Política

IMPASSE

Resistência dos cartórios impede redução no valor das escrituras

Associação dos donos de cartório é contra redução linear de 30% no valor das escrituras; Tribunal de Justiça enfrenta dificuldades para reduzir o preço

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O projeto de lei reivindicado por vários setores da sociedade para reduzir o valor dos emolumentos (taxas dos serviços) dos cartórios do Estado está parado há 1 ano e meio no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) aguardando nova redação.

Um impasse sobre a forma como a redução ocorrerá e sobre quem eventualmente perderá para que as taxas sejam reduzidas impede que o TJMS envie o texto para a Assembleia Legislativa. 

O corregedor-geral do TJ, Luiz Tadeu Barbosa Silva, disse ao Correio do Estado que um novo projeto seria enviado aos deputados estaduais até o fim deste mês.  

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Representantes do setor imobiliário se reuniram no dia 1º deste mês com a Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso do Sul (Anoreg-MS), entidade que reúne os cartórios do Estado, para conhecer a posição do segmento cartorário a respeito das propostas de alterações nos emolumentos – preços estipulados em lei e cobrados pelas unidades pela prática dos serviços de notas e de registros, entre eles, as escrituras públicas e os registros imobiliários.

“A Anoreg-MS destacou na reunião que uma proposta de redução linear de 30% em todos os preços torna inviável a sustentabilidade financeira das unidades, diminuindo a qualidade na prestação de serviços e acarretando a renúncia e o fechamento de diversos cartórios de pequenas cidades, que terão seu funcionamento inviabilizado”, informou a instituição em comunicado à imprensa.  

A entidade que representa os donos de cartórios alega não ter tido acesso ao texto final que está sendo redigido pelo TJMS, mas se antecipou ao divulgar a nota, depois de reunião realizada no início do mês com representantes do setor imobiliário.  

O desembargador Luiz Tadeu, por sua vez, disse ao Correio do Estado que haverá redução no valor das escrituras, mas também uma compensação para os proprietários de cartório.

Ele, porém, não detalhou como ocorrerá essa compensação e não explicou se ela ocorrerá como há 1 ano e meio, quando somente escrituras de imóveis de até R$ 300 mil tiveram desconto, enquanto o restante teve reajuste de preço.  

Renegociação

O trabalho de renegociação foi retomado de forma mais contundente no início deste ano, depois de a proposta anterior ter sido retirada de pauta pelo Tribunal de Justiça em março de 2020.

Ainda não está claro se esta redução no preço das escrituras será linear (para todas as faixas de transação financeira) ou somente para negociações de baixo valor.

O deputado estadual Barbosinha (DEM), um dos principais articuladores da proposta de redução das taxas entre Assembleia, Tribunal de Justiça e a associação que representa os donos de cartório (Anoreg), está mais otimista do que no ano anterior, quando a expectativa era de que as taxas caíssem 30%, no entanto, acabaram subindo.

“Há uma expectativa de que haja essa redução, porém, pode até ser mais de maneira escalonada. Acredito que esse PL chegue para nós até o fim de setembro ou começo de outubro, ainda vai passar pelo pleno no TJ e depois vai ser enviado para a Casa”, disse Barbosinha.

No projeto retirado de pauta no ano passado pelo Tribunal de Justiça e apoiado pelos titulares de cartórios, além do aumento no custo da maioria das escrituras (somente as faixas intermediárias teriam pequena redução), houve a tentativa de impor uma “trava legal”.

Essa "trava" obrigava, no ato do registro do imóvel, que o cidadão contribuísse com fundos direcionados à associações de juízes de Direito, de promotores de Justiça, de defensores públicos e de procuradores do Estado, tendo como base a tabela praticada em Mato Grosso do Sul, e não a de estados vizinhos.  

Inconstitucional

O mesmo projeto enviado no ano passado impedia que negócios realizados em Mato Grosso do Sul fossem registrados em cartórios de estados vizinhos, como São Paulo e Paraná, que cobram taxas quase 10 vezes menores em alguns casos. O item foi considerado inconstitucional pela Comissão de Constituição e Justiça na ocasião.

Em virtude destas duas “surpresas” após a promessa de redução no valor das taxas, o projeto acabou retirado de pauta na ocasião.

No início deste ano, houve nova pressão de entidades ligadas ao setor produtivo para a redução no custo dos cartórios, e a Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça retomou a análise do assunto.

“Quando chegar na Casa, vai passar por todo aquele trâmite de protocolo, passar pelo regimental, então não tem muito o que fazer a não ser esperar pela Corregedoria do TJMS”, disse o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Gerson Claro.

Disputa

Além dos donos de cartório e do Poder Judiciário, o impasse também envolve as associações de classe (juízes, promotores, defensores públicos e procuradores do Estado), que se beneficiam das taxas extras cobradas em todos os serviços da tabela de emolumentos.

O motivo do impasse seria a falta de disposição, sobretudo das entidades ligadas ao Judicário e aos donos de cartório, de abrir mão da receita. Os recolhimentos para os fundos ocorrem de forma proporcional ao valor do serviço prestado toda vez que o pagamento por ele é feito.

No caso específico dos donos de cartório, há um impasse interno para viabilizar a lei. Os titulares das serventias localizadas em grandes cidades, que têm alto faturamento, têm resistência em direcionar parte de suas receitas para um fundo que compensaria cartórios de cidades menores, onde o faturamento é baixo e há dificuldade para preencher as vagas por meio de concurso público.

O Correio do Estado perguntou a deputados, donos de cartório e magistrados, mas nenhum deles confirmou se para ocorrer a esperada redução de 30% no valor dos serviços haverá um aumento para compensar a perda de faturamento.

MINISTERIÁVEL

Azambuja é cotado para o Ministério da Agricultura se Flávio for eleito presidente

Ex-governador integra grupo da senadora Tereza Cristina (PP), que já ocupou o cargo na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro

15/08/2026 07h30

O ex-governador Reinaldo Azambuja e o senador Flávio Bolsonaro durante encontro em Brasília (DF)

O ex-governador Reinaldo Azambuja e o senador Flávio Bolsonaro durante encontro em Brasília (DF) Arquivo

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O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado, desponta como um dos nomes cotados para assumir o Ministério da Agricultura em uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República.

A possibilidade de o ex-governador ser apontado como favorito para o comando da Pasta foi divulgada pela coluna Grande Angular, do site Metrópoles, porém, Azambuja disse que não tem conhecimento sobre essa questão.

Em declaração exclusiva ao Correio do Estado, ele considerou prematuro discutir a possibilidade antes das eleições de outubro e afirmou que, neste momento, está concentrado na disputa por uma vaga no Senado e na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Estado.

“Acredito que seja prematuro tratar dessa possibilidade antes do resultado das eleições. Primeiro, o senador Flávio Bolsonaro precisa ser eleito presidente da República e, depois, teria de haver um convite para que eu assumisse o Ministério da Agricultura”, afirmou.

O ex-governador ressaltou que uma eventual ida para o primeiro escalão de um governo de Flávio Bolsonaro somente seria analisada após a eleição e diante de um convite formal.

“Estou focado na minha eleição para o Senado e em trabalhar para que Flávio seja eleito presidente. Se ele vencer a eleição e, posteriormente, me fizer o convite para assumir o Ministério da Agricultura, aí sim vou avaliar essa possibilidade com carinho”, completou Azambuja.

Azambuja mantém proximidade política com a senadora Tereza Cristina (PP), que comandou a Pasta durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A trajetória ligada ao setor rural também reforça seu nome nessas articulações.

Azambuja filiou-se ao PL em setembro de 2025, depois de deixar o PSDB, partido pelo qual construiu a maior parte da carreira política. Atualmente, ele preside o diretório estadual da legenda no Estado.

A chapa ao Senado tem Nelsinho Trad como primeiro suplente, pois o parlamentar desistiu de disputar a reeleição e passou a apoiar o ex-governador.

Reinaldo Azambuja governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2023. Antes de chegar ao governo estadual, foi prefeito de Maracaju, deputado estadual e deputado federal.

Maracaju é um dos principais polos agropecuários de Mato Grosso do Sul, com destaque para a produção de soja e milho. O município também sedia a Showtec, feira voltada à inovação e à tecnologia aplicadas ao setor rural.

A ligação de Azambuja com o agronegócio também aparece na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, quando informou R$ 55,9 milhões.

Desse total, R$ 47,8 milhões, o equivalente a 85,4%, estão concentrados em ativos relacionados com o setor agropecuário. A lista inclui participações em imóveis rurais, benfeitorias, bens empregados na atividade rural, 80 mil sacas de milho, 3.343 bovinos e cotas de cooperativas do segmento.

ccj

Alcolumbre destrava PEC do fim da 6x1 após conversas com Lula

Senador estava para encaminhar proposta para análise desde maio

14/08/2026 21h00

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre Divulgação/ Agência Brasil

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 foi despachada, nesta sexta-feira (14), pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Na última quarta-feira (12), tive uma importante conversa institucional com o presidente Lula. Foi um diálogo maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do governo e tratar da agenda legislativa de interesse do nosso país", informou, em nota, Alcolumbre.

A PEC estava na mesa do senador desde o final de maio, depois de aprovada na Câmara dos Deputados.   

O presidente do Senado informou ainda que, a partir das conversas com o presidente Lula, encaminhou também para as comissões competentes a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) e o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/2024), todos prioritários para o Executivo.

"Cabe ao Executivo apresentar suas prioridades e ao Congresso Nacional analisá-las com independência e a responsabilidade de construir os melhores caminhos para o país", disse Alcolumbte na nota.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse que a decisão de Alcolumbre foi fruto do diálogo institucional.  

"É uma demonstração importante de que o diálogo produz resultados e abre caminhos para fazer avançar uma agenda fundamental para o desenvolvimento do Brasil", comentou Teresa Leitão.

Pressão

Esta semana foi a primeira de trabalhos deliberativos no Congresso Nacional desde a volta do recesso de julho. O MDB e o PT voltaram a pressionar Alcolumbre para que liberasse a PEC da escala 6x1 para análise.

Em nota, a bancada do MDB no Senado pediu a liberação para as comissões da PEC do fim da 6x1, do PL dos minerais críticos e a PEC da Segurança Pública. 

O líder do partido no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), pediu a votação das matérias em sessão plenária na quarta-feira (12).

"Não há razão, portanto, regimental ou política, que justifique o adiamento. O que falta é a decisão de pautar, e isso é o que a bancada requer a V. Exa. Se há setores com especificidades - e entendemos que há -, vamos discutir e apontar soluções para estes setores", cobrou Braga do presidente do Senado.

A PEC 221 de 2019 acaba com a escala 6x1 instituindo a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além de reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A proposta permite compensar o sábado ou domingo trabalhados no caso de categorias com jornadas especiais, mas mantendo o número de folgas remuneradas em duas por semana, em média, gozadas obrigatoriamente no mesmo mês.

A proposta também estipula uma regra de transição de até 14 meses. A exceção são os trabalhadores terceirizados da Administração Pública, que terão uma regra de transição diferenciada.

Para todos os demais trabalhadores, em 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas terão que garantir a escala de 5x2, assim como a redução da jornada para 42 horas semanais. Doze meses após essa primeira redução, a jornada cai para 40 horas.

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