Política

OPINIÃO PÚBLICA

População de MS está dividida com relação à concessão de anistia

Levantamento IPR/Correio do Estado entrevistou 420 pessoas em 10 municípios, nos dias 19 e 20 de setembro

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Com a possibilidade de o projeto de lei da anistia para os condenados pelos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro de 2023 ser votado nesta ou na próxima semana pela Câmara dos Deputados, o Correio do Estado, em parceria com o Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), foi às ruas de Campo Grande e de mais nove cidades do interior do Estado para saber a opinião da população de Mato Grosso do Sul sobre a questão.

De acordo com o levantamento, realizado nos dias 19 e 20 de setembro, com 420 entrevistados com 16 anos ou mais de idade, a população estadual está dividida, pois 36,43% disseram que são a favor da anistia para todos, incluindo o ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL), enquanto 34,76% falaram que são contra qualquer tipo de anistia.

Ou seja, levando em consideração que a pesquisa tem intervalo de confiança de 95% e margem de erro considerada de 4,8 pontos porcentuais para mais ou para menos, há um empate técnico entre os dois grupos.

Dos entrevistados,18,10% são a favor da anistia apenas para os manifestantes do 8 de Janeiro e 10,71% não sabem ou não quiseram responder. 

Ainda pelo levantamento realizado pelo IPR/Correio do Estado, entre os que são a favor da anistia para todos, incluindo Bolsonaro, 44,04% dos entrevistados são do sexo masculino e 29,96% do sexo feminino, enquanto entre os que são contra qualquer tipo de anistia, 25,91% são homens e 42,29% são mulheres.

Já entre os que são a favor da anistia apenas para os manifestantes do 8 de Janeiro, 20,73% são do sexo masculino e 15,86% do sexo feminino, e, dos que não sabem ou não quiseram responder, 11,59% são mulheres e 9,33% são homens.

Em relação à idade dos entrevistados, a maioria favorável à anistia tem entre 45 e 55 anos (54,22%), enquanto a maioria no caso dos que são contra a anistia tem mais de 70 anos (56,41%), entre os que não sabem ou não quiseram responder, a maioria tem entre 16 e 24 anos (16,33%).

ANÁLISE

Segundo o diretor do IPR, Aruaque Fresato Barbosa, sobre a anistia, o dado mais interessante é a divisão dos entrevistados. “Com 36,43% a favor da anistia total e 34,76% contra, os números estão muito próximos e penso que é por isso que causa tanta repercussão”, disse.

Ele acrescentou que, “com 18,10% a favor, porém, só para as pessoas que foram condenadas pelo 8 de Janeiro, e contra a anistia para Bolsonaro e para os oficiais generais, o percentual de favoráveis aumenta, chegando a 54,53 pontos porcentuais”, analisou.

No entanto, conforme Aruaque Fresato, os porcentuais a favor e contra a anistia total estão muito próximos, indicando um empate técnico dentro da margem de erro. “Mesmo em um Estado considerado conservador e com mais pessoas da direita, o apoio à anistia total não é majoritário”, argumentou.

TENTATIVA DE GOLPE

A pesquisa IPR/Correio do Estado também perguntou aos entrevistados se eles acreditam que aconteceu ou não tentativa de golpe no 8 de Janeiro de 2023, 50% disseram que não, enquanto 46,19% falaram que sim, e 3,81% não sabem ou não quiseram responder, ou seja, também há um empate técnico, levando em consideração a margem de erro.

Entre os que consideram que não houve tentativa de golpe, 37,79% deles são do sexo masculino e 54,19% são do sexo feminino, enquanto dos que consideram que houve tentativa de golpe, 61,66% são homens e 40,09% são mulheres. Entre os que não sabem ou não quiseram responder, 1,55% é do sexo masculino e 5,73% são do sexo feminino.

Com relação à idade dos entrevistados, a maioria que acredita que houve tentativa de golpe no 8 de Janeiro tem entre 45 e 55 anos (54,22%), enquanto a maioria, no caso dos que acreditam que não houve tentativa de golpe, tem mais de 70 anos (56,41%), entre os que não sabem ou não quiseram responder, a maioria tem entre 16 e 24 anos (16,33%).

Nesta questão, o diretor do IPR disse que a percepção sobre haver ou não uma tentativa de golpe no dia 8 de Janeiro de 2023 também mostra uma divisão muito similar à questão da anistia. “Os números a favor e contra a ideia de que houve um golpe são extremamente próximos, sem que um lado se sobressaia majoritariamente”, apontou.

Aruaque Barbosa comentou que, em uma conclusão geral, a pesquisa demonstrou que a população de Mato Grosso do Sul está profundamente dividida, tanto sobre a concessão de anistia, quanto sobre a interpretação dos eventos de 8 de Janeiro como uma tentativa de golpe, sem que nenhum lado consiga uma maioria clara em nenhum dos temas.

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polêmica

Direitistas e esquerdistas de MS dividem opiniões após desfile de Lula na Sapucaí

Alguns políticos de MS se manifestaram contra o enredo, outros não se manifestaram e outro até prestigiou o desfile pessoalmente

16/02/2026 09h45

Presidente Lula acompanhou pessoalmente e desceu para cumprimentar alguns integrantes da escola de samba

Presidente Lula acompanhou pessoalmente e desceu para cumprimentar alguns integrantes da escola de samba Crédito: Instagram @academicosdeniteroi

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Homenagem ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi o enredo da Acadêmicos de Niterói, neste domingo (15), na Marques de Sapucaí, sambódromo localizado no Rio de Janeiro (RJ).

A escola de samba foi a primeira a se apresentar e abriu o desfile. Ao lado da esposa Janja, o presidente Lula acompanhou pessoalmente e desceu para cumprimentar alguns integrantes da escola de samba.

Lula permaneceu por mais de oito horas na Sapucaí, das 20h25min até 4h53min, no Camarote da Prefeitura do Rio.

Sob possíveis acusações de propaganda eleitoral irregular e crime eleitoral, o desfile causou polêmica nas redes sociais e dividiu opiniões de parlamentares em Mato Grosso do Sul.

Alguns políticos de MS se manifestaram contra o enredo, outros não se manifestaram, já outro até prestigiou o desfile pessoalmente.

O deputado federal, Marcos Pollon (PL), compartilhou um post de uma página criticando o desfile, com tom de crime eleitoral.

“Você sabe qual a diferença entre crime eleitoral e arte no Brasil? Depende de quem é o homenageado. A ministra liberou o desfile da Acadêmicos de Niterói, que vai homenagear o presidente Lula. A justificativa foi: é uma manifestação artística e cultural legítima. Ela disse que proibir isso seria censura prévia. Censura prévia? Engraçado, em 2022, a mesma ministra disse que a censura era proibida, mas, excepcionalmente, ela ia permitir para calar comentários, que criticavam o atual presidente. Entendeu a regra? Se você faz um documentário com fatos que eles não gostam é desordem informacional e tem que censurar antes de ir ao ar. Se eles fazem um desfile com dinheiro público, para pedir voto para o chefe, aí é cultura e a constituição garante. A justiça é cega, mas enxerga muito bem as cores do partido”.

O deputado federal, Rodolfo Nogueira (PL), também repudiou o enredo em homenagem a Lula.

“Autopromoção escancarada. Tudo indica que Lula está forçando uma inelegibilidade. Carnaval ou campanha eleitoral? Liberado pelo TSE. E se fosse ao contrário? Zombaria contra a família brasileira, contra Bolsonaro e a anistia”, disse, em suas redes sociais.

O vereador de Campo Grande, Rafael Tavares (PL), compartilhou um post irônico, com enredo de “Luladrão”, possivelmente criado por Inteligência Artificial (IA), para criticar o desfile.

"Bloco do Luladrão – lá vem o bloco do Luladrão, com a esbanja dando a mão. Luxo, hotel, avião e a conta vai pro povão. Passaporte carimbado, primeira classe, salão dourado, enquanto isso o trabalhador se arrebenta pelo Estado. O Luladrão, abre esse cartão, se é tudo certo, não bota sigilo não. O Luladrão, menos ostentação, quem paga a festa é nossa população. Estatal no vermelho afundado, INSS fila aumentando. Discurso fala em solução, mas o gasto sobe de montão. Muito luxo em Brasília e o povo tá na mão!".

Já o vereador de Campo Grande, Jean Ferreira (PT), acompanhou o desfile pessoalmente no Rio de Janeiro.

“Nosso sobrenome é BRASIL DA SILVA! Minha primeira vez na Sapucaí e a minha primeira escola a assistir com o samba enredo do meu Presidente Lula!”, afirmou o vereador, em suas redes sociais.

Os deputados federais Camila Jara (PT), Luiz Ovando (PP) e Vander Loubet (PT), deputado estadual Pedro Kemp (PT) e Luiza Ribeiro (PT) não se pronunciaram.

CARNAVAL NA CAPITAL

Especialistas veem riscos em desfile de escola de samba para Soraya Thronicke

Propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder são problemas apontados por comissão da OAB-MS e advogado eleitoralista

16/02/2026 08h30

A senadora Soraya Thronicke desfilando em 2022 no carro abre-alas da escola de samba Igrejinha

A senadora Soraya Thronicke desfilando em 2022 no carro abre-alas da escola de samba Igrejinha Arquivo

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Na noite de hoje, na Praça do Papa, em Campo Grande, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) vai ser homenageada como enredo pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Igrejinha e especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pelo Correio do Estado veem risco de crime eleitoral por parte da parlamentar, que é pré-candidata à reeleição no pleito deste ano.

A possibilidade ganhou mais força depois que a presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, liberou a homenagem de uma escola de samba do Rio de Janeiro ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas alertou que o desfile de carnaval “é um ambiente muito propício a que haja excessos, abusos e ilícitos” e que “a festa popular não pode ser uma fresta para ilícitos eleitorais”.

A ministra disse também que a anunciada participação de Lula “significa que há pelo menos um risco muito concreto, previsível, de que venha a acontecer algum ilícito que será objeto, com toda a certeza, da atuação desta Justiça Eleitoral”.

“Isto aqui não parece ser cenário de areias claras de uma praia, parece mais areia movediça. Quem entra, entra sabendo que pode afundar”, disse a presidente do TSE.

Portanto, nas análises da vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Andressa Nayara Basmage, e do advogado eleitoralista Alexandre Ávalo Santana, especializado em atuação nos tribunais jurídicos estaduais e nacionais, a senadora sul-mato-grossense deve estar preparada para ações na Justiça Eleitoral, visando a inelegibilidade dela nas eleições de outubro.

Andressa Basmage lembrou que o carnaval é manifestação cultural de ampla repercussão social e grande alcance midiático, circunstância que amplia significativamente a exposição pública de figuras públicas e agentes políticos.

“No âmbito do Direito Eleitoral, eventos dessa natureza devem observar os princípios da igualdade de oportunidades entre candidatos, da normalidade e legitimidade das eleições e da paridade de armas na disputa eleitoral”, alertou.

Ela disse que, “quando essa exposição ocorre de forma concentrada em torno de um único agente político, especialmente em evento de grande alcance social e ampla repercussão midiática, pode haver, em tese, potencial violação ao princípio da paridade de armas, com possível comprometimento da igualdade de condições entre os concorrentes ao pleito”.

A especialista lembrou que a eventual caracterização de propaganda eleitoral antecipada pode ensejar aplicação de multa eleitoral e imediata cessação da conduta irregular.

“Caso os fatos revelem utilização indevida da posição política, da influência institucional ou da exposição privilegiada com potencial de desequilíbrio na disputa eleitoral, poderá haver enquadramento como abuso de poder político, hipótese que pode resultar em sanções extremamente graves, incluindo cassação de registro de candidatura ou diploma, declaração de inelegibilidade e ajuizamento de Ação de Investigação Judicial Eleitoral”, afirmou.

DECISÃO LIMINAR

Já Alexandre Ávalo lembrou que a decisão da presidente do TSE no caso do presidente Lula foi uma decisão liminar, mas “os próprios julgadores achavam claro que não transitava o julgado, nem antecipava o mérito da discussão sobre antecipação posterior”.

“Por quê? Na verdade, você pode aferir se é antecipação ou propaganda antecipada indevida apenas se a pessoa se registrar como candidata e se disputar efetivamente com chance de ser eleita. Então, as consequências de um ato de pré-campanha, primeiro, que o crivo sobre ser ou não pré-campanha é a posteriori e, segundo, o efeito prático de alguém for eleita a pessoa que efetivamente, supostamente, possa ter feito campanha antecipada”, afirmou.

Entretanto, o advogado eleitoralista pontuou que até mesmo os pré-candidatos detentores de mandato eletivo têm sobre eles condutas vedadas desde o dia 1º de janeiro deste ano, quiçá aqueles que estão em exercício de mandato.

“Portanto, é um cuidado redobrado e a necessidade de ter uma assessoria jurídica consistente, com conhecimento e com experiência para não chorar depois de o leite ter sido derramado”.

Para concluir, ele disse que, em suma, todo e qualquer ato de pré-campanha só pode ser aferido como pré-campanha se, de fato, aquela pessoa registrar a candidatura e passar a ser candidato.

“Até então não há candidato. Em sendo candidato registrado, todos os atos anteriores a esse registro poderão ser avaliados, inclusive como pré-campanha”, finalizou.

*Saiba

A senadora Soraya Thronicke é enredo da escola de samba Igrejinha com o tema “A mulher que vira onça”, destacando a garra e a força da parlamentar com a frase de destaque: “Onça avança, mostra o que quer, garra felina, alma de mulher”. Ela já foi destaque em desfiles anteriores da Igrejinha e liberou emendas à escola.

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