Política

SOB SUSPEITA

Promotor instaura inquérito para investigar irregularidades na obra da Câmara de Dourados

Ricardo Rotunno apura a existência de irregularidades no processo licitatório para a reforma da sede da Casa de Leis

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O promotor de Justiça Ricardo Rotunno, da 16ª Promotoria de Justiça da Comarca de Dourados, publicou, na edição desta quinta-feira (4) do Diário Oficial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a instauração do Procedimento Preparatório nº 06.2023.00000482-7 para apurar notícia indicativa da existência de irregularidades no processo licitatório que teve por objeto a “contratação de pessoa jurídica, especializada na execução de obra para reforma e ampliação da sede do Palácio Jaguaribe, para atender as demandas da Câmara Municipal de Dourados”.

Na denúncia enviada ao promotor de Justiça, a empresa vencedora do processo licitatório responde por ação civil pública por improbidade administrativa movida pela Promotoria de Justiça de Coxim, cujo os autos estão no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Além disso, os atestados de capacidade técnica podem não corresponder com a obra licitada. 

“As diligências iniciais apontam para a confusão entre a empresa vencedora do certame, a saber, Projetando Construtora & Incorporadora Ltda (CNPJ 18.930.668/0001-01) e a pessoa jurídica JMBF Projetando Arquitetura & Construções Ltda (CNPJ 33.748.369/0001-36), ao que tudo indica pertencentes ao mesmo grupo de pessoas. Confusão esta que pode ter culminado em possível falsificação do atestado de capacidade técnica utilizado pela vencedora na fase de habilitação do procedimento licitatório, o que reclamaria anulação do certame”, justificou Ricardo Rotunno.

O promotor de Justiça ainda completou que foram observadas “condutas outras que podem importar, se comprovadas, em pratica lesiva ao patrimônio público, razão pela qual devem ser melhor avaliadas, aprofundando-se as apurações, motivo pelo qual, instaura-se o presente”.

Ele concedeu 10 dias úteis para a empresa se manifestar sobre eventual atestado de capacidade técnica; para o CREA/MS e CAU/MS encaminhem cópias de ARTs emitidas em favor das empresas Projetando Construtora & Incorporadora Ltda e JMBF Projetando Arquitetura & Construções Ltda; e a Jucems encaminhe cópias dos estatutos sociais e todas as alterações respectivas.

A Câmara Municipal de Dourados também tem os mesmos 10 dias para justificar qual o fundamento legal para a contratação direta e onerosa de profissional da área de arquitetura para o acompanhamento do certame, a despeito da disponibilização de equipe técnica pelo Município de Dourados.

Suspensão 

No início desta semana, por decisão da Mesa diretora, a Câmara Municipal de Dourados já instaurou processo administrativo com a finalidade de apurar possíveis irregularidades nos documentos do processo licitatório visando à contratação de empresa para execução das obras de reforma e ampliação do prédio do legislativo municipal. 

Também, por meio de portaria da Presidência, está suspensa por 45 dias a execução do contrato, bem como a obra que compõe o seu objeto, até o encerramento do processo administrativo.

A decisão foi tomada após conclusão de diligências realizadas pelo corpo técnico da Câmara Municipal, cujas informações e documentações apuradas colocam em dúvida os documentos apresentados pela empresa no certame, principalmente em respeito à autenticidade da Certidão de Acervo Técnico.

Conforme apurado, há inconsistência no que se refere ao RRT (Registro de Responsabilidade Técnica); identificação da empresa contratada; identificação do número de contrato; registro da data de início e fim da obra; supressão do contrato de serviços nº 081/15 e seus aditivos nº 01 e 02; data dos documentos de Termo de Recebimento e Obras e Atestado Técnico junto a Energia Sustentável do Brasil (ESBR) e divergência nos itens e assinaturas do Atestado de Capacidade Técnica de Obras.

Conforme a Portaria nº 03/23, a suspensão da execução do contrato se dá no intuito de preservar o erário público, “haja vista que pairam suspeitas sobre a veracidade ou autenticidade de documentos utilizados na fase classificatória do certame nº 063/2022, e tendo em vista que o certame findou-se com assinatura e atual execução do Contrato nº 041/2022/DL/CMD”.

“Por uma questão de precaução, defesa do erário e dos interesses da coletividade, resolvemos suspender a execução do contrato, até que se apure todas as suspeitas de irregularidades. Não poderíamos continuar com a obra quando pairam dúvidas sobre procedimentos da empresa responsável. É preciso apurar”, expressou o presidente da Casa de Leis, vereador Laudir Munaretto (MDB).

Endereços falsos

Conforme apuração feita pelo Correio do Estado, a empresa vencedora do certame, que inclusive já iniciou as obras pelo estacionamento do prédio, onde será construído anexo do administrativo, estaria utilizando um endereço falso nos dados contidos em pelo menos um dos seus dois Cadastros Nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJs).
 
No caso da vencedora do certamente, “Projetando Construtora e Incorporadora Ltda.”, de propriedade do arquiteto José Moacir Bezerra Filho, com sede em Coxim (MS), detentora do CNPJ 18.930.668/0001-01 e cujo nome fantasia é o “Projetando Arquitetura”, o endereço é Rua Herculano Pena, 405, no centro de Coxim, em frente ao 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM).
 
No local, não há uma placa com a logomarca da empresa, contendo o nome fantasia, o que dificulta a possibilidade de afirmar se no endereço realmente funciona uma construtora. Porém, o mesmo empresário também é dono da “Projetando Arquitetura e Construções Ltda.”, CNPJ nº 33.748.369/0001-36, também com sede em Coxim e com o mesmo nome fantasia, ou seja, “Projetando Arquitetura”, funcionando na Rua João Pessoa, 26, também no centro da cidade.
 
É justamente nesse endereço – Rua João Pessoa, 26, centro – que está a falha, pois, no local, funciona uma empresa de decoração de festas, a Suh Decor – Decoração de Festa. Para agravar ainda mais a situação, a filial da empresa “Projetando Arquitetura”, em Campo Grande (MS), também tem um endereço falso, pois, no endereço citado, Avenida Hiroshima, 12, Bairro Carandá Bosques, funciona o “Espaço Prime Mato Grosso - Casa noturna”.

Para o farmacêutico douradense Racib Panage Harb, que em fevereiro deste ano denunciou a suspeita de irregularidades envolvendo a empresa por usar dois CNPJs diferentes, o uso de endereços falsos em pelo menos um dos dois endereços das matrizes das duas empresas e também na filial de uma delas em Campo Grande  só reforça que há algo de errado com a “Projetando Arquitetura” e, portanto, merece ser investigada.
 
“A Projetando Arquitetura foi o responsável pela construção da concha acústica da Praça João Ferreira de Albuquerque, em Coxim, onde fica a sede da empresa. Em 2018, essa concha acústica, que custou R$ 274,5 mil, foi demolida, três anos após ser interditada por risco de desabamento”, denunciou.
 
Racib Panage Harb revelou ao Correio do Estado que a ação civil pública sobre essa obra está em andamento na Justiça e oito pessoas foram denunciadas por improbidade administrativa. “Entre elas está o arquiteto José Moacir Bezerra Filho, também responsável técnico pela obra da Câmara de Dourados”, declarou.
 
Ele completou que em Coxim a empresa responsável pela construção da concha acústica foi denunciada por causar danos ao erário público na utilização de materiais de baixa qualidade e desvios consideráveis no projeto original, sendo a mesma acusada até de litigante de má fé.

A reportagem tentou entrar em contato com o empresário José Moacir Bezerra Filho, mas, até o fechamento desta matéria não obteve contato, sendo que o espaço continua aberto para manifestação.

O Correio do Estado também procurou a assessoria de imprensa do presidente da Câmara Munciopal de Dourados, vereador Laudir Munaretto (MDB), porém, até o fechamento desta matéria não obteve sucesso, sendo que o espaço prossegue aberto para ouvir o chefe do Legislativo municipal.

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Pesquisa

Reinaldo Azambuja avança e lidera corrida ao Senado

Ex-governador consolida liderança e amplia vantagem sobre os concorrentes na disputa por uma vaga no Senado Federal

25/08/2026 07h45

Reprodução

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O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) ampliou sua vantagem na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado e acumulou crescimento de 4,84 pontos porcentuais entre março e agosto deste ano. Na média entre o primeiro e o segundo votos estimulados, o ex-governador passou de 18,18% para 23,02% no período.

Os dados fazem parte da quarta pesquisa de intenções de votos para o Senado, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), no período de 19 a 23 de agosto de 2026, com 784 eleitores de 17 municípios que juntos concentram 68% da população do Estado, registrada sob os números BR-05012/2026 e MS-07621/2026.

A série de pesquisas estimuladas, ou seja, quando são apresentadas aos entrevistados as opções com os nomes dos candidatos, mostra crescimento contínuo de Azambuja, que tinha 18,18% em março, avançou para 20,03% em abril, chegou a 22% em junho e atingiu 23,02% em agosto.

O movimento ampliou a distância para o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), segundo colocado na média dos dois votos. Ele registrava 17,16% em março e aparece agora com 17,09%, mantendo-se praticamente estável durante os cinco meses, enquanto a diferença entre os dois, que era de apenas 1,02 ponto porcentual no início da série, chegou a 5,93 pontos porcentuais em agosto.

O deputado federal Vander Loubet (PT) aparece na sequência, com média de 8,99%; em março, o petista tinha 6,95%, o que representa crescimento de 2,04 pontos porcentuais. Durante a série, chegou a 9,25% em abril, recuou para 7,84% em junho e voltou a subir na rodada mais recente.

A senadora Soraya Thronicke (PSB) registra 8,10% na média do primeiro e do segundo votos; ela tinha 7,97% em março, alcançou 8,74% em abril e caiu para 7,40% em junho antes de apresentar nova alta em agosto.

Entre os demais candidatos, Beto do Movimento (Psol) aparece com 3,06%, Roberto Oshiro (Novo) com 2,04%, Daniel Junior (Agir) com 1,66% e Luiz Lemes (DC) com 1,40%. Brancos e nulos somam 9,50% na média dos dois votos, enquanto os indecisos representam 23,60%, juntos chegam a 33,10%.

Outro dado que chama atenção na comparação entre as pesquisas é a redução do grupo formado por eleitores indecisos e aqueles que declaram voto branco ou nulo. Em março, eles representavam 49,74% da amostra, enquanto em agosto o índice caiu para 33,10%, uma redução de 16,64 pontos porcentuais.

ESPONTÂNEA

Na pesquisa espontânea, isto é, quando os entrevistados são questionados sobre o primeiro voto para o Senado sem que os nomes dos candidatos sejam apresentados, Capitão Contar lidera, com 5,10%, enquanto Reinaldo Azambuja aparece com 2,42%, seguido por Soraya, com 1,15%, e Vander Loubet, com 0,26%.

Nesse cenário, porém, o principal dado é o elevado número de eleitores que ainda não sabem espontaneamente em quem votar. Dos 784 entrevistados, 675, ou 86,10%, declararam-se indecisos. Outros 4,21% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto.

No segundo voto espontâneo, a indefinição é ainda maior. Os indecisos chegam a 91,33% dos entrevistados. Reinaldo Azambuja é o candidato mais citado, com 3,57%, seguido por Capitão Contar, com 0,64%, e Vander Loubet, com 0,26%. Brancos e nulos representam 4,21%.

REJEIÇÃO

A pesquisa também mediu a rejeição dos candidatos ao Senado e Soraya aparece com o maior índice, sendo citada por 13,90% dos entrevistados, enquanto Vander Loubet vem na sequência, com 10,33%, seguido por Capitão Contar, com 8,16%, e Reinaldo Azambuja, com 4,85%.

Beto do Movimento registra rejeição de 3,44%, Roberto Oshiro, 1,15%, Luiz Lemes e Valter da Comagran (PRD), 0,89% cada, Daniel Junior, 0,77%, e Valderi Garcia (PCO), 0,38%.

Apesar dos índices individuais, a maior parcela dos entrevistados, 34,69%, afirmou não rejeitar nenhum dos nomes apresentados. Outros 9,06% disseram rejeitar todos os candidatos e 7,91% não souberam responder.

Com duas cadeiras em disputa neste ano, cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado. Por isso, a média entre o primeiro e o segundo votos permite acompanhar de forma mais ampla a força de cada candidatura.

A série de levantamentos indica que Azambuja conseguiu não apenas manter a liderança, mas também aumentar sua distância em relação aos principais adversários ao longo dos últimos cinco meses.

Apuração

PF vai acessar dados de operação da Civil que atingiu produtora de Dark Horse, decide Dino

Policia pediu acesso ao material para ampliar as investigações sobre suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo emendas parlamentares, envolvendo a produtora

24/08/2026 19h00

Ministro Flávio Dino

Ministro Flávio Dino Foto: Gustavo Moreno/STF

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento de dados da Polícia Civil de São Paulo com a Polícia Federal (PF) dos dados apreendidos na operação que atingiu Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP Entertainment Ltd, responsável pelo filme "Dark Horse" (Azarão, na tradução do inglês), sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A própria PF pediu acesso ao material para ampliar as investigações sobre suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo emendas parlamentares, envolvendo a produtora. O roteiro de Dark Horse é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que, em 2024, destinou R$ 2 milhões em emendas para a ONG do filme.

Em maio, a defesa de Mário Frias negou ao ministro Flávio Dino que tenha feito triangulação de repasse de emendas para financiar a produção do filme. O deputado disse que a alegação é "puramente especulativa", baseada em "pré-julgamento" e um "argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade".

A reportagem pediu manifestação de Karina sobre as investigações O espaço está aberto.

Nas primeiras horas do mês de junho, a 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), deflagrou uma operação para investigar a suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade de Karina Ferreira da Gama.

Na ocasião, o ICB, a Go UP, dois endereços residenciais de Karina e a sede da Secretaria Municipal Inovação e Tecnologia foram alvos da operação, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão determinados pela 1.ª Vara Regional da Garantias (1.ª RAJ).

A Polícia Civil também requisitou à Justiça acesso às análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras feitas pelo ICB, pela Go Up e por Karina. Entre as hipóteses investigadas está a de que parte dos recursos possa ter ido parar nos cofres da Go Up durante o tempo em que o filme "Dark Horse" foi produzido.

A obra teve mais de 90% de seu orçamento bancado com dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. O financiamento secreto foi tratado entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro mesmo depois da prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal em um dos celulares do banqueiro.
 

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