seu estoque original de mísseis pré-guerra. Apesar do enfraquecimento das defesas de Teerã, Trump confirmou que pretende manter o contingente de 50 mil soldados americanos posicionados no Oriente Médio por tempo indeterminado até a conclusão definitiva das tratativas, utilizando a presença militar como um forte elemento de pressão na mesa de negociações.

Em relação aos impactos econômicos globais, Trump reconheceu que o fechamento do Estreito de Ormuz - canal por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial - pressionou temporariamente os preços da gasolina e dos fertilizantes no mercado interno.

Ele ponderou que aceitou arcar com esse custo inflacionário de curto prazo para eliminar a ameaça nuclear da região, mas previu que as cotações internacionais do barril de petróleo vão despencar assim que o conflito for oficialmente encerrado.

No front macroeconômico doméstico, o presidente elogiou os dados de emprego do último relatório de payroll, classificando-os como realmente fortes. Ainda assim, Trump assegurou que não há qualquer justificativa para o Federal Reserve (FED) aumentar as taxas de juros americanas nas próximas reuniões de política monetária, defendendo que tanto agricultores quanto consumidores dos EUA experimentarão uma forte expansão econômica e alívio de custos assim que a estabilidade internacional for restabelecida.

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