O editorial do jornal O Globo apontou o senador Delcídio do Amaral (PT), pré-candidato a governador de Mato Grosso do Sul, como responsável pela unção do engenheiro Nestor Cerveró para dirigir a área internacional da Petrobras, segundo reportagem na edição de hoje do jornal Correio do Estado. Cerveró foi acusado pela presidente Dilma Rousseff de apresentar relatório “técnica e juridicamente falho” para induzi-la a assinar, juntamente com o Conselho de Administração da estatal, do qual era presidente como ministra-chefe da Casa Civil, a proposta de compra da refinaria em Pasadena, Texas (EUA).
A principal polêmica é o preço do negócio: US$ 1,18 bilhão pela unidade que havia sido, em 2005, comprada pela belga Astra Oil por cerca de US$ 42 milhões. Em 2006, a estatal brasileira comprou 50% da refinaria da Astra por US$ 360 milhões. Depois, a Petrobras ainda teve de gastar mais US$ 820,5 milhões no negócio, pois foi obrigada pela cláusula put option a comprar os outros 50% de Pasadena.
Depois de patrocinar a indicação de Cerveró para a Petrobras, Delcídio virou as costas às denúncias de compra superfaturada da refinaria americana. Em nota, o senador disse que, “embora tenha trabalhado com boa parte dos atuais dirigentes da Petrobras, nunca indiquei qualquer pessoa para ocupar cargos de direção na empresa”. Não era isto que ele dizia antes. A imprensa nacional também destaca o relacionamento de amizade de Delcídio com Cerveró e sua indicação para a diretoria da área internacional da Petrobras.
Depoimento
A oposição negocia com o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró sua ida ao Congresso Nacional para depor sobre a compra da refinaria de Pasadena (EUA). Os entendimentos ocorrem após Cerveró sinalizar estar disposto a dar a sua versão sobre o polêmico negócio de US$ 1,18 bilhão, investigado pelo Tribunal de Contas da União, Polícia Federal e Ministério Público por suspeita de ter causado prejuízo aos cofres da Petrobras. A reportagem é de Adilson Trad com Agência Folha.


