Política

Operação do Gecoc

Prisão de ex-secretário coloca sob risco a pré-candidatura de Marquinhos Trad

A investigação é sobre contratos e aditivos firmados no período entre 2018 e 2025 que somaram mais de R$ 113,7 milhões

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A prisão do ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande e atual diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), Rudi Fiorese, pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), na manhã de ontem, por supostamente integrar organização criminosa que atuava fraudando a execução do serviço de manutenção de vias públicas no Município entre 2018 e 2025, coloca em risco a pré-candidatura a deputado federal do vereador Marquinhos Trad (PV) no pleito deste ano.

Conforme apuração do Correio do Estado, a Operação Buraco Sem Fim abre uma nova crise política e administrativa em Campo Grande, ao atingir contratos milionários de manutenção viária, apontando fraudes sistemáticas em medições de serviços, pagamentos indevidos e possível atuação de organização criminosa envolvendo servidores públicos e empresários.

A apreensão de R$ 429 mil em espécie – R$ 233 mil apenas na casa de Fiorese – durante o cumprimento dos 7 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão reforça suspeitas de corrupção estruturada dentro da máquina pública municipal. 

O caso gera desgaste político para a atual e antigas gestões municipais responsáveis pelos contratos firmados entre 2018 e 2025, ou seja, período em que Campo Grande era administrada pelo então prefeito Marquinhos Trad, que ficou no cargo de 1º de janeiro de 2017 a 1º de abril de 2022 – quando renunciou – e, depois, pela atual prefeita, Adriane Lopes (PP).

De acordo com o Gecoc, as evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.

Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a Construtora Rial, que é a empresa investigada pelo Gecoc, arrecadou com contratos e aditivos o montante de R$ 113.702.491,02.

O cumprimento dos mandados decorreu de decisão judicial proferida no bojo de procedimento que apura crimes contra a administração pública e outros delitos correlatos.

DESGASTE 

A prisão de Rudi Fiorese tem potencial para causar desgaste político à pré-candidatura de Marquinhos Trad a deputado federal porque o engenheiro era um dos principais nomes da área de infraestrutura durante a gestão do ex-prefeito.

A investigação do Gecoc mira justamente contratos de tapa-buraco firmados em 2018, período em que Fiorese comandava a pasta durante a administração do vereador.

O principal impacto político está na associação direta entre o ex-prefeito e o ex-secretário que foi preso. Fiorese foi secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos entre 2017 e 2023, sendo considerado homem de confiança da gestão.

O próprio Marquinhos foi quem convidou Fiorese para o serviço público e saiu publicamente em sua defesa após a operação.

Mesmo sem ser alvo da operação até agora, Marquinhos pode enfrentar desgaste porque a oposição tende a explorar três pontos centrais: a investigação envolve contratos assinados durante sua administração; os investigados ocupavam cargos estratégicos em sua gestão; e o caso atinge uma área historicamente sensível para prefeitos, obras públicas e tapa-buraco.

Além disso, o caso ganha peso político pelo volume investigado. O Gecoc apura supostas fraudes que podem ultrapassar R$ 113,7 milhões, entre contratos e aditivos. Também houve apreensão de dinheiro em espécie nas casas dos investigados.

Outro fator que pode prejudicar Marquinhos é o simbolismo eleitoral da operação. Em ano pré-eleitoral, prisões relacionadas a corrupção costumam produzir forte desgaste de imagem, especialmente para candidatos que tentam reconstruir capital político. 

Marquinhos já enfrentou dificuldades nas últimas eleições estaduais e tenta voltar ao protagonismo político com a candidatura à Câmara dos Deputados.

A estratégia adotada por ele também pode gerar interpretações ambíguas, pois, ao defender Fiorese e questionar o timing da operação por causa da proximidade das eleições, o ex-prefeito busca preservar um aliado e afastar responsabilidade direta. 

Porém, adversários podem usar essa defesa para reforçar a narrativa de vínculo político e administrativo entre os dois.

Por outro lado, há fatores que podem limitar o dano eleitoral: Marquinhos não foi citado oficialmente como investigado; ele argumenta que os contratos passaram por órgãos de controle; a investigação também alcança períodos posteriores à sua gestão; e parte do eleitorado distingue responsabilidade administrativa de responsabilidade criminal individual.

Ainda assim, politicamente, operações envolvendo ex-secretários costumam contaminar a imagem do gestor que os nomeou, principalmente quando o caso envolve suspeita de corrupção em contratos públicos de grande valor.

Em uma disputa para deputado federal, na qual imagem e recall político pesam muito, o episódio tende a se transformar em munição constante dos adversários de Marquinhos Trad durante a campanha.

OUTRO LADO

Procurado pela reportagem, Marquinhos Trad afirmou que confiava na conduta e na trajetória profissional de Rudi Fiorese, destacando que sua escolha para integrar a administração municipal ocorreu após criteriosa análise técnica de currículo e histórico profissional.

“Tenho certeza de que ele é uma pessoa correta, honesta e decente. Durante todo o período em que trabalhou na administração, nunca me trouxe qualquer contratempo”, declarou o vereador.

O ex-prefeito também ressaltou que os contratos realizados durante sua gestão passaram pelos órgãos de controle e fiscalização competentes, sem apontamentos de irregularidades contratuais.

Segundo ele, eventuais questionamentos devem ser apurados com responsabilidade, garantindo o amplo direito de defesa e a presunção de inocência.

Marquinhos Trad ainda destacou que “sua gestão trabalhou para reduzir gradativamente os contratos de tapa-buracos, priorizando obras de recapeamento com base em estudos técnicos elaborados por instituições como o CREA-MS e a UFMS, buscando maior durabilidade e eficiência na recuperação da malha viária da Capital”.

“Sempre defendemos uma gestão técnica, responsável e transparente. Confiamos nas instituições, mas também acreditamos que toda investigação deve ocorrer com equilíbrio, responsabilidade e respeito ao devido processo legal”, finalizou.

AGESUL

Como no momento da prisão Rudi Fiorese ocupava o cargo de diretor-presidente da Agesul, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) informou, por meio de nota, que o exoneraria ainda ontem.

Ainda em nota, a Seilog revelou que só tomou conhecimento da operação, que apura contratos do Município de Campo Grande, e que não é alvo da investigação. “O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria Municipal de Obras [Infraestrutura e Serviços] da Capital, período ao qual a investigação se restringe”. 

Também na nota, a Seilog disse que se “comprometia com lisura e transparência na administração pública, acompanha o desenrolar da investigação e já tomou as providências necessárias, com a exoneração do servidor”.

Decisão

Comissão da Câmara aprova projeto que libera saque do FGTS para compra de armas

Proposta é de autoria do deputado federal Marcos Pollon (PL/MS)

12/05/2026 18h02

Deputado federal Marcos Pollon

Deputado federal Marcos Pollon Foto: Divulgação

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A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 12, um projeto de lei que autoriza o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a aquisição de arma de fogo.

A proposta autoriza que trabalhadores possam sacar os valores anualmente, na data de seu aniversário ou dia útil subsequente.

Para isso, será necessária a apresentação da autorização de compra de arma e regularidade no Sistema Nacional de Armas (SINARM) ou no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (SIGMA)

De autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS), a proposta limita o saque ao valor necessário para a aquisição da arma, cota anual de munições correspondentes à arma comprada e outros acessórios

Na justificativa, o deputado alegou que o projeto "harmoniza os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, do direito à autodefesa e da liberdade individual, com a função social do FGTS".

Segundo Pollon, o texto assegura aos cidadãos o "pleno exercício de sua legítima defesa".

O relator da proposta, deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), foi favorável ao projeto sob a justificativa de que o uso da arma de fogo "aumenta o custo da ação criminosa e reduz a vulnerabilidade da vítima".

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado em 13 de setembro de 1966, com o objetivo de proteger o trabalhador demitido sem justa causa, mediante a abertura de uma conta vinculada ao contrato de trabalho.

Atualmente, é permitido o saque somente em situações específicas, como em demissões sem justa causa, doenças graves, aposentadoria e compra da casa própria.

Também é permitido aos trabalhadores o saque em casos de calamidade, o que permite ao trabalhador sacar parte do valor em casos de desastres naturais como alagamentos, deslizamento e fortes chuvas.

Brasil

Lula diz que criará Ministério da Segurança após Senado aprovar PEC

Texto foi aprovado na Câmara e agurda votação no Senado

12/05/2026 14h45

Marcelo Câmara/Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (12) que o governo criará o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado Federal aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, conhecida como PEC da Segurança Pública, já aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados.

“Sempre recusei aprovar o Ministério da Segurança Pública enquanto a gente não tivesse definido qual seria o papel do governo federal na segurança pública”, completou.

Durante o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, Lula lembrou que, na Constituição de 1988, “quase toda a responsabilidade” no que diz respeito à segurança pública foi repassada aos governos estaduais.

“A gente estava, naquela época, com muita necessidade de nos livrar, no governo federal, porque era sempre um general de quatro estrelas que tomava conta da segurança pública”.

“Agora, estamos sentindo a necessidade de o que o governo federal volte a participar ativamente, mas com critérios e com determinação. A gente não quer ocupar o espaço dos governadores, nem o espaço da polícia estadual. O dado concreto é que, se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão.”

Entenda

Preparada pelo governo federal após consulta aos governadores, a PEC da Segurança Pública, entregue em 2025 pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, busca desburocratizar e dar maior eficiência ao trabalho de autoridades no combate a organizações criminosas, inclusive por meio da aproximação de entes federativos com o governo federal.

Um dos pilares da proposta é o de dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública, criado em 2018 por lei ordinária. 

A fim de desburocratizar procedimentos que, no formato atual, dificultam a ação das autoridades, está prevista uma maior integração entre União e entes federados para elaborar e executar as políticas voltadas à segurança pública.

Para tanto, prevê a padronização de protocolos, informações e dados estatísticos, em um contexto em que, com 27 unidades federativas, acaba-se tendo 27 certidões de antecedentes criminais distintas, 27 possibilidades de boletins de ocorrências e 27 formatos de mandados de prisão.

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