Política

emendas parlamentares

Projeto de deputado de MS para filme de Bolsonaro é investigado por emendas pix

Marcos Pollon e mais dois deputados terão que explicar verba destinada à produção de documentário sobre o ex-presidente; assessoria nega a denúncia

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O deputado estadual Marcos Pollon (PL-MS) está na lista de deputados intimados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) a prestarem esclarecimentos sobre denúncias de que emendas parlamentares estariam sendo usadas para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O projeto é de autoria do próprio deputado Pollon, proposto em 2023, que solicitava emendas para a realização do projeto “Heróis Nacionais - Filhos do Brasil que Não Se Rende”, com colaboração de Eduardo Bolsonaro, Mario Frias (PL), Hélio Lopes (PL), Júlio Cesar (Republicanos), Carla Zambelli (PL) , Delegado Ramagem (PL) e Bia Kicis (PL). 

A decisão atende a um pedido feito pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) que afirma que Kicis, Frias e Pollon teriam destinado, de forma irregular, verbas para o custeio do filme. 

Na denúncia, Tabata afirma que um montante de R$ 2,6 milhões teriam sido enviados à ONG Academia Nacional de Cultura (ANC) através de “emendas pix”. De acordo com o documento, os repasses não teriam ocorrido em linha reta, mas sim, por meio de outras empresas, “o que pode configurar uma violação às regras impostas por Dino no processo das emendas”. 

Conforme apurado pelo Correio do Estado, a ANC não é uma produtora audiovisual, mas, sim, uma associação de artistas e produtores culturais. Em seu site, afirmam que “A ANC foi criada para preparar artistas e produtores para um mundo em constante disrupção”. 

Segundo a assessoria de Pollon, o recurso referente à emenda não foi repassado para a associação até agora. 

“Essa é a justificativa que iremos dar para o ministro. Esse dinheiro não chegou, nem saiu dos cofres públicos. Então, essa denúncia não tem justificativa e é inexistente”, afirmou a assessoria. 

Segundo a equipe do parlamentar, a emenda está “devidamente destinada a uma associação regularmente qualificada, que apresenta todas as certidões exigidas pela legislação federal, estadual e municipal”. 

Outro caso

Fora a produção do documentário, Pollon também teria destinado R$ 180 mil a outro documentário intitulado “Genocidas”. Eduardo Bolsonaro destinou R$ 500 mil para a produção e Mário Frias também alocou pouco mais de R$ 180 mil, em um montante que resultou em R$ 860.896,27. 

Segundo o Portal da Transparência, o valor foi pago entre os dias 7 e 11 de fevereiro, com verba vinda do Ministério da Cultura. O documentário seria produzido por membros da Secretaria Especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro. 

A associação que recebeu as emendas foi a Passos da Liberdade, que afirma ser uma associação “diretamente envolvida em iniciativas culturais e documentais que destacam histórias de resiliência e transformação social”. 

No entanto, o canal no Youtube do grupo conta com apenas um vídeo, com o título “Acolhidos - Relatos da Operação Acolhida”, postado há um ano e com pouco mais de 120 visualizações. 

Quando convém

Os deputados filiados ao Partido Liberal (PL) já fizeram várias críticas à destinação de dinheiro público para o incentivo à cultura, através da Lei Rouanet. Também já atacaram a Lei Paulo Gustavo, criada para auxiliar o setor cultural durante o período da pandemia. 

O Ministério da Cultura chegou a ser extinto durante o governo Bolsonaro, dendo substituído por uma secretaria vinculada ao Ministério do Turismo. 

Recentemente, Eduardo e Marcio Frias criticaram o filme “Ainda Estou Aqui”, que veneu o Oscar de Melhor Filme Internacional, com afirmações de que o filme aborda uma “ditadura inexistente” e que seria uma “propaganda comunista”. 

As posições entram em contradição com a destinação de dinheiro público para filme e documentários produzidos por aliados. 
 

Política

A cada visita de um Bolsonaro à Casa Branca, quem paga a conta é o povo, diz Elias Rosa

A declaração foi feita em entrevista à CNN Brasil

24/06/2026 21h00

Flávio Bolsonaro e o irmão, Eduardo, nos Estados Unidos

Flávio Bolsonaro e o irmão, Eduardo, nos Estados Unidos Reprodução

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, criticou a família de Jair Bolsonaro nesta quarta-feira, 24, atribuindo a parentes do ex-presidente a responsabilidade pela aplicação de tarifas do governo dos Estados Unidos contra o Brasil.

"Eu lamento dizer isso, mas, a cada visita de um Bolsonaro à Casa Branca, quem paga a conta é o povo brasileiro, e tem sido assim desde o início", disse o ministro, durante uma entrevista à CNN Brasil.

Rosa relembrou que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou a abertura de uma investigação contra o Brasil pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), ainda em julho do ano passado, com base na Seção 301.

A investigação resultou, em junho deste ano, na recomendação do USTR para que os EUA aplicassem novas tarifas contra produtos brasileiros, por causa de supostas práticas comerciais indevidas do País. O governo brasileiro vem negociando para evitar que essas taxas entrem em vigor.

"Me parece que foi uma encomenda que eles tinham feito para o governo norte-americano, imaginando que, quanto maior o dano à economia brasileira, melhor é o capital político deles", acusou o ministro.

Rosa relatou já ter participado de oito reuniões com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para tratar das investigações. Na mais recente delas - realizada no último sábado, 20 -, ficou acertado um prazo de duas semanas para que a próxima rodada aconteça.

Segundo o ministro, a preocupação tem sido de indicar maneiras de fazer uma acomodação tarifária para aumentar a participação de bens e serviços americanos na economia brasileira, mas sem causar prejuízos ao País.

"Um dos temas que a 301 levanta é que os nossos acordos preferenciais com Índia e México causariam dano para as exportações norte-americanas. Em algumas reuniões temos discutido isso, tentando mostrar que as linhas tarifárias com o México ou a Índia não causam dano aos EUA", disse.

Dark Horse

Fachin pede análise técnica antes de decidir sobre relator de caso 'Dark Horse'

A questão passou a ser analisada por Fachin após um pedido de Moraes

24/06/2026 20h00

Ministro Luiz Edson Fachin, do STF

Ministro Luiz Edson Fachin, do STF Foto: Gerson Oliveira

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pediu análise da área técnica antes de decidir se a investigação envolvendo o dinheiro enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o filme Dark Horse deve ser julgado por André Mendonça ou Alexandre de Moraes.

No despacho publicado nesta quarta-feira, 24, Fachin pediu à Coordenadoria de Processamento Inicial da Secretaria Judiciária que preste esclarecimentos sobre os critérios de distribuição dos processos.

O caso foi parar com Moraes após ele receber uma notícia-crime do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) sobre o tema. O deputado pediu a ampliação do escopo do inquérito que mirava o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) - do qual Moraes é relator - para abarcar a conduta de Flávio.

Eduardo foi condenado na semana passada por suposta coação no curso do processo e obstrução à Justiça no julgamento da trama golpista que tinha como líder o seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A questão passou a ser analisada por Fachin após um pedido de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, em manifestação ao Supremo na última segunda-feira, 22, que a investigação deve ser redistribuída para o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.

O pedido de Lindbergh foi feito após o site The Intercept Brasil revelar que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para bancar o filme inspirado na trajetória do pai.

Cerca de R$ 61 milhões foram pagos e enviados a um fundo ligado a Eduardo nos EUA. A suspeita é que o dinheiro tenha sido usado para bancar a atuação do ex-deputado contra autoridades brasileiras. Após receber a notícia-crime, Moraes enviou a petição para análise da PGR.

Ao analisar o pedido do deputado, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerou que o episódio "já é objeto de procedimento próprio na Suprema Corte, que tramita sob a supervisão do eminente Ministro André Mendonça".

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