Política

Eleições 2014

PMDB deve renovar acordo com Dilma

PMDB deve renovar acordo com Dilma

r7

10/06/2014 - 10h15
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Há algumas semanas, crescia no PMDB o movimento "não vai ter aliança", numa analogia ao bordão das manifestações populares contra a Copa do Mundo, mas ele foi contido e o partido deve reafirmar na próxima terça-feira (10), durante sua convenção nacional, o pacto com o PT para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mas a legenda quer repactuar essa aliança após a eleição.

Para conseguir conter o movimento rebelde, com raízes muito fortes na bancada na Câmara, foi necessário um grande esforço do vice-presidente da República Michel Temer, presidente licenciado da legenda, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Dilma e dos caciques do PMDB no Senado. Esse esforço político, porém, foi para salvar a aliança eleitoral.

Para que ela prospere nos próximos meses e se consolide após a possível reeleição de Dilma, porém, o PMDB recebeu a promessa de que o acordo com o PT será repactuado, permitindo que o maior partido da aliança da presidente tenha mais espaço num vindouro ministério e uma maior participação nas políticas públicas.

Confiante, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse que cerca de 80% dos 738 votos da convenção devem apoiar a renovação da aliança. Já nas contas dos rebeldes essa vantagem, se ocorrer, será muito menor.

Raupp admite que as negociações estaduais causaram problemas para a aliança nacional em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Mato Grosso do Sul, na Bahia e no Rio Grande do Sul.

Essas tensões locais e o difícil relacionamento de Dilma com o Congresso desde que assumiu em 2011 são os motores da divisão no seio peemedebista, como ficou evidenciado numa reunião do diretório nacional da legenda no mês passado.

Raupp disse que o PMDB quer participar mais do governo num eventual segunda mandato de Dilma.

— Não é uma questão de cargos. Eu defendia e continuo defendendo inclusive uma redução no número de ministérios.

Segundo ele, o que PMDB quer é integrar para valer a condução e a contrução das políticas públicas. Um outro peemedebista disse, sob condição de anonimato, que esse aceno já foi feito por Dilma e Lula em reuniões recentes com peemedebistas.

— É uma repactuação da relação [entre o partido e o governo], do diálogo com o Congresso, da participação da formulação do novo governo, das implementação das políticas públicas.

Para esse peemedebista, mais do que a participação de Lula e Dilma na reta final, a manutenção da aliança foi garantida pelo esforço de Temer e dos caciques partidários do Senado.

Na covenção, serão 510 delegados com direito a voto, sendo que alguns deles tendo mais de um voto, dependendo do cargo que ocupam na estrutura partidária. Por isso, o total de votos da convenção é de 738.

Rebeldes ainda estão em campo

A despeito da cúpula peemedebista divulgar que a aliança será renovada, nos bastidores o "Movimento PMDB Independente" continua se esforçando para aprontar uma surpresa e rejeitar a dobradinha com PT na terça.

Na semana passada, os peemedebistas receberam um manifesto do movimento que continha duras críticas ao governo e pregava o fim da aliança. Nem mesmo a área de energia foi poupada, apesar do peemedebista Edison Lobão comandar o Ministério de Minas e Energia desde o segundo mandato de Lula.

Um dos líderes desse movimento, o deputado Danilo Forte (CE), desdenhou desse comprometimento de Dilma com a cúpula do PMDB por uma aliança com maior participação dos peemedebistas.

— O problema não é a questão pessoal, nem com a Dilma e nem com o Michel. O problema é o país, o problema é a economia, a inflação, o desemprego, o retrocesso que o país está vivendo em relação à primeira década dos anos 2.000.

Segundo ele, o PMDB não pode ser responsabilizado por esse quadro porque sempre foi tratado com desdém no governo e não participou das decisões tomadas pela presidente.

— O governo nunca nos deu espaço para discutir política pública. Não adianta vir agora com essa história de que está arrependido pelo que não fez e dizer que vai ter diálogo.

Eleições 2026

Aldeia de MS declara apoio a Lula e veta campanha de Flávio Bolsonaro

Vice-cacique Ester Salina afirma que decisão foi tomada pela comunidade para defender direitos indígenas e o território

10/10/2026 16h15

Aldeia  Pirajuí, em Paranhos

Aldeia Pirajuí, em Paranhos Arquivo Pessoal

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A comunidade indígena da Aldeia Pirajuí, em Paranhos, localizada a 465 km de Campo Grande, decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 e orientou apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) a não entrarem na reserva para fazer campanha eleitoral. Segundo a vice-cacique Ester Salina, a decisão foi tomada pelos próprios moradores, com o objetivo de defender os direitos dos povos indígenas e o território tradicional.

“Primeiramente, nós, povos indígenas, entendemos perfeitamente que a Constituição está em risco, ao distinguir os nossos direitos dos artigos 231 e 232. Sendo assim, a nossa comunidade entendeu muito bem quais riscos estamos correndo se os nossos direitos forem engolidos”, afirmou Ester em entrevista ao Correio do Estado, neste sábado (10).

A vice-cacique disse que a posição da comunidade também considera propostas associadas ao candidato da direita e os possíveis impactos sobre os direitos indígenas, caso ele seja eleito. Ela, porém, não detalhou quais propostas motivaram a preocupação.

Em comunicado divulgado pela comunidade, a Aldeia Pirajuí declara estar “fechada com o Lula no 2º turno” e pede que pessoas interessadas em fazer campanha para Flávio Bolsonaro evitem entrar na reserva.

Aldeia  Pirajuí, em Paranhos

“Em respeito à decisão soberana da comunidade e pela segurança das pessoas que queiram fazer campanha para o 22, orientamos que evitem entrar na Reserva Indígena Aldeia Pirajuí”, diz o texto, que também solicita respeito à decisão dos moradores.

Ester ressaltou que o posicionamento não foi imposto pelas lideranças nem resultado de interferência de grupos ligados aos dois lados da disputa política. Segundo ela, a comunidade deliberou sobre o apoio e as lideranças tiveram de respeitar a escolha.

“Essa decisão foi colocada pela comunidade de Pirajuí. E nós, como liderança, tivemos que acatar a decisão da comunidade”, declarou.

A vice-cacique também negou influência externa na definição do posicionamento eleitoral. “A comunidade tem autonomia suficiente para decidirmos sem intervenção de ninguém dos dois lados. Não teve influência de ninguém, nem da direita nem da esquerda. Só estamos defendendo o nosso direito e território”, afirmou.

A orientação divulgada pela aldeia é direcionada à entrada de pessoas que pretendam fazer campanha para o candidato do PL. O comunicado não detalha como a medida será aplicada nem menciona eventuais episódios anteriores envolvendo representantes de campanhas eleitorais.

Ester acrescentou que a localização da aldeia na fronteira seca e a falta de segurança também influenciaram a decisão. Segundo ela, moradores indígenas enfrentam ameaças e intimidações durante os períodos eleitorais.

“E mais um fato importante que também influenciou a comunidade a tomar essa decisão: nossa aldeia está localizada na fronteira seca, onde não temos segurança suficiente. Nós sabemos o perigo que nossos eleitores correm a cada eleição, por meio de ameaças e intimidações dos não indígenas”, finalizou.

IMPASSE ELEITORAL

Disputas judiciais podem gerar alteração em três cadeiras da Assembleia Legislativa

Jamilson tenta validar votos no TSE, enquanto as situações de Guerreiro e Lidio podem provocar outras mudanças

10/10/2026 08h00

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A composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) para a legislatura de 2027 a 2030 ainda pode sofrer alterações, em razão de questões judiciais envolvendo o deputado estadual Jamilson Name (PP), o deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro (PSDB) e o deputado estadual reeleito Lidio Lopes (Avante).

Conforme apuração do Correio do Estado, até esta sexta-feira ainda não havia decisões que efetivassem as substituições projetadas após a eleição de domingo, porém, as disputas judiciais que podem alterar três cadeiras da Casa de Leis podem se estender além da diplomação e da posse dos deputados eleitos e reeleitos. 

Os possíveis beneficiados, porém, evitam comentar a perspectiva de assumir um mandato por decisão judicial. O vereador campo-grandense Silvio Pitu (PSDB), apontado como possível substituto de Guerreiro, afirmou que não acompanha a questão.

Já o deputado estadual Junior Mochi (MDB), que poderia conquistar uma cadeira em um cenário de anulação dos votos de Lidio por suposta compra de votos, também preferiu não se manifestar.

RECURSO NO TSE

A movimentação judicial mais concreta envolve Jamilson Name, que recebeu 35.211 votos, atualmente sub judice. Sua defesa apresentou agravo interno contra a decisão do ministro Sebastião Reis Júnior, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que indeferiu o registro de candidatura após recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE).

Os advogados pediram urgência na análise pelo plenário, o restabelecimento do registro e o aproveitamento dos votos, além das providências necessárias para retotalização, diplomação e exercício do mandato.

A defesa sustenta que a votação obtida reforça a necessidade de uma definição do colegiado, embora não substitua o exame jurídico da candidatura.

No recurso, os advogados também contestam a fundamentação utilizada para barrar o registro. Argumentam que não foi demonstrada a integração da estrutura econômica atribuída ao parlamentar à organização armada investigada em outro processo nem interferência concreta dessa estrutura nas eleições.

Se os votos de Jamilson forem validados, a projeção aponta sua entrada na lista de eleitos e a passagem do deputado estadual reeleito Marcio Fernandes (PL) à suplência.

Nesse cenário, o PL cairia de nove para oito deputados, enquanto a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, ampliaria a bancada de quatro para cinco parlamentares.

Marcio, por sua vez, afirmou na terça-feira que considera sua eleição confirmada pelo resultado divulgado e aguarda a definição judicial. “Eu estou eleito, cabe à Justiça definir o que vai acontecer para a frente, só Deus sabe. Eu estou eleito”, declarou.

GUERREIRO E PITU

Ex-prefeito de Três Lagoas, Ângelo Guerreiro permanece com o registro de candidatura apresentado como deferido na atualização consultada.

A discussão envolve os possíveis efeitos eleitorais da condenação por improbidade administrativa relacionada a contratos de coleta de lixo durante sua gestão na prefeitura municipal.

Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) rejeitou um pedido de suspensão da candidatura, mas não resolveu o mérito de eventual inelegibilidade decorrente da condenação.

A defesa anunciou recursos contra o julgamento na Justiça estadual, alegando nulidades processuais e buscando a reforma da decisão.

A possível entrada de Pitu depende de Guerreiro ser impedido de ocupar a cadeira e de seus votos permanecerem válidos para a Federação PSDB-Cidadania. Se houver anulação da votação, os efeitos poderão alcançar a distribuição de vagas entre as legendas, exigindo outro cálculo.

Procurado para comentar o cenário, Pitu destacou o desempenho eleitoral do correligionário e lamentou que a federação não tenha conquistado mais uma cadeira. “O Ângelo Guerreiro foi muito bem votado. Não estou acompanhando isso. Prefiro não comentar. Lamento muitíssimo o PSDB não ter eleito quatro”, afirmou.

LIDIO E MOCHI

No caso de Lidio Lopes, a possibilidade de mudança está relacionada à suspeita de compra de votos envolvendo um assessor de sua equipe. O deputado negou participação e atribuiu o episódio a uma ação isolada do funcionário.

ão há decisão de cassação ou anulação de votos confirmada nas informações reunidas.

A projeção apresentada à reportagem considera que uma eventual cassação acompanhada da anulação dos votos de Lidio poderia beneficiar Junior Mochi. Nessa hipótese, o Avante perderia sua única cadeira e o MDB passaria de um para dois representantes.

A vaga, entretanto, não seria transferida automaticamente. A retirada dos votos exigiria nova totalização e recálculo da distribuição das cadeiras entre partidos e federações. Mochi evitou avaliar a possibilidade de retornar à Assembleia por esse caminho. “Não quero comentar. Essa questão cabe ao Judiciário”, disse.

PRAZOS

A diplomação e a posse não encerram, por si só, as possibilidades de mudança na Assembleia Legislativa. A legislação estabelece prazos para apresentar as contestações, mas o julgamento de uma ação proposta dentro do período permitido pode ocorrer já no mandato.

Ações de investigação judicial eleitoral por abuso de poder e representações por compra de votos podem ser apresentadas até a diplomação.

O recurso contra expedição de diploma, restrito às hipóteses legais de inelegibilidade e falta de condição de elegibilidade, tem prazo, em regra, de três dias contados da diplomação.

Já a ação de impugnação de mandato eletivo, fundamentada em abuso de poder econômico, corrupção ou fraude, pode ser proposta até 15 dias depois da diplomação. Esses prazos não representam uma data obrigatória para conclusão dos processos.

No caso de Jamilson, a discussão sobre o registro já está em andamento no TSE. Nos demais cenários, eventual alteração dependerá das medidas cabíveis, das provas e dos efeitos das decisões.

Assim, os deputados podem tomar posse e ainda enfrentar questionamentos capazes de modificar a composição da Casa ao longo da legislatura.

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